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As Mônadas e os Números Primos PDF

As Mônadas e os Números Primos

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Lógica Alvissarista

Qual o objeto do Lógica? Ora, objeto da Lógica é a Verdade. A verdade e a falsidade são um processo dialético. O que é verdadeiro hoje pode se tornar falso amanhã, e o que é falso hoje pode se tornar verdadeiro amanhã. A verdade e a falsidade não são fixas. O processo dialético da verdade e da falsidade é movido por uma contradição inerente a todas as coisas. A contradição é a base fundamental de toda transformação. Sem contradição não há transformação. Se a contradição não fosse a base primordial de toda transformação, nada mudaria no universo, tudo permaneceria intacto e fixo.

Tudo no mundo nasce, morre e renasce. Esse é o princípio da transformação e do processo dialético da existência formado por Tese, Antítese e Síntese. Porém, não é possível prever se depois de um nascimento virá outro nascimento, uma morte ou um renascimento, o que é possível saber é que não são possíveis trocas diretas entre o nascimento e a morte sem antes perpassar pelo renascimento, ou seja, ao contrário do que pensara Hegel (1770-1831), não são possíveis trocas diretas entre a Tese e a Antítese sem antes perpassar pela Síntese.

A proposição é uma combinação de significantes, e por isso ela é articulada. Os fatos em si não possuem o menor sentido, o que dá sentido aos fatos são as proposições; porém, nem toda proposição é dotada de sentido, pois nem toda proposição é capaz de dar significação aos fatos.

O pensamento é organizado como uma cadeia de significantes. O conjunto total dos significantes é a linguagem. A Filosofia Alvissarista é uma crítica da linguagem baseada em sua própria origem.

A proposição não é uma figuração da realidade, como pensava Wittgenestein, mas sim uma figuração do real. A proposição é um modelo imperfeito do mundo real, porque ela não consegue modelar a totalidade do mundo real. A proposição é em si própria a estrutura da realidade que tenta expressar o mundo real em sua totalidade, mas sua tentativa é sempre frustrada pelos limites da linguagem, que são os limites de sua origem.

A proposição é uma forma de simbolizar o real, mas o simbólico nunca atinge a totalidade do real, justamente porque o real é aquilo que não pode ser simbolizado em sua totalidade.

Nem todo fato pode ser afigurado, pois a proposição não pode atingir a totalidade do real. A proposição é a estrutura simbólica da realidade que tenta dar sentido ao mundo real.

A proposição mostra seu sentido ao afigurar uma ordem nos fatos reais. Se a proposição não consegue afigurar uma determinada ordem nos fatos reais, então ela é sem sentido. O real não pode ser completamente descrito pela proposição, e isso quer dizer: não há proposição que possa ser analisada em sua totalidade.

A proposição constrói uma realidade através do enlace com os fatos do mundo real. Uma proposição sem sentido não quer dizer de forma alguma que seja falsa, pelo contrário, a verdade se manifesta justamente em paradoxos lógicos. A verdade é quilo que repete e insiste. A verdade é um contrassenso, na medida em que é um movimento dialético baseado na contradição de opostos binários, como o Verdadeiro e o Falso.

Uma palavra não toma o lugar de uma coisa ou de um fato, mas sim o lugar de uma impressão psíquica. Não há lógica que não seja, antes, psicológica.

A verdade e a falsidade são como os dois lados de uma mesma moeda ou os dois lados de uma folha de papel, não tem como passar por uma sem perpassar pela outra, o que significa que a verdade não é um fato fixo, mas sim uma cadeia de fatos. A verdade é um processo, um paradoxo.

O princípio da contradição é limitado a determinadas situações da existência, e incompleto por não possuir um aparato lógico capaz de lidar com paradoxos existenciais, já que é perfeitamente possível que uma proposição seja verdadeira e falsa ao mesmo tempo ou que duas proposições contrárias sejam verdadeiras ao mesmo tempo tal como nos mostrou o grande matemático, lógico e filósofo brasileiro Newton da Costa (1929), e nisso consiste a existência de paradoxos lógicos na psicologia, que demonstra que um sujeito pode desejar e não desejar a mesma coisa no mesmo instante, como um conflito existencial que pode ser do tipo aproximação-afastamento, aproximação-aproximação, afastamento-afastamento; na filosofia, como as antinomias da razão pura descobertas por Kant (o mundo tem um começo no tempo e é também limitado no espaço, ou, o mundo não tem nem começo nem limites no espaço, mas é infinito tanto no tempo quanto no espaço), e na lógica, como o paradoxo de Russel (1872-1970) (o conjunto de todos os conjuntos que não se contém a si próprio como membro dos conjuntos), ou na matemática, como o teorema da incompletude de Gödel (1906-1978) (sempre há em uma teoria consistente proposições verdadeiras que não podem ser demonstradas nem negadas, isto é, uma teoria pode provar sua consistência somente se for inconsistente).

As ciências naturais não são a totalidade das proposições verdadeiras, como pensava Wittgenstein, mas sim a totalidade das proposições falseáveis, como nos mostrou Popper (1902-1994). Científico não é sinônimo de proposição verdadeira, mas sim sinônimo de proposição falseável. Pois, como vos disse a verdade não é um ponto fixo, mas sim um processo.  A ciência é constituída por juízos estritamente sintéticos e a insciência constituída por juízos estritamente analíticos.

A questão é que os juízos analíticos são capazes de recuperar um resto da verdade real através de um retorno na realidade simbólica e imaginária. Ora, os juízos analíticos são constituídos por um eterno retorno do sujeito no predicado, e justamente por isso são absolutamente verdadeiros e necessários. Essa é a causa de o Alvissarismo ter fundamentado a filosofia e a moral através de juízos analíticos e não sintéticos, como quis Kant, já que, como sabemos, é absolutamente possível construir juízos sintéticos falsos, já que na síntese não há qualquer espécie de retorno do real no simbólico e/ou no imaginário, ou seja, nos juízos sintéticos não há qualquer espécie de retorno do sujeito no predicado, porém, apesar de ser absolutamente possível estruturar juízos sintéticos falsos, a falsidade em si não é uma necessidade dos juízos sintéticos, de modo que eles também podem ser verdadeiros, ou seja, os juízos sintéticos são estritamente problemáticos, na medida em que podem ser verdadeiros ou falsos, enquanto que os juízos analíticos são necessariamente verdadeiros, não podendo em circunstancia alguma ser falso. Portanto, sendo a ciência (Física, Química, Biologia e Geologia) estruturada por juízos sintéticos e a insciência (Filosofia, Religião, Arte e Ética) estruturada por juízos analíticos, sabemos de antemão que a ciência pode ser falsa ou verdadeira enquanto a insciência só pode ser verdadeira. As tautologias das proposições filosóficas, religiosas, estéticas e éticas demonstram que a insciência é estruturada em um eterno retorno do sujeito no predicado, e, apesar de parecer um conhecimento vazio ou sem sentido lógico, estrutura em si mesmo a manifestação da verdade, pois a verdade é aquilo que repete e insiste.

É por isso que toda vez que surge um novo sistema filosófico, temos a sensação de que ele nada diz de novo, já que a filosofia é um fenômeno que se manifesta através da repetição tautológica, isto é, da releitura de outras filosofias anteriores, de modo que todas elas parecem dizer de algum modo a mesma coisa, isso acontece porque a filosofia é estruturada através de juízos que são estritamente analíticos. Portanto, que fique bem claro que nós não estamos dizendo que a ciência produz um saber falso, mas sim que ela pode produzi-lo, já que a ciência não é necessariamente nem verdadeira nem falsa, ou seja, científico não é sinônimo de juízo verdadeiro ou falso, mas sim sinônimo de juízo hipotético e problemático, ou seja, a ciência é constituída por juízos onde o predicado exprime uma consequência hipotética em relação ao sujeito, onde o predicado admite a afirmação ou a negação do sujeito como meramente possível, a previsibilidade da ciência é uma falácia, pois, a proposição: “o mundo continuará a existir amanhã”, é uma hipótese problemática, e isto quer dizer: não temos condições de saber de modo assertórico e apodítico se o mundo de fato continuará a existir amanhã, em outras palavras, os juízos científicos podem ser tanto falsos quanto verdadeiros, enquanto que, por outro lado, os juízos filosóficos, religiosos, estéticos e éticos são necessariamente verdadeiros, não podendo haver neles qualquer possibilidade de falsidade.

Um dos aspectos do “Eterno Retorno” de Nietzsche (1844-1900) diz respeito aos ciclos repetitivos da história da humanidade, já que o homem está nitidamente preso a um número limitado de fatos históricos que se repetiram no passado, ocorrem no presente e se repetirão no futuro, o mesmo sucede com a filosofia, a religião, a arte e a ética.

Para nós, a tautologia aparente nos juízos analíticos, estrutura a manifestação da cópula entre dois significantes e fundamenta o retorno da verdade no saber, ou seja, o retorno do objeto real (mundo) no objeto simbólico e/ou imaginário (linguagem), em outras palavras, o retorno do sujeito no predicado através de analogias e paradoxos lógicos como o gato de Schrödinger, por exemplo, que demonstra através de um experimento imaginário o paradoxo de um gato que está simultaneamente vivo e morto. É com base nesse tipo de paradoxo existencial que podemos perceber o retorno do real no simbólico e/ou no imaginário, retorno esse que é a própria manifestação da verdade que a ciência jamais terá condições de afirmar ou negar. O experimento do gato de Schroedinger demonstra que a hipótese da imortalidade da alma é improvável, mas não é impossível, pois, se é um fato que existe morte após a vida, como então poderia não existir vida após a morte? As proposições filosóficas, religiosas, lógicas, estéticas e éticas são improváveis, mas não são impossíveis.

A Epistemologia Alvissarista é uma filosofia da psicologia. Ou seja, ela trata daquilo que é psicologicamente possível ou impossível conhecer assim como daquilo que é psicologicamente provável ou improvável. Sua função é delimitar os limites do conhecimento com base na origem da linguagem, delimitando aquilo que é dizível e aquilo que é indizível.

Baseando-nos no exemplo de Wittgenstein, suponhamos que haja, numa urna, o mesmo número de bolas brancas e pretas (e nenhuma outra). Retiramos uma bola após a outra e voltamos a coloca-la na urna. Através dessa experiência, podemos estabelecer que, com o processo das retiradas, o número de bolas pretas e brancas se aproxima sucessivamente. Desse modo, torna-se tão provável que nós retiremos uma bola branca quanto uma bola preta. Isso quer dizer: todas as circunstâncias que nos são conhecidas (inclusive as chamadas leis da natureza hipoteticamente aceitas) não fornece à ocorrência de um evento maior probabilidade do que a ocorrência de outro. Quer dizer, ambas são reduzidas a no máximo 50% de sua possibilidade.

A desatenção de Wittgenstein nesse exemplo se dá pelo fato de ele não ter percebido que, justamente no instante em que nós retiramos uma das bolas da urna (ou seja, no momento de suspensão em que estamos com a bola nas mãos, mas ainda não a colocamos de volta na urna), o nosso conhecimento se eleva a 75%, pois nesse momento nós sabemos de antemão que há menos uma bola na urna, e é justamente esse (-1) que representa a experiência mística estruturada pelo sentimento e pela revelação. Ou seja, o sentimento e a revelação aumentam o nosso conhecimento em 25%. Podendo o homem conhecer até 75% da verdade da existência, sendo os 25% restante absolutamente indizível do ponto de vista teórico e somente possível do ponto de vista da prática moral.

A filosofia tem por dever ir até o extremo do dizível e, quando chegar a esse ponto, deve-se calar e passar a palavra à religião, isto é, ao que é místico. O método correto em religião é propriamente dizer sobre tudo aquilo que não pode ser dito pela filosofia, isto é, proposições metafísicas, porém, reconhecendo que todas as proposições a seu respeito estão para a ordem da fé e não da razão. A função da religião é justamente falar sobre aquilo que a filosofia deve-se calar, porém, admitindo que todas as suas proposições são hipotéticas e problemáticas e jamais possuirão caráter assertórico e apodítico. A verdadeira religião é aquela que, amparada à filosofia, é capaz de, humildemente, reconhecer os seus próprios limites. A verdadeira religião é aquela que fala sobre tudo aquilo que a filosofia se cala, porém, reconhecendo que toda a sua fala é absolutamente vazia de significado. A metafísica não é uma questão para a filosofia, mas sim para a religião. Toda filosofia ou religião que não reconhece os seus próprios limites é fanática e dogmática, e, por isso, extremamente danosa a toda humanidade. A função da filosofia é essencialmente crítica, ou seja, seu objetivo deve ser justamente descobrir os limites do dizível. E a função da religião é justamente aceitar humildemente os limites descobertos pela filosofia e expor as suas proposições metafísicas como estando além desses limites. É preciso, por assim dizer, não jogar a escada fora depois de ter subido por ela, como quis Wittgenstein, mas sim reconhecer que ela não é capaz de nos levar até o topo.

Análise do Discurso: Religião, Psiquiatria e Ciência

Todo discurso é ideológico, inclusive a própria análise do discurso ou a própria concepção de ideologia. A análise do discurso é em si uma ideologia, tanto quanto a concepção de ideologia é em si um discurso ideológico. Não há discurso que não seja ideológico e nem ideologia que não seja discursiva. Por trás de todo discurso ideológico ou ideologia discursiva existe sempre o interesse pessoal do autor do discurso ou da ideologia a que ele está engendrado. O fundamental na análise do discurso não é exatamente o fundamento ideológico de cada discurso, mas sim a sua finalidade, seu propósito. A análise do discurso é uma metalinguagem, sendo, portanto, impossível, posto que ela mesma seja uma ideologia; ou seja, analisar a ideologia engendrada em um discurso é algo impossível porque a própria análise do discurso é uma ideologia. O que importa em um discurso não é exatamente o discurso em si ou sua ideologia, mas sim o fundamento moral de tal discurso ideológico. Não nos importa sabermos se tal discurso ideológico é de ordem científica, teológica, religiosa, racista, fascista, comunista ou capitalista, mas sim sabermos se tal discurso é moralmente bom ou mau, pois todos esses discursos em si mesmos são uma ideologia. Portanto, o objeto da análise do discurso não é o próprio discurso, mas sim a intensão moral da ideologia que está por trás do discurso. Não importa saber em qual ideologia o discurso se fundamenta; o que importa é saber se tal ideologia é moralmente boa ou má, se ela é justa ou injusta, se é certa ou se é errada. É necessário também saber quais ideologias e quantas ideologias esconde um discurso ideológico; por exemplo; um discurso x pode conter em si um discurso x, y, z. Existe um conjunto ideológico do discurso bem como existe um subconjunto ideológico dentro da própria ideologia do discurso. A análise do discurso não deve procurar saber qual é a ideologia por trás do discurso, mas sim procurar saber qual é a intensão moral por trás da ideologia, pois, como dissemos no início, todo discurso é ideológico e toda ideologia é discursiva, e ambos só são possíveis devido à linguagem.

Mas o que é a linguagem? A linguagem é o conjunto de todos os significantes. Mas se a linguagem é o conjunto de todos os significantes, isso implica que, para ela ter surgido, é necessário que haja a ausência de um significante dentro do conjunto de todos os significantes, e esse significante ausente é, para nós, o fogo, como vos dissemos em outro lugar. O que está em questão quando nos referimos à origem, à essência e à natureza da linguagem é o Paradoxo de Russell (1872-1970). Considere o conjunto de significantes L como sendo “o conjunto de todos os conjuntos que não se contêm a si próprios como membros”. Formalmente: o significante representado pela letra S é elemento da linguagem representada pela letra L se e só se S não é elemento de S. Em outras palavras, o significante é elemento da linguagem se e só se o significante não é elemento do conjunto de significantes.

L = {S / S Ɇ S}

No sistema linguístico, L é um conjunto bem definido de significantes. A questão a ser resolvida aqui é a seguinte: será que L se contém a si mesmo? Se sim, não é membro de L de acordo com a definição. Por outro lado, supondo que L não se contém a si mesmo, tem de ser membro de L, de acordo com a definição de L. Desse modo, as afirmações “L é membro de L” e “L não é membro de L” conduzem ambas a contradições. Isso corrobora a tese de Lacan de que não há uma metalinguagem ou um metadiscurso que de alguma forma consiga escapar às limitações do paradoxo exposto acima, uma vez que o sujeito está sempre operando dentro de uma linguagem específica, mesmo quando fala de uma outra linguagem, quer dizer, nem mesmo no exemplo clássico de Hamlet, onde existe uma peça de teatro dentro da própria peça, há uma metalinguagem, porque a linguagem usada para descrever a peça teatral dentro da própria peça teatral não é outra senão a própria linguagem teatral; ou seja, nem mesmo se um sujeito sonhasse que estivesse tendo um sonho isso constituiria uma metalinguagem, pois a linguagem usada para descrever o sonho dentro do próprio sonho seria a própria linguagem onírica. Todos os exemplos de metalinguagem são completamente falsos e ilusórios, pois, em verdade, não há uma metalinguagem, e isto quer dizer: não há uma verdade da verdade. Não existe em nenhum exemplo de metalinguagem um ponto fora da linguagem, mas simplesmente uma elucidação da linguagem analisada. Toda linguagem requer uma perda de gozo (a exemplo da própria linguagem, que nasceu da perda do fogo) e tem sua própria verdade, que é, por vez, cuidadosamente camuflada. Cada linguagem define essa perda do gozo de uma forma específica. Kant (1724-1804) elucidou determinadas características do discurso metafísico, Hegel elucidou determinadas características do discurso do mestre, Lacan elucidou determinadas características do discurso da universidade, da histérica e do analista, Marx (1818-183) por outro lado elucidou determinadas características do discurso capitalista, Olavo de Carvalho (1947), por sua vez, elucidou determinadas características do discurso comunista, Frege (1848-1925), Russell e Wittgenstein (1889-1951) elucidaram determinadas características do discurso lógico-matemático, o Alvissarismo elucidou determinadas características do discurso científico, psicanalítico, filosófico, teológico e religioso, mas nenhuma dessas elucidações tão importantes para a história da filosofia constituem um metadiscurso, pois é somente após identificarmos as características fundamentais de um discurso que podemos saber como ele funciona de fato.

No entanto, para sabermos como um discurso funciona de fato, é necessário que definamos o que é a ideologia que sustenta esse discurso. A questão fundamental da análise do discurso é: o que é a ideologia e qual ideologia está por trás desta definição de ideologia? Como dissemos anteriormente, a própria definição de ideologia é em si uma ideologia. Mas o que é a ideologia? É possível definir a ideologia não ideologicamente? Não. Não é possível, pois o mero ato de definir o conceito de ideologia já pressupõe um discurso ideológico. Portanto, qualquer que seja a definição de ideologia, ela será sempre carregada de uma ideologia própria. Isso é o que pode ser chamado de ideologia da ideologia. Não existe, portanto, uma definição de ideologia que seja neutra e outra que seja crítica, pois toda definição de ideologia é crítica e está necessariamente carregada de um discurso ideológico embutido em sua própria definição. No entanto, é necessário que definamos a ideologia de alguma forma. E esta forma é a seguinte: ideologia é um conjunto de ideias. Esta é a forma mais simples e menos ideológica de se definir a ideologia. Mas a ideologia não é um simples conjunto de ideias; ela, na verdade, é um conjunto de ideias estruturadas em um determinado discurso orientado pela convicção e o interesse próprio de quem o profere. Em outras palavras, a definição de ideologia concebida anteriormente é um conjunto de ideias estruturadas pelo discurso orientado pela convicção e interesse próprio do presente autor, que é o interesse de revelar a ideologia por trás de toda definição de ideologia. Mesmo que essa definição seja a mais simples e menos ideológica possível, ela não deixa de ser uma ideologia. Nenhuma concepção de ideologia é neutra, isto é, toda definição de ideologia é necessariamente orientada pela convicção pessoal e o interesse próprio de quem define o conceito de ideologia, do mesmo modo é com todas as palavras das diversas línguas humanas, pois a nomeação de um objeto ou coisa por um sujeito ou grupo provém da convicção pessoal e do interesse próprio do mesmo.

Analisemos, portanto, a definição mais clássica de ideologia na história da filosofia e vejamos qual é a ideologia por trás de tal definição. Bem, a definição de ideologia mais famosa no mundo acadêmico fora a definição criada por Marx e seus seguidores. Esta definição consiste basicamente na seguinte proposição: ideologia é um conjunto de ideias que servem de instrumento de dominação que age por meio do discurso mascarando a realidade de seu objeto. Esta definição, no entanto, contém em si mesma um discurso ideológico orientado pela convicção e pelo interesse pessoal de Marx e dos marxistas, interesse esse que é o de libertar o proletário da dominação burguesa. Por outro lado, duvido muito que um capitalista produzisse uma definição de ideologia idêntica a esta; na verdade ele provavelmente criaria uma definição contrária orientada pelo seu interesse em manter a burguesia no domínio do proletário.

  • O discurso teológico e religioso

Analisemos agora o discurso teológico e religioso. De acordo com uma interpretação cristã ortodoxa, católica ou protestante, o discurso cristão (o cristianismo) é o único discurso religioso verdadeiro, sendo todas as outras religiões não cristãs tidas como não religiões, como religiões falsas ou religiões demoníacas. Esse discurso como se pode ver, esconde dentro de si um individualismo epistêmico. O que, no entanto, devemos nos perguntar é se esse discurso ideológico epistemologicamente individualista é bom ou mal para a humanidade. Ou seja, afirmar que o cristianismo é a única religião verdadeira é um discurso moralmente bom ou mal para a humanidade? Antes de respondermos essa pergunta, se torna necessário que definamos o que é o bom e o que é o mau.

Na peça O Julgamento de Cristo nós definimos o bom como tudo aquilo que é digno de ser desejado e amado pelo Outro; o bom é, portanto, o amor, e o mau, por sua vez, é o seu oposto, ou seja, o ódio. Essa definição do bom e do mau por nós outrora estabelecida é contraposta a definição proposta por Nietzsche, onde o bom é a vontade de poder e o mau a sua ausência. Estabelecida à definição do bom e do mau, agora nos perguntemos novamente: afirmar que o cristianismo é a única religião verdadeira é um discurso moralmente bom ou mau para a humanidade? Bem, se seguirmos a definição de Nietzsche (um ateu e anticristão), então o discurso ideológico do cristianismo será bom, pois nele está embutida a vontade de poder revelada pela posse da Verdade Absoluta como sendo a única religião verdadeira na face da terra, prevalecendo o poder do cristão sobre os não cristãos e do cristianismo sobre todas as outras religiões. Ou seja, o cristianismo, nesse ponto, é mais nietzschiano do que cristão, o que é uma contradição, já que Nietzsche era anticristão. Por outro lado, se adotamos a definição por nós proposta, isto é, a definição de que o bom é tudo aquilo que é digno de ser desejado por causar desejo no outro, ou seja, o amor, então fica obvio que o discurso ideológico promulgado pelo cristianismo ortodoxo, católico e protestante é um mau absoluto, pois ao invés de gerar o amor entre as pessoas, ele gera o ódio, já que seu individualismo epistemológico é notoriamente um instrumento de fomentação de uma atitude megalomaníaca em que o cristão se vê como superior a todos os outros seres humanos, dando origem ao fanatismo, a intolerância religiosa e a discriminação que, em alguns caso registrados na história da humanidade, gerou até mesmo a guerra não somente entre cristãos e não cristãos, mas também entre os próprios cristãos. O discurso ideológico religioso foi, durante muitos momentos da história humana, a fonte e a matriz das maiores atrocidades e até mesmo de verdadeiras carnificinas, que todos nós concordamos que não são dignas de serem desejadas ou amadas, sendo, portanto, um discurso que contém em si o mau absoluto e não o bem. Desse ponto de vista o discurso cristão que prega o amor e a bondade não passa de um discurso hipócrita, pois prega uma coisa e faz exatamente o seu oposto. Falo aqui do cristianismo por este é o discurso religioso mais influente do Brasil, mas, na verdade, todas as outras religiões mundiais adotam o mesmo discurso, salvo uma religião moderna conhecida como Fé bahá’í, que notoriamente não adere ao individualismo epistêmico que é a matriz de toda intolerância ao diferente no discurso religioso, sendo um discurso perigoso à sociedade e danoso à humanidade, pois coloca alguns poucos homens como superiores aos outros. Desse ponto de vista há pouca diferença entre o discurso religioso do cristianismo e de todas as religiões adeptas do individualismo epistêmico e o discurso político do nazismo, sendo a única diferença entre ambos os discursos o objeto da megalomania, pois enquanto no discurso nazista o objeto de seu sentimento de superioridade é a raça, no discurso religioso o objeto é a fé. Desse ponto de vista a religião é, em verdade, um nazismo teológico.  O que está por trás desse tipo de discurso é, portanto, a vontade de poder e não o amor, ou seja, o que está por trás desse discurso é o mal e não o bem.

A vontade de poder rege boa parte da lógica do discurso religioso, sendo esta a fonte das maiores atrocidades humanas cometidas em nome de Deus e da religião, sendo as mais conhecidas as seguintes atrocidades: as cruzadas, a santa inquisição, a caça as bruxas, a guerra dos trinta anos, a escravidão, a intolerância, o preconceito, a homofobia, a ignorância e, nos tempos modernos, o terrorismo islâmico com seus homens-bomba e a autoimolação budista com seus homens-fogo, o primeiro comete suicídio explodindo o próprio corpo e assim, assassinando outras dezenas de pessoas; o segundo, por sua vez, é menos prejudicial, pois comete suicídio colocando fogo em si próprio, no entanto, sem assassinar outras pessoas. Desse ponto de vista a autoimolação budista é menos danosa à humanidade do que o terrorismo islâmico. Na origem de toda essa barbárie humana que manchou e ainda mancha a história com sangue de inocentes está a vontade de poder; poder sobre o saber, poder sobre o próximo, poder sobre o mais fraco, poder sobre o mais pobre, poder sobre o diferente, poder sobre a verdade e principalmente poder sobre a vida e a morte. Desse ponto de vista, e somente desse ponto de vista específico, a religião é o câncer da humanidade.

O discurso religioso também está a serviço de uma ideologia político-econômica; um exemplo clássico desta escravidão ideológica da religião está no protestantismo que é uma vertente cristã que possui um discurso religioso ideológico de Direita, tendo uma ética exclusivamente capitalista, e a teologia da libertação, que é um tipo de teologia marxista que possui um discurso teológico ideológico de Esquerda, tendo uma ética exclusivamente socialista. Por sua vez o Alvissarismo possui um discurso religioso que está submetido à ideologia político-econômica de Centro. É importantíssimo sabermos qual ideologia político-econômica um determinado discurso teológico e religioso está submetido para que possamos saber qual é o propósito de tal discurso, isto é, sabermos se esse ou aquele discurso teológico e religioso é bom ou mau para a humanidade.

  • O discurso psiquiátrico

Analisemos agora o famigerado discurso psiquiátrico, que é, provavelmente, o pior discurso existente na face da terra, o discurso mais prejudicial à humanidade. Vejamos por qual razão. Bem, o discurso psiquiátrico promove a subjugação do sujeito por meio de uma ideologia aparentemente científica, mas que na verdade se orienta por meio de um discurso legislativo, já que a psiquiatria como mostramos em outro lugar, nasce do poder legislativo dado a ela pelo Estado e não de um discurso científico. A verdade é que o discurso psiquiátrico sequer pode ser denominado de discurso científico, mas tão somente de discurso legislativo de caráter pseudocientífico. Se objetivo primordial não é nem nunca foi a cura do paciente, mas tão somente o seu controle subjetivo por meio do poder que lhe foi conferido inicialmente pela lei e posteriormente pela droga, então a psiquiatria não é uma prática científica, mas sim uma prática jurídica e farmacológica. O saber da psiquiatria não está no sujeito, mas sim na droga que o psiquiatra receita ao sujeito. O discurso psiquiátrico é regido pela lógica do poder de subjugação do outro, não é à toa que grande parte dos psiquiatras se acha superior aos seus pacientes, encarnando o que Lacan chamou de sujeito suposto saber, o que leva o tratamento psiquiátrico ao completo fracasso, pois este é um posicionamento em que o psiquiatra jamais poderia encarnar se quisesse realmente de fato curar seu paciente e não somente obter controle sobre ele. Os psiquiatras são tão patéticos que ao mesmo tempo em que encarnam esse sujeito suposto saber (SSS) fazem de tudo para responsabilizar o paciente pelo fracasso do tratamento. Ora, se ele encarna o sujeito suposto saber, então ele também deveria se responsabilizar pelo fracasso do vínculo transferencial e consequentemente do tratamento. Se ele é mais sabido do que seu paciente, por que então na hora de se responsabilizar pelo fracasso do tratamento ele seria menos responsável?

O discurso psiquiátrico em momento algum da história da psiquiatria produziu a libertação do sujeito de seu sofrimento, mas tão somente o poder sobre o sujeito através de um suposto saber superior ao do paciente. A lógica do saber psiquiátrico é a lógica da arrogância e da prepotência, bem como a lógica do poder sobre o outro via medicamento, como se o ser humano fosse um bolo de carne conduzido por impulsos eletroquímicos. O discurso psiquiátrico é idêntico ao discurso escravagista, pois não é um discurso libertador, mas sim um discurso aprisionador, só que enquanto o discurso escravagista tem como objeto as relações econômicas, o discurso psiquiátrico tem como objeto o poder que lhe é conferido pelo Estado e pelo saber químico das drogas que receita aos seus pacientes. O psiquiatra não liberta seu paciente de seu sofrimento, ele obtém poder sobre o sofrimento do paciente através do medicamento, mantendo o paciente sob seu controle. Isso é tão verdade que, raramente você encontrará um psiquiatra disposto a simplesmente ouvir o sofrimento de seu paciente ao invés de lhe dar goela baixo suas drogas e suas teorias psicopatológicas baseadas num manual estatístico de diagnóstico de transtorno mental. Ora, estabelecer o diagnóstico de um paciente com base nesses DSMs da vida é a mesma coisa que querer medir o grau de beleza estética de um poema ou o coeficiente de inteligência de uma pessoa. O que move a psiquiatria não é o amor transferencial, mas sim a vontade de poder. A psiquiatria brasileira ainda é mais patética do que a psiquiatria americana, pois o psiquiatra brasileiro não consegue sequer ser original, ele tão somente regurgita o discurso psiquiátrico fabricado nos EUA. Que tem o Brasil com os EUA? Será que a psiquiatria brasileira não se cansa de ficar imitando a psiquiatria americana como se essa fosse realmente digna de ser imitada? Por que os psiquiatras brasileiros não produzem um discurso psiquiátrico original ao invés de ficar regurgitando o discurso psiquiátrico fabricado na América? A única psiquiatra brasileira que de fato produziu um discurso absolutamente original foi Nice da Silveira, antes dela e depois dela o Brasil só produziu regurgitadores da psiquiatria Americana, e esta é, sem a menor sombra de dúvidas, a pior escola de psiquiatria de todos os tempos ainda existente na face da terra. Os Americanos enxergam a mente humana como enxergam o dinheiro. Quem dera eles fossem loucos pela mente humana como são loucos por dinheiro, assim eles não fabricariam o famigerado DSM, que é a fonte de todo erro de diagnóstico estabelecido pelos psiquiatras mundo a fora.

Todo psiquiatra tem em si um quê de sádico, pois, mesmo que de uma forma latente, ele sente prazer em humilhar o seu paciente, exercendo sobre ele total controle através das rédeas medicamentosas e do manual estatístico de diagnósticos de transtornos mentais. O psiquiatra é uma espécie de senhor da mente humana que vê em seu paciente nada mais do que um escravo de seu saber farmacológico. E o pior de tudo no discurso psiquiátrico é que ele é um discurso absolutamente hipócrita, pois nenhuma escola de psiquiatria no Brasil e no mundo obriga os psiquiatras recém-formados a se submeterem ao tratamento que eles submetem os seus pacientes, ou seja, o psiquiatra vende para o seu paciente a fruta estragada, mas de forma alguma come dela. Em suma, não há nada mais perigoso para a sociedade do que um psiquiatra, que, em verdade, é um verdadeiro açougueiro da mente humana, e o pior, um açougueiro legitimado pelo Estado. Assim como foi separado a Igreja do Estado, chegou, pois, a hora de separarmos a psiquiatria do Estado. O fato é que, se a única função do psiquiatra é receitar medicamento para seus pacientes (e é isso o que faz um psiquiatra e é isso a única coisa que ele deveria fazer), então a psiquiatria pode ser abolida da face da terra, pois isso um clínico geral é capaz de fazer, enquanto um psicólogo conduziria a psicoterapia, coisa que um psiquiatra não tem ideia de como fazer. Não deveria ser permitido ao psiquiatra realizar qualquer tipo de procedimento psicoterápico, pois nenhuma escola de psiquiatria ensina psicoterapia, o que elas ensinam é a drogar o paciente. Desse ponto de vista, não há muita diferença entre um psiquiatra e um farmacêutico ou até mesmo entre um psiquiatra e um traficante de drogas, pois todos eles fazem exclusivamente a mesma coisa: fornecem drogas aos seus clientes. Como um psiquiatra trata um adicto viciado em drogas? Ora, dando-lhe mais drogas. Isso é a cara da psiquiatria, que acha que todo transtorno mental é resolvido simplesmente com drogas, como se estas fossem um tipo de panaceia e como se o ser humano fosse única e exclusivamente uma máquina conduzida por descargas eletroquímicas. O psiquiatra não passa de um farmacêutico ou comerciante de drogas legalizadas pelo Estado. E se o paciente de fato necessita de tais drogas para viver, então que o psiquiatra se restrinja a isso, e não pretenda conduzir uma psicoterapia, pois ele não faz ideia de como fazer esse trabalho que demanda uma escuta analítica e não a subjugação humilhante do paciente através de drogas e de seu suposto saber superior ao do paciente. O psiquiatra é um médico que depois de formado resolveu passar mais dois anos na escola de psiquiatria para aprender como subjugar, humilhar e drogar seu paciente, colocando-se como intelectualmente superior a ele. Ora, um mero psicólogo passa cinco anos dentro da universidade estudando profundamente os aspectos básicos da mente humana e o psiquiatra quer realizar esta façanha em apenas dois anos. É muita prepotência e arrogância não? Se a escola de psiquiatria ensina a drogar seus pacientes, então os psiquiatras deveriam se limitar a isso, e não tentar conduzir uma psicoterapia, pois eles não possuem qualquer formação para isso. Um psiquiatra passa trinta anos dentro de um consultório drogando, subjugando e humilhando seus pacientes e não aprende absolutamente nada sobre o manejo do amor transferencial que é a base de todo processo psicoterápico. E não aprende por quê? Ora, porque o discurso psiquiátrico não é orientado pelo amor, mas sim pelo poder. Sendo, portanto, um discurso absolutamente prejudicial à humanidade, pois é um discurso que fomenta e promulga a dominação de um ser humano sobre o outro. A psiquiatria é a escravidão da mente humana e o psiquiatra o senhor da mente, e suas drogas, seu jagunço. De todos os discursos de saúde mental existente na face da terra, o discurso psiquiátrico é, com certeza, o pior de todos eles; e com isso eu quero dizer: o mais demoníaco e perverso. Se as paredes dos hospitais psiquiátricos e manicômios do mundo pudessem falar, elas gritariam socorro e justiça. A psiquiatria fede a enxofre. Eu sonho com o dia em que o mundo irá abolir a psiquiatria assim como aboliu a escravidão, pois enquanto os senhores escravizavam os corpos de seus escravos, fazendo deles tão somente uma mercadoria, os psiquiatras escravizam a mente do homem, fazendo dela tão somente uma mercadoria. As indústrias farmacêuticas que o digam, pois, o que seria delas se não fossem os psiquiatras a elas conveniados? Quando não encontrares a resposta para alguma coisa, procure no dinheiro e você a encontrará. O discurso psiquiátrico em sua maioria está a serviço de uma ideologia político-econômica, seja ela o capitalismo como na psiquiatria ortodoxa ou o comunismo ou socialismo como na antipsiquiatria.  Enquanto a psiquiatria ortodoxa possui um discurso ideológico de Direita, a antipsiquiatria possui um discurso ideológico de Esquerda. Por sua vez, a metapsiquiatria por nós proposta em A Crítica da Razão Psiquiátrica possui um discurso ideológico de Centro. É importante sabermos a qual ideologia o discurso psiquiátrico está ligado para sabermos qual é de fato o seu propósito e, principalmente, sabermos se esse propósito é bom ou mau.

  • O discurso científico

O discurso ideológico da ciência, assim como o discurso ideológico da psiquiatria, é um discurso que está orientado pelo poder, e não pelo saber e muito menos pelo amor à verdade. O propósito do discurso científico é obter o poder sobre o saber, pois saber é poder do mesmo modo como o discurso religioso tem como propósito obter o poder sobre a verdade, pois quem tem a verdade tem o poder. Portanto, o que está na base do discurso ideológico da ciência não é o amor à verdade como é o discurso ideológico da filosofia, mas sim a vontade de poder que dá ao cientista o controle sobre o Outro, tornando-se supostamente superior a ele. A arrogância e a prepotência é a fonte ideológica de todo discurso científico. A psiquiatria ainda consegue ser pior do que a ciência, pois a psiquiatria pretende ser uma coisa que não é e não reconhece ser uma coisa que é, enquanto que a ciência verdadeira é o que é e muitas vezes reconhece não ser o que não é.

A ciência da mesma forma como a religião e a psiquiatria está submetida a um discurso ideológico político-econômico. Um exemplo clássico dessa submissão do discurso científico à ideologia político-econômica é a teoria do aquecimento global, que, por sua vez, é negada por aqueles cientistas cujo discurso está submetido à ideologia político-econômica de Direita, cujo propósito é manter o capitalismo a todo vapor sem se preocupar com a destruição do meio ambiente; e por outro lado temos a teoria do aquecimento global que é aceita por aqueles cientistas cujo discurso está submetido à ideologia político-econômica de Esquerda, cujo propósito é substituir o capitalismo pelo socialismo se utilizando do discurso ambiental. E no meio de tudo isso existe o discurso da Insciência que está submetido à ideologia político-econômica de Centro.

O que é o Jornalismo ?

No livro Filosofia da Comunicação fizemos o seguinte questionamento: Mas o que é o jornalismo?

O jornalismo é o processo de comunicação de um assunto de interesse público de forma absolutamente imparcial através de um meio qualquer, como a televisão, o jornal, a revista, o rádio ou a internet. A prática do jornalismo é efetuada pelo processo de entrevista entre o profissional de jornalismo ou jornalista e o entrevistado, com o objetivo de receber deste uma informação de interesse público e repassá-la através de seu instrumento de comunicação para a sociedade de forma imparcial, expondo sempre a posição defendida pelo entrevistado sobre um determinado assunto e a posição contrária, deixando a conclusão da comunicação para o leitor, não tirando, portanto, qualquer conclusão sobre o assunto em pauta. A função de um jornal é expor um determinado assunto de interesse público de forma absolutamente imparcial, e não tirar conclusões sobre ele. Do mesmo modo, a função de um jornalista é a de expor um determinado assunto de interesse público de forma absolutamente imparcial e não expor sua opinião particular sobre ele. Se um jornal ou revista começa a expor assuntos de interesse privado das pessoas e de forma absolutamente parcial, o que ela faz não é jornalismo, mas sim a mais hedionda fofoca.

Mas qual a diferença entre o jornalismo e a fofoca? Acaso não é o jornalismo tão somente uma fofoca profissionalizada? Ora, a diferença básica fundamental entre o jornalismo e a fofoca está no fato de que o jornalismo produz comunicação de interesse público de forma imparcial, enquanto que a fofoca produz comunicação de interesse particular de forma parcial. Mas se um jornal ou revista assim como a Veja, por exemplo, produz informação de interesse público, porém de forma absolutamente parcial, o que então ela produz, jornalismo ou fofoca? Neste caso, ela produz um tipo de jornalismo parcial, não sendo, portanto, jornalismo, mas também não sendo, no entanto, fofoca, posto que produza comunicação de interesse público, porém de forma absolutamente parcial. E se um jornalista produz uma comunicação de interesse particular do entrevistado, porém de forma absolutamente imparcial, o que então ele produz; jornalismo ou fofoca? Neste caso, ele produz um tipo de fofoca jornalística ou jornalismo fofoqueiro, não sendo, portanto, nem a mais pura fofoca e nem mesmo o mais puro jornalismo. E se uma pessoa produz uma informação de interesse particular e de modo absolutamente parcial, então o que ele produz está bem longe de ser qualquer tipo de jornalismo, sendo tão somente a mais nefasta fofoca, sendo esta a marca primordial de todos esses programas de celebridades e fama em geral; ou seja, o que estes “profissionais” praticam não é jornalismo, mas tão somente a mais pura fofoca, atraindo para si a audiência de pessoas cuja alma está inclinada a calunia e a difamação. Alguém cuja alma não está inclinada à fofoca, calunia e difamação jamais daria audiência a este tipo de programa, mas o condenaria como não sendo jornalismo, mas tão somente a profissionalização da fofoca. Este tipo de programa atrai para si a audiência de pessoas que sentem prazer em falar da vida alheia, do chifre que o vizinho levou da mulher e coisas do gênero, no almoço de domingo, onde entre uma garfada e outra, exercita o mecanismo da projeção, falando da desgraça da vida do outro para não ter de tomar ciência da desgraça da própria vida, isto é, falando do rabo do vizinho para não ter de ver que está sentado em cima do próprio rabo, em outras palavras, jogando pedra no telhado do vizinho para não ter de ver que o seu telhado é de vidro. Teleprogramas como o TV Fama, por exemplo, bem como revistas como Tititi, são a marca de “profissionais” que fazem fofoca aparentando fazer jornalismo.

Mas qual a origem do jornalismo? O mais antigo jornal de que se tem notícia na história foi o Acta Diurna, que surgiu por volta de 69 a.C., a partir do desejo de Júlio Cesar de informar a população sobre fatos sociais e políticos ocorridos no império, como campanhas militares, julgamentos e execuções. As notícias eram colocadas em grandes placas brancas expostas em local de grande acesso ao público. Na China, jornais escritos à mão surgiram no século VIII. Vemos, portanto, que o jornalismo nasceu da necessidade de Júlio César de informar a população de fatos de interesse público, como fatos sociais e políticos ocorridos no império, como campanhas militares, julgamentos e execuções, sendo a comunicação realizada ao público uma comunicação puramente jornalística, posto que fosse de interesse público e não particular de Júlio César, e exposto de forma absolutamente imparcial, não contendo ali as opiniões particulares do Imperador, mas tão somente relatos de fatos sociais e políticos de interesse da sociedade ao qual o Imperador também tinha interesse em comunicar, sejam para recrutar um exército ou simplesmente para informar à população o local e a data de um determinado julgamento ou execução, que na época eram efetuados em público.

Deste modo, fica a nossa indagação: quando foi exatamente que os jornalistas pararam de fazer jornalismo para fazer fofoca? Quando  Johannes Gutenberg (1398 – 1468), em 1447, inventou a imprensa, surgiram os jornais modernos, que tiveram grande circulação entre comerciantes, para a divulgação de notícias mercantis. Aqui o jornalismo iniciado com a Acta Diurna, que é o título do primeiro jornal conhecido na história, ainda era jornalismo. No entanto, com a invenção da imprensa, começaram a surgir jornais sensacionalistas escritos à mão, como o que noticiou as atrocidades ocorridas na Transilvânia, feitas por Vlad Tsepes Drakul, mais conhecido como Conde Drácula, fazendo a comunicação abandonar o jornalismo para fazer fofoca, sendo criado pela primeira vez na história a fofoca jornalística ou jornalismo fofoqueiro, que expõe notícias de interesse público (como a existência de um assassino cruel que está vivendo em sociedade), porém de forma absolutamente parcial (não expondo a posição defendida pelo acusado ou por seu advogado sobre seus crimes, e não deixando a conclusão da comunicação para o leitor como deve ser feita no verdadeiro jornalismo), fazendo surgir dessas notícias sensacionalistas o vampiro mais famoso de toda a história da literatura – o Conde Drácula.

O Conde Drácula pode ter sido inspirado no voivode (príncipe) Vlad Tepes (Vlad III), que nasceu em 1431 e governou o território que corresponde à atual Romênia. Nessa época, a Romênia estava dividida entre o mundo cristão e o mundo muçulmano (Turquia). Vlad III ficou conhecido pela perversidade com que tratava seus inimigos. Embora não fosse um vampiro, sua crueldade alimentava o imaginário de modo que logo passou para o conhecimento popular como um vampiro. O pai de Vlad III, Vlad II, era membro de uma sociedade cristã romana (de Roma) chamada Ordem do Dragão, criada por nobres da região para defender o território da invasão dos turcos otomanos. Por isso Vlad II era chamado de Dracul (dragão), e, por consequência, seu filho passou a ser chamado Draculea (filho do dragão) — a terminação “ea” significa filho. A palavra “dracul”, entretanto, possuía um segundo significado (“diabo”) que foi aplicado aos membros da família Draculea por seus inimigos e possivelmente também por camponeses supersticiosos. Vlad III era conhecido por sua pervesidade e crueldade. Certa vez, dois súditos se esqueceram de tirar o chapéu para reverenciar sua chegada e, por causa disso, Vlad mandou pregar os chapéus em suas cabeças. Também dizem as lendas que um dia Vlad viu um aldeão com a camisa toda suja e lhe perguntou se sua esposa era saudável. O aldeão respondeu que sim e sua mulher teve ambas as mãos decepadas; e Vlad arrumou outra esposa para o aldeão e lhe mostrou o que acontecera com a antiga, para que servisse de exemplo. Vlad tinha prazer em comer em frente a suas vítimas com os corpos empalados, ouvindo seus gritos de agonia. Muitos desses feitos levam a crer que Vlad III é a principal inspiração para o personagem. A crença que o conde Drácula é morto vivo veio de um fato que em uma de suas muitas batalhas ele levou um forte golpe na cabeça, que o deixou em coma. Depois de ver o seu líder cair seus homens bateram em retirada levando consigo seu corpo e antes da fuga ser realizada, Vlad III acordou do coma como se nada tivesse acontecido e logo depois de recobrar os sentidos retornou à batalha levando seu exército à vitória e a uma de suas mais sangrentas batalhas, criando assim a crença que ele havia retornado dos mortos como um morto vivo. (Wikipédia).

A fofoca é um fenômeno de comunicação tão sedutor que não se embrenhou tão somente no jornalismo, já que este se tornou, depois da invenção da imprensa, nada mais do que a profissionalização da fofoca, mas fez-se presente também na filosofia não de um filósofo qualquer, mas sim de um jornalista filósofo ou filósofo jornalista, pois só um jornalista filósofo ou filósofo jornalista poderia realizar a façanha de fazer fofoca enquanto aparenta fazer filosofia.

O conceito de paralaxe cognitiva apresentado por Olavo de Carvalho em seu seminário de filosofia, e que consiste em representar o fenômeno do afastamento entre o eixo da construção teórica do autor e o eixo da sua experiência real, isto é, a discrepância entre a sua teoria e a prática de sua vida pessoal, apesar de ser um conceito que representa um fenômeno real, não passa de um instrumento filosófico falacioso, um argumentum ad hominem, onde alguém procura negar uma proposição ou teoria através do apelo à vida pessoal do autor e não ao conteúdo de sua obra. A paralaxe cognitiva de Olavo de Carvalho é um forte instrumento retórico criado por ele para combater a mente revolucionária, invalidando suas ideias e teorias através do apelo às incoerências entre a vida pessoal do autor e o conteúdo de sua obra. Este é um forte argumento retórico, porém não possui fundamento lógico, pois conclui o valor da proposição com base na vida particular do autor da proposição. A paralaxe cognitiva é apenas uma falácia arquitetada como fenômeno filosófico, ou seja, é o estratagema que Olavo de Carvalho criou para desviar a atenção da obra do autor para a sua vida pessoal, levando o foco da proposição para um elemento externo a ela, que são os elementos da vida pessoal do autor. O pior é que o próprio Olavo de Carvalho não percebeu que ele mesmo caiu em contradição ao formular este conceito. A sentença “O imbecil coletivo” pressupõe que o conjunto de todos os indivíduos possui o atributo da imbecilidade. Com base no paradoxo de Russel, considere o conjunto de indivíduos I como sendo “o conjunto de todos os conjuntos que não se contêm a si próprios como membros”. Formalmente: o indivíduo representado pela letra I é elemento da coletividade representada pela letra C se e só se I não é elemento de I. Em outras palavras, o indivíduo é elemento da coletividade se e só se o indivíduo não é elemento do conjunto de todos os indivíduos.

C = {I / I Ɇ I}

No sistema coletivo, C é um conjunto bem definido de indivíduos. A questão a ser resolvida aqui é a seguinte: será que I se contém a si mesmo? Se sim, não é membro de C de acordo com a definição. Por outro lado, supondo que I não se contém a si mesmo, tem de ser membro de I, de acordo com a definição de I. Desse modo, as afirmações “I é membro de I” e “I não é membro de I” conduzem ambas a contradições. Isso quer dizer que o livro de Olavo de Carvalho intitulado “O imbecil Coletivo – atualidades inculturais brasileiras” estrutura-se através de um paradoxo que iremos denominar de paradoxo do imbecil, pois se o título do livro e a ideia que nele contém afirma que o conjunto de todos os indivíduos brasileiros possui o atributo da imbecilidade, isto quer dizer que o autor do livro, isto é, Olavo de Carvalho, ou é um imbecil ou não faz parte do conjunto de todos os indivíduos brasileiros. Ou Olavo de Carvalho é um imbecil ou ele não é um brasileiro. Se Olavo de Carvalho é um indivíduo brasileiro, então ele também é um imbecil. Por outro lado, se Olavo de Carvalho não é um imbecil, então ele não faz parte do conjunto de todos os indivíduos brasileiros. Ora, fica notório aqui que o próprio conceito de paralaxe cognitiva criado por Olavo de Carvalho apresenta em sua estrutura íntima uma paralaxe cognitiva, pois, ou Olavo de Carvalho está chamando a si mesmo de imbecil ou ele está afirmando não ser um indivíduo brasileiro. Se Olavo de Carvalho faz parte do conjunto de todos os indivíduos brasileiros, então ele é um imbecil. Por outro lado, se Olavo de Carvalho não faz parte do conjunto de todos os indivíduos brasileiros, então ele não é sequer um indivíduo. Portanto, partindo da análise do título do livro de Olavo de Carvalho intitulado “O imbecil Coletivo – atualidades inculturais brasileiras”, que pressupõe a afirmação da sentença “O conjunto de todos os indivíduos do Brasil é um imbecil”, as afirmações “Olavo de Carvalho é um imbecil” e “Olavo de Carvalho não é um imbecil” conduzem ambas a contradições, ou seja, o autor do conceito de paralaxe cognitiva, isto é, Olavo de Carvalho, foi traído por sua própria criação, posto que o próprio Olavo de Carvalho criou com este conceito um afastamento entre o eixo da sua construção teórica e o eixo da sua existência real, como pudemos ver anteriormente, pois ou ele está, com este livro, afirmando ser um imbecil, ou ele está, com este livro, afirmando não ser um indivíduo brasileiro. No entanto, é óbvio que nós temos ciência de que na realidade ao escrever o livro “O imbecil coletivo – atualidades inculturais brasileiras”, Olavo de Carvalho não estava nem chamando a si mesmo de imbecil, posto que ele é uma das mentes filosóficas mais brilhantes e influentes da história da filosofia tupiniquim, cujo trabalho filosófico é de suma importância para a história da filosofia mundial e principalmente para a história da filosofia brasileira, já que Olavo é o responsável pela ressurreição da filosofia no Brasil, e nem afirmando não ser um indivíduo brasileiro, mas estava apenas apresentando ao leitor atento as atualidades inculturais brasileiras. O paradoxo do imbecil apresentado acima pretende apenas demonstrar que o título do livro e a ideia que nele contém constitui em si mesmo um paradoxo, posto que ao se referir à imbecilidade coletiva demonstrada pelas atualidades inculturais brasileiras, Olavo de Carvalho inclui a si mesmo nesta coletividade sem perceber tê-lo feito, já que ele é um dos indivíduos que compõem o conjunto de todos os indivíduos brasileiros, isto é, a coletividade de indivíduos nascidos no Brasil, do qual ele afirma ser um imbecil. Ou seja, o conceito de paralaxe cognitiva é inconsistente por ser ele mesmo uma paralaxe cognitiva, sendo, portanto, um conceito ilícito e falacioso, e justamente por isso nenhum filósofo que se preze deve analisar a veracidade ou falsidade das proposições de outro filósofo apelando para a vida pessoal deste. Um filósofo deve expor as mazelas da filosofia, e não as mazelas de outro filósofo. Não nos cabe julgar a vida pessoal nem o caráter de qualquer filósofo, e muito menos analisar a veracidade ou falsidade de suas proposições e as consequências filosóficas, políticas, econômicas e sociais de suas teorias com base em sua vida particular. A paralaxe cognitiva não passa de um instrumento retórico e sofístico que permite ao filósofo fazer fofoca enquanto aparenta fazer filosofia. Só um jornalista poderia ter inventado tal conceito, pois um filósofo que não é jornalista jamais conseguiria realizar tal façanha.

Mas qual é a matéria-prima do jornalismo? É a notícia! A notícia é um formato de divulgação de um acontecimento por meios jornalísticos. É a matéria-prima do jornalismo, sendo algum dado ou evento socialmente relevante que merece publicação em algum tipo de mídia. Fatos políticossociaiseconômicosculturaisnaturais, entre outros fatos, trazem consigo o potencial de notícia se for de interesse público e não privado. Em geral, a notícia possui uma natureza negativa, justamente por ser de ordem extraordinária, ou de grande impacto para a sociedade, como acidentes, tragédias, guerras e etc. Notícias nem sempre têm valor jornalístico porque acabaram de acontecer, ou por que não foram noticiadas previamente por nenhum veículo; uma notícia pode muito bem ter valor jornalístico mesmo tendo acontecido a centenas de milhares de anos ou tendo sido noticiada previamente por outro veículo. O valor jornalístico de uma notícia não é medido pelo tempo nem pelo espaço, mas tão somente pela qualidade de ser a notícia de interesse público. A prática do jornalismo pode ser resumida no ato de separar os assuntos de interesse público dos assuntos de interesse privado, noticiando apenas os assuntos de interesse público de forma absolutamente imparcial. Caso contrário não será jornalismo, mas tão somente fofoca.

Dito isto, a validade da prática jornalística se verificará se ela for capaz de esclarecer as obscuridades da notícia e revelar o “quem” e “o que”, bem como o “onde” e o “quando” o “como” e o “porquê” do fato noticiado. Sendo assim, faz-se uma ideia mais precisa do que seja de fato o jornalismo. Os modelos operacionais determinam o que se entende por “fazer jornalismo”. Portanto, fazer “jornalismo” é ser capaz de esclarecer as condições obscuras de uma determinada notícia e revelar o “quem” e “o que”, bem como o “onde” e o “quando” e, por fim, o “como” e o “porquê” do fato noticiado.

O produto da atividade jornalística é geralmente materializado em textos, que recebem diferentes nomenclaturas de acordo com sua natureza e objetivos. Uma matéria é o nome genérico de textos informativos de interesse exclusivamente público resultantes de apuração, incluindo notíciasreportagens e entrevistas. Um jornal sério jamais deve conter um artigo, pois este é um texto dissertativo ou opinativo, não necessariamente sobre notícias, e nem necessariamente escrito por um jornalista. Ou seja, um artigo faz com que o jornal deixe fazer jornalismo para fazer fofoca, expondo um texto eminentemente opinativo, não sendo esta a função de um jornal, posto que este não deva conter em si a opinião própria do jornal ou de uma pessoa em particular, mas tão somente noticiar o fato acontecido de forma absolutamente imparcial. Jornalista não deve dar a opinião sobre o fato que noticia; ele deve tão somente descrever com absoluta isenção opinativa os fatos noticiados. Se um jornalista quer dar em um jornal sua opinião particular, tecendo comentários que demonstram sua posição individual frente à notícia, ele que o faça em seu blog, em seu face book ou em seu twitter, e não em um jornal, pois jornal não é lugar de dar opinião; jornal é lugar de descrever com absoluta isenção os fatos noticiados.

Os Limites do Jornalismo e da Liberdade de Imprensa

No Filosofia da Comunicação questionamos quais são, no entanto, os limites do jornalismo? O jornalismo tem limites? Se o jornalismo não tem limites, então ao jornalista tudo é permitido? É possível ao jornalista agir dentro da Lei mesmo agindo fora da Lei? Como determinar o que é lícito e o que é ilícito no jornalismo? É aqui que entra a Teoria Especial do Direito, que explica como é possível ao jornalista agir dentro da Lei mesmo agindo fora da Lei, ou seja, a Teoria Especial do Direito, prova que é possível ao homem transgredir a Lei sem que essa transgressão se constitua como um crime por agir conforme a Lei mesmo agindo de modo oposto a Lei, isto é, o caso especial da invasão de privacidade com a finalidade de noticiar um fato de interesse público, mostra um fenômeno jurídico e ético que prova que nem toda ação que transgride a Lei é uma ação criminosa, como pressupõe a Teoria Geral do Direito, sendo possível ao jornalista transgredir a Lei sem que a sua transgressão seja um crime, ou seja, sendo possível uma ação ser criminosa e não criminosa no mesmo sentido e ao mesmo tempo, o que contraria a Ética de Kant e a Lógica de Aristóteles que rege toda a Teoria Geral do Direito, onde o crime é toda ação que transgride a Lei e onde uma ação não pode ser no mesmo sentido e ao mesmo tempo criminosa e não criminosa. A única forma de explicar a permissividade jurídica da transgressão da Lei é através da Teoria Especial do Direito apresentado pelo Alvissarismo, e que consiste não na lógica clássica de Aristóteles, posto que neste caso a invasão de privacidade, mesmo com a finalidade de noticiar um fato público, não seria permitida e nem mesmo possível, mas sim na Lógica Deôntica Paraconsistente de Newton da Costa, onde uma ação que transgride a Lei não é uma ação criminosa mesmo transgredindo a Lei, sem mesmo que isso constitua a permissividade de todas as ações possíveis, isto é, sem que o princípio de explosão faça com que tudo seja permitido ao jornalista ou que a liberdade de imprensa não tenha qualquer limite; ou seja, onde é possível uma ação ser criminosa e não criminosa no mesmo sentido e ao mesmo tempo em determinadas condições especiais, daí o nome Teoria Especial do Direito. Desse modo o ato jornalístico será criminoso, isto é, ilícito, se e só se ele transgredir a privacidade das pessoas e não tiver como finalidade noticiar um fato de interesse público. Age de tal modo que a sua liberdade não transgrida a privacidade de outrem, salvo se este ato for realizado com a finalidade de noticiar um fato de interesse público. Essa máxima moral é a única máxima capaz de se firmar como uma lei universal, que tem como objetivo primordial estruturar todas as formas de aplicação de um sistema jornalístico em todas as situações possíveis da existência humana sem que o sistema jornalístico seja trivializado pelo princípio de explosão, onde ao jornalista tudo seria permitido. Deste modo, uma ética será universal se, e só se, ela não for universal. Ou seja, uma regra será universal se, e só se, ela tiver uma exceção. A Teoria Especial do Direito, diferentemente da Teoria Geral do Direito, pode ser usada para formalizar a legalidade e a ilegalidade de uma ação contraditória sem que desta contradição tudo seja permitido. A base fundamental da Teoria Especial do Direito se sustenta pela convicção de que é possível promover um raciocínio lógico em situações contraditórias e paradoxais de modo absolutamente controlado e discriminado dentro da letra da Lei. O princípio de explosão deixa de prever esse controle e essa discriminação do conflito jornalístico da liberdade de imprensa e a vida privada das pessoas, fazendo com que de uma contradição jornalística tudo seja permitido, e por isso mesmo o princípio de explosão não se aplica neste caso, e é justamente isso o que faz da Teoria Especial do Direito uma lógica deôntica paraconsistente capaz de controlar todas as situações jornalísticas da existência humana e ainda discriminar o que é lícito do que é ilícito ao jornalista em situações especiais.

 

Teoria Estruturalista da Comunicação

No Livro Filosofia da Comunicação explicamos a origem da comunicação através da teoria do roubo do fogo. Esta teoria é a origem, a fonte, a matriz de todo o sistema filosófico, político, econômico e religioso do Alvissarismo, e que consiste na tese de que, na era glacial, no período paleolítico inferior (500.000 a. C – 30.000 a. C), na Ilha de Java, o Homem de Trinil roubou o fogo do Homem de Pequim, e que este ato criminoso gerou o espanto necessário para produzir no Homem de Pequim uma mutação em seu DNA, isto é, uma alteração no código genético da célula, cuja causa fora a perda primordial da radiação eletromagnética provocada pela presença do fogo. Essa mutação gênica possibilitou o surgimento de novos genes e, por isso, novas características foram incorporadas ao patrimônio genético da população primitiva, aumentando a sua variabilidade genética. A mutação genética causada pelo roubo do fogo deu origem ao homo sapiens; ou seja, o roubo do fogo gerou o espanto necessário para o surgimento de uma mutação genética no homem primitivo de Pequim, dando-lhe a partir desse instante o gene da linguagem (Fox p2), isto é, o Verbo, que, por sua vez, fez com que o macaco se tornasse homem; através da especiação que essa mutação genética causou, o animal irracional se tornou um animal racional devido à aquisição da linguagem, isto é, da encarnação do Verbo. A Filosofia Alvissarista afirma que o Simbólico surge com o advento da linguagem (Logos) promovida pelo espanto gerado no homem primitivo de Pequim através do roubo do fogo, e é construída aos poucos através do jogo da presença e ausência da radiação do fogo (For! Da!) jogado pelo homem primitivo de Pequim quando, na estratégia de recuperação do fogo roubado pelo homem primitivo de Trinil, transpassara o fogo de mão em mão entre os homens primitivos até chegar com este de volta à aldeia. O mesmo processo que hoje em dia pode ser visto na cultura através dos jogos olímpicos, onde a tocha é passada de mão em mão até chegar ao seu destino final; ou na política, onde a faixa presidencial e a coroa são passadas de presidente a presidente ou de rei a rei; ou na economia, onde o dinheiro como moeda de troca é passado de mão em mão; ou na moral, onde os costumes são passados pelos pais aos seus filhos de geração em geração.

Outra forma de definir essa situação é: o falante é um homem da horda primitiva que fala com todos aqueles, e somente dos homens da horda primitiva que não falam consigo mesmos. Esse raciocínio nos parece perfeitamente lógico, até colocarmos em evidência a seguinte questão paradoxal:

Quem ensinou o primeiro falante a falar?

Esta questão (quem falou com o primeiro falante?) leva o filósofo a um paradoxo lógico que denominaremos de paradoxo do falante, pois, de acordo com a afirmação acima, ele pode se comunicar da seguinte maneira:

1°- Ele ensinou a si mesmo a falar, ou…

2°- Ele foi ensinado por outro falante (que passa a ser ele mesmo).

No entanto, nenhuma dessas possibilidades são válidas, pois:

1°- Se o primeiro falante ensina a si mesmo a falar, então o falante (ele mesmo) não deve falar consigo mesmo.

2°- Se o falante não falar consigo mesmo, então ele (o falante) deve ensinar a si mesmo a falar.

O paradoxo lógico apresentado acima demonstra claramente que a teoria sobre a origem da linguagem, que segundo a nossa própria explicação é aparentemente plausível, torna-se logicamente impossível. O paradoxo do falante demonstra que a nossa teoria sobre a origem da linguagem é por si mesma inconsistente, posto que não seja possível explicar logicamente, isto é, cientificamente como, quando, onde e porque surgiu a linguagem, pois a questão (quem ensinou o primeiro falante a falar?) não pode ser demonstrada nem mesmo em termos matemáticos, posto que o paradoxo do falante esteja diretamente relacionado ao teorema da incompletude de Gödel, onde “qualquer teoria axiomática recursivamente enumerável e capaz de expressar algumas verdades básicas de aritmética não pode ser, ao mesmo tempo, completa e consistente. Ou seja, sempre há em uma teoria consistente proposições verdadeiras que não podem ser demonstradas nem negadas”, como é o caso da teoria do roubo do fogo, que prova a sua própria consistência justamente porque é inconsistente, já que “uma teoria recursivamente enumerável e capaz de expressar verdades básicas da aritmética e alguns enunciados da teoria da prova, pode provar sua própria consistência se, e somente se, for inconsistente”.

Segundo a Filosofia Alvissarista, o Real é um termo que designa um conceito enigmático, não podendo ser equiparado a realidade, uma vez que o Alvissarismo entende que a realidade é estruturada simbolicamente. O Real não é a realidade, pelo contrário, o Real é o núcleo indecifrável da realidade, isto é, algo que nos referencia a um trauma ou fixação marcada pelo limite e a incompletude da simbolização (ou seja, algo que não pode ser expresso em palavras). O Real é o negativo, não tendo existência epistemológica positiva, existindo, portando, somente como algo puramente abstrato, consistindo não como algo externo à realidade, mas como o próprio núcleo da realidade cuja qual a capacidade humana de simbolização, marcada pelo limite e pela incompletude, não consegue alcançar através da ciência, sendo exatamente o que se manifesta dentro da ordem simbólica através da Filosofia, da Arte e da Religião.

Para a Filosofia Alvissarista, a realidade é estruturada como uma ficção, isto é, ela é construída a partir da simbolização limitada pela origem do Logos (Razão), existindo, portanto, um Real antes do Logos e um Real depois do Logos, sendo o primeiro inacessível à ciência, e o segundo manifesto através de fósseis e paradoxos lógicos na linguagem, sendo apenas um tipo de interpretação simbólica da coisa-em-si. Desse modo, o Real manifesta-se através de situações que nos parecem fictícias e abstratas, como sonhos, ritos, mitos, hierofanias e pela mediunidade, permitindo que entremos em contato direto com o que há de mais próximo do Real, promovendo a comunicabilidade entre os mundos sensível e inteligível, isto é, tornando possível a comunicação direta entre o mundo material e o mundo espiritual.

A Filosofia Alvissarista afirma que o Simbólico surge com o advento da linguagem (Logos) promovida pelo espanto gerado no homem primitivo de Pequim através do roubo do fogo, e é construída aos poucos através do jogo da presença e ausência do fogo (For! Da!) jogado pelo homem primitivo de Pequim quando, na estratégia de recuperação do fogo roubado pelo homem primitivo de Trinil, transpassara o fogo de mão em mão entre os homens primitivos até chegar com este de volta à aldeia. O mesmo processo que hoje em dia pode ser visto na cultura através dos jogos olímpicos, onde a tocha é passada de mão em mão até chegar ao seu destino final; ou na política, onde a faixa presidencial e a coroa são passadas de presidente a presidente ou de rei a rei; ou na economia, onde o dinheiro como moeda de troca é passado de mão em mão; ou na moral, onde os costumes são passados pelos pais aos seus filhos de geração em geração.

O imaginário, segundo a Filosofia Alvissarista, é algo semelhante ao Simbólico, no entanto, enquanto o Simbólico relaciona-se de modo a estruturar as leis e regras da sociedade, o Imaginário está diretamente ligado à imagem promovida na mente humana através da experiência sensível (tato, olfato, visão, audição, paladar). O Imaginário é o instrumento que permite com que a experiência sensível promova o conhecimento do mundo; é o que faz com que a experiência sensível de um determinado objeto do mundo possa ser conhecido pelo homem. É aquilo que fez com que o homem primitivo de Pequim, ao ver o fogo roubado pelo homem primitivo de Trinil, trouxesse à sua mente o conceito de fogo como sendo o primeiro signo linguístico existente no mundo, como sendo o ponto de origem da cadeia significante, isto é, a encarnação primeva do Verbo. A visão do fogo trouxe à mente do homem primitivo de Pequim o conceito de fogo, sem, no entanto, ser relacionado aos outros conceitos ideológicos construídos através do tempo e que emergem conjuntamente com essa ideia (o fato de o fogo representar a paixão, o bem, o dinheiro e o poder, o divino, que equivale à lembrança inconsciente de ter recuperado o fogo roubado).

Os registros do Real, Simbólico e Imaginário, de acordo com Lacan (desde o Seminário XX), estão interligados numa forma de nó borromeano, numa estrutura de três anéis que se enlaçam em torno do objeto (a), isto é, o objeto ausênte, o fogo roubado na origem do Logos. Essas três dimensões existenciais estão interligadas de tal modo que a mínima modificação em uma dessas dimensões provocaria uma modificação nas outras duas.

Deste modo, podemos erguer quatro axiomas em nossa teoria da comunicação. Estes quatro axiomas são:

  • A comunicação será possível se, e somente se, for impossível.
  • A comunicação pode ser dividida em unidades (signos).
  • Toda comunicação tem um aspecto digital que se estrutura pelo discurso diacrônico e consciente, sendo, portanto, consistente, constituindo-se pelo que é dito entre as palavras (linguagem falada ou escrita) e um aspecto analógico que se estrutura pelo discurso sincrônico e inconsciente, sendo, portanto, inconsistente, constituindo-se pelo o que é não dito entre as palavras (linguagem corporal, a gestão dos silêncios, a estilística – onomatopeias, metáforas ou metonímias –, os atos-falhos, os sonhos, a ficção, os chistes, os esquecimentos e etc.).
  • A natureza da comunicação está referenciada tanto a outros tipos de comunicação quanto à sociedade que a efetuou, isto é, a comunicação se explica seja quando a comparamos a outros tipos de comunicação num eixo horizontal, seja quando olhamos a estruturação e o pensamento da sociedade de onde a comunicação é efetuada num eixo vertical.

O primeiro axioma exposto acima rompe completamente com o primeiro e o principal axioma da teoria da comunicação de um dos mais notáveis teóricos da teoria da comunicação da atualidade: Paul Watzlawick (1921 – 2007), que estruturou o axioma de que é impossível não se comunicar, posto que todo o comportamento seja uma forma de comunicação. Como não existe forma contrária ao comportamento (“não-comportamento” ou “anticomportamento”), também não existe “não-comunicação”. Então, é impossível não se comunicar. A nossa teoria da comunicação prova justamente o contrário do que pensava Watzlawick, posto que, com base no teorema da incompletude de Gödel, demonstramos que a comunicação é possível somente quando é impossível, sendo a teoria da comunicação de Watzlawick inconsistente justamente por ser consistente, e nossa teoria da comunicação consistente justamente por ser inconsistente, baseando-se no axioma de que é impossível se comunicar.

A comunicação tem origem na linguagem. Quando analisamos a comunicação, o primeiro passo é dividi-la em pequenas unidades denominada “signos”. Estes signos são de estrema importância para a análise estrutural da comunicação. É impossível entender a natureza da comunicação se nós formos lê-la como se lê uma reportagem de um jornal. A comunicação não pode ser lida linha por linha, da esquerda para a direita, começando no início da página do jornal e terminando no fim dela. A comunicação, para ser entendida, requer um tipo de leitura diferente daquele pelo qual as pessoas estão acostumadas a ler um jornal. O jornal deve ser lido como se lê uma partitura musical. Esta é uma estranha afirmação aos estudantes de jornalismo e comunicação, mas vamos ver mais afundo o que queremos dizer com ela. A comunicação não nos mostra seu significado básico através da forma com a qual é exposta num jornal através da sequência dos acontecimentos de forma diacrônica e linear. Para nós o significado da comunicação está vinculado a grupos de acontecimentos que às vezes até se encontram afastados na história escrita no jornal, por isso temos que ler a reportagem em dois níveis, isto é, temos que ler a reportagem no sentido normal da leitura de um jornal tanto como um todo muitas vezes referenciado a outras reportagens do mesmo jornal. Precisamos perceber o jornal como se percebe uma totalidade de reportagens distintas que estão interconectadas umas as outras, por mais que a princípio não pareçam ter nenhuma ligação entre elas; somente assim é possível conhecer de fato o significado latente de um jornal. Um determinado grupo de reportagens num jornal pode estar relacionado a um determinado grupo de reportagens muitas páginas adiante desse mesmo jornal. Ou, ao contrário, um grupo de reportagens no final do jornal pode estar relacionado a um grupo de reportagens em seu início. Por isso um jornal deve ser lido como uma partitura musical.

A partitura musical, bem como o jornal, nos permite a sua leitura comum, normal, linha após linha, da esquerda para a direita, num movimento linear e diacrônico que tem como base o princípio, o meio e fim da reportagem. Esta dimensão de leitura de um jornal pode ser chamada de dimensão digital. Mas o jornal para se transformar em boa comunicação, requer uma leitura sincrônica que pode ser chamada de analógica. Esta, a analogia, e a outra dimensão de leitara além da digital que um jornal exige para se dar a conhecer o seu conteúdo latente, isto é, oculto. A dimensão analógica da leitura de um jornal vai nos dar o seu significado como um todo, revelando o que está por trás de sua aparência, revelando seu conteúdo latente. Um jornal deve, por assim dizer, ser analisado como se analisa um sonho. Deste modo, todo jornal possui em si um conteúdo manifesto e um conteúdo latente, que está por trás ou à sombra daquilo que é manifesto em um jornal. O jornal pode começar por um tema. Em seguida apresentar variações, mudanças de reportagens, inversões, retomadas do tema inicial, repetições do mesmo tema, reportagens solos e etc. Assim como na música ou no sonho, as reportagens de um jornal estão fortemente relacionadas umas com as outras, por mais que a princípio não pareça existir entre tais reportagens qualquer relação. Só captaremos o conteúdo latente de um jornal se o lermos como uma totalidade de reportagens. Se olharmos para uma reportagem de um determinado jornal isoladamente será impossível entender o que ele de fato está nos comunicando. Uma reportagem de um jornal só terá um sentido completo quando o jornal soar-nos como um conjunto de reportagens bem como a música soa-nos como um conjunto de notas. A reportagem de um determinado jornal está relacionada a outras reportagens do mesmo jornal, bem como o jornal de um país, estado ou município está relacionado a outros jornais de um mesmo país, estado ou município. Esta constituição analógica de um jornal ou da comunicação estrutura a harmonia de sua informação.

Olhamos este quadro de reportagens de um determinado jornal como se olha uma partitura musical. Os números da esquerda para a direita, linha após linha, indicam a ordem digital da comunicação tal qual a lemos normalmente. Os números que se repetem nas colunas nos dão a dimensão analógica da comunicação que possui um significado complementar a comunicação digital, onde temos todas as relações das colunas no sentido de suas repetições, ou seja, no sentido da repetição das reportagens de um jornal, agrupando-se elementos semelhantes uns aos outros (todos os números 1..2…3 e etc.), e para conhece-la temos que olhar a totalidade dos quadros de reportagem de um determinado jornal da mesma forma como um maestro olha a partitura de uma orquestra. A comunicação é um conjunto de signos, bem como um jornal é um conjunto de reportagens. Para nós, a comunicação só pode ser efetuada e compreendida em sua totalidade segundo a percepção desta dupla dimensão de um jornal. Portanto, além da ideia de que o jornal pode ser dividido em unidades denominadas reportagens, para nós outros o jornal será sempre referenciados a dois eixos de sua comunicação – digital e analógico –, ou diacrônico, consciente e consistente, e sincrônico, inconsciente e inconsistente; eis porque a comunicação será possível se, e somente se, for impossível. A comunicação de um jornal se explica seja quando comparamos as reportagens deste mesmo jornal a outras reportagens num eixo horizontal, seja quando olhamos a estruturação e o pensamento do jornal de onde retiramos a reportagem, num eixo vertical.

Façamos, portanto, uma análise estrutural da revista Veja. Quando analisamos o site da Veja na data de 16/06/2016 percebemos que a revista está dividida pelas seguintes categorias: Brasil, Ciência, Economia, Educação, Entretenimento, Esporte, Mundo, Saúde e Tecnologia. No entanto, as notícias primárias da revista são 1 = Brasil, 2 = Economia; onde nove notícias são da categoria Brasil e sete são da categoria Economia, não havendo notícias sobre qualquer outra categoria na exposição noticiaria primária do site da revista Veja. Mas o que isso prova? Ora, isso prova que a revista Veja é uma revista que trata exclusivamente do espectro econômico do Brasil, que pode ser analisado em dois quadros:

                                Quadro 1:

  • Nova baixa no governo Temer: Cai o ministro do Turismo.
  • Renan defende mudança na Lei da Delação: ‘No desespero, delator envolve até a mãe’.
  • MP pede condenação de ex-presidentes da Valec por desvios na ferrovia Norte-Sul.
  • Temer eleva o tom e diz que acusações de Machado são ‘levianas e criminosas’.
  • Ex-líder petista promete processar Sérgio Machado.
  • A ética da propina na Transpetro de Sérgio Machado: sem aditivos.
  • STF arquiva ação que pedia explicação de Dilma sobre tese do ‘golpe’.
  • Amigo de garoto morto pela PM entra em programa de proteção e sai de São Paulo.
  • Polícia apreende ecstasy com a forma do rosto de Heisenberg, de ‘Breaking Bad’.

                  Quadro 2:

  • Meta fiscal de 2017 será revista e ficará sem CPMF, diz ministro.
  • Prévia do PIB fica estável em abril, após 15 quedas seguidas, diz BC.
  • Bradesco faz parceria com Visa para pulseira de pagamento eletrônico.
  • Marx ‘capitalista’: primeira edição de ‘O Capital’ é vendida por R $ 1 Milhão.
  • Ninguém sabe o que acontecerá com o Brexist, afirma diretor geral da OMS.
  • Para CNI, economia brasileira está próxima de ponto de inflexão.
  • Proposta de teto para gasto pode se arrastar no Congresso.

Bem, o que será que existe em comum entre o quadro 1 e o quadro 2? Para nós é óbvio, as notícias do quadro 1 indicam a presença da categoria Economia. Por outro lado, o quadro 2 indica a notória presença da categoria Brasil. Sendo o quadro 1 o oposto do quadro 2 e vice-versa. Se no quadro 1 o Brasil é identificado com a prática da subtração do dinheiro, por outro lado no quadro 2 a economia é identificada com a adição do dinheiro. Se no quadro 1 o Brasil é roubado, no quadro 2 a economia é recuperada. Se no quadro 1 o dinheiro está ausente, no quadro 2 o dinheiro está presente. Se no quadro 1 o dinheiro desaparece, no quadro 2 o dinheiro reaparece. Se no quadro 1 o crime se mostra, no quadro dois ele se oculta. Se o quadro 1 é a afirmação do crime, o quadro 2 é a negação do crime. Ambos os quadros fazem parte do discurso ideológico da revista Veja, traduzindo o que há por trás de um inocente conjunto de notícias de uma das revistas com maior circulação do país. É assim que conseguimos perceber que uma revista como a Veja, por exemplo, por um momento deixou completamente de ser uma revista para se tornar instrumento de propagação ideológica da extrema Direita do Brasil, particularmente no período em que Eurípedes Alcântara se manteve a frente na direção de redação da revista, contratando pessoas como o jornalista Reinaldo Azevedo, economistas como o liberal Rodrigo Constantino e olavetes como Felipe Moura Brasil para escrever artigos com opiniões conservadoras, liberais e repetir como um papagaio tudo o que dizia o filósofo de extrema Direita Olavo de Carvalho. 

“As palavras, expressões, proposições, etc., mudam de sentido segundo as posições sustentadas por aqueles que as empregam, o que quer dizer que elas adquirem seu sentido em referência a essas posições, isto é, em referência às formações ideológicas (…) nas quais essas posições se inscrevem. Chamaremos, então, formação discursiva aquilo que, numa formação ideológica dada, isto é, a partir de uma posição dada numa conjuntura dada, determinada pelo estado da luta de classes, determina o que pode e deve ser dito (articulado sob a forma de uma arenga, de um sermão, de um panfleto, de uma exposição, de um programa, etc.).” (Michel Pêcheux; 1975. p.160).

Hoje a coisa mudou na revista Veja, já que tais nomes foram demitidos e o diretor de redação Eurípedes Alcântara substituído por André Petry, que tem uma visão de mundo menos conservadora do que o seu antecessor, no entanto, ainda dá continuação a seu legado ideológico dentro da revista, que parou de fazer jornalismo há muito tempo para fazer propaganda político-ideológica de extrema Direita, sendo um exemplo de como não se fazer jornalismo.

 

Psicose Social: Teorias da Conspiração

No Livro Psicose Social: Teorias da Conspiração mostramos que Antônio Quinet em seu livro Na mira do Outro: a paranoia e seus fenômenos nos explica o seguinte:

“Os paranoicos estão entre nós. A paranoia, apesar de ausente dos manuais de diagnóstico da psiquiatria atual, não deixou de existir. Para a psicanálise, trata-se de homens e mulheres que têm um tipo de psicose frequentemente encontrada não só nos hospitais psiquiátricos e nos consultórios de analistas, como também na vida cotidiana. Há, aliás, uma razão paranoica. O paranoico é fundamentalmente um interprete, que em tudo vê sinais que se referem a sua pessoa. O acaso, que ele contesta, conspira contra ele. Nada acontece por acaso, tudo adquire sentido, e esse sentido se refere a ele. Freud a chamava psicose intelectual, podendo se apresentar com discretos fenômenos de interpretações delirantes e mesmo grandes construções fantásticas e megalomaníacas de redenção do mundo, e a descreveu de acordo com três formas clássica: o delírio de perseguição, a erotomania, o delírio de ciúmes. Em todas elas, o paranoico elege um Outro do qual é um objeto especial: o perseguidor, aquele que o ama e aquele que o trai. Eis a sua lógica gramatical: na mira do Outro, na ira do Outro, o sujeito é objeto. Não se trata, portanto, de uma psicose que não faz sentido, como na dissociação esquizofrênica, na qual impera o non sens. A paranoia, ao contrário, é o império do sentido, de um sentido que, no fim das contas, dirige-se contra o sujeito. Daí o paranoico ser, antes de tudo, autorreferente, o que prejudica enormemente sua relação com os outros. Seu narcisismo é absoluto. Não admite o erro e a falta, e daí a enfatuação que lhe é característica, sua presunção que chega ao delírio de grandeza. O aspecto megalomaníaco está presente em todas as suas formas, pois o sujeito se acha o centro do mundo, o centro dos olhares: todos o miram, todos falam dele, todos o odeiam ou o amam. A traição é iminente, há espiões por todo lado. É preciso ser vigilante. Não raro há paranoicos entre os fundadores de seitas, religiões e grupos partidários, cuja organização se dá em torno de um líder carismático que, com suas certezas e poder de persuasão, conseguem fazer muitas pessoas admirarem suas ideias. Para convencê-las, partem de interpretações do mundo por vezes verossímeis e chegam a conclusões delirantes. Sua convicção seduz o neurótico, sempre insatisfeito, em eterna busca de respostas para suas questões sobre a existência, a morte e o sexo. Contudo, ao se sentir ameaçado, o paranoico parte para se proteger do outro ou, então, exterminá-lo, seja com expurgos, seja literalmente, em uma passagem ao ato agressivo. Pode também se dirigir ao psicanalista ou ao psiquiatra para fazê-lo testemunhar as agruras que o Outro o faz sofrer. É aí que algo pode ser feito no nível subjetivo para mobilizar e implicar o sujeito no delírio com o qual reconstrói o mundo. Atualmente em nossa sociedade comandada pela vigilância do olhar e do espetáculo, assim como pelo ideal da transparência, a razão paranoica se expressa no cogito “sou visto, logo existo”, fazendo de cada sujeito um observador observado pela televisão do Outro. “Sorria, você está sendo filmado”. (Quinet, A; 2002. p. 6 a 7).

O que Antônio Quinet acaba de nos esclarecer não é somente as formas estruturais da psicose paranoica, mas sim as estruturas formais de nossa sociedade pós-moderna que nos fornece as bases para sistematizarmos a teoria de uma psicose social, que não pretende afirmar que todas as pessoas da sociedade pós-moderna são psicóticas paranoicas, mas sim que a própria sociedade pós-moderna se estruturou através de uma psicose paranoica. O surgimento das redes sociais como Face Book, Twitter, Instagram e principalmente de reality shows, tais como Big Brother e outros como A Fazenda provam a nossa tese, onde o sujeito está o tempo todo a ser filmado, observado e perseguido por outros competidores pelo premio de milhões em dinheiro, e onde todos os participantes são narcisistas por natureza e o aspecto megalomaníaco está presente em todas as suas formas, pois o sujeito se acha o centro do mundo (jogo), o centro dos olhares: todos o miram, todos falam dele, todos o odeiam ou o amam. A traição é iminente, há espiões por todo lado no jogo. É preciso ser vigilante. Em todo reality show, tal como Big Brother e outros do mesmo gênero, o participante é um “paranoico” que elege um Outro do qual é um objeto especial: o perseguidor, aquele que o ama e aquele que o trai. Eis a sua lógica da psicose social expressa num reality show, tal como Big Brother e outros do mesmo gênero, como A Fazenda: o participante está o tempo todo na mira do Outro, na ira do Outro. Não se trata, portanto, de uma psicose social que não faz sentido. A paranoia social, ao contrário, é o império do sentido, de um sentido que, no fim das contas, dirige-se contra o sujeito participante do reality show. Daí o participante de reality show ser, antes de tudo, autorreferente assim como o paranoico, o que prejudica enormemente sua relação com os outros participantes e produz fofoca, intriga, maledicência e briga entre eles. O fenômeno social do nascimento dos realities shows é a prova cabal de que a sociedade pós-moderna pode ser definida como uma sociedade que sofre de uma psicose social.

Quienet também nos aponta um fato interessante, que o de “Não raro há paranoicos entre os fundadores de seitas, religiões e grupos partidários, cuja organização se dá em torno de um líder carismático que, com suas certezas e poder de persuasão, conseguem fazer muitas pessoas admirarem suas ideias”. No Brasil nós temos um exemplo clássico deste fenômeno; o personagem autointitulado Inri Cristo é o mais famoso deles. Este é um caso clássico de paranoia de um sujeito que, afirmando ser a reencarnação de Jesus Cristo, conseguiu criar uma seita religiosa e atraiu para si um bocado de neuróticos fascinados. É importante notar o fator cultural que está por trás deste tipo de fenômeno na psicose. Inri Cristo se diz a reencarnação de Jesus Cristo porque nasceu no Brasil, onde todos, querendo ou não, já nascem cristãos. Se Álvaro (nome verdadeiro de Inri Cristo) tivesse nascido no Iraque, provavelmente ele seria a reencarnação de Maomé; se tivesse nascido no Tibete, ele provavelmente seria a reencarnação de Buda, e assim sucessivamente. Em Israel há centenas de casos desse tipo, aonde paranoicos vão aos montes sagrados e se dizem ser a encarnação do Messias tão esperado pelos Judeus há milênios. Este fenômeno é conhecido em psicopatologia como delírio místico-religioso.

“O indivíduo afirma ser (ou estar em comunhão permanente com, receber mensagens ou ordens de) um novo messias, um Deus, Jesus, um santo poderoso ou, até, um demônio. Essas são temáticas delirantes frequentes em nosso meio. O paciente sente que tem poderes místicos, que entrou em contato com Nossa Senhora, com o Espírito Santo ou com o demônio, que tem missão mística ou religiosa importante neste mundo, que é portador de uma mensagem religiosa fundamental. Os delírios religiosos frequentemente apresentam aspecto grandioso, enfatizando a própria importância do sujeito que delira. Os delírios místico-religiosos podem ocorrer em quase todas as formas de psicose, predominando, porém, na mania delirante e na esquizofrenia”. (Dalgalarrondo, P; 2008. p. 220).

Então isso quer dizer que Jesus, Buda e Maomé que tiveram missão místico-religiosa importante para o mundo, e que eram portadores de uma mensagem religiosa fundamental para a humanidade eram psicóticos? Ou então Chico Xavier, que dizia receber mensagens de espíritos, e Pedro Siqueira, que diz ter contato direto com os santos, os anjos e Nossa Senhora eram psicóticos? Não, de modo algum; pois a experiência do delírio místico religioso está vinculada a ideação de um transtorno mental e tem as características descritivas de um verdadeiro delírio (como discurso bizarro e sem estilo original, perseguição, mania de grandeza e alucinações corporais, no caso da esquizofrenia) e o estilo de vida do sujeito, o comportamento e as relações sociais são absolutamente consistentes com o transtorno psicótico e não com a experiência de um neurótico que realmente tem uma missão místico-religiosa para o mundo, e possui uma mensagem religiosa fundamental, como é o caso de Jesus, Buda e Maomé; ou então Chico Xavier, que dizia receber mensagens de espíritos, e Pedro Siqueira, que diz ter contato direto com os santos, os anjos e Nossa Senhora. Em todos esses casos não há na personalidade e nem no discurso qualquer traço de psicose. Jesus ensinava por meio de figuras de estilo chamadas parábolas, Buda e Maomé ensinavam por meio de metáforas e metonímias. Os Livros Sagrados (Bíblia, Tripitaka e Corão) possuem uma linguagem original de uma beleza estética que é impossível à condição estrutural de um psicótico. E quanto a Chico Xavier e Pedro Siqueira, ambos possuíam um discurso absolutamente coerente, cheio de estilo e originalidade, e tinham um estilo de vida absolutamente incompatível com o de um psicótico. Portanto, o delírio místico-religioso, que é uma condição da psicose, é absolutamente diferente de um sujeito neurótico com uma verdadeira missão misto-religiosa que tem uma mensagem fundamental para a humanidade, bem como é absolutamente diferente de um sujeito sem qualquer traço de psicose que de fato possui o dom de se comunicar com os mortos, santos, anjos, Nossa Senhora e até demônios.

O outro fenômeno social que corrobora nossa tese de que nossa sociedade sofre de uma psicose social são as Teorias da Conspiração tão em voga nos últimos tempos, cujas características são as mesmas da psicose paranoia, ou seja, o delírio de perseguição, a erotomania e o delírio de ciúmes.

Apesar de as teorias da conspiração ser um fenômeno remoto na história da civilização, a massificação e ampliação dessas diversas teorias da conspiração é um fenômeno recente que deve ser devidamente analisado, pois diz muito sobre a nossa sociedade atual.

Dicionário de Inglês Oxford define teoria da conspiração como “a teoria de que um evento ou fenômeno ocorre como resultado de uma conspiração entre as partes interessadas; spec. uma crença de que alguma agência secreta, porém influente — tipicamente motivada por questões políticas e opressiva em seus propósitos —, é responsável por um evento inexplicável”, e cita um artigo de 1909 publicado na revista A Revisão Histórica da América como o exemplo de uso mais antigo. Atualmente, as teorias conspiratórias estão amplamente presentes na Web na forma de blogs e vídeos de YouTube. (Wikipédia).

“Teoria da conspiração (também chamada de teoria conspiratória ou conspiracionismo) é uma hipótese explicativa ou especulativa que sugere que duas ou mais pessoas ou uma organização têm tramado para causar ou acobertar, por meio de planejamento secreto e de ação deliberada, uma situação ou evento tipicamente considerado ilegal ou prejudicial. Desde meados dos anos 1960, o termo se refere a explicações que mencionam conspirações sem fundamento, muitas vezes produzindo suposições que contrariam a compreensão predominante dos eventos históricos ou de simples fatos”. (Wikipédia).

“O historiador Richard Hofstadter abordou o papel da paranoia e do conspiracionismo ao longo da história americana em seu ensaio O Estilo Paranoico na Política Americana, publicado em 1964. O clássico As Origens Ideológicas da Revolução Americana (1967), de Bernard Bailyn, observa que um fenômeno semelhante pode ser encontrado nos EUA, durante o tempo que antecede a Revolução Americana. O conspiracionismo classifica as atitudes das pessoas, bem como o tipo de teorias conspiratórias que são mais gerais e históricas em proporção”. (Wikipédia).

Como podemos ver, não há a menor diferença entre uma teoria da conspiração e a psicose paranoica, de modo que podemos dizer sem hesitar que a massificação das teorias da conspiração em nossa sociedade atual prova que nossa sociedade pós-moderna sofre de uma psicose social. Mas o que produziu em nossa sociedade esta psicose social? Qual é a etiologia dessa psicose social e qual foi o gatilho para o seu surto delirante de teorias da conspiração?

“Freud [1911] (1976 ) postulou que haveria, na base do delírio, sobretudo no de perseguição, um processo de transformação de impulsos e desejos inaceitáveis (em especial, homossexuais) ao sujeito consciente que se expressaria como delírios persecutórios (Simanke, 1994). Seu modelo básico foi uma cadeia de três enunciados que se sucederiam:

1º Eu (um homem) amo aquele homem (conteúdo básico inconsciente).

2º Eu odeio aquele homem (inversão afetiva inconsciente de amor em ódio).

3º Aquele homem me odeia (projeção, também inconsciente, de impulsos inconsciente sobre objetos externos ao Eu, gerando conteúdo consciente, agora aceitável). A chamada teoria da hostilidade (Swanson;Bohnert; Smith, 1970) postula que ocorrem os dois últimos passos da fórmula freudiana. Assim, sujeitos delirantes paranoides projetariam inconscientemente seu ódio ou hostilidade intensos nos outros e passariam a sentir que estes os odeiam e querem destruí-los. Uma variante desta formulação foi feita por Sullivan (1965)em sua teoria da humilhação, a qual postula que a projeção de auto acusações em outros, sobretudo quando o sujeito transfere a acusação de inferioridade pessoal para fora de seu Eu (não é mais o paciente que se acusa de inferioridade, são os outros que o acusam), é componente importante do desenvolvimento da ideação delirante de perseguição. Posteriormente, a escola inglesa (Melanie Klein, Bion, Rosenfeld)  propôs que, já entre as crianças pequenas, as fantasias agressivas conduziriam ao medo intenso da retaliação (Hinshelwood, 1992). Tal medo reforça a ansiedade que, por sua vez, incrementa as fantasias agressivas (circulo vicioso dominado pela pulsão de morte). Há também, no psiquismo infantil (que se mantêm, em parte, nos adultos), a cisão dos objetos internos em maus e persecutórios, por um lado, e bons e protetores por outro. Na psicose, nos quadros paranoides, o delírio adviria da projeção inconsciente maciça tanto das fantasias agressivas como dos objetos maus persecutórios em pessoas reais do meio externo. Finalmente, Lacan (1985) formulou que o delírio implicaria a tentativa de auto cura. O sujeito psicótico apresentaria um mecanismo de rechaço ou eliminação radical de elementos essenciais à constituição do psiquismo (especificamente de sua dimensão simbólica), o qual Lacan denominou foraclusão. Ao excluir do psiquismo, por exemplo, a construção simbólica de paternidade – o Nome-do-Pai (como elemento simbólico essencial) – surge um vazio avassalador que o sujeito psicótico busca preencher por meio de construções delirantes substitutivas”. (Dagalarrondo, P; 2008. p. 224 a 225).

Deste modo, as diversas teorias da conspiração seriam como uma tentativa da sociedade de se auto curar e salvar a si mesma. Mas salvar-se de que? Para nós outros isso é muito claro: as teorias da conspiração são delírios de uma sociedade psicótica que busca salvar-se de si mesma. Muitos ambientalistas dizem: “devemos salvar o planeta”. Não, estão enganados, pois eu vos digo, devemos salvar a nós mesmos, pois o planeta salva-se a si próprio, e continuará a existir mesmo que a raça humana seja extinta da terra. A sociedade psicótica se caracteriza pelo homem que busca, através de teorias conspiratórias delirantes, salvar a si próprio de seus impulsos autodestrutivos, que basicamente se manifesta através da completa destruição e devastação do meio ambiente e da natureza. Para nós, na base das teorias da conspiração está o delírio, sobretudo o delírio de perseguição, que se forma através de impulsos e desejos de ganância, ambição, avareza, ira, inveja, soberba, vaidade, egoísmo e orgulho (não reconhecidos pela humanidade) que se expressa como teorias conspiratórias.

1º Eu (um homem sou parte da natureza) amo a natureza (conteúdo básico inconsciente).

2º Eu odeio a natureza (inversão afetiva de amor em ódio).

3º A natureza me odeia (projeção, também inconsciente, de impulsos inconscientes sobre objetos externos ao Eu, gerando conteúdo consciente agora aceitável).

Ocorrendo os passos da fórmula descrita anteriormente, as teorias conspiratórias projetam inconscientemente seu ódio e hostilidade na natureza e passam a sentir que esta os odeia e quer destruir a humanidade. Até o presente momento da história da humanidade, vivenciamos apenas as duas primeiras fórmulas citadas anteriormente, posto que a natureza ainda não se rebelou completamente contra a humanidade. O homem primitivo, os índios do nosso Brasil antes de Portugal se apoderar dessas terras, amavam a natureza porque eram parte dela e tinham consciência disso. Depois o homem passou a odiar a natureza, vivenciando o fenômeno da inversão do amor em ódio. Só falta agora a natureza se revoltar e odiar o homem, e isto não vai demorar a acontecer.

“Ao lado da esquizofrenia, a paranoia se apresenta, com Freud e Lacan, como um dos tipos clínicos da psicose. Se em ambas encontramos o mesmo mecanismo essencial, a foraclusão do Nome-do-Pai no lugar do Outro, há diferenças clínicas fundamentais que clamam por uma distinção mais estrutural. Enquanto na esquizofrenia predominam os distúrbios de associação (Bleuler), na paranoia destacam-se as interpretações (Sérieux e Capgras). (Quinet, A; 2002. p. 11)

A questão agora é saber qual foi o momento ou acontecimento histórico em que a humanidade foracluiu o Nome-do-Pai no lugar do Outro e se instalou na sociedade uma psicose. Bem, se sabemos que um artigo de 1909 publicado na revista A Revisão Histórica da América é o exemplo de uso mais antigo da história recente de uma teoria da conspiração, então devemos analisar o que gerou na história da humanidade a foraclusão do Nome-do-pai que engatilhou em 1909 o primeiro surto moderno de teorias da conspiração promovido pela Revisão Histórica da América que vemos hoje em todo o mundo e em especial nos EUA.

Façamos, portanto, uma interpretação psicanalítica do processo histórico-ecológico para encontrarmos o exato instante onde a humanidade foracluiu o Nome-do-Pai e a sociedade se estruturou como uma sociedade psicótica. No conceito lacaniano de alienação, as duas partes envolvidas, o homem e a mãe natureza (planeta terra), têm pesos muito desiguais e o homem quase que inevitavelmente perde na luta contra a natureza. No entanto, ao assujeitar-se à mãe natureza, o homem ganha algo: ele torna-se, de alguma forma, parte da mãe natureza, um sujeito da natureza ou na natureza. Representado esquematicamente, o homem, assujeitado à mãe natureza, permite que a vida a substitua.

Natureza

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Homem

No entanto, o homem não necessita ser totalmente derrotado em sua “luta” contra a natureza, podendo a psicose social ser entendida como uma forma de vitória do homem sobre a natureza, o homem abre mão de sua vida para não se sujeitar à natureza, acarretando a perda de si mesmo. Esta decisão do homem de não se assujeitar à natureza exclui a possibilidade da vida do homem na terra. A escolha da sujeição à natureza é necessária para a vida do homem na terra. Portanto, a partir do conceito lacaniano de alienação é possível entender o homem, de certa forma, como tendo foracluído a sujeição à vida através da destruição da natureza que provocou o aquecimento global, que é “o processo de aumento da temperatura média dos oceanos e do ar perto da superfície da Terra causado pelas emissões humanas de gases do efeito estufa, amplificado por respostas naturais a esta perturbação inicial, em efeitos que se autorreforçam em realimentação positiva. Esse aumento de temperatura vem ocorrendo desde meados do século XIX e deverá continuar no século XXI. Os principais gases estufa emitidos pelo homem são o dióxido de carbono e o metano, e decorrem de várias atividades humanas, especialmente a queima de combustíveis fósseis, o uso de fertilizantes e o desmatamento. Esses gases atuam obstruindo a dissipação do calor terrestre no espaço”. (Wikipédia).

A foraclusão social do Nome-do-Pai que estruturou a psicose social fora, portanto, pela revolução industrial que gerou o aquecimento global causado pelas emissões humanas de gases do efeito estufa. Este aumento da temperatura global causado pelo desrespeito do homem pela mãe natureza vem ocorrendo desde meados do século XIX, período histórico que marca “a transição de métodos de produção artesanais para a produção por máquinas, a fabricação de novos produtos químicos, novos processos de produção de ferro, maior eficiência da energia da água, o uso crescente da energia a vapor e o desenvolvimento das máquinas-ferramentas, além da substituição da madeira e de outros biocombustíveis pelo carvão. A revolução teve início na Inglaterra e em poucas décadas se espalhou para a Europa Ocidental e os Estados Unidos”. (Wikipédia).

Na verdade, o que há na existência total na relação Homem – Natureza – Nome – do – Pai, é que esse último serve como Lei e limite a fim de proibir o incesto do Homem contra a Natureza. De forma que Alvíssara como um Nome – do – Pai serve para que o homem se depare com a Lei – o Não – do – Pai, afim de não cometer o pecado do incesto contra a mãe-natureza.

Trata-se de um complexo de Édipo entre o Homem, a Natureza e o Nome – do – Pai; onde o Nome – do – Pai tem a função de separar a relação incestuosa entre o Homem e a Natureza. É dessa proibição do incesto entre o Homem e a Natureza que surge toda a possibilidade da existência humana no planeta terra.

Se hoje o homem sofre com o aquecimento global, é só porque pecou desejando incestuosamente a natureza.

Mas como Nome – do – Pai que é Alvíssara veio para colocar uma lei frente ao pecado do incesto; de forma que ela separa o Homem da Natureza ao mesmo tempo em que faz dela a sua imagem e semelhança. Portanto, amarás a Deus e a natureza como a si mesmo, essa é a Lei do Indizível e a condição da existência humana na terra. Mas então a Lei é o pecado? Não, de forma alguma; mas como conheceríeis a lei senão pelo pecado?

Apesar de a revolução industrial que gerou a foraclusão do Nome-do-Pai através do consequente aquecimento global ter se iniciado em meados do século XIX, o surto da psicose social da humanidade só veio a ocorrer pela primeira vez no século XX, em 1909, com a publicação do primeiro artigo sobre teoria da conspiração pela revista A Revisão Histórica da América, e que hoje se espalhou por todo o planeta. Houve, portanto, um período de incubação ou latência entre a foraclusão do Nome-do-pai provocada pela revolução industrial e o aquecimento global e o primeiro surto de teorias da conspiração que durou pelo menos meio século.

“De acordo com a obra Palavras do Século 20, de John Ayto, o termo “teoria da conspiração” era originalmente neutro e somente adquiriu uma conotação pejorativa em meados dos anos 1960, insinuando que o defensor da teoria possuísse uma tendência paranoica de achar que os eventos são influenciados por alguma agência secreta, maliciosa e poderosa. Em seu livro Teoria da Conspiração na América, publicado em 2013, o professor da Universidade do Estado da Flórida, Lance DeHaven-Smith, afirma que a expressão foi inventada na década de 1960 pela CIA para desacreditar teorias conspiratórias sobre o assassinato do ex-presidente norte-americano John F. Kennedy. No entanto, segundo Robert Blaskiewicz, professor assistente de pensamento crítico da Universidade de Stockton ativista cético, tais informações já existiam “desde pelo menos 1997”, mas por terem sido recentemente promovidas por DeHaven Smith, “os teóricos conspiracionistas passaram a citar seu trabalho como uma autoridade.” Blaskiewicz pesquisou o uso do termo “teoria da conspiração” e descobriu que ele sempre teve um significado depreciativo, que era usado para descrever “hipóteses extremas” e especulações implausíveis, já desde os anos 1870. Em resposta à reação acalorada sobre seu uso da expressão “teorias da conspiração” ao descrever especulações extremas a respeito do massacre de Jonestown — como as alegações de que a CIA estaria conduzindo “experimentos de controle mental” —, a professora da Universidade Estadual de San Diego, Rebecca Moore, disse: “Eles estavam com raiva porque eu havia chamado sua versão da verdade de teoria conspiratória … Em muitos aspectos, eles têm o direito de estar com raiva. O termo “teoria da conspiração” não é neutro. Ele é carregado de valores e leva consigo a condenação, a ridicularização e a rejeição. É bastante parecido com a palavra “culto” que utilizamos para descrever as religiões das quais não gostamos.” Alternativamente, Moore descreve teorias da conspiração como “conhecimento estigmatizado” ou “conhecimento suprimido”, que é baseado em uma “forte crença de que indivíduos poderosos estão limitando ou controlando o livre fluxo de informações para fins terríveis.”

A crescente onda de teorias da conspiração em todo o mundo prova que a sociedade pós-moderna é sofre de uma psicose, ou seja, de uma ruptura com a realidade que se manifesta através de delírios e alucinações. Segundo Karl Jasper (1883-1969) [1979] os delírios são juízos patologicamente falsos, como um erro do juízo que tem origem na doença mental. Na prática clínica é possível encontrar ideias delirantes típicas de paranoicos e esquizofrênicos, como por exemplo: “tenho certeza de que meus pais ou vizinhos querem me envenenar”; ou “as pessoas que trabalham em minha empresa fizeram um plano para acabar comigo, primeiro me desmoralizando, para depois me prender e torturar”; ou “eu sou a nova divindade que tem poderes para acabar com o sofrimento no mundo na hora que quiser”; ou “implantaram um chip em meu cérebro que comanda meus pensamentos”.

Analisemos, portanto, sob o olhar da psicanálise e da psicopatologia, uma lista de teorias da conspiração para estabelecermos as relações entre elas e as psicoses, em especial a paranoia e a esquizofrenia.

“Essa lista de teorias da conspiração é um conjunto de teorias não provadas mais populares relacionadas, mas não limitadas, a planos de governo clandestinos, tramas de assassinatos elaborados, supressão de tecnologia e conhecimento secretos, e outros esquemas supostamente por trás certos eventos políticos, culturais e históricos. Uma conspiração é definida por lei, como um acordo por duas ou mais pessoas para cometer um crimefraude ou outro ato doloso. Embora em sentido estrito uma teoria da conspiração é uma teoria sobre uma conspiração, o termo geralmente se refere a uma teoria que atribui a causa final de um evento ou uma cadeia de eventos (geralmente políticos, sociais, culturais ou históricos), ou a ocultação de tais causas de conhecimento público, a um plano secreto e muitas vezes enganoso por uma conspiração de poderosos ou a pessoas influentes ou organizações. O grau em que essas várias teorias são abraçadas pelos principais historiadores variam de caso para caso. Teorias conspiratórias são, portanto, uma teoria que supõe que um grupo de conspiradores está envolvido num plano e suprimiu a maior parte das provas desse mesmo plano e do seu envolvimento nele. O plano pode ser qualquer coisa, desde a manipulação de governoseconomias ou sistemas legais até a ocultação de informações científicas importantes ou assassinato. Uma teoria da conspiração é precisamente o contrário de uma teoria científica, já que não pode ser refutada: as provas que endossariam as teorias são utilizadas pelos seus defensores para provar que os conspiradores são tão perfeitos a ponto de poder camuflá-las”. (Wikipédia). 

Quinet nos aponta o seguinte:

Demonstrei em meu livro Um Olhar a Mais como o ‘fenômeno elementar de observação’ pode ser um critério diagnóstico da paranoia antes mesmo que um delírio de observação se constitua. Trata-se do ‘olhar-supereu’, um ‘olhar-sobre-mim’. O olhar do supereu, invisível para o neurótico, torna-se visível, e o sujeito se sente na mira do Outro, não consegue escapar da vigilância e da observação do Outro que o persegue. Na rua, sente que todos o olham, supõe câmeras escondidas, vizinhos vigilantes e pode chegar a nomear um perseguidor”. (Wikipédia)

O que Quinet descreve aqui é a própria estrutura elementar de toda teoria da conspiração, a forma como ela se constitui e o fenômeno que está no centro de sua criação e da sociedade pós-moderna em que vivemos atualmente, onde nas redes sociais os sujeitos buscam ser olhados, vistos pelos outro que o segue. “Me segue no Twitter”. Esta frase sintetiza a paranoia social da sociedade pós-moderna e a psicose social que se enraizou na humanidade. As Teorias da Conspiração se igualam aos delírios interpretativos, onde Dalgalarrondo (2008) no explica:

“Deve-se ressaltar que a atividade interpretativa é um mecanismo que, de forma geral, está na base constituinte de todos os delírios. Em alguns delírios, entretanto, verifica-se que sua formação deve-se quase que exclusivamente a uma distorção radical na interpretação dos fatos e vivências; tecendo o indivíduo, a partir de múltiplas interpretações dos fatos da vida, um delírio mais ou menos complexo. O delírio interpretativo geralmente respeita determinada lógica, produzindo histórias que, embora delirantes, guardam verossimilhança”. (Dalgalarrondo, P; 2008. p. 2016).

Dalgalarrondo descreve aqui a estrutura elementar delirante de toda teoria da conspiração, ou seja, a interpretação distorcida da história da humanidade. Mas a interpretação não é a única característica delirante fundamental de toda teoria da conspiração; outras duas características delirantes fundamentais de toda teoria da conspiração é o delírio de perseguição e o delírio de auto referência, que Dalgalarrondo: nos explica da seguinte forma:

“O indivíduo acredita que é vítima de um complô e está sendo perseguido por pessoas conhecidas e desconhecidas, tais como máfias, vizinhos, polícia, pais, esposa ou marido, chefe ou colegas do trabalho (ou do ambiente estudantil). Ele pensa que querem envenená-lo, prendê-lo, mata-lo, prejudica-lo no trabalho ou na escola, desmoralizá-lo, expô-lo ao ridículo ou mesmo enlouquece-lo…cabe lembrar que a perseguição é o tema mais frequente dos delírios […]Aqui o indivíduo apresenta a tendência dominante a experimentar fatos cotidianos fortuitos, objetivamente sem maiores implicações, como referentes à sua pessoa. Diz ser alvo frequente ou constante de referências depreciativas, caluniosas. Ao passar diante de um bar e ver as pessoas conversando e rindo, entende que estão falando dele, rindo dele, dizendo que ele é ladrão ou homossexual, tudo, enfim, se refere a ele. Às vezes, ouve o seu nome e que o xingam (mecanismo alucinatório associado ao delírio de referência) ou simplesmente deduz que a conversa das pessoas em um bar diz respeito a ele (mecanismo interpretativo associado ao delírio de referência). Esse tipo de delírio geralmente ocorre em associação com a temática de perseguição. Ocorre nas psicoses em geral, sobretudo na esquizofrenia paranoide e nos transtornos delirantes”. (Dalgalarrondo, P; 2008. p. 218 a 219).

Um romance do escritor checo Franz Kafka intitulado O Processo, que conta a história de Josef K., que acorda certa manhã, e é preso e sujeito a longo e incompreensível processo por um crime não especificado, sintetiza de forma gloriosa a marca da psicose social de nossa época cujo sintoma de ruptura com a realidade se manifesta através dos delírios e alucinações das diversas teorias da conspiração.

“O romance conta a história de Josef K., bancário que é processado sem saber o motivo. A figura de Josef K. é o paradigma do perseguido que desconhece as causas reais de sua perseguição, tendo que se ater apenas às elucidações alegóricas e falaciosas vindas de variadas fontes. Embora Kafka tenha retratado um autoritarismo da Justiça que se vê com o poder nas mãos para condenar alguém, sem lhe oferecer meios de defesa, ou ao menos conhecimento das razões da punição, podemos levar a figura de Josef K., bem como de seus acusadores, para vários campos da vida humana: trabalho (quem nunca se viu cobrado ou perseguido, sem que seus acusadores lhe dissessem em que estaria sendo negligente), religião (quem nunca se viu pego, de surpresa, como Josef K., por um fanático intransigente, dizendo que teríamos ferido as leis divinas, sem que nos fossem apresentados os motivos), na escola (quem nunca se viu como Josef K., ao ser criticado por seu desempenho, sem que soubesse em que havia falhado, com críticas vagas, por vezes de colegas, por vezes dos próprios mestres)[…] Nesta obra, o protagonista, atônito, ao ser informado que contra ele havia um processo judicial (ao qual ele jamais terá acesso e fundado numa acusação que ele jamais conhecerá), percorre as vielas e becos da burocracia estatal, cumpre ritos inexplicáveis, comparece a tribunais estapafúrdios, submete-se a ordens desconexas e se vê de tal modo enredado numa situação ilógica, que a narrativa aproxima-se (e muito) da descrição de confusos pesadelos. (Wikipédia).

    A Nova Ordem Mundial

“A Nova Ordem Mundial é uma teoria da conspiração que afirma a existência de um suposto plano projetado para impor um governo único – coletivistaburocrático e controlado por setores elitistas plutocráticos, etc – em nível mundial. A teoria defende que tanto os eventos que são percebidos como significativos como os grupos que os provocam estariam sob controle de um grupo poderoso, – um grupo pequeno, sigiloso e com grande poder – com objetivos maléficos para a maioria da população. Essa teoria conspiratória afirma que um pequeno grupo internacional de elites controla e manipula os governos, a indústria e os meios de comunicação em todo o mundo. A principal ferramenta que eles usam para dominar as nações são as sociedades secretas e o sistema de banco central. São apontados como financiadores e provocadores da maior parte das guerras dos últimos duzentos anos, principalmente através da realização de operação de bandeira falsa para manipular a opinião pública em apoiá-los, e eles têm controle sobre a economia mundial, provocando deliberadamente a inflação e depressões em seu próprio benefício. As sociedades secretas que trabalham para a Nova Ordem Mundial seriam colocadas em posições-chave no governo, nos meios de comunicações e na indústria. As pessoas por trás da Nova Ordem Mundial seriam banqueiros internacionais, especialmente os proprietários dos bancos centrais controlados por interesses privados como a Reserva Federal dos EUA, Banco da Inglaterra, Banco Central Europeu e outros bancos centrais. A Nova Ordem Mundial também teria criado organizações supranacionais como a Council on Foreign RelationsComissão TrilateralClube de BilderbergUnião Europeia, as Nações Unidas, o Comunismo Internacional, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e com a proposta de União Norte Americana. O termo Nova Ordem Mundial ganhou popularidade após ter sido utilizado pela primeira vez no início da década de 1990 pelo presidente George H. W. Bush, quando este se referiu ao “sonho de uma Nova Ordem Mundial” em seu discurso ao Congresso dos Estados Unidos realizado em 11 de setembro de 1990, onze anos antes dos ataques terroristas contra o World Trade Center e contra o Pentágono, em 11 de setembro de 2001. Esse conceito de “governo sombra” existe desde antes de 1990 e se iniciou com os mesmos grupos de pessoas que, entre outras coisas, criaram o Federal Reserve Act (1913), apoiaram a Revolução Bolchevique (1917) e financiaram a ascensão do Partido Nazista na Alemanha, a fim de criar um governo mundial centralizado em sua própria agenda. O Banco Mundial e os bancos centrais nacionais são acusados de serem os instrumentos da Nova Ordem Mundial. As guerras geram enormes lucros para os bancos centrais e a indústria de armamento, porque as despesas públicas (ou seja, empréstimos a juros a partir dos bancos centrais controlados por eles) aumentam drasticamente em tempos de guerra, aumentando as dívidas (dependência) do governo com eles, além do que seria também uma forma eficaz de reduzir a população mundial. Na medicina, a supressão de curas de doenças tem como objetivo reduzir a longevidade da população e cortar os custos com a previdência social, além de aumentar os lucros das empresas farmacêuticas. Os grupos terroristas seriam ferramentas usados por eles para disseminar o medo na população, uma desculpa para reduzir os direitos civis e impor um governo fascista”. (Wikipédia).

  • Quinet (2002) nos ensina que, na paranoia, o sujeito ou aqui no caso analisado um conjunto de sujeitos é o centro dos olhares do Outro. A teoria da Nova Ordem Mundial é, assim como a paranoia, uma visão imaginária delirante onde o sujeito que acredita nela se vê como o centro dos olhares do Outro – o perseguidor – o grupo de elite que procura dominar o mundo. A teoria da Nova Ordem Mundial se caracteriza basicamente pelo que Freud em diversas referências chamou de delírio de observação. Na Nova Ordem Mundial a sociedade está sendo espionada, vigiada em seus atos, pensamentos e fantasias através da internet pelo inimigo, o perseguidor, chamado de governo das sombras, que é liderada por uma elite de pessoas e famílias mais ricas e influentes do mundo. A teoria da Nova Ordem Mundial entra na tipologia desenvolvida em 2013 pelo editor da revista Reason,Jesse Walker, como uma teoria conspiratória denominada por ele de O “Inimigo de Cima”, que é o tipo de teoria da conspiração que envolve pessoas poderosas que manipulam o sistema político, econômico, social e os meios de comunicação para seus próprios benefícios. Jesse Walker propôs cinco tipos de teorias da conspiração:
  • O “Inimigo Externo” baseia-se em figuras diabólicas e se mobiliza fora da comunidade tramando contra ela.
  • O “Inimigo Interno” compreende os conspiradores escondidos dentro do país, indistinguíveis dos cidadãos comuns.
  • O “Inimigo de Cima” envolve pessoas poderosas que manipulam o sistema para seus próprios benefícios.
  • O “Inimigo de Baixo” apresenta as classes mais baixas preparadas para romperem as suas limitações e subverter a ordem social.
  • As “Conspirações Benevolentes” são forças angelicais que trabalham nos bastidores para melhorar o mundo e ajudar as pessoas.

No entanto, de nossa parte pensamos que apenas as quatro primeiras tipologias são válidas, já que a última não contém a característica principal das quatro primeiras: O Inimigo. O Perseguidor. O Dominador, não podendo, portanto, se enquadrar dentro da tipologia das teorias da conspiração que se caracteriza pelo seu discurso paranoico.

               Iluminati

A Ordem dos Illuminati foi uma sociedade secreta iluminista, fundada em 1º de maio de 1776, em Ingolstadt (Alta Baviera), por Adam Weishaupt. Em 1785, a ordem foi reprimida e perseguida pelo governo da Baviera por supostamente tramar a derrubada da monarquia e das religiões de muitos países europeus. Desde o final do século XVIII até meados do século XX, muitos teóricos de conspiração especulam que os Illuminati sobreviveram à sua supressão e se tornaram o cérebro por trás de grandes eventos históricos como a Revolução Americana, a Revolução Francesa, e a Revolução Russa, levando a cabo um plano secreto para subverter as monarquias da Europa e a religião Cristã visando a formação de uma Nova Ordem Mundial secular baseada na razão científica”. (Wikipédia).

A teoria da conspiração Illuminati segundo a tipologia desenvolvida em 2013 pelo editor da revista ReasonJesse Walker, se enquadra na teoria conspiratória denominada por ele de O “Inimigo Interno”, que compreende os conspiradores escondidos dentro do país, indistinguíveis dos cidadãos comuns para derrubar a monarquia e as religiões com fins de implantar uma Nova ordem Mundial baseada exclusivamente na ciência.

      Judaico-Maçônico-Comunista

Teorias conspiratórias afirmam que a maçonaria é uma frente judaica para a dominação mundial ou, pelo menos, é controlada pelos judeus para este objetivo. Um exemplo disto seria o famoso Os Protocolos dos Sábios de Sião, um documento publicado em 1903 que alegava uma conspiração judaico-maçônica para alcançar a dominação mundial. Já foi provado por respeitados acadêmicos internacionais como um caso claro de plágio. Responsáveis pela alimentação de histerias anti-maçônicas do século XX, os Protocolos propagaram a ideia de que um grupo influente de pessoas, o qual tem como braço a Maçonaria que pratica cabala judaica, está conspirando governar o mundo em nome de todos os judeus, porque eles acreditam ser o povo escolhido de Deus. O fato de Karl Marx ter nascido em uma família judia, mesma origem de alguns proeminentes líderes comunistas, tornou possível adicionar o movimento operário à conspiração, como participantes da mesma ideologia”. (Wikipédia).

A Conspiração Judaico-Maçônico-Comunista Mundial entra na tipologia desenvolvida em 2013 pelo editor da revista ReasonJesse Walker, como uma teoria conspiratória denominada por ele de O “Inimigo de Baixo”, que é o tipo de teoria da conspiração que apresenta as classes mais baixas preparadas para romperem as suas limitações e subverter a ordem social e dominar o mundo. Esta teoria da conspiração é do mesmo tipo oposto ao da teoria da Nova Ordem Mundial.

                  11 de Setembro

“Muitas teorias de conspiração foram apresentadas para explicar os ataques de 11 de setembro de 2001, porém as teorias que obtiveram o maior impacto são normalmente baseadas em uma das duas ideias:

  • Que ogoverno dos Estados Unidos tinha conhecimento prévio dos ataques e deliberadamente não fez nada para impedi-los. Este grupo de teorias, portanto, apoia a existência de sequestradores islâmicos e não questiona a causa do colapso das Torres Gêmeas, mas acusa o governo de permitir deliberadamente a ocorrência dos ataques terroristas. Foi denominado LIHOP (“let it happen on purpose”, “deixar que isso aconteça de propósito” ).
  • Que foi o próprio governo dos Estados Unidos que orquestrou e executou os ataques. Este grupo de teorias questionam a causa do colapso das Torres Gêmeas, que seria uma demolição controlada. É utilizado o termo “Inside Job” (trabalho interno) para se referir aos ataques deste grupo de teorias; tem sido chamado MIHOP (“made it happen on purpose”, “fez isso acontecer de propósito”)[5] .

Os atentados seriam um pretexto para a “Guerra ao Terror“, as guerras no Afeganistão Iraque, o aumento da militarização, a expansão do estado policial, e outras políticas nacionais e estrangeiras intrusivas através do qual eles se beneficiariam. Proponentes apontam para o Projeto para o Novo Século Americano, uma equipe conservadora que defende a aumento da liderança mundial dos Estados Unidos, cujos membros incluem o ex-Secretário de Defesa Donald Rumsfeld, o ex-Vice Presidente Dick Cheney e várias outras figuras chave da administração George W. Bush, seja responsável pelos ataques. Os atentados de 11 de março de 2004 em Madrid e o atentado em Londres de 7 de julho de 2005 também são considerados pelos teóricos de conspiração como responsabilidade dos serviços secretos, como a CIA, sob ordens estadunidenses”. (Wikipédia).

A teoria da conspiração sobre o 11 de setembro segundo a tipologia desenvolvida em 2013 pelo editor da revista ReasonJesse Walker, se enquadrada na teoria conspiratória denominada por ele de O “Inimigo Interno”, que compreende os conspiradores escondidos dentro do próprio governo dos EUA como um pretexto para a Guerra ao Terror, as guerras no Afeganistão e Iraque, o aumento da militarização, a expansão do estado policial, e outras políticas nacionais e estrangeiras intrusivas através do qual eles se beneficiariam. Esta teoria se enquadra na mesma tipologia da teoria dos Illuminati.

   Raça, Etnia e Religião

“O antissemitismo tem, desde a Idade Média, muitas vezes tomado características de teoria da conspiração. Hoaxes antissemitas continuam a circular. Na Europa medieval, acreditava-se que os judeus envenenaram poçosmataram Jesus, e consumiam o sangue dos cristãos em seus rituais (apesar do fato de que o sangue humano e animal não ékosher). Na segunda metade do século XIX, os conspiracionistas afirmaram que os judeus e / ou maçons estavam conspirando para estabelecer o controle sobre o mundo. O texto mais famoso alegando a existência dessa conspiração judaico-maçônica é Os Protocolos dos Sábios de Sião. A manifestação mais moderna de tais ideias é o mito de um Governo de Ocupação Sionista. Várias teorias da conspiração promovem a relação dos judeus e o sistema bancário, incluindo o mito de que o sistema bancário mundial é dominado pela família Rothschild, que os judeus controlam Wall Street, assim como o Federal Reserve System. Um mito relacionado é o controle judaico de Hollywood ou o controle da mídia. A maioria das reivindicações de negação do Holocausto implica, ou abertamente propõe, apesar de provas contundentes e irrefutáveis do contrário, que o Holocausto é uma farsa resultante de uma conspiração judaica deliberada para promover o interesse dos judeus à custa de outros povos, e justificar a criação do Estado de Israel. Por esta razão, a negação do Holocausto é geralmente considerada como sendo uma teoria conspiratória antissemita”. (Wikipédia).

A teoria da Raça, Etnia e Religião entra na tipologia desenvolvida em 2013 pelo editor da revista ReasonJesse Walker, como uma teoria conspiratória denominada por ele de O “Inimigo de Cima”, que é o tipo de teoria da conspiração que envolve a raça, a etnia e a religião judaica que pretendem dominar o mundo, controlam Wall Street, manipulam a sociedade e controlam os comunicação em A teoria da Nova Ordem Mundial entra na tipologia desenvolvida em 2013 pelo editor da revista ReasonJesse Walker, como uma teoria conspiratória denominada por ele de O “Inimigo de Cima”, que é o tipo de teoria da conspiração que envolve pessoas poderosas que manipulam o sistema político, econômico, social e os meios de comunicação em  Hollywood para seus próprios benefícios e criar o Estado de Israel. Esta teoria é do mesmo tipo da teoria da Nova Ordem Mundial, só que aqui os protagonistas da dominação do mundo não são um pequeno grupo de famílias ricas e poderosas, mas sim a raça, a etnia e a religião judaica. O mesmo tem acontecido ultimamente com os árabes e muçulmanos devido a diversos grupos terroristas que estão conquistando território e implantando a Lei Islâmica.

                      Apocalipse

“Profecias apocalípticas, especialmente envolvendo a escatologia cristã, alegações sobre o fim dos tempos, o Juízo Final bem como o fim do mundo tem inspirado uma série de teorias conspiratórias. Muitas destas lidam com o Anticristo, também conhecido como a Besta 666, supostamente será um líder que vai criar um império mundial e oprimir os cristãos. Nessa teoria conspiratória apocalíptica, alguns dos atuais acontecimentos fazem com que algumas pessoas sejam acusadas de serem o Anticristo, e algumas organizações supranaturais são acusadas de ser a organização mundial maléfica do Anticristo.

Inúmeras figuras históricas foram chamadas de “anticristo” em suas épocas: o imperador romano NeroDioclecianoNapoleãoHitlerStálinSaddam HusseinRonald Reagan,BushBin Laden… Às vezes, especulações apocalípticas tem se misturado com o anti-catolicismo para ceder à interpretação que o reinante Papa seria o Anticristo bíblico. A mais recente interpretação conspiratória vê o anticristo como um líder mundial envolvido com as Nações Unidas, que irá criar um governo mundial único (também conhecido como Nova Ordem Mundial) e criar um único sistema monetário. Este último é identificado com a marca da Besta, o que a Bíblia afirma que as pessoas serão obrigadas a usar no fim dos tempos a fim de se realizar qualquer procedimento comercial. Cristãos fundamentalistas afirmam que o código de barras (que supostamente contém o número 666) e o implante do microchip (humano) VeriChip da RFID possam ser uma forma da marca da Besta”. (Wikipédia).

A teoria do apocalipse entra na tipologia desenvolvida em 2013 pelo editor da revista ReasonJesse Walker, como uma teoria conspiratória denominada por ele de O “Inimigo de Cima”, envolve um líder poderoso que manipula o sistema para seus próprios benefícios com o propósito de dominar o mundo e fazer-se Deus na terra, e ao mesmo tempo se enquadra no tipo O “Inimigo Externo”, que se baseia em figuras diabólicas (O Anticristo) e se mobiliza fora da comunidade tramando contra ela para dominar o mundo através da política, da economia, do militarismo e da religião. Um aspecto importante desta teoria da conspiração apocalíptica é que ela se caracteriza por um discurso não somente paranoico, mas também esquizofrênico, onde cristãos fundamentalistas afirmam que o Anticristo implantará em seus corpos um chip que o permitirá comandar meus pensamentos, suas ações e todo o sistema político-econômico global, onde ninguém poderá comprar ou vender se não tiver este chip implantado em seu corpo que será marcado com o símbolo da Besta: 666. Esta ideia bizarra é a marca de um delírio e alucinação que caracteriza a psicose social cujo sintoma primordial é a teoria da conspiração.

“Algumas experiências, tais como vivências corporais bizarras (‘sinto que não tenho mais fígado’; ‘sinto que uma cobra anda dentro de meu corpo’; ou ‘é como se toda noite o demônio tocasse meus órgãos genitais’), não tem qualquer referência em percepções normais (o homem normal não sente seu fígado para poder perceber que ele não está mais lá), ou, nelas, a experiência social é amplamente interpretativa, com caráter ideativo. Assim, em certos casos, torna-se difícil afirmar que se trata de uma alucinação ou de uma ideia delirante sobre algo aparentemente sensorial. Nessas situações, sugere-se que se opte por classificar o fenômeno por meio do caráter predominante da experiência: quando sensorial, considera-se como alucinação, quando ideativa ou de caráter mais interpretativo, como delírio”. (Dalgalarrondo, P; 2008. p. 228).

 

 

 

 

Filosofia Quântica

No Livro Filosofia Quântica dissemos que Segundo Silvio Seno Chibeni do departamento de Filosofia da UNICAMP.

“A história das grandes transformações sofridas pela física e que culminaram na formulação da mecânica quântica na segunda metade da década de 1920 começou no primeiro ano do século, quando Max Planck logrou explicar, através de uma hipótese que a ele próprio repugnava, o espectro de radiação do corpo negro. Um pequeno orifício aberto em um corpo oco representa aproximadamente um “corpo negro” (não confundir com “buraco negro”, que é algo muito diferente!). Tal orifício aparecerá negro para corpos em temperaturas usuais, daí advindo o seu nome. No entanto, à medida que a temperatura se eleva, o orifício se torna vermelho, depois amarelo e, finalmente, branco (neste ponto, ou mesmo antes, o material se funde; fenômeno do mesmo tipo pode ser observado aquecendo-se um pedaço de metal). A cada temperatura corresponde uma coloração da luz emitida, que resulta da mistura de radiações luminosas de diferentes frequências; cada frequência contribui na mistura em uma determinada proporção, fornecendo uma determinada parcela de energia à energia total irradiada pelo orifício. Essas proporções podem ser medidas experimentalmente. A figura abaixo mostra o gráfico de uma grandeza proporcional à energia irradiada em função do comprimento de onda”.

O nascimento da mecânica quântica se dá em 1900 pela explicação de Max Planck do mecanismo que faz com que os átomos radiantes sejam capazes de produzir a distribuição de energia observada. Planck então sugeriu o seguinte:

  • A radiação dentro da cavidade está em equilíbrio com os átomos das paredes que se comportam como osciladores harmônicos de frequência da v.
  • Cada oscilador pode absorver ou emitir energia da radiação em uma quantidade proporcional a v. Quando um oscilador absorve ou emite radiação eletromagnética, sua energia aumenta ou diminui em uma quantidade hv.
  • A energia dos osciladores é quantizada.

Dito isto, fica estabelecido que a Filosofia Quântica seja um ramo da filosofia que tem por objeto o quantum (menor valor que certas grandezas físicas podem apresentar. São exemplos de grandezas quantizadas a energia e o momento angular de um elétron em um átomo), e tem por objetivo o estudo da natureza da quantização e dos fundamentos metafísicos, teológicos e religiosos que surgem como consequência da existência da mecânica quântica. Embora a palavra quantum já fosse usada na literatura científica ao longo do século XVIII, foi a partir do trabalho de Max Planck sobre a radiação de corpo negro, publicado em 1900, que o termo passou a ser largamente empregado na física, e que agora propomos que seja empregado na filosofia, e em especial na metafísica, na teologia e na religião, sem, no entanto, pretender que esse emprego do quantum na filosofia possua caráter científico.

A interpretação mais corrente da mecânica quântica foi desenvolvida por  Niels Bohr e Werner Heisenberg que trabalhavam juntos em Copenhague em 1927, que pode ser resumida em três teses fundamentais:

  1. As previsões probabilísticas feitas pela mecânica quântica são irredutíveis no sentido em que não são um mero reflexo da falta de conhecimento de hipotéticas variáveis escondidas. No lançamento de dados, usamos probabilidades para prever o resultado porque não possuímos informação suficiente apesar de acreditarmos que o processo é determinístico. As probabilidades são utilizadas para completar o nosso conhecimento. A interpretação de Copenhague defende que em Mecânica Quântica, os resultados são indeterminísticos.
  2. Física é a ciência dos resultados de processos de medida. Não faz sentido especular para além daquilo que pode ser medido. A interpretação de Copenhague considera sem sentido perguntas como “onde estava a partícula antes de a sua posição ter sido medida?”.
  3. O ato de observar provoca o “colapso da função de onda”, o que significa que, embora antes da medição o estado do sistema permitisse muitas possibilidades, apenas uma delas foi escolhida aleatoriamente pelo processo de medição, e a função de onda modifica-se instantaneamente para refletir essa escolha.

Para a Filosofia Quântica, a linguagem é a fonte, a matriz de todo conhecimento a priori e a posteriori, portanto, a linguagem deve ser o centro gravitacional da filosofia. A Filosofia Quântica propõe um modo de fazer filosofia que acredita que todo conhecimento possível ao homem passa pela estrutura formal da linguagem, portanto, todos os problemas filosóficos devem ser resolvidos por meio de uma análise lógica da linguagem enquanto origem da racionalidade e da experiência. Isso significa que o papel da filosofia é esclarecer as expressões linguísticas e expor os limites da capacidade humana de simbolizar o real. Esse posicionamento tem como ponto central a crítica à postura realista adotada por  Einstein sobre a interpretação da mecânica quântica.

Contra o realismo de Einstein, a Filosofia Quântica reafirma a existência de um mundo físico, independente da mente humana, que contém uma série de objetos individualizados, porém, a estrutura formal do conhecimento de todos os objetos do mundo depende exclusivamente da linguagem, isto é, para a Filosofia Quântica existe um mundo físico independente do sujeito, mas o conhecimento deste mundo físico depende integralmente da capacidade linguística do ser humano de simbolizar os objetos do mundo real. Isto é o que nós chamamos anteriormente de simbolismo ou idealismo simbólico, onde não se duvida da existência de um mundo exterior e da pluralidade de coisas nele presente. Mas aceitar isso não significa que se possa conhecer os objetos do mundo exterior fora da sua relação com o sujeito cognoscente, como pretende o realismo, pois isto seria um absurdo, posto que todo conhecimento do mundo passa pelo homem, já que sem o homem o mundo pode existir, mas não pode ser conhecido.

O simbolismo ou idealismo simbólico é uma vertente epistemológica sistematizada de forma a se opor e sintetizar o idealismo e o realismo através da tese de que “Todo o conhecimento tem origem na linguagem, que possibilita a racionalidade e a significação da experiência sensível”. Ou seja, no simbolismo a origem do conhecimento não é mais a razão como no racionalismo e nem mesmo a experiência sensível como no empirismo, mas sim a linguagem, pois é esta que possibilita a racionalidade e a significação da experiência. A completa independência da realidade em relação a nossos esquemas conceptuais, crenças e pontos de vista, tal como prega o realismo filosófico, só é verdadeira no que se refere à existência do mundo físico, mas não ao seu conhecimento, ou seja, esta independência é apenas ontológica, e não gnosiológica, e é aqui que entra o idealismo, onde os fenômenos da realidade objetiva, externa ao sujeito, são incapazes de se mostrar ao homem em sua essência tais como são em si mesmos, mas apenas como representações subjetivas arquitetadas pela faculdade linguística do sujeito, como se houvesse um véu de Maya entre o homem e o mundo; mas aí então o realista metafísico questionará, dizendo: “Mas se é verdade que existe um véu entre o homem e o mundo, por que então este mesmo véu não existe entre o pensamento e a subjetividade?” Ora, esta pergunta está atrasada pelo menos há mais de um século e meio, pois a resposta a essa indagação foi descoberta por Freud e se chama inconsciente, este é o véu que existe entre o pensamento e a subjetividade e divide o sujeito entre Ser e Pensar e entre Saber e Verdade; no entanto, a impossibilidade de se conhecer a coisa em si não impossibilita também a sua experiência, e é isso o que garante a sua existência, pois se é impossível conhecer a coisa em si, então como é possível saber que ela existe? Este foi, portanto, o grande erro de Kant do qual a Filosofia Quântica não compactua, posto que para a Filosofia Quântica a coisa em si é incognoscível, porém experienciável através da prática moral, de mitos, ritos, hierofanias, experiências místicas e paradoxos lógicos na linguagem, tais como os apresentados pela lógica paraconsistente.

A verdade não é uma questão de correspondência entre as nossas crenças e a realidade, tal como prega o realismo, pois se assim fosse, os paradoxos presentes na existência do homem e do mundo, que contradizem a correspondência entre as nossas crenças e a realidade, seriam sempre falsos, uma tese que a lógica paraconsistente destrona com facilidade, posto que proposições contraditórias como “O homem olha, mas não vê”, ou “O homem ama, mas odeia”, ou “O homem está morto, mas está vivo” não são sempre falsas, podendo ser verdadeiras em determinadas condições, como por exemplo numa paixão arrebatadora, num complexo familiar ou na morte de alguém, que mesmo estando morto, permanece vivo através de seu legado, assim como no caso do experimento imaginário do gato de Schrödinger, no exemplo de um gato que está no mesmo sentido e ao mesmo tempo vivo e morto, bem como no caso do suicídio quântico, que afirma que a interpretação de muitos mundos de Everret implica que o conjunto de todos os seres conscientes possui o atributo da imortalidade, e o princípio da simultaneidade dimensional, que estipula que dois ou mais objetos físicos, realidades, percepções e objetos não-físicos podem coexistir no mesmo tempo-espaço, consistindo na existência de universos paralelos estruturados como uma gestalt (forma, em alemão), que é o processo mental no qual o ser humano dá forma aos objetos físicos da realidade sensível, configurando o que lhe é exposto diante dos olhos como “uma identidade concreta, individual e característica, que existe como algo destacado e que tem uma forma ou configuração como um de seus atributos” (Revista Scientifc American “Primordios da Psicologia da Forma – por Helmut E. Lück), não sendo possível ao homem comum obter o conhecimento do todo através de suas partes, posto que o todo é maior do que a soma das partes. Do ponto de vista da psicologia (psicanálise), os mundos consciente e inconsciente não são simplesmente (A+B), mas sim um terceiro mundo (C), que é préconsciente e possui suas características e leis próprias. Do ponto de vista da lógica, os mundos real e simbólico não são simplesmente (A+B), mas sim um terceiro mundo (C), que é imaginário e possui suas características e leis próprias. Independentemente dos elementos que compõem os objetos da realidade, na percepção humana é sempre a forma que sobressai; por exemplo: as letras F-O-G-O não constituem apenas uma simples palavra na mente humana, ela evoca imediatamente a imagem do fogo, seu calor e simbolismo, que são propriedades não diretamente relacionada às letras F-O-G-O. Do mesmo modo, do ponto de vista da metafísica, da teologia e da religião, os mundos sensível (material) e inteligível (espiritual) não são simplesmente (A+B), mas sim um terceiro mundo (C), que é semimaterial e possui suas características e leis próprias, como por exemplo a imortalidade da alma (perispírito segundo Kardec ou corpo espiritual segundo Paulo de Tarso), que é o envoltório semimaterial que envolve o espírito e o liga ao corpo físico. A mediunidade, os dons do Espírito Santo, as hierofanias, os mitos, os ritos, a ficção e os sonhos tem como principal característica a capacidade de tornar explícito no mundo sensível o que está implícito no mundo inteligível, projetando na cena exterior o que ocorre na cena interior, permitindo assim que o homem e a humanidade tenha maior consciência sobre a pluralidade dos mundos habitados, no exato ponto de fronteira de contato com seu mundo através de uma ponte subjetiva que liga os dois universos, seguindo o processo histórico em curso, observando e analisando atentamente os fenômenos sobrenaturais através das profundezas obscuras da metafísica, da teologia e da religião.

RubinGestalt

Aqui, a verdade é a própria contradição entre as nossas crenças e a realidade, e não a correspondência entre as nossas crenças e a realidade, produzindo histórias consistentes que podem ser descritas pelas probabilidades de cada história acontecer ou não, obedecendo às leis da probabilidade clássica, preservando a consistência com a equação de Schrödinger, o que nos permite vencer com elegância a resistência do princípio de explosão, onde se pressupõe que “a partir de uma contradição, qualquer coisa segue”, ou seja, “qualquer coisa pode surgir de uma contradição”, princípio este que a equação de Schrödinger prova ser falso, isto é, sendo afirmada a contradição do gato que está vivo e morto no mesmo sentido e ao mesmo tempo, não se pode inferir qualquer coisa, mas apenas duas coisas podem ser inferidas aqui, ou seja, apenas uma das duas possibilidades (50% Vivo ou 50% Morto) pode ser inferida do experimento imaginário, mas não qualquer coisa como pressupõe o princípio de explosão. O princípio de explosão é vencido aqui a partir da probabilidade clássica, mostrando que, a partir da contradição do gato que está vivo e morto no mesmo sentido e ao mesmo tempo, não se pode seguir qualquer coisa, mas apenas duas coisas podem ser seguidas, a possibilidade de o gato estar vivo ou a possibilidade de o gato estar morto, não podendo haver outras possibilidades como afirma, erroneamente, o princípio de explosão, posto que de uma contradição não se pode provar qualquer coisa, mas apenas coisas possíveis. Isto será melhor compreendido quando inserirmos em nossa investigação lógico-filosófica o conceito de mundos possíveis.

A paraconsistência da mecânica quântica provoca uma revolução jamais pensada na linguagem dos mundos possíveis. De modo que se faz necessário reformular o conceito de mundos possíveis. Para esta reformulação lançaremos mão do estatuto metafísico do conceito de mundos possíveis criado originalmente por Leibniz. Deste modo, a noção de mundos possíveis pode ser entendida como uma alegoria lógica que descreve a condição metafísica do conjunto de todos os seres e entes do universo. Um mundo possível é, portanto, um mundo logicamente possível em todos os mundos possíveis. Entendemos aqui a possibilidade lógica em todos os mundos possíveis como tudo aquilo que é logicamente possível em todos os mundos mesmo derivando de uma contradição lógica, por exemplo, a proposição Pı¬P “o gato está vivo e morto” é uma contradição lógica, mas é possível em um determinado mundo, como vimos anteriormente. Logo um mundo onde o gato está vivo e morto ao mesmo tempo é um mundo possível. Deste modo, faz-se necessário esclarecer que um mundo possível não é um planeta do universo, mas sim o conjunto de todas as coisas, isto é, o próprio universo, englobando o espaço-tempo, pois o espaço e o tempo existem em todos os mundos possíveis, sendo o espaço-tempo a condição sine qua non para a existência de qualquer mundo possível. Não podemos entender aqui o mundo atual somente como aquilo que está em ato (no sentido aristotélico do termo), mas também como aquilo que está em potência no próprio ato, isto é, a possibilidade, pois tudo o que é logicamente possível só o é em relação a outro mundo, pois do contrário tudo o que é logicamente possível se encerraria nas coisas e nos eventos deste mundo. A paraconsistência própria da linguagem dos mundos possíveis faz com que a imortalidade da alma e a pluralidade dos mundos habitados sejam condições lógica e ontologicamente possíveis. Assim a linguagem dos mundos possíveis possibilita a pretensão lógica e ontológica da metafísica, da teologia e da religião de englobar tudo o que é possível ser ou não ser. Isto quer dizer que a linguagem dos mundos possíveis, regida pela paraconsistência lógica da mecânica quântica, demonstra ser possível, que, neste exato momento, enquanto você se esforça para compreender este singelo texto, em um outro mundo, no mesmo espaço-tempo, um trem pode estar passando sobre você; ou um astronauta, em Vênus, pode estar sobre a avenida de uma outra civilização, num outro mundo, no mesmo espaço-tempo; ou um avião, onde você, sentado, neste exato momento, pode estar sobrevoando uma outra cidade, num outro mundo; ou neste exato momento, enquanto você se embriaga do surrealismo destas palavras, um outro ser (um espírito ou um anjo), em um outro mundo, pode estar com as mãos sobre seus ombros lendo o texto com você e lhe ajudando na compreensão deste; ou então um homem sobre o vulcão Lawoe, na Ilha de Java, na indonésia, pode estar no mesmo espaço-tempo, sobre uma porta dimensional para outro mundo, numa espécie de entrelaçamento quântico, onde dois mundos estão de alguma forma tão ligados que um mundo não pode ser corretamente descrito sem que a sua contra-parte seja no mesmo instante mensionada. Esta correlação entre a linguagem dos mundos possíveis e o entrelaçamento quântico sugere que um mundo está a influenciar instantaneamente um outro mundo com o qual está entrelaçado, apesar da separação ontológica entre eles. Isto dá a entender que todos os mundos possíveis estão conectados por “forças” invisíveis que permanecem no espaço-tempo, ou que estão fora do que entendemos ou concebemos por sistema espaço-temporal.

A linguagem dos mundos possíveis pode ser melhor traduzida pela estrutura própria dos computadores. A lógica clássica aristotélica-tomista tem uma memória feita de sentenças assim como um computador clássico tem uma memória feita de bits. Deste modo, cada bit guarda um “1” ou um “0” de informação, assim como cada proposição na lógica clássica guarda uma afirmação ou uma negação. Mas a mecânica quântica não é regida pela lógica clássica, como pudemos ver anteriormente, posto que na lógica clássica a proposição “o gato está vivo e morto” é uma contradição lógica que implica na falsidade da proposição, não sendo, portanto, um mundo possível. A mecânica quântica, pelo contrário, é regida pela lógica paraconsistente, onde a proposição “o gato está vivo e morto” é verdadeira em um mundo possível. A lógica paraconsistente se iguala, portanto, à estrutura dos computadores quânticos, onde um quibit pode conter um “1”, um “0” ou uma sobreposição dos dois; ou seja, pode conter tanto um “1” como um “0” ao mesmo tempo. O computador quântico funciona como uma espécie de manipulação deste sistema binário, assim como a lógica paraconsistente funciona como um tipo de manipulação das sentenças na proposição, dando sentido lógico aos fenômenos do mundo subatômico. A lógica paraconsistente é a lógica própria da mecânica quântica que possibilita uma revolução no conceito de mundos possíveis, na medida em que é possível construir computadores quânticos com átomos que podem estar excitados e não excitados ao mesmo tempo, bem como com fótons que podem estar em dois lugares ao mesmo tempo, ou com prótons e neutrons ou elétrons e pósitrons que podem ter um spin ao mesmo tempo para cima e para baixo.

Santo Agostinho em sua obra majestosa intitulada A Cidade de Deus, parece ter antecipado séculos antes a conclusão que Schröedinger chegou com seu experimento mental para demonstrar o paradoxo existente na interpretação de Copenhague da mecânica quântica, quando se pergunta “poderá alguém está ao mesmo tempo vivo e morto?”, e propõe o seguinte:

“Desde o momento em que cada um começa a viver neste corpo destinado a morrer, nenhum acto pratica que o não encaminhe para a morte. Efectivam ente, a sua mobilidade durante todo o tempo de vida (se é que se lhe pode chamar vida), mais não é que caminhar para a morte. Ninguém existe que não esteja, após um ano, mais próximo dela do que o estava um ano antes, que não esteja amanhã mais perto do que está hoje, hoje mais do que ontem, daqui a pouco mais do que agora e agora mais do que há pouco. Porque o tempo que se vive é tirado da duração da vida e, como o que resta diminui de dia para dia, o tempo desta vida outra coisa não é senão um a corrida para a morte: durante esta corrida a ninguém é permitido parar um instante que seja nem retardar por pouco que seja a sua marcha — mas todos são impelidos pelo mesmo movimento, nenhum avança a passo desigual. Realmente, nem aquele cuja vida foi mais curta passou o seu dia mais rapidamente do que aquele cuja vida foi mais longa; mas, ao passo que tempos iguais eram tirados de forma igual a ambos, um tinha um fim mais próximo e o outro um mais afastado, sem que a sua corrida diferisse de velocidade. É que um a coisa é percorrer mais caminho e outra caminhar mais devagar. Para o que leva mais tempo a chegar à morte a marcha não é mais lenta: o caminho é mais comprido. De resto, se cada um começa a morrer, isto é, a estar na morte, desde que a morte, ou seja, a supressão da vida, começa a realizar-se nele (por- que um a vez suprimida a vida, já se estará depois da morte e não na morte), segue-se que está na morte desde que começa a estar neste corpo. Que outra coisa se passa em cada dia, em cada hora, em cada momento até que a morte, que se estava processando, seja dada por concluída e se inicie o «tempo depois da morte» o qual, enquanto a vida se ia esvaindo, pertencia ao âmbito da morte? Nunca, portanto, o homem está na vida desde que está neste corpo — que mais morre do que vive — se não pode estar ao mesmo tempo na vida e na morte. O u antes, não está ele ao mesmo tempo na vida e na morte: na vida porque goza dela até toda ela ser suprimida, na morte porque já se está morto quando a vida se esvai? Se já não está na vida, que é que lhe é tirado até que seja completa a sua supressão? Se não está na morte, que é então a supressão da vida? Quando a vida toda abandonar o corpo, não haverá, realmente, outra razão para dizer que este já está «depois da morte» senão esta: é que já a morte existe quando a vida abandona o corpo. C om efeito, se depois da supressão da vida se não está «na morte» mas «depois da morte» — quando é que se estará então «na morte» senão no momento da supressão? Se é absurdo dizer que o homem antes de chegar à morte já lá está (com o é que dela se irá aproximando durante a vida se já lá estava?), sobretudo porque é muito estranho considerá-lo ao mesmo tempo vivo e a morrer, sendo certo que não se pode simultaneamente dormir e estar acordado, — põe-se a questão: quando é que está a morrer? É que, na verdade, antes de a morte chegar, não se está a morrer mas a viver; depois de a morte ter chegado, o homem estará morto e não a morrer. N um caso está ainda «antes» da morte, no outro caso está «depois» da morte. Então quando é que se está «na» morte? E quando se diz que se está a morrer; pois a estes três momentos — «antes», «em» e «depois» — correspondem estes três estados: vivo, a morrer e morto. Quando estará, pois, o homem a morrer ou na morte — de maneira que não esteja nem vivo, isto é, «antes da morte», nem morto, isto é, «depois da morte», mas a morrer, isto é, «na morte»? Realmente, o homem , formado de corpo e de alma, está, sem a menor dúvida, vivo: está ainda «antes de morto» e não «na morte». Mas quando a alma se separar, retirando ao corpo toda a sensibilidade, o homem estará «depois da morte» e dir-se-á que está morto. Perece, pois, entre o momento em que está a morrer e o momento de «estar na morte» — porque, se vive ainda, está «antes da morte»; se deixou de viver, está já «depois da morte»; nunca, portanto, se está a morrer, isto é, «na morte». D a mesma forma, no decorrer do tempo procura-se o presente sem que seja possível encontrá-lo, porque a passagem do futuro ao passado é sem duração Não parece que, depois deste raciocínio, se tem de negar a morte corporal? Se há morte — onde é que ela está que em ninguém pode ela estar e ninguém nela pode estar? Se se vive — ela ainda lá não está; se se está antes da morte, não se está na morte; se se deixou de viver— já lá não está porque se está «depois da morte» e não «na morte». Mas se não há morte nem «antes» nem «depois», a que propósito dizer «antes da morte» e «depois da morte»? Se não há morte, tudo o que se está a dizer é falho de sentido. Oxalá tivéssemos vivido bem no Paraíso para que morte não houvesse realmente! Mas no presente não som ente ela existe mas até é ela tão penosa que ninguém a pode explicar com palavras nem com raciocínio algum se pode evitar! T em os, portanto, de falar com o é costume falar-se (não podem os fazê-lo de outra maneira) e digamos «antes da morte» no sentido de «antes que a morte aconteça», como está escrito: Não louves ninguém antes da sua morte. Digam os também , quando ela aparecer: «Depois da morte deste ou daquele, aconteceu isto ou aquilo». Falemos também do tempo presente com o nos for possível, por exemplo: «Este moribundo fez o seu testamento», «o moribundo deixou isto ou aquilo a este ou àquele», se bem que não o poderia fazer sem estar vivo e o fez «antes» e não «na» morte. Falemos ainda com o fala a Sagrada Escritura que não hesita em declarar que os mortos, também eles, não estão «depois» mas «na» morte. Daí o seguinte: Porque não há ninguém na morte que se recorde de tiDe facto, até que revivam, com razão se diz que estão na morte, com o se diz que se está no sono até que se acorde. Embora chamem os adormecidos aos que estão no sono, não podemos, porém, chamar moribundos aos que já estão mortos. Não estão, claro está, a morrer (da morte corporal, que é da que estamos a tratar) os que já estão separados dos corpos. Mas é isso, com o já se disse, que nenhum a linguagem pode explicar: com o é que se pode dizer que os moribundos vivem ou os que estão já mortos, «depois» da morte estão «na» morte? Efectivamente, com o é que eles estão «depois» da morte se estão «na» na morte? Sobretudo não podendo chamar-lhes moribundos com o chamam os adormecidos aos que estão no sono e enfermos aos que estão na enfermidade, doridos aos que estão na dor, vivos aos que estão na vida. Mas dizem os que os mortos antes da ressurreição estão na morte, sem, todavia, lhes chamam os moribundos. Julgo que surgiu com oportuna conveniência (e não devido a habilidade humana, mas a disposição divina) a impossibilidade em que se vêem os gramáticos de conjugarem em latim o verbo morior (morro) conforme as regras por que se conjugam outros que tais. Assim, da palavra oritur (nasce) vem o pretérito ortusest (nasceu), e todos os verbos semelhantes se conjugam da mesma maneira com particípios pretéritos. Mas a respeito de moritur (morre), se se perguntar pelo pretérito, é costume responder-se mortuus (morreu), dobrando o u. E diz-se mortuus (morto) como se diz fatuus (fátuo), arduus, (árduo), conspicuus (conspíquo) e outras palavras semelhantes que não indicam tempo passado mas, com o nomes que são, se declinam sem indicarem tempo. Mas, no caso presente, para conjugar, digamos assim, o que se não pode conjugar, usa-se de um nome com o particípio pretérito. Bom é que se não possa conjugar este verbo tal com o também não pode conjugar-se a acção que ele significa. Todavia, ajudados pela graça do nosso Redentor, podemos, no que respeita à segunda morte, pelo menos decliná-la. Mais temível que a primeira, é ela o pior de todos os males porque não consiste na separação da alma e do corpo mas antes na união de ambos para a pena eterna. Aí, pelo contrário, os homens não estarão nem «antes» nem «depois» da morte, mas sempre «na» morte — e isto nunca «a viver», nunca já mortos, mas sempre «a morrer». Nunca, na verdade, haverá para o homem pior desgraça na morte do que chegar onde a própria morte não será morte!” (Santo Agostinho; Vol II. 2000. p. 365 a 368).

A Filosofia quântica aqui sistematizada aceita a interpretação de Copenhague da mecânica quântica e nega a interpretação realista de Einstein. Apesar de muitos físicos e filósofos criticarem a interpretação de Copenhague da mecânica quântica, a Filosofia Quântica desenvolvida aqui a aceita pelo fato de que a desde Heráclito, Hegel, Freud, Lacan e Da Costa e sua lógica paraconsistente parece provar que a verdade se manifesta justamente na contradição e no paradoxo, e não o contrário. Para a Filosofia Quântica o mundo possui uma base não determinística e o simbolismo ou idealismo simbólico proposto anteriormente mostra que a realidade é criada por um processo de observação não físico que se estrutura na linguagem. As críticas de Einstein onde diz que “Deus não joga aos dados” ou “pensas mesmo que a lua não está lá quando não estás a olhar para ela?” que estão na base da interpretação realista da mecânica quântica são facilmente aquebrantadas quando colocamos a linguagem como a fonte, a origem e a matriz de todo conhecimento possível. É verdade que Deus não joga aos dados, mas é mais verdade ainda que Deus escreve certo por linhas tortas, isto é, Deus é um músico que escreve como numa partitura musical, na diacronia da vida e na sincronia da morte.

Do mesmo modo, é verdade que a lua continua lá quando não estou a olhar para ela, mas é mais verdade ainda que sem a linguagem e o universo simbólico eu sequer saberia o que é a lua.

Real 1 —————— Logos—————— Real 2

Como se vê, é possível pensar o real como sendo simbolizado progressivamente durante a existência do homem. Onde cada vez menos desse primeiro real (R1) é largado de fora, embora nunca seja possível ser totalmente removido ou morto. Haverá, portanto, sempre um resíduo que estará lado a lado com o Logos.

Todavia, é possível perceber que a ordem simbólica em si produz um real de segunda ordem (R2), que é justamente o que possibilita a existência de juízos analíticos a posteriori.

Portanto, há dois níveis do real – (R1 e R2) –onde o primeiro, antes da letra, existe fora da realidade, e o segundo manifesta-se depois da letra em analogias e paradoxos lógicos na linguagem, tal como o do gato que está vivo e morto no mesmo sentido e, ao mesmo tempo.

A Filosofia Quântica é uma tentativa filosófica de responder a questão: sobre o que trata exatamente a mecânica quântica? As questões fundamentais sobre exatamente o que trata a mecânica quântica constituem uma proposta filosófica, e requerem algumas explicações adicionais de ordem metafísica, teológica e religiosa que nitidamente transcendem os limites empíricos da ciência. Para isso, a Filosofia Quântica deve aderir não somente à interpretação de Copenhague, mas unir a ela a interpretação de muitos mundos ou interpretação das histórias consistentes, que é uma versão mais moderna da interpretação de muitos mundos. Mas como unificar em uma única interpretação da mecânica quântica estas duas interpretações distintas? A chave para essa interligação das três interpretações está na questão: sobre o que trata exatamente a mecânica quântica? Para nós que propomos a mecânica quântica trata de investigar o quantum da natureza, da essência e da origem do conjunto de todos os seres; em suma, o objeto da Filosofia Quântica é Deus enquanto origem do conjunto de todos os seres.

A nossa interpretação de muitos mundos da mecânica quântica é uma interpretação diferente da que fora formulada inicialmente por  Hugh Everett, pois, ao contrário de Everett, nós não propomos a existência de múltiplos universos paralelos, mas tão somente a existência de dois universos paralelos e opostos, como os dois lados de uma mesma moeda: o universo sensível ou material e o universo inteligível ou espiritual. Esta interpretação explica a natureza não determinística (tal como a medição) na mecânica quântica exposta no princípio da incerteza de Heisenberg, onde é impossível calcular a velocidade e a posição de um elétron no mesmo instante.

A proposta de um único universo paralelo, isto é, um único universo binário dividido em material e espiritual pressupõe a existência de uma função estado para o universo único dividido em dois polos opostos a qual obedece à equação de Schrödinger para todo tempo e para a qual não há processo de colapso da onda. Este estado universal é uma sobreposição quântica de dois universos paralelos quase idênticos, quase, porque o universo material é tão somente uma cópia imperfeita do universo material, onde os dois universos são não comunicantes naturalmente, mas comunicáveis através da prática moral, de mitos, ritos, hierofanias, experiências místicas, mediunidade e paradoxos lógicos na linguagem, tais como os apresentados pela lógica paraconsistente.

Ao que parece, o espelho que separa o fenômeno da coisa-em-si, o sensível do inteligível, isto é, o mundo virtual (material) do mundo real (espiritual), é um espelho falso, ou seja, um vidro que, de um lado, provoca o reflexo normal de um espelho, mas do outro lado, funciona como uma janela. É dessa forma que os espíritos observam as pessoas sem que elas saibam que estão sendo observadas. O que permite ao médium que está do lado virtual, isto é, material, se comunicar com o lado real, isto é, espiritual, que está por trás do espelho, é a sua capacidade ou dom de enxergar além do espelho, isto é, enxergar o que está por trás dele. O mundo sensível ou material é uma espécie de imagem holográfica do mundo inteligível ou espiritual. O mundo sensível e material é puramente virtual, isto é, tudo o que conhecemos deste mundo é um tipo de holograma do mundo inteligível ou espiritual. Por ser um holograma, o mundo sensível ou material possui uma característica única: cada parte microcósmica dele, isto é, cada átomo, possui a informação do todo macrocósmico, isto é, do universo. Assim, um pequeno pedaço da matéria terá informações de toda imagem do universo material completo. Ela pode ser vista na íntegra, mas a partir de um ângulo restrito. Do mesmo modo, cada parte do mundo sensível ou material possui a informação do mundo inteligível ou espiritual. A mediunidade pode ser comparada a uma janela com um espelho falso: se a cobrirmos por trás com um véu, deixando um pequeno buraco na cobertura, permitiremos a um espectador do mundo sensível ou material continuar a observar a paisagem do outro lado, isto é, do mundo inteligível ou espiritual. Porém, por conta do buraco, de um ângulo muito restrito, que só os médiuns e/ou os místicos são capazes de perceber; mas ainda assim ele conseguirá ver a paisagem do mundo espiritual perfeitamente, desde que perceba que aquela janela possui um espelho falso, e que por trás desse espelho existe um véu que impede que as pessoas comuns percebam que do outro lado do espelho existe outro mundo, mas que, neste véu, existe um buraco que o permite se comunicar perfeitamente com esse outro mundo. É exatamente isso o que acontece com o médium ou com o sujeito que vivencia uma experiência mística, ele se comunica com o mundo espiritual através dessa janela, pelo buraco que há no véu de Maya. Independente do nome que se dê a esse conhecimento, o importante aqui é que ele se estrutura como uma hierofania e se manifesta como um retorno do mundo real dentro do mundo virtual ou uma espécie de furo do real dentro da realidade; é por isso que o verdadeiro conhecimento das Ideais de que nos fala Platão só pode ser alcançado através da estilística, da mitologia, do ficcional, do onírico, do ritualístico, do filosófico e do religioso. A ciência está em nível de Saber, enquanto a poesia, o mito, a ficção, o sonho, o ritual, a filosofia e a religião estão em nível de Verdade, porém, não se trata de uma verdade manifesta, mas sim de uma verdade latente, oculta, que precisa ser decifrada como se decifra um enigma. O real é irracional e o irracional é real. A filosofia não é uma ciência como pensava Hegel e Mário Ferreira dos Santos, pelo contrário, a filosofia é uma insciência, isto é, uma espécie de saber que não se sabe. Através da filosofia e da religião a Verdade se manifesta dentro do Saber. A filosofia e a religião se estruturam como um retorno da Verdade dentro do Saber, só que o que retorna não é exatamente a Verdade, mas sim o saber verdadeiro. Enquanto a ciência nos revela o Saber sobre o mundo virtual, a filosofia e a religião nos revela a Verdade sobre o mundo real.

A Crítica da Razão Psiquiátrica

No Livro A Crítica da Razão Psiquiátrica demonstramos que Ana Rosa Bulcão Vieira em seu artigo intitulado Organização e Saber Psiquiátrico nos diz o seguinte: “Só é possível compreender o nascimento da psiquiatria a partir da medicina, no momento em que esta incorpora a sociedade como novo objeto e se impõe como instância de controle social dos indivíduos e no seio da medicina social que se constitui a psiquiatria. Do processo de medicalização da sociedade surge o projeto – característico da psiquiatria – de patologizar o comportamento do louco, somente a partir de então considerado anormal e, portanto, medicalizável; e somente no início do século passado que a loucura ascende à categoria de doença mental. Nessa época os loucos se disseminavam indiferentemente entre os hospitais gerais, as casas, de detenção, as casas de caridade, os dep6sitos de mendigos e as prisões familiares. Nessa época a loucura figura claramente como estigma, isto é, como sinal distintivo e significante da pertinência do louco à categoria das “classes perigosas”. Apsiquiatria, então, ainda não se havia firmado, apropriando-se da insanidade como objeto pr6prio dentro da- legitimidade do seu saber e de sua técnica. A classificação resultante na definição da doença mental não obedece a um esquema puramente teórico e pertinente a uma disciplina científica; mas tem a ver com a normatividade de uma ordem institucional particular; “Não se pode pensar essa ordem e, correlativamente, essa desordem, senão por referência à lei ou à norma que a institui e defme” (Albuquerque, 1978). Mas os diversos sentidos da lei ainda se confundem amplamente na época da instituição da loucura em, objetei científico, sobretudo no domínio das ciências do homem. “De cada urna das concepções de lei e de ordem a caracterização da doença mental, enquanto desordem dei espírito, irá retirar sua contribuição, Da ideia de ordem enquanto sujeição a uma norma, decreto, expressão de uma vontade superior, a definição científica da doença mental retira a caracterização do louco como insubmisso, infenso a qualquer norma ou regularidade. Da ideia de ordem como expressado de um princípio abstrato, deriva a ideia de irracionalidade do louco e do caráter anormal e, portanto, especial da doença mental, Finalmente, da ideia de lei como regularidade imanente e necessária dos fenômenos deriva a concepção da loucura como patologia, exceção”(Castel, 1978). Enfim, a psiquiatria nascente, na tentativa de medicalizar a doença mental, de se apropriar da loucura dentro de um paradigma científico, acaba não sabendo se deriva a legitimidade de sua ação sobre a doença mental das normas científicas ou da legislação que lhe confere autoridade legal sobre a doença mental e, particularmente, sobre os “doentes mentais”. Tal como o saber jurídico, o saber sobre a doença mental produz, então, sua verdade em virtude do que explicita a lei e não a partir da evidência empíricas dos fatos ou de teorias aceitas. Essa aproximação entre os dois saberes teórico-prático e altamente institucionalizados, um sobre a ordem legal e outro sobre a desordem mental, é praticamente constitutivo da ciência da doença mental”. (Ana Rosa Bulcão Vieira; 1981)

Bem, o que a então na época aluna de mestrado em administração, na área de teoria e comportamento organizacionais, da EAESP/FGV tem a nos dizer é algo absolutamente primordial para compreendermos as origens da psiquiatria ou do saber psiquiátrico. O mais importante a ser frisado neste artigo de Ana Rosa Bulcão Vieira é o fato de que a psiquiatria clássica nasce da tentativa de medicalizar a doença mental e de se apoderar da loucura dentro de um suposto paradigma científico, mas acaba por não saber se sua legitimidade deriva do poder do saber científico das doenças mentais ou se deriva da legitimidade imposta pela lei que lhe dá legitimação jurídica para se apoderar da doença mental e das pessoas que sofrem por causa de sua condição existencial. Ou seja, a psiquiatria clássica não nasce como uma ciência, mas sim como uma lei, isto é, a psiquiatria clássica tem sua nascença não no poder do discurso científico, mas sim no poder do discurso legislativo.

A psiquiatria não é uma ciência, mas sim uma insciência por uma simples razão: todos os seus postulados ultrapassam os limites da razão alicerçados por Kant (1724-1804) em sua “Crítica da Razão Pura” e os limites da linguagem arquitetados por Wittgenstein (1889-1951) em seu “Tractatus Lógico-Philosophicus”, e não se enquadram dentro do princípio da falseabilidade formulado por Karl Popper (1902-1994) em sua obra “A Lógica da Pesquisa Científica”, que estabelece os critérios para se distinguir a ciência da não-ciência.

Analisando, sob a ótica de Popper, o principal postulado da psiquiatria, a saber: o objeto da psiquiatria é o transtorno mental e este deve ser catalogado em códigos. Por outro lado a metapsiquiatria tem como principal postulado a seguinte proposição: o objeto da metapsiquiatria é o sujeito e seu sofrimento, seja ele de ordem natural ou sobrenatural, e defende a tese de que, se a psiquiatria se baseou na observação e na teorização sobre os transtornos mentais catalogados por  Philippe Pinel (1745-1826) no manicômio de Bicêtre, só se pode tirar conclusões sobre o que Pinel observou, isto é, o fenômeno do transtorno mental, mas nunca sobre o que Pinel não observou, isto é, a coisa-em-si (o inconsciente).

Assim, se Pinel observou alguns transtornos mentais no manicômio Bicêtre e classificou as doenças mentais em quatro categorias (manias” ou delírios gerais, “melancolias” ou “delírios exclusivos”, “demências” e “idiotias”), isto não lhe permite afirmar cientificamente a veracidade destas categorias, posto que uma outra pessoa, observando os mesmos fenômenos analisados por Pinel, pode chegar à conclusões bem diferentes da dele, afirmando que tais transtornos são de outra categoria. Não importa quantos transtornos mentais tenham sido observados por Pinel, basta a conclusão oposta de outra psiquiatra sobre os mesmos transtornos mentais para derrubar a pretensão científica dos postulados organizados por Pinel para arquitetar e fundar a psiquiatria.

Assim, qualquer pretensão psiquiátrica à cientificidade da psiquiatria baseada na observação dos transtornos mentais (manias” ou delírios gerais, “melancolias” ou “delírios exclusivos”, “demências” e “idiotias”), jamais poderá ser considerada uma verdade absoluta e definitiva. E nem adianta alguns psiquiatras ortodoxos recorrerem ao enfoque historicista de Thomas Kuhn (1922-1996) e ao conceito de paradigma com a finalidade de dar uma certa esperança a psiquiatria de que um dia, no futuro, a psiquiatria poderá ser confirmado pela ciência, pois dentre as seis fases do desenvolvimento da ciência estabelecidas por Kuhn, a saber: 1°- Paradigma (noção fundamental do enfoque historicista de Kuhn, e enfatiza um marco histórico na ciência que é aceito de forma geral por um conjunto de cientistas que compartilham um mesmo paradigma); 2°- Ciência Normal (período histórico no qual é desenvolvida uma determinada atividade científica baseada num paradigma com a finalidade de pôr a prova a sua veracidade); 3°- Crise (período histórico em que se percebe que o paradigma não é capaz de resolver todos os problemas e explicar a totalidade do fenômeno em questão, possuindo limitações e incompletudes que levam os cientistas a repensarem o paradigma); 4°- Ciência Extraordinária (período histórico no qual surgem novos paradigmas que competem entre si na elucidação do fenômeno analisado); 5°- Revolução Científica (período histórico no qual um dos novos paradigmas surgidos substituem o paradigma tradicional adotado anteriormente, dando inicio a um novo ciclo na história da ciência, um exemplo clássico de revolução científica é a revolução copernicana); 6°- Novo paradigma (período no qual surge um novo paradigma na história da ciência), a psiquiatria não se enquadra nem mesmo na primeira delas, a saber, a fase do paradigma. Apesar do brilhante e verdadeiro trabalho de Kuhn, não é lícito à psiquiatria se apoderar de sua filosofia histórica da ciência como alguns psiquiatras se apoderaram do positivismo de Comte (1798-1857) para dar à psiquiatria a falsa esperança de que um dia a psiquiatria será confirmada pela ciência, pois a psiquiatria não se adapta ao conceito de paradigma de Kuhn, que resulta fundamentalmente da interpretação histórico-sociológica e subjetiva da ciência e não passa de uma perspectiva que se aceita de forma geral por toda a comunidade científica (o que não é o caso da psiquiatria, que possui diversas ideologias diferentes e até contraditórias) e a partir do qual se realiza a lógica da pesquisa científica, cujo objetivo é esclarecer os possíveis enganos ou ilusões do paradigma no qual se baseia. Kuhn nos mostra claramente que o critério que define o que é a ciência é algo subjetivo e progride de modo a aproximar-se dialeticamente da verdade. Esta aproximação é feita, segundo nossa compreensão baseada na dialética histórica de Hegel (1770-1831) sob a ótica do Alvissarismo e no trabalho de Popper, através da oposição binária entre a Tese e a Antítese, que substitui uma teoria por outra mais adequada no que se refere à explicação lógica do fenômeno e o seu vínculo com a realidade objetiva. Sendo assim, a ciência não é somente subjetiva como quis Kuhn, mas também objetiva como nos mostrou Popper, ou seja, o processo evolutivo da ciência provém de uma contradição interna à própria história da humanidade que contrapõe a Tese à Antítese, substituindo um paradigma por outro sucessivamente através da dialéica histórica entre a Tese, a Síntese e a Antítese, já que, segundo a nossa compreensão do processo histórico, não são possíveis trocas diretas entre a Tese (++) e a Antítese (- -) sem antes perpassar pela Síntese (+ – ou – +), ou seja, não são possíveis trocas diretas entre o Ser e o Não-Ser sem antes perpassar pelo Devir.

No que se refere ao trabalho de Kuhn, a psiquiatria permanece no estágio pré-paradigmático, que é o estágio embrionário e um campo de conhecimento em vias de se tornar uma ciência. Este estágio é caracterizado pela atividade exercida por uma comunidade científica antes da aquisição de um paradigma, estágio ao qual a psiquiatria não alcançou, já que, o paradigma, segundo Kuhn, é um conjunto de crenças, regras, compromissos e valores que são compartilhados pelos cientistas por um determinado período de tempo e que confere à sua atividade investigativa a unidade mínima que lhe permite constituir uma comunidade científica. Se assim compreendemos o paradigma, o estágio pré-paradigmático no qual se enquadra a psiquiatria, deve ser, portanto, caracterizado por momentos em que uma determinada ciência é praticada sem que haja consenso entre os cientistas sobre quais devem ser as crenças, regras, compromissos ou valores que deverão ser aceitos por todos com a finalidade de promover o progresso daquela ciência. Este é, pois, o estágio ao qual a psiquiatria, por ser uma insciência, permanece, sem ter condições de chegar a se constituir como um verdadeiro paradigma, isto é, sem possuir o caráter de uma verdadeira ciência, mas apenas o caráter de uma pseudociência. O que caracteriza a Insciência e a Pseudociência é o fato de elas não conseguirem ultrapassar o estágio pré-paradigmático do desenvolvimento da Ciência; e o que diferencia a Insciência e a Pseudociência é o fato de a Insciência (metapsiquiatria) não possuir a pretensão de ultrapassar o estágio pré-paradigmático, enquanto que a Pseudociência (psiquiatria), mesmo no fundo sabendo não possuir capacidade para ultrapassar este estágio, ainda assim afirma pretensiosamente a possibilidade de ultrapassá-lo e chegar ao estágio paradigmático, tornando-se frustrada por não conseguir alcançar o seu objetivo de ser uma Ciência e ao mesmo tempo não ter a humildade de reconhecer não ser uma Ciência. O problema da psiquiatria é que ela pretende ser uma coisa que não é, ou seja, uma Ciência, e nega ser uma coisa que é, ou seja, uma Insciência.

A metapsiquiatria, baseada na Filosofia da Ciência de Karl Popper, afirma que a impossibilidade de se refutar os principais postulados da psiquiatria, torna-a uma teoria de natureza não-científica. Assim, uma teoria só pode ser considerada científica quando é falseável, isto é, quando se torna possível provar sua falsidade. Esse conceito é conhecido como falseabilidade ou refutabilidade. Para um postulado ser falseável ou refutável, em princípio deverá ser possível fazer uma observação ou fazer uma experiência física que consiga mostrar que esse postulado é falso, o que não é possível fazer com os postulados da psiquiatria, já que não é possível provar que a loucura existe.

Por exemplo, para a psiquiatria ser denominada de Ciência, o postulado “todas as pessoas que rompem com a realidade sofrem de um transtorno mental”, arquitetado pela psiquiatria a partir da observação das psicoses, deveria poder ser falseado pela observação de uma pessoa que rompe com a realidade e não sofre de um transtorno mental, mas como o postulado “todas as pessoas que rompem com a realidade sofrem de um transtorno mental” não é falseável, pois a ruptura com a realidade não prova a existência da loucura, logo ele se torna, segundo o princípio da falseabilidade formulado por Popper nos anos de 1930, um postulado não científico.

Pinel supôs que se poderia passar de um postulado singular para um postulado universal, ou seja, que se poderia passar de “esta pessoa que rompe com a realidade sofre de um transtorno mental” para “ali está outra pessoa que rompe com a realidade e sofre de um transtorno mental”, e por isso, “todas as pessoas que rompem com a realidade sofrem de um transtorno mental”. No que se refere à lógica, este método é obviamente inválido, uma vez que o postulado “esta pessoa rompe com a realidade e sofre de um transtorno mental” não prova a veracidade do postulado “todas as pessoas que rompem com a realidade sofrem de um transtorno mental”. Ou o contrário, o postulado “esta pessoa não rompe com a realidade e não sofre de um transtorno mental” não prova o postulado “todas as pessoas que não rompem com a realidade não sofrem de um transtorno mental”. Este problema de indução lógica de um postulado singular para um postulado universal já havia sido identificado por David Hume (1711-1776).

O enunciado “esta pessoa rompe com a realidade e sofre de um transtorno mental” tirado por Pinel da observação dos sintomas dos pacientes aprisionados no manicômio Bicêtre (e não da escuta atenta do discurso do paciente) é chamado, na lógica, de enunciado existencial singular, uma vez que ele afirma o transtorno mental de uma pessoa particular. Este enunciado não pode inferir que “todas as pessoas que rompem com a realidade sofrem de um transtorno mental”, ou seja, na lógica, de um enunciado singular não se pode inferir um enunciado universal. Apesar do enunciado existencial singular “esta pessoa rompe com a realidade e sofre de um transtorno mental” não poder ser usado para afirmar o enunciado existencial universal “todas as pessoas que rompem com a realidade sofrem de um transtorno mental”, mas ele pode ser usado para demonstrar que um determinado enunciado universal é falso. A observação existencial singular de uma pessoa que rompe com a realidade e não sofre de um transtorno mental serve para mostrar que o enunciado “todas as pessoas que rompem com a realidade sofrem de um transtorno mental” é falso. Deste modo, se um sujeito como Chico Xavier (1910-2002) ou qualquer outro médium nos diz categoricamente poder se comunicar com os mortos e um tal psiquiatra afirme que “esta pessoa rompe com a realidade e sofre de um transtorno mental”, esta asserção não possui qualquer caráter científico, pois este é um juízo exclusivamente singular promovido pelo tal psiquiatra, e qualquer outra psiquiatra que não tenha a mesma opinião não poderá jamais afirmar que “esta pessoa rompe com a realidade e sofre de um transtorno mental”, e mesmo que outro psiquiatra tenha a mesma opinião do primeiro, da asserção “esta pessoa rompe com a realidade e sofre de um transtorno mental” não é lícito inferir que “todas as pessoas que rompem com a realidade sofrem de um transtorno mental”. Para que a psiquiatria pudesse ter caráter científico, seria necessário que a ruptura com a realidade e o transtorno mental decorrente desta fosse universal, inerente a todas as pessoas deste mundo, e não singular, isto é, exclusiva de umas poucas pessoas neste mundo, ou seja, para que a psiquiatria viesse de fato a se tornar uma ciência seria necessário que todas as pessoas deste mundo, indistintamente, que tivessem algum rompimento com a realidade sofressem de algum tipo de transtorno mental.

Com Hume, Kant, Wittgenstein e Popper os limites da ciência são claramente definidos. A ciência produz teorias falseáveis que só serão válidas enquanto não forem refutadas. Seguindo este modelo, a mtapsiquiatria conclui que não há como a psiquiatria ser denominada de Ciência, que é regida exclusivamente por juízos sintéticos a priori, pois o seu objeto e os seus postulados centrais pertencem à Filosofia, que busca a verdade através de juízos analíticos a priori, e à psicopatologia, que busca a verdade através de juízos analíticos a posteriori.

A metapsiquiatria, portanto, adota o princípio da falseabilidade de Popper e a distinção entre fenômeno e coisa-em-si e entre juízos analíticos e sintéticos de Kant para afirmar categoricamente que a psiquiatria não é uma Ciência, mas sim uma Pseudociência enquanto pretender ser uma Ciência, e uma Insciência quando reconhecer não ser uma Ciência.

A psiquiatria é estruturada por juízos analíticos, mas é fundada posteriormente à experiência da observação dos sintomas e principalmente da audição do discurso do paciente. O juízo “todas as pessoas que rompem com a realidade sofrem de um transtorno mental” é um juízo analítico a posteriori, pois aqui o predicado está implícito no sujeito e a conexão analógica só é possível devido à experiência da observação dos sintomas e da audição do paciente que relata ao psiquiatra o seu surto psicótico, pois para saber que toda pessoa que rompe com a realidade sofre de um transtorno mental, é necessário antes que o homem tenha vivenciado a experiência da ruptura com a realidade através do surto psicótico. A psiquiatria só existe porque são possíveis juízos de experiência fundados de modo puramente analítico. Todavia, na psiquiatria não é possível qualquer tipo de juízo a priori, mas em alguns casos, onde se utiliza de tecnologia, é possível o juízo sintético a posteriori; em verdade, é facilmente perceptível que a psiquiatria só é possível via juízos analíticos a priori (filosofia) e a posteriori (psicopatologia), isso na medida em que as proposições psiquiátricas são, por um lado, todas universais e necessárias quando são analíticas a priori, e por outro lado, todas singulares e particulares quando são analíticas a posteriori, lembrando que todo juízo analítico a posteriori estrutura em si mesmo a necessidade e a universalidade, porque são especulações filosóficas com base em dados concretos, ou seja, são especulações com base na experiência sensível, tal como fizera Pinel ao fundar a psiquiatria. Em lógica, não se pode inferir um enunciado universal de um enunciado singular, mas se pode inferir um enunciado singular de um enunciado universal, e é exatamente isto o que faz a metapsiquiatria através dos juízos analíticos, que inferem de um enunciado universal a priori, como por exemplo: “Todas as pessoas que rompem com a realidade sofrem de um transtorno mental”, um enunciado singular a posteriori, como por exemplo: “esta pessoa rompe com a realidade e sofre de um transtorno mental”. Um enunciado singular não é necessariamente um enunciado universal, mas um enunciado universal é necessariamente um enunciado singular, ou seja, se eu postulo que “todas as pessoas que rompem com a realidade sofrem de um transtorno mental”, então necessariamente “esta pessoa que rompe com a realidade sofre de um transtorno mental”. Esta é a base lógica na qual se estrutura a metapsiquiatria. Nos juízos analíticos a posteriori o sujeito e o predicado possuem relações de identidade e semelhança, porém essa relação só é estabelecida graças à experiência sensível, portanto, trata-se de um juízo que depende da experiência para ser erguido, mas como é analítico, estrutura-se de forma universal e necessária e, devido à experiência, possibilita certo grau de ampliação no conhecimento, mesmo que seja de forma limitada e incompleta, os juízos analíticos a posteriori são os mais importantes para a metapsiquiatria, pois são juízos universais e necessários, que se estruturam na singularidade e na particularidade da experiência de cada sujeito. O juízo analítico a posteriori é aquele que compara representações e conceitos, avaliando os fenômenos particulares e ligando-os a leis universais, ele reflete sobre conceitos universais de acordo com sua singularidade, analisando a experiência e submetendo-a a especulações empíricas que fundamentam leis estéticas e teleológicas de modo universal e necessário.

Os juízos analíticos a posteriori são parecidos com os juízos reflexionantes descobertos por Kant na “Crítica do Juízo”, porém não são sintéticos, mas sim analíticos, ou seja, são dedutivos e não indutivos. O juízo analítico a posteriori é uma dedução estética ou teleológica universal e necessária tirada da experiência sensível. O juízo analítico a posteriori é o único capaz de ampliar o conhecimento metapsiquiátrico, mesmo que de uma forma limitada e incompleta, pois ele é o único juízo capaz de estruturar em si mesmo o retorno do real dentro do simbólico e/ou do imaginário, possibilitando a ampliação do conhecimento metapsiquiátrico. O problema do juízo analítico a posteriori é que este, por mais que estabeleça proposições universais e necessárias como referentes aos transtornos mentais, são sempre particulares e subjetivos, e, por mais que um tal psiquiatra afirme que Chico Xavier e Pedro Siqueira (1971) romperam com a realidade e por isso sofrem de um transtorno mental por declarar poder ver e falar com as almas dos mortos, e nos afirmar que Deus existe e que a alma é de fato imortal porque eles experienciaram essa ruptura com a realidade, mesmo assim esse diagnóstico não tem qualquer valor científico, pois, para qualquer outro psiquiatra que não dê o mesmo diagnóstico, esse conhecimento permanece vazio, e o máximo que o psiquiatra pode fazer é insistir em sua opinião, mas esta jamais terá validade objetiva, isto é, científica, pois o diagnóstico aqui é exclusivamente particular e singular, vivenciada única e exclusivamente pelo psiquiatra. A metapsiquiatria não pressupõe que todas as pessoas que rompem com a realidade sofrem de um transtorno mental, como um delírio ou alucinação, como no caso de Chico Xavier e Pedro Siqueira que declaram poder se comunicar com os mortos, pois tal ruptura com a realidade pode ser uma ampliação subjetiva do conhecimento metafísico devido à experiência sensível da mediunidade, que faz com que o subjetivo e o objetivo se tornem um e o mesmo, sendo a mediunidade ou o Dom do Espírito Santo aquilo que, regido pelo juízo, intercambia os mundos sensível e inteligível, dando ao sujeito acesso à coisa-em-si através do fenômeno da experiência mística, que é uma ruptura com a realidade, mas não é um transtorno mental. O fato de alguém declarar que pode se comunicar com os mortos ou que vê, ouve e sente a presença de entidades espirituais malignas ou benignas não prova de forma alguma que tal pessoa sofra de algum tipo de psicose. O erro primordial da psiquiatria está em estabelecer seus diagnósticos com base nos sintomas catalogados no CID 10 e no DSM V, onde a cada espirro surge um novo transtorno, e não no discurso do paciente e na dinâmica do Complexo de Édipo (relação do paciente frente à proibição do incesto). O CID 10 e o agora DSM V são na verdade um manual de como dar um diagnóstico errado e confundir alhos com bugalhos, o que em geral acontece não só pela fixação da psiquiatria em sintomas, mas também por causa de a psiquiatria não realizar as entrevistas preliminares antes de dar início ao tratamento farmacológico; pois é isso o que faz um psiquiatra: ele receita drogas antes mesmo de estabelecer um diagnóstico seguro. Isso é um perigo! Trata-se de um modo de tratamento absolutamente precipitado. O psiquiatra nada mais é do que um farmacêutico que trabalha sentado em uma poltrona confortável e não atrás de um balcão, e em geral não tem a menor ideia de como conduzir uma psicoterapia (salvo se for especialista em alguma das diversas correntes de psicoterapia, como psicanálise, humanismo, existencialismo, psicologia transpessoal ou terapia cognitivo-comportamental), já que sua especialidade é especificamente receitar drogas ao paciente, como um comerciante de drogas. Os psiquiatras em sua grande maioria não passam de açougueiros da mente humana; são assustadoramente superficiais, e o que é mais incrível: se acham muito inteligentes, uns até pensam ser semideuses, mesmo não tendo capacidade intelectual para entender sequer uma única frase de Lacan, cujo trabalho magnífico eles desprezam justamente porque não compreendem. Um psiquiatra pode se passar por muito inteligente a alguém que não conhece de psicopatologia, psicanálise e filosofia, pois a alguém que tem o mínimo conhecimento nessas três áreas jamais verá no psiquiatra alguém inteligente, mas tão somente um sujeito patético que está a décadas subjugando pacientes enquanto aparenta estar tratando. Os psiquiatras do século XXI tratam seus pacientes cometendo os mesmos erros que Freud cometia no início da psicanálise, e olha que eles em geral só sabem o básico de psicanálise, isto é, somente o que eles estudam muito superficialmente na escola de psiquiatria, onde aprendem mais sobre como se colocar como superior a seu paciente do como tratar sua mente. Cada vez que um psiquiatra atende um paciente, Freud e Lacan se reviram na tumba de tão superficiais que eles são, e tentam fazer seu paciente engolir suas teorias no consultório, como se se devesse discutir teorias com os pacientes e não simplesmente escutá-los. A verdade é que boa parte dos psiquiatras não são ruins no que fazem; eles são péssimos, e qualquer pessoa que conheça a prática psicanalítica e a prática psiquiátrica não hesitaria sequer um segundo em ficar com a psicanálise, pois o psiquiatra é um farmacêutico que finge tratar da mente humana. O que seria do psiquiatra se não fossem as drogas que ele receita a seus pacientes? Ele seria tão somente um clínico geral e olhe lá. O saber da psiquiatria não está no inconsciente como está o saber da psicanálise, mas sim na droga que ele receita, e sem ela ele nada seria, pois ele não entende da natureza da mente humana, mas tão somente da estrutura química do cérebro. Mas o que realmente faz com que a grande maioria dos psiquiatras seja tão ruim no que eles fazem é o fato de eles próprios não se submeterem ao tratamento que eles realizam em seus pacientes. Isso quer dizer que eles projetam em seus pacientes as suas próprias questões mal resolvidas; enquanto que, por outro lado, todo psicanalise se submete à própria análise antes de se tornar analista, justamente para que ele não venha a projetar em seu paciente as suas próprias questões. O psiquiatra é um verdadeiro hipócrita, pois não experimenta o tratamento que ele submete seus pacientes. Numa metáfora, o psiquiatra é como um produtor rural que vende frutas encharcadas de agrotóxico, mas não as come, pois sabe que se ele comer da fruta que vende, ele irá passar mal. O diagnóstico de um transtorno mental não pode jamais se basear no sintoma como fazem os psiquiatras, mas sim no discurso estético original e na dinâmica do Complexo de Édipo como fazem os psicanalistas. Se o paciente declara poder se comunicar com pessoas mortas, vê e ouve entidades espirituais malignas ou benignas, isso mostra que há de fato uma ruptura com a realidade, mas se este paciente não possui nenhum dos sintomas clássicos de paranoia (delírio persecutório), mania (delírio de grandeza e verborragia), melancolia (tristeza mórbida e delírio de morte/suicídio) ou esquizofrenia (delírio persecutório e alucinação corporal), e é capaz de formular figuras de estilo como metáforas e metonímias de modo original e não por clichê, então sua ruptura com a realidade não é devido a um transtorno mental, mas sim a um dom ou experiência mística real, salvo se estiver mentindo, mas isso será facilmente percebido pelo psiquiatra, que pode prova-lo e testá-lo quando achar conveniente. Quando perguntaram a Chico Xavier no programa Pinga Fogo se ele se sentia perseguido, ele respondeu com toda humildade que seria uma pretensão muito grande de sua parte se achar perseguido. Pedro Siqueira passou na infância e na juventude por diversos psicólogos, psiquiatras, neurologistas e nenhum deles confirmou qualquer característica de psicose no sujeito.

Entre as muitas contribuições de Hume, Kant, Wittgenstein e Popper à humanidade, a maior delas está em nos legar à grandeza de reconhecer o quão pequeno nós somos e o quão pouco nós sabemos. O que a psiquiatria precisa fazer é renunciar à arrogância e à presunção da pretensão à cientificidade de seus postulados e ser humilde o bastante para reconhecer os seus próprios limites, admitindo não ser uma Ciência, mas sim uma Insciência. A tese de que a psiquiatria é uma prática de natureza não científica é um dos principais aspectos reformadores da metapsiquiatria enquanto Insciência.

Transtornos Espirituais

 No Livro Metapsicopatologia propomos a tese de que os transtornos espirituais são doenças de etiologia espiritual, tendo origem e cura no próprio espírito.

1- Transtorno corporal: A pessoa sente espetadas, choques ou insetos ou pequenos animais correndo sobre sua pele. O transtorno corporal com pequenos animais ou insetos geralmente ocorrem associados ao ataque de um orixá maligno ou demônio, mas não de um espírito obsessor, pois ele não tem poder para isso. Também são relativamente frequentes os transtornos corporais sentidas nos genitais, sobretudo, que sentem de forma passiva que forças estranhas o tocam, cutucam ou penetram seus genitais, como no caso descrito acima vivenciado pelo presente autor, onde teve a sensação de ter sua genitália ser picada por centenas de formigas. Este caso de transtorno corporal/genital também é narrado no antigo livro medieval O Martelo das Bruxas, que narra um fenômeno de transtorno espiritual corporal onde o órgão masculino é simplesmente eliminado virtualmente pelo poder dos demônios por meio da magia das bruxas:

“Aqui se declara a verdade a respeito das operações diabólicas com referência ao órgão masculino. E para deixar claro os fatos, pergunta-se se as bruxas, com a ajuda dos demônios, podem em realidade e em verdade eliminar o membro, ou se só o fazem em aparência, por algum encantamento ou ilusão. E afirma-se a fortiori que podem o fazer; pois como os demônios podem fazer coisas maiores que essa, tais como os matar ou os transportar de um lugar a outro – como se mostrou mais acima, nos casos de Jó e Tobías, – também podem, em verdade e em realidade, eliminar os membros dos homens”. (O Martelo das Bruxas).

“E uma vez mais, um poder maior que converter à esposa de Lot numa coluna de sal, é arrebatar o órgão masculino; e aquela (Gênesis) foi uma metamorfose real e verdadeira, não aparente (pois se diz que essa coluna, todavia pode-se ver). E isso fez um anjo mau, tal como os anjos bons atacaram de cegueira os homens de Sodoma, de modo que não pudessem encontrar a porta da casa. E o mesmo se sucedeu com os outros castigos dos homens de Gomorra. Por certo a interpretação afirma que a esposa de Lot estava manchada desse vício, e por isso foi castiga”. (O Martelo das Bruxas).

“E uma vez mais, quem pode criar uma forma natural também pode eliminá-la. Mas os

demônios criaram muitas formas naturais, como fica evidente nos magos do faraó, quem com a ajuda do demônio faziam sapos e serpentes. Também Santo Agostinho, no Livro LXXXIII, diz que as coisas que fazem de maneira visível aos poderes inferiores do ar não podem se considerar simples ilusões; e inclusive os homens, por meio de uma hábil incisão, são capazes de eliminar o órgão masculino; em conseqüência, os demônios podem fazer de forma invisível o que outros fazem de maneira visível. Mas pelo contrário, Santo Agostinho (Ciuitate Dei XVIII) diz: “não há que achar que por meio da arte ou poder dos demônios, o corpo do homem possa se transformar na semelhança de um animal. Por isso é também impossível que possa ser eliminado o essencial para a realidade do corpo humano”. Ainda assim diz (Trinitate, III): “não há que pensar que esta substância de matéria visível esteja submetida à vontade dos anjos caídos, pois só se encontra submetida a Deus”. (O Martelo das Bruxas).

Adendo: Este tipo de fenômeno ou transtorno espiritual que se manifesta como transtorno corporal só pode ser validado em caso de certeza absoluta de que a pessoa em questão não sofre de nenhum tipo de psicose, em especial a esquizofrenia, posto que neste caso, este tipo de fenômeno é muito comum em pacientes esquizofrênicos. É aqui que entra a lógica paraconsistente de Newton da Costa, ou seja, o sujeito vivencia um fenômeno (alucinação tátil) que é típica da esquizofrenia, mas não é um esquizofrênico. Como resolver a contradição? Na verdade a própria contradição ou paradoxo já aponta para o fato de que o fenômeno não é natural, mas sim sobrenatural. Deste modo, o transtorno corporal será um transtorno espiritual se, e somente se, o paciente não sofrer de nenhum tipo de psicose, em especial a esquizofrenia.

Tratamento: O tratamento do transtorno corporal é realizado em parte pelo Sacerdote Alvissarista (Advogado de Cristo) e em parte pela pessoa que padece do transtorno.

  • O Advogado de Cristo deve realizar sete seções de oração e imposição de mãos (passe) no local do corpo que é atingido pelo transtorno. A oração a ser realizada é o Credo Alvissarista, o Divino Espírito Santo, o pai Nosso, a Ave Maria e a oração do Anjo da Guarda, pedindo a este que abençoe um copo com água com o fogo do Espírito Santo (Angra) e o fogo da espada de São Miguel Arcanjo e depois a pessoa deve bebê-lo até a última gota. Cada seção deve começar com uma recitação do salmo 54 Pedido de Socorro, e terminar com uma recitação do salmo 70 Pedido de auxílio.
  • A pessoa acometida do transtorno deve realizar sua liturgia individual (diária) e coletiva (semanal) durante sete semanas sem falta e realizar atos de caridade durante sete dias.

2 – Transtorno de Possessão Demoníaca: A pessoa fica completamente subjugada ou possuída por uma entidade demoníaca, pois somente os demônios têm o poder de possuir completamente o corpo de um ser humano, sendo este ato impossível ao orixá e ao obsessor, que só possuem poder para a incorporação, mas não para a possessão. Os principais sintomas da possessão demoníaca são: mudança repentina de personalidade, a agressividade intensa e gratuita contra seres humanos e animais, desprezo e aversão a objetos religiosos, falar em tonalidades estranhas e línguas estranhas que a pessoa não conhece mudança na cor dos olhos e no formato da íris, cheiro de enxofre.

“Porque a autoridade das Sagradas Escrituras diz que os demônios têm poder sobre os corpos e as mentes dos homens, só quando Deus lhes permite exercer esse poder, tal como se desprende com clareza de várias passagens das Escrituras”. (Martelo das Bruxas)

                             

“A obra de Deus pode ser destruída pela obra do diabo? Levando em conta o que acabamos de dizer a respeito do poder e os efeitos da bruxaria, o diabo só pode existir com a licença de Deus, então não procede que o demônio seja mais forte que Deus. Ainda mais, ele não pode usar de toda violência como desejaria para prejudicar as obras de Deus, porque se não tivesse limitações poderia destruí-las por completo”. (O Martelo das Bruxas)

Tratamento: O tratamento do transtorno de possessão demoníaca é o exorcismo, que deve ser realizado pelo Sacerdote Alvissarista (Advogado de Cristo) conforme descrito no Ritual Romano.

REFORMADO POR DECRETO DO CONCÍLIO ECUMÉNICO VATICANO II E PROMULGADO POR AUTORIDADE DE S. S. O PAPA JOÃO PAULO II.

“No rito do exorcismo, além das fórmulas do próprio exorcismo, dê-se especial atenção aos gestos e ritos que têm a maior importância pelo facto de serem utilizados no tempo de purificação do itinerário catecumenal. Tais são o sinal da cruz, a imposição das mãos, o soprar e a aspersão de água benta”.

“O rito começa com a aspersão de água benta, pela qual, como memória da purificação recebida no Baptismo, se protege o atormentado contra as ciladas do inimigo”.

“A água pode benzer-se antes do rito ou no próprio rito antes da aspersão e, se parecer oportuno, com a mistura de sal”.

“Segue-se a prece litânica, na qual se invoca para o atormentado a misericórdia de Deus pela intercessão de todos os Santos”.

“Depois da ladainha, o exorcista pode recitar um ou vários salmos, que imploram a protecção do Altíssimo e exaltam a vitória de Cristo sobre o Maligno. Os salmos dizem-se de modo directo ou responsorial. Terminado o salmo, o próprio exorcista pode acrescentar a oração sálmica”.

“Em seguida proclama-se o Evangelho, como sinal da presença de Cristo, que cura as enfermidades do homem pela proclamação da sua pró­pria palavra na Igreja”.

Depois o exorcista impõe as mãos sobre o atormentado, a invocar o poder do Espírito Santo para que o diabo saia daquele que pelo Baptismo se tornou templo de Deus. Ao mesmo tempo pode soprar para a face do atormentado”.

“Recita-se, então, o Símbolo ou renovam-se as promessas do Baptismo com a renúncia a Satanás. Segue-se a oração dominical, na qual se implora a Deus, nosso Pai, que nos livre do Mal”.

Depois disso, o exorcista mostra ao atormentado a cruz do Senhor, que é a fonte de toda a bênção e graça, e faz o sinal da cruz sobre ele, a manifestar o poder de Cristo sobre o diabo”.

Finalmente diz a fórmula deprecativa, na qual se roga a Deus, bem como a fórmula imperativa, na qual se ordena directamente ao diabo, em nome de Cristo, para que se afaste do atormentado. Não se utilize a fórmula imperativa senão depois de se dizer a fórmula deprecativa. Por seu lado, a fórmula deprecativa pode ser utilizada sem fazer a imperativa”.

“Tudo o que foi descrito pode repetir-se, quantas vezes for necessário, quer na mesma celebração, atendendo ao que adiante se diz no n. 34, quer noutro tempo, até que o atormentado seja totalmente liberto”.

O rito conclui-se com um cântico de acção de graças, a oração e a bênção”.

“O exorcista, lembrando-se de que certo género de demónios só podem ser expulsos pela oração e o jejum, procure recorrer principalmente a estes dois remédios para implorar o auxílio divino, a exemplo dos Santos Padres, quer por si quer por outros, na medida do possível”.

“O cristão atormentado, de modo especial antes do exorcismo, se é possível, deve orar a Deus, praticar a mortificação, renovar frequente­mente a fé do Baptismo recebido e acorrer muitas vezes ao sacramento da reconciliação, bem como fortalecer-se com a sagrada Eucaristia. Podem também ajudá-lo na oração os parentes, os amigos, o confessor ou director espiritual, para que lhe seja mais fácil a oração pela presença e caridade de outros fiéis”.

O exorcismo, se for possível, celebre-se num oratório ou noutro lugar apropriado, separado da multidão, onde esteja patente a imagem de Jesus crucificado. Também deve haver nesse lugar uma imagem da Bem-aven­turada Virgem Maria”.

Tendo em conta a condição e as circunstâncias do fiel atormentado, o exorcista use livremente as faculdades propostas no rito. Mas observe a estrutura da celebração, organize-a e escolha as fórmulas e orações que forem necessárias, adaptando tudo às circunstâncias de cada pessoa”.

  1. a) Atenda em primeiro lugar ao estado físico e também psicológico do atormentado e às variações possíveis no seu estado durante o dia ou a hora.
  1. b) Quando não há nenhum grupo de fiéis presente, nem sequer um grupo pequeno, – que é uma situação também recomendada pela prudência e a sabedoria fundada na fé – recorde o exorcista que em si mesmo e no fiel atormentado já está a Igreja, e lembre isso ao próprio fiel atormentado.
  1. c) Procure sempre que o fiel atormentado, durante o exorcismo, se é possível, se mantenha em total recolhimento, se volte para Deus e lhe peça a sua libertação com firmeza de fé e grande humildade. E, se for atormentado com mais veemência, suporte-o pacientemente, sem perder de modo algum a confiança no auxílio de Deus, pelo ministério da Igreja.

Se algumas pessoas escolhidas forem admitidas à celebração do exorcismo, sejam exortadas a orar instantemente pelo irmão atormentado, quer privadamente quer do modo indicado no rito, abstendo-se, porém, de utilizar qualquer forma de exorcismo, quer deprecativa quer imprecativa, que só o exorcista pode proferir”.

Convém que o fiel liberto da opressão diabólica dê graças a Deus pela paz recuperada, quer individualmente quer juntamente com os seus familiares. Além disso, seja aconselhado a perseverar na oração, sobretudo inspirada na Sagrada Escritura, a frequentar os sacramentos da Penitência e da Eucaristia, e a fortalecer a sua vida cristã com obras de caridade e amor fraterno para com todos”.

3 – Transtorno dos males e doenças corporais e psíquicas: A pessoa, sem causas explicáveis cientificamente, é tomada, por algum distúrbio das funções de algum órgão do corpo, ou da psique, ou do organismo como um todo que está associado a sinais e sintomas incomuns e inexplicáveis pela ciência, ou, mesmo explicáveis pela ciência, o tratamento medicinal ou psiquiátrico clássico não logra êxito e eficácia. No Alvissarismo o orixá que é o destruidor de vidas através de doenças graves e terminais é chamado Cabeça Satânica. Um caso clássico desse tipo de transtorno foi o experimentado por Anneliese, que teve graves distúrbios psiquiátricos a partir dos 16 anos de idade até sua morte, aos 23 anos, sendo seu quadro clínico composto desnutrição secundária e diagnosticada com algum tipo de doença mental desconhecida. Mesmo depois de vários anos de tratamento psiquiátrico ineficaz, ela se recusou ao tratamento médico e solicitou um exorcismo, pois acreditava estar possuída por uma legião de demônios.

“E o primeiro argumento é o que segue. Que o diabo pode provocar um efeito mágico sem a colaboração de um bruxo. Assim afirma Santo Agostinho. Todas as coisas que acontecem de forma visível, de modo que é possível vê-las, podem – se acreditar – ser obra dos poderes inferiores do ar. Mas os males e dolências corporais não são por certo invisíveis; antes disso, resultam visíveis aos sentidos, no entanto podem ser provocados pelos diabos. Mais ainda, pelas Sagradas Escrituras conhecemos os desastres que caíram sobre Jó, como o fogo descendo do céu que ao cair sobre as ovelhas e outras criações os consumiu, e de como um vento violento derrubou as quatro paredes de uma casa, de modo que caíram sobre seus filhos e os mataram. O diabo por si próprio, sem colaboração de bruxos, senão nada mais que a permissão de Deus, pôde provocar todos esses desastres. Portanto não há dúvida de que pode fazer muitas coisas que com frequência se atribuem ao poder dos bruxos.” (O Martelo das Bruxas).

“E o primeiro argumento é o que segue. Que o diabo pode provocar um efeito mágico sem a colaboração de um bruxo. Assim afirma Santo Agostinho. Todas as coisas que acontecem de forma visível, de modo que é possível vê-las, podem – se acreditar – ser obra dos poderes inferiores do ar. Mas os males e dolências corporais não são por certo invisíveis; antes disso, resultam visíveis aos sentidos, no entanto podem ser provocados pelos diabos. Mais ainda, pelas Sagradas Escrituras conhecemos os desastres que caíram sobre Jó, como o fogo descendo do céu que ao cair sobre as ovelhas e outras criações os consumiu, e de como um vento violento derrubou as quatro paredes de uma casa, de modo que caíram sobre seus filhos e os mataram. O diabo por si próprio, sem colaboração de bruxos, senão nada mais que a permissão de Deus, pôde provocar todos esses desastres. Portanto não há dúvida de que pode fazer muitas coisas que com frequência se atribuem ao poder dos bruxos.” (O Martelo das Bruxas)

Adendo: Este tipo de fenômeno ou transtorno espiritual que se manifesta como transtorno dos males ou doenças corporais e psíquicas só pode ser validado em caso de uma causa inexplicável cientificamente para a doença, bem como a ineficácia do tratamento médico ou psiquiátrico clássico frente à doença. Deste modo, o transtorno dos males ou doenças corporais e psíquicas será um transtorno espiritual se, e somente se, a doença não tiver uma explicação científica e o tratamento médico ou psiquiátrico clássico não for eficaz.

Tratamento: O tratamento do transtorno de doenças corporais e psíquicas é realizado em parte pelo Sacerdote Alvissarista (Advogado de Cristo) e em parte pela pessoa que padece do transtorno.

  • O Advogado de Cristo deve realizar sete seções de oração e imposição de mãos (passe) no local do corpo que é atingido pelo transtorno. A oração a ser realizada é o Credo Alvissarista, o Divino Espírito Santo, o pai Nosso, a Ave Maria e a oração do Anjo da Guarda, pedindo a este que abençoe um copo com água com o fogo do Espírito Santo (Angra) e o fogo da espada de São Miguel Arcanjo e depois a pessoa deve bebê-lo até a última gota. Cada seção deve começar com uma recitação do salmo 41 Oração na Doença, e terminar com uma recitação do salmo 38 Oração de um Pecador Penitente.
  • A pessoa acometida do transtorno deve realizar sua liturgia individual (diária) e coletiva (semanal) durante sete semanas sem falta e realizar atos de caridade durante sete dias.

4 – Transtorno de sexualidade e/ou do ato sexual: A pessoa sente desejos e têm fantasias sexuais pervertidas, como incesto, zoofilia, necrofilia, orgia, estupro, instigado por espíritos obsessores, orixás malignos ou demônios que exercem sua função através da perversão da sexualidade. No Alvissarismo o orixá que instiga a perversão sexual é chamado Kurupiri, que é o espírito destruidor da paz, que instiga a violência aos homens e animais e costuma violentar virgens, sendo filho de Taubá, que é Satanás – a personificação do mal. Outros seres humanos se dão a cópula sexual com demônios, chamados íncubos e súcubos, chegando a gerar crianças.

“Porém alguns podem argumentar que os demônios possuam seu papel nessa gestação, não como causa essencial, mas como causa secundária e artificial, para que consigam se intrometer no processo da cópula e da concepção normal, pois obtêm sêmen humano e eles mesmos o transladam.

Objeção àqueles que acreditam que: Os demônios poderiam executar este ato em cada etapa da vida, isto é, durante o matrimonio ou em qualquer momento; ou que possam executá-lo num único estado. No entanto, não podem realizá-lo no primeiro estado, do contrário o ato do demônio seria mais poderoso que o de Deus, Quem instituiu e confirmou esse sagrado estado, já que se trata de um estado de continência e matrimônio. Nem podem efetuá-lo em qualquer outro estado, já que jamais lemos nas Escrituras que os filhos possam ser concebidos num determinado estado e não em outro. Mais ainda, conceber uma criança é um ato de um corpo vivo, e os demônios não podem dar vida aos corpos que adotam, porque a vida, em termos formais, só procede da alma, e o ato de engendrar pertence aos órgãos físicos que possuem vida corporal. Portanto, os corpos adotados desta maneira não podem conceber nem procriar. Embora possam dizer que esses demônios adotam um corpo, não para infundir-lhe a vida, mas para conservar, por meio desse corpo, o sêmen humano, e passa-lo a outro corpo. Objeção. Na ação dos anjos, sejam eles maus ou bons, nada há de supérfluo e inútil, e também nada há de supérfluo e inútil na natureza. Porém o demônio, por seu poder natural, que é muito maior que qualquer poder físico humano, pode executar qualquer ação espiritual, e a executar diversas vezes, e não ser capaz de discerni-la. Portanto pode executar essa ação, ainda que o homem não compreenda quando o demônio tem haver com ela. Porque todas as coisas materiais e espirituais se encontram numa escala inferior à das inteligências puras e espirituais, mas os anjos, sejam bons ou maus, são inteligências puras e espirituais. Portanto podem dominar o que se encontra abaixo deles. Em consequência o demônio pode reunir e utilizar a vontade o sêmen humano que pertence ao corpo. No entanto, reunir o sêmen humano de uma pessoa e transmiti-lo a outra implica certas ações locais. Porém os demônios não podem levar corpos de um local a outro em termos de lugar. Assim, este é o argumento que formulamos: A alma é uma pura essência espiritual, o mesmo que o diabo; mas a alma não pode mover um corpo de um lugar a outro, salvo quando se trata do corpo que habita e ao qual dá vida. Daí, se qualquer membro do corpo perece, fica morto e imóvel. Portanto os demônios não podem transladar um corpo de um lugar a outro, salvo quando se trata de um corpo ao qual dão vida. Porem foi mostrado e reconhecido que os demônios não concedem a vida a ninguém e, portanto não podem transladar o sêmen humano localmente, isto é, de lugar em lugar, de corpo em corpo. Ainda mais, todas as ações se realizam por contato, e em especial o ato de conceber. Porém não parece possível que exista contato entre o demônio e os corpos humanos, já que aquele não tem um ponto de contato concreto com eles. Portanto não pode injetar sêmen num corpo humano, e em consequência tal ato exige uma ação corporal, pelo qual parece que o demônio não pode executar… Além do mais, os demônios não possuem poderes para mover os corpos que em ordem natural têm uma relação mais estreita com eles, por exemplo, os corpos celestes e, portanto carecem de poderes para mover os corpos mais distantes e distintos deles. A premissa maior está demonstrada, já que o poder que move e o movimento são uma só e a mesma coisa, segundo Aristóteles, em sua Física. Segue-se, pois, que os demônios que movem corpos celestes têm de estar no céu, o qual é em todo sentido falso, tanto em nossa opinião como na dos Platonistas. Além do mais, Santo Agostinho Sobre a Trinidade III diz, que o demônio, em verdade, reúne sêmen humano, por meio do qual pode produzir efeitos corporais; mas isso não pode ser feito sem certo movimento local, com o qual os demônios podem transportar o sêmen reunido e injeta-lo nos corpos de outros. Mas como diz Walafrido Estrabón em seu comentário sobre o Êxodo, 11: “Então o Faraó chamou também os sábios e os encantadores”: Os demônios vão pela terra reunindo todo tipo de sementes, e trabalhando com elas podem difundir várias espécies. Veja-se também o sentido sobre essas palavras: o Faraó chamou. E também, no Gênesis, III, a interpretação apresenta dois comentários sobre as palavras: “E os filhos de Deus viram às filhas dos homens”. Primeiro que por filhos de Deus se entende os filhos de Set, e por filhas dos homens às de Caim. Segundo, que aqueles gigantes foram criados, não por algum ato incrível dos homens, mas por certos demônios, que são desavergonhados em relação às mulheres. Pois a Bíblia diz que os gigantes estavam sobre a terra. Mais ainda, inclusive antes do Dilúvio, não só os corpos dos homens, mas também os das mulheres eram destacada e incrivelmente belos.

Resposta. Com fins de brevidade omitimos boa parte do que se relaciona ao poder do demônio e de suas obras, no aspecto dos efeitos da bruxaria. Pois o leitor piedoso será capaz de aceitá-lo como o apresentamos, ou, se desejar pesquisar além, poderá encontrar todos os pontos esclarecidos no segundo Livro das Sentenças 5. Assim verão que os demônios executam todas suas obras de maneira consciente e voluntária; pois a natureza que lhes foi dada não mudou. Veja a esse respeito

Dionísio, em seu quarto capítulo: “a natureza deles se mantém intacta e esplêndida, ainda que não a utilizem para o bem”. Em quanto a sua inteligência, advertimos que decorrem de três pontos de compreensão, a saber: a sutileza de sua natureza; sua antiga experiência e a revelação dos espíritos superiores. Também descobrirá que, pela influência dos astros, conhecem as características dominantes dos homens e, portanto, descobrem quando alguns estão mais dispostos a executar obras de feitiçaria do que outros, e que molestam os propensos, antes de mais nada, com vistas a tais ações. E quanto a intenção deles, o leitor descobrirá que se orienta de forma imutável para o mal, e que continuamente peca por orgulho, inveja e grosseira cobiça; e que Deus, para Sua própria glória, lhe permite trabalhar contra Sua vontade. E também entenderá que com estas duas qualidades: do intelecto e da vontade, os demônios fazem milagres, de maneira que não exista poder na terra que se compare ao deles: Jó cita: “Não há na terra poder que possa se comparar com o que foi criado para não temer a nada”. Mas nesta passagem quando afirma que não teme a ninguém, está subentendido aí os méritos dos Santos. Também perceberá que o demônio conhece os pensamentos de nossos corações; e que de forma essencial e desastrosa pode metamorfosear os corpos com a ajuda de um agente; e pode transladar os corpos de um lugar a outro e alterar os sentimentos exteriores e internos em qualquer medida concebível; e que lhe é possível modificar o intelecto e a vontade do homem, por mais indiretamente que o faça. Pois se tudo isto é pertinente para nossa investigação, só desejamos extrair daí uma conclusão quanto à natureza dos demônios, e desse modo prosseguir o estudo de nossa questão. Agora bem, os Teólogos lhes atribuíram certas qualidades, como a de espíritos impuros, mas não por sua natureza. Pois segundo Dionísio há neles uma loucura natural, uma feroz concupiscência, uma desenfreada fantasia, como se percebe em seus pecados espirituais: orgulho, inveja e cólera. Por este motivo são os inimigos da raça humana: racionalizam, mas raciocinam sem palavras; sutis na maldade, ansiosos em provocar danos; sempre férteis em novos enganos, modificam as percepções e turvam as emoções dos homens, confundem os vigilantes e nos sonhos perturbam os dormentes; provocam doenças, engendram tempestades, disfarçam-se de anjos de luz, sempre levam ao encontro do inferno; e às bruxas lhes roubam para si a adoração de Deus, e por este meio se efetuam encantamentos mágicos; tratam de obter o domínio sobre os bons, para molestá-los até o máximo de seu controle; aos eleitos entregam-se em tentação, e sempre se encontram a espreita da destruição dos homens. Mesmo existindo mil maneiras de causar danos, desde sua queda, tentam provocar cismas na igreja; impedir a caridade; infectar com a bílis da inveja a doçura dos atos dos santos; perturbar de todas as maneiras possíveis à raça humana, o seu poder se mantém limitado às partes privadas e ao umbigo. Veja-se Jó. Pois graças à fraqueza da carne possui grande poder sobre os homens; e nos homens a fonte da imoderação encontra-se nas partes privadas, já que delas emanam o sêmen, tal como nas mulheres emana do umbigo. Portanto, entendidos esses detalhes para uma adequada compreensão do problema dos íncubos e dos súcubos, deve dizer-se que é uma concepção tão católica afirmar que em certas ocasiões os homens podem ser concebidos por meio de íncubos e súcubos, como é contrário às palavras dos santos, e ainda à tradição das Sagradas Escrituras, manter a opinião contrária. E isto se demonstra da seguinte maneira. Em um lugar Santo Agostinho formula esta questão, não a respeito das bruxas, mas com referência às obras dos próprios demônios, e às fábulas dos poetas, e deixa o assunto envolvido em certas dúvidas, ainda que mais tarde se defina em relação às Sagradas Escrituras. Pois em seu III Livro Ciutate Dei, capítulo 2, diz: “Deixamos em aberto a questão quanto se era possível que Vênus desse à luz a Enéas por meio do coito com Anquises”. Pois uma dúvida similar surge nas Escrituras, onde se pergunta se os anjos maus deitaram com as filhas dos homens, e deste modo a terra se encheu então de gigantes, isto é, de homens enormemente grandes e fortes. Mas a solução do tema está no Livro 5, capítulo 25, com estas palavras: “É crença geral, cuja veracidade muitos confirmam por experiência própria, ou ao menos de ouvi-las, ou por ter sido experimentada por homens de absoluta confiança, que os sátiros e os faunos (que geralmente se denomina íncubos) se apresentaram perante as mulheres lascivas e trataram de obter e obtiveram o coito com elas. E que certos demônios que os gauleses chamam de dusios tentam de forma persistente, e conseguem, esta atividade conflitante; fato confirmado por tantas testemunhas dignas de crédito, que seria insolente negar”. Mais tarde, neste mesmo livro, soluciona a segunda afirmação, a saber: que a passagem do Gênesis sobre os filhos de Deus (isto é, Set) e as filhas do desejo (ou seja, de Caim) não fala só dos íncubos, já que a existência deles ainda não era acreditada. Nesse sentido existe a interpretação que já mencionamos antes. Diz que não é alheio à crença o fato de que os gigantes de que falam as Escrituras fossem engendrados, não por homens, mas por anjos ou certos demônios que procuram às mulheres. No mesmo sentido há a interpretação de Isaías, XIII onde o profeta prega a destruição de Babilônia e os monstros que lá habitam. Diz: “Os bufos moraram ali, e os sátiros dançaram ali”. Onde, por sátiros entendem-se demônios; como dizem na interpretação, os sátiros são criaturas selvagens e peludas dos bosques, que representam certo tipo de demônios chamados íncubos. E uma vez mais em Isaías XXXIV, onde se profetiza a destruição do país dos iduneos porque perseguiram os judeus, e diz: “Será morada de dragões e refúgio para mochos. Também os animais selvagens do deserto se encontrarão ali…” A leitura nas entrelinhas interpreta isso como referência a monstros e demônios. E, no entanto o Beato Gregório explica que estes são deuses dos bosques com outro nome, não os que os gregos chamavam de Pan, e os latinos íncubos. Da mesma maneira, o Beato Isidoro, no último capítulo de seu oitavo livro, diz: Os sátiros são aqueles denominados em grego Pan e íncubos em latim. E lhes chamam íncubos por sua pratica de encavalar-se, isto é, de orgia. Pois com frequência anseiam rigorosamente às mulheres, e copulam com elas; e os gauleses são chamados de dusios, porque são diligentes nessa animalidade. Mas o demônio que as pessoas comuns chamam de íncubo, é denominado Fauno dos Figos pelos romanos; ao qual Horácio disse: “Oh, fauno, amor das ninfas que fogem, que percorre com doçura, minhas terras e meus sorridentes campos”. E quanto a São Paulo, em Coríntios, I, 4 uma mulher deve manter a cabeça coberta pelos anjos, e muitos católicos acham que “pelos anjos” refere-se aos íncubos. A mesma opinião ostenta o venerável Bede em seu History of the English; e também Guilherme de Paris na última parte do sexto tratado de seu livro Do Universo. Mais ainda, São Tomás fala nisso em I, 25 e II, 8 e em outras partes; e também Isaías, XII e XIV. Portanto diz-se que é impensável negar essas coisas. Pois o que parece certo para muitos não pode ser do todo falso, segundo Aristóteles em De Somno et Vigília, e na Segunda Ética. Sem falar das muitas histórias autenticas, tanto católicas como pagãs, que afirmam de maneira aberta a existência dos íncubos. Mas o motivo pelos quais os demônios se convertem em íncubos ou súcubos não é com vistas ao prazer, já que um espírito não tem carne nem sangue; E antes de mais nada é com intenção, por meio do vício da luxuria, provocar danos em dobro contra os homens, isto é, no corpo e na alma, de modo que os homens possam se entregar mais ainda a todos os vícios. E não há dúvida que sabem que sob a influência dos astros o sêmen e mais vigoroso, e que os prazeres assim concebidos serão sempre pervertidos pela bruxaria. Quando Deus Todo Poderoso enumerou muitos vícios de luxuria que reinava entre os descrentes e os hereges, é porque desejava que Seu povo ficasse ciente. Em Levítico, XVIII diz: “Em nenhuma, destas coisas vós serão manchados; porque todas estas coisas têm poluído as pessoas que eu criei perante todos. E a terra foi contaminada e eu conheci a maldade sobre ela, e a terra vomita seus habitantes”. Pelo contrário, a interpretação da palavra “terra” explica que significam demônios e, devido a sua multidão, se denominam as pessoas do mundo, que se regozijam em todos os pecados, em especial o da fornicação e idolatria, porque graças a eles ficam manchados em corpo e alma e é, a totalidade dos homens que se denomina “a terra”. Porque cada um dos pecados que o homem comete se encontra fora de seu corpo, mas o homem que comete fornicação peca neste corpo. Se alguém pretender seguir estudando as histórias relativas aos íncubos e súcubos, que leia (como já foi dito) Bede em sua History of the English e Guilherme, e por último Tomás de Brabante em seu livro Sobre Besa. Voltando ao assunto. E antes de mais nada, ao ato natural de propagação instituído por Deus, isto é, entre o homem e a mulher. Como se fosse por permissão de Deus, o Sacramento do

Matrimônio poderia ser anulado pela obra do demônio mediante a bruxaria, como se mostrou mais acima. E o mesmo orquestra com muito empenho para qualquer outro ato venéreo entre o homem e a mulher. Mas há de se perguntar: Porque se permite ao demônio efetuar feitiços sobre o ato venéreo, do que sobre qualquer outro ato humano? Responde-se que os Doutores dão muitas razões, que serão analisadas mais adiante, na parte referente à permissão divina. No momento deve bastar a razão que se mencionou antes, a saber: que o poder do demônio reside nas partes privadas dos homens. Pois de todas as lutas, as mais difíceis são aquelas em que o combate é contínuo, e raras são as vitórias. E é pouco consistente afirmar, que nesse caso a obra do demônio é mais forte que a de Deus, já que o ato matrimonial instituído por Deus pode ser anulado; pois o demônio não o anula, pela violência, já que não tem poder algum no assunto, a salvo na medida em que Deus o permite. Portanto seria melhor argumentar que carece de poderes. E também é verdade que procriar um homem é um ato de um corpo vivo. E quando se diz que os demônios não podem dar a vida porque esta flui formalmente da alma, também é verdadeiro; mais em termos materiais, a vida nasce do sêmen, e o demônio incubo, com licença de Deus, pode consegui-lo por meio do coito. E o sêmen não brota dele, já que é de outro homem recebido para tal fim (veja São Tomás, I, 51, art. 3). Pois o demônio é o súcubo do homem, e converte-se em incubo de uma mulher. Assim mesmo, absorvem as sementes de outras coisas para engendrar diferentes coisas, como diz Santo Agostinho, em Trinitate. E agora poderia se perguntar: De quem é o filho, a criança assim nascida? Resulta evidente que não é do demônio, mas do homem cujo sêmen se recebeu. Mas quando se faz questão de que, tal como nas obras da natureza, também não há nada supérfluo nas dos anjos, há que o admitir; mas quando se deduz que o demônio pode receber e injetar sêmen de maneira invisível, isso também é verdadeiro; mas prefere executá-lo de maneira visível, como um súcubo e um incubo, para que mediante essa asquerosidade possa infetar toda a humanidade em corpo e alma, isto é, tanto ao homem como à mulher, pois existe, por assim dizer, um tanto fisicamente real. Mais ainda, de forma invisível os demônios podem fazer mais coisas do que se lhes permite fazer de maneira visível, ainda que desejem assim; mas lhes é permito fazê-las de modo invisível, já como prova para os bons, ou como castigo para os maus. Por último, pode ocorrer que outro demônio ocupe o lugar do súcubo, e receba dele o sêmen e se converta em íncubo no lugar de outro demônio; e isso por três motivos. Talvez porque um demônio, atribuído a uma mulher, deva receber o sêmen de outro demônio, atribuído a um homem, para que desta forma cada um deles seja encarregado pelo príncipe dos demônios para efetuar uma bruxaria; já que a cada um é atribuído seu próprio anjo, inclusive entre os maus; ou devido à asquerosidade do ato, que um demônio sinta repugnância de cometê-lo. Pois em muitas investigações mostra-se com clareza que certos demônios, por alguma nobreza de sua natureza, evitem ações tão conflitantes. Ou também pode ser para que o íncubo, em lugar do sêmen do homem, se interponha ele mesmo ante uma mulher e injete de maneira invisível seu próprio sêmen, isto é, o que recebeu em forma invisível. E não é alheio a sua natureza ou poder efetuar semelhante interposição, já que em forma física pode se interpor de maneira invisível e sem contato físico, como no caso do jovem que se prometeu a um ídolo. Terceiro, se diz que o poder dos anjos corresponde, em grau infinito, às coisas superiores, isto é, que seu poder não pode ser compreendido pelas classes inferiores, senão aquelas superiores a eles, de modo que não se limita a um só efeito. Pois as potências superiores têm uma influência quase ilimitada sobre a criação. Porém afirmando que é infinitamente superior, não significa que seja indiferentemente poderoso em qualquer obra realize; pois então tanto faz que se diga que seu poder é infinitamente inferior, como muito superior. Mas deve existir certa proporção entre o agente e o paciente, o mesmo não ocorrendo entre uma substância puramente espiritual e uma, corpórea. Portanto, nem sequer os demônios têm poder algum para provocar um efeito, salvo mediante algum outro meio ativo. Por isso usam as sementes e essências das coisas para produzir seus efeitos; veja-se Santo Agostinho, em Trinitate Dei, 3.

Portanto, este argumento remete-se ao anterior, e não sai fortalecido por ele, a menos que alguém queira a explicação de Santo Agostinho onde, as Inteligências têm poderes infinitos de grau superior, e não inferior, outorgadas a elas na ordem das coisas corpóreas e dos corpos celestes, que podem influir em muitos e infinitos efeitos. Mas isso não se deve à fragilidade dos poderes inferiores. E a confusão é que os demônios, inclusive sem adotar um corpo, podem operar transmutações no sêmen; ainda que este não seja um argumento contra a presente proposição a respeito dos íncubos e os súcubos cujas ações não podem executar, senão apenas adotar uma forma corpórea, como se considerou mais acima. Para o quarto argumento, os demônios não podem transportar corpos ou sêmen no plano local, o qual se comprova em analogia a alma. Deve ser dito que uma coisa é falar da substância espiritual do anjo ou demônio real, e outra coisa é falar da alma real. Pois a razão da alma não poder mover um corpo de um lugar a outro, a menos de que lhe tenha dado vida, ou pelo contato de um corpo vivo com um que não possui vida, é a seguinte: a alma ocupa, em muito, o grau inferior na ordem dos seres espirituais e, portanto, é preciso existir certa relação proporcional entre ela e o corpo que ela é capaz de mover por contato: Mas não acontece assim com os demônios, cujo poder supera o poder físico. E quinto, deve-se dizer que o contato de um demônio com um corpo, seja em forma de sêmen ou de qualquer outra maneira, não é um contato corpóreo, apenas virtual, e se realiza em concordância com a devida proporção do que move e do que é movido; ou quando o corpo movido não supera a proporção do poder do demônio. Além disso, esses corpos são corpos celestes, e inclusive toda a terra ou todos os elementos do mundo, cujo poder podemos chamar de superior, segundo a autoridade de São Tomás em suas perguntas a respeito do Pecado (Pergunta 10, em Daemonibus). Portanto se deve à essência da natureza ou à condenação pelo pecado. Pois existe uma ordem de coisas adequadas, em consonância com sua própria natureza e com seu movimento. E assim como os corpos celestes mais elevados são movidos por substâncias espirituais superiores, ou seja, pelos anjos bons; os corpos inferiores são movidos por substâncias espirituais inferiores, como os demônios. E se esta limitação de poder se deve à essência de sua natureza; alguns afirmam que os demônios não são da ordem dos anjos superiores, e apenas fazem parte da ordem terrestre criada por Deus; e esta foi a opinião dos Filósofos. E se dá pela condenação do pecado, como afirmam os Teólogos, daí como castigo, foram expulsos das regiões do céu, para essa atmosfera inferior e, portanto, não são capazes de movê-la, nem de mover a terra. Assim, é dito sobre dois argumentos que se refutam facilmente: um, a respeito dos corpos celestes, que os diabos também poderiam mover, já que eram capazes de mover corpos de um lado a outro, já que os astros estão mais próximos deles na natureza, como também demonstra o último argumento. A resposta é que isso não é válido; pois se rege a primeira opinião, tais corpos superam a proporção do poder dos demônios, e se é verdadeiro o segundo, então não pode movê-los, devido a seu castigo pelo pecado.

Além do mais há o argumento que afirma que o movimento do todo e da parte é a mesma coisa, tal como diz Aristóteles, em sua Física 4 exemplificando o caso de toda a terra e de um território; e que, portanto, se os demônios podem mover uma parte da terra, também podem mover a terra inteira. Mas isso não é válido como está claro, para qualquer um, que examine a diferença. Mas reunir o sêmen das coisas e aplicá-lo a certos efeitos não supera seu poder natural, com a permissão de Deus, como é evidente por si próprio. Em conclusão, a respeito da afirmação de alguns, de que os demônios, em forma corporal, em nenhum modo podem engendrar filhos, e de que por “filhos de Deus” se entende aos filhos de Set, e não aos demônios íncubos, assim como por “filhas dos homens” se faz referência aos descendentes de Caim, no entanto muitos afirmam com clareza tudo ao contrário. E o que parece verdadeiro para muitos não pode ser de todo falso, segundo Aristóteles, em sua Ética 6, e ao final de Somno et Vigilia. E agora, também nos tempos modernos, temos feitos e testemunhos, de bruxas, que verdadeiramente executam essas coisas. Portanto, estabelecemos três proposições. Primeiro que os mais conflitantes atos venéreos são levados a cabo por esses demônios, não com vistas ao deleite, mas apenas para a poluição das almas e corpos daqueles que atuam como íncubos ou súcubos.

Segundo, que por meio dessa ação pode se produzir uma concepção e gestação total pelas mulheres, já que podem depositar sêmen humano no lugar adequado do útero feminino, onde já existe uma substância correspondente. Da mesma maneira, também podem reunir as sementes de outras coisas para provocar outros efeitos. Terceiro que na gestação dessas crianças, só o movimento local deve ser atribuído aos demônios, e não a gestação real, que acontece, não do poder do demônio ou do corpo que adota, mas da virtude daquele a quem pertenceu o sêmen; portanto, a criança não é filho do demônio, mas apenas de algum homem. E aqui há uma resposta clara a quem afirma que há duas razões pelas quais os demônios não podem conceber crianças: primeiro é que a gestação se efetua pela virtude formadora que existe no sêmen liberado de um corpo vivente; e que o corpo adotado pelos demônios não é dessa classe, então, etc… É clara a resposta de que o demônio deposita sêmen formador, de maneira natural, em seu lugar adequado, etc… Segundo, pode-se argumentar que o sêmen tem capacidade de engendrar, somente na medida em que se conserve no calor da vida, e se perder quando transportado por longas distâncias. A resposta é que os diabos podem acumular o sêmen a salvo, de modo que não se perca seu calor vital; ou inclusive que não se evapore com tanta facilidade devido à grande velocidade com que se movem em razão da superioridade no movimento a cerca da coisa movida.[…] É católico afirmar que as funções dos íncubos e súcubos pertencem, por igual, e indiferentemente, a todos os espíritos impuros? E parece que é assim; pois afirmar o contrário seria assegurar que existe uma Boa ordem entre eles. Argumentando que como no grupo dos Bons existam graus e ordens (veja-se Santo Agostinho em seu livro Sobre a Natureza dos Bons), assim do mesmo modo o grupo do Mal se baseia na confusão. Porém como entre os anjos bons nada pode carecer de ordem, assim entre os maus todo é desordem e, portanto seguem, de forma indistinta em tais práticas. Veja-se Jó, X: “Terra de escuridão, lôbrega como a sombra da morte, sem ordem e que aparece clara a própria escuridão”. E novamente, se nem todos seguem com indiferença estas práticas, esta qualidade provem de sua natureza, ou do pecado, ou do castigo. Mas não provem da natureza, já que todos, sem distinção, estão integrados ao pecado, como se expôs na pergunta precedente. Pois por natureza são espíritos impuros, porém nem tanto, como para prejudicar suas boas partes, sutis em maldade, ansiosos em fazer danos, cheios de orgulho, etc… Portanto, neles, estas práticas se devem, ou ao pecado, ou ao castigo. Por demais, quando o pecado é maior, há um castigo maior; e os anjos superiores pecaram muito mais e, portanto, para seu castigo, devem seguir estas práticas imundas.

Se não for assim, e se dará outro motivo, do qual, não podem praticar tais coisas de forma indistinta. E uma vez mais, afirma-se que quando não existe disciplina ou obediência, todos trabalham sem distinção, e também que não há disciplina ou obediência entre os demônios, nem acordos. Provérbios, XIII: “Entre os soberbos sempre há disputas”. Assim, uma vez mais e devido ao castigo, todos serão igualmente jogados ao inferno, depois do Dia do Julgamento, e até esse momento, se encontram detidos nas brumas inferiores, devido às obrigações que lhes foram atribuídas. E não vimos que exista igualdade devido à emancipação, e tão pouco no diz respeito a obrigação e a tentação. Mas contra isto está a interpretação de Coríntios I, XV: “Enquanto perdure o mundo, os anjos estarão sobre os anjos, os homens sobre os homens, e os demônios sobre outros demônios”. Também em Jó XI, fala-se das balanças de Leviatan, que significam os membros do demônio, e de como um se agarra ao outro. Portanto há entre eles, tanta diversidade de ordem como de ação. Surge outra pergunta: Se os demônios podem ou não ser contidos pelos anjos bons, e impedidos de realizar essas imundas práticas? Deve dizer-se que os anjos estão submetidos ao comando de influências adversas chamadas Poderes, como diz São Gregório, e Santo Agostinho (Em Trinitate, XXX, 3). Um espírito de vida rebelde e pecaminoso está submetido a um espírito de vida obediente, piedoso e justo. E as criaturas mais perfeitas e próximas a Deus têm autoridade sobre as outras; pois toda a ordem de preferência se encontra no começo e em primeiro lugar em Deus, e é compartilhada por Suas criaturas segundo como se acerquem a Ele. E portanto, os anjos bons, estão mais próximos de Deus sentindo sua fruição, do que carece os demônios, não tendo preferência sobre os anjos que os regem. E quando se afirma que os demônios produzem muitos danos sem nenhum meio, ou que não encontram obstáculos, porque não estão submetidos aos anjos bons que poderiam impedi-los de fazê-lo e; aos que estão submetidos ao mau, que se fez a um sujeito, se deve ignorá-los devido ao Amo mal. Parecem existir algumas negligencias entre os anjos bons, a resposta é que os anjos são ministros da sabedoria Divina. Então se segue que, como a sabedoria Divina permite que se faça certo mal pelos anjos maus ou pelos homens, com vistas ao bem que Ele extrai disso, como também os anjos bons impedem que os homens malvados ou os demônios realizem danos.

Resposta. É católico afirmar que existe certa ordem de ações interiores e exteriores, e um grau de preferência entre os demônios, Quando acontecem certas abominações, são cometidas pelas ordens inferiores, das quais as ordens superiores estão excluídas devido à nobreza de sua natureza. E em geral diz-se que isto provém de uma tripla congruência, no sentido de que tais coisas harmonizam: com sua natureza; com a sabedoria Divina; e com sua própria maldade. Porém, mais em especial, no que se refere a sua natureza. Convêm-se que desde o começo da Criação alguns sempre foram superiores por natureza, já que diferem entre si a respeito da forma; e não há dois anjos iguais em forma. Isto segue a opinião geral, e também coincide com as palavras dos Filósofos. Dionísio também estabelece em seu décimo capítulo Sobre a Hierarquia Celestial, que na mesma ordem há três graus separados, e devemos concordar com ele, já que são ao mesmo tempo imateriais e incorpóreos. Veja também São Tomás n.2. Pois o pecado não lhes arrebata sua natureza, e depois da Queda os demônios não perderam seus dons naturais, como já se disse; e as operações das coisas seguem suas condições naturais. Portanto, tanto em natureza como em ação são vários e múltiplos. Isto harmoniza também com a sabedoria Divina; pois o ordenado foi ordenado por Deus (Romanos, XIII). E como os demônios foram delegados por Deus para a tentação dos homens e o castigo dos condenados, trabalham sobre os homens desde afora, por muitos e variados meios. Também harmoniza com sua própria maldade. Pois como estão em guerra com a raça humana, combatem de forma ordenada, porque desse modo pensam fazer maior dano aos homens, e o fazem.

De onde se verifica que não compartilham em igual medida suas mais indescritíveis abominações. E isto é demonstrado de maneira mais específica, a seguir, e como já foi dito: A ação segue à natureza da coisa. Daí se entende também, que aqueles cuja natureza está subordinada devem por sua vez subordinar-se na operação, como ocorre com as coisas corpóreas. Pois como os corpos inferiores estão, por ordem natural, abaixo dos corpos celestes, e suas ações e movimentos se acham submetidos aos dos corpos celestes; e como os demônios, segundo se disse, diferem entre si na ordem natural, portanto também diferem em suas ações naturais, tanto extrínsecas como intrínsecas; e em especial na execução das abominações de que se trata. Do qual se chega à conclusão de que como a pratica destas abominações é em sua maior parte alheia à nobreza da natureza angélica, assim também nas ações humanas os atos mais imundos e bestiais devem ser considerados em si mesmos, e não em relação com a obrigação da natureza e a procriação humana. Por último, como se crê que alguns têm origem em todas as ordens, não é inadequado afirmar que os demônios que saem de um grau inferior, e inclusive aqueles que figuram numa classe mais baixa, são delegados para a execução dessas e outras abominações. Além do mais, deve-se levar em conta que, ainda que as Escrituras falem dos íncubos e súcubos que anseiam às mulheres, em nenhuma parte lemos que íncubos e súcubos caíssem em vícios contrários à natureza. Não falamos apenas da sodomia, mas também de qualquer outro pecado por meio do qual se efetue erroneamente um ato fora do caminho correto. E na grande quantidade em que pecam, demonstram o fato de que todos os diabos sejam da ordem que for, abominam e pensam sem vergonha alguma em cometer tais ações. E parece que a interpretação em Ezequiel XIX, significa isso mesmo, quando diz: “Te entregaste nas mãos dos moradores da Palestina”, isto é, aos demônios, aquele que se envergonhou de sua iniquidade, ou seja, dos vícios contra a natureza. E o estudioso verá que se deve entender a autorização concedida aos demônios. Pois Deus não castiga com tanta frequência nenhum pecado por meio da morte vergonhosa nas multidões. Com certeza muitos dizem, e em verdade se crê que ninguém consegue perseverar, sem correr perigo, na prática desses vícios, além do período da vida mortal de Cristo, que durou trinta e três anos, a menos que se salve por alguma graça especial do Redentor. E isto é demonstrado no fato, de que com frequência, são capturados neste vício alguns octogenários e centenários que até então haviam regido sua vida de acordo com a disciplina de Cristo; e uma vez que o abandonaram lhes resultou muito difícil obter a liberação de se submeterem a semelhantes vícios. Mais ainda; os nomes dos demônios indicam quais facções existem entre eles, e qual ofício se atribui a cada um. Pois mesmo, o nome demônio, usado geralmente nas Escrituras, é devido a generalização de seus diversos tipos. Porém, sem dúvida, ensinam que Um se encontra acima dessas ações conflitantes, tal como certos outros vícios estão submetidos a Outro. Pois é prática das Escrituras e da linguagem chamar cada um dos espíritos impuros Diabolus. De Dia, significa Dois, e Bolus, quer dizer, Bocado; pois mata duas coisas, o corpo e a alma. E isto coincide com a etimologia, ainda que em grego Diabolus signifique Prisioneiro no Cárcere, o quê também coincide, já que, como preso não lhe é permitido fazer tantos danos como gostaria. Ou Diabolus também pode significar Fluxo Descendente, já que fluiu para abaixo, isto é, cai, tanto em termos específicos como locais. Também lhe chamam Demônio, significando, Astúcia sobre o Sangue, já que anseia e tenta o pecado com um conhecimento triplo: é poderoso na subtileza de sua natureza; em sua experiência ancestral e; na revelação dos espíritos bons. Assim pode ser chamado Belicoso o que significa ser Sem Jugo ou Amo, pois pode lutar contra aquele a quem deveria se submeter. Chamá-lo Belzebu, significa Senhor das Moscas, isto é, das almas dos pecadores que abandonaram a verdadeira fé em Cristo. Ou então Satanás, isto é, Adversário; veja I São Pedro, “Pois teu adversário o demônio ronda a sua volta”, etc. Também Behemoth, isto é a Besta, porque faz bestialidade aos homens. Mas o mesmo demônio da fornicação, e chefe dessa abominação, chama-se Asmodeus, que significa Criatura de Julgamento, pois devido a seu tipo de pecado se executou um terrível julgamento sobre Sodoma e as outras quatro cidades. Da mesma maneira, o demônio do Orgulho chama-se Leviatan, que significa Sua Adição, porque quando Lúcifer tentou nossos primeiros padres lhes prometeu, por orgulho, a Adição da Divindade. A respeito disso, disse o Senhor, por intermédio de Isaías: “Envie a Leviatan, essa velha e tortuosa serpente”. E o demônio da Avareza e das Riquezas chama-se Mammon, a quem também Cristo menciona no Evangelho em São Mateus, VI: “Não podeis servir a Deus”, etc. A respeito dos argumentos: Primeiro que é possível encontrar o bem sem o mal, mas, o mal não pode ser encontrado sem o bem, pois se verte sobre uma criatura que é boa em si mesma. E, portanto os diabos, na medida em que possuem uma boa natureza, foram ordenados segundo a natureza, e para suas ações, veja-se Jó, X. Segundo, pode-se dizer que os demônios delegados para atuar não estão no inferno, mas nas brumas inferiores, e lá possuem uma organização entre eles, que não teriam no inferno. Da qual pode se dizer que toda ordem cessou entre eles, no que se refere ao lucro da beatitude, na época em que caíram sem remissão das alturas. E pode dizer-se que inclusive no inferno há entre eles uma graduação no poder, e na designação de castigos, a medida que alguns, e não outros, sejam destinados a atormentar as almas. Mas esta graduação provém de Deus, do que deles próprios, assim como seus tormentos.

Terceiro, quando afirmam que os demônios superiores, porque pecaram mais, são mais castigados e, portanto devem estar mais obrigados a cometer atos imundos, se responde que o pecado se relaciona com o castigo, e não com um ato ou função natural e; portanto, em razão da nobreza de sua natureza, não são eles dados a tal iniquidade, e nada tem haver com seu pecado ou castigo. Ainda que todos sejam espíritos impuros, e ansiosos, em fazer o mal, um o é mais que o outro, na medida em que sua natureza está mais afundada nas trevas. Quarto, dizem que existe acordo entre os demônios, mas de maldade, não de amizade, no sentido que odeiam o gênero humano e se esforçam ao máximo contra a justiça. Pois entre os malvados existe tal acordo, e se unem e delegam àqueles cujos talentos parecem adequados para a execução de determinada iniquidade. Quinto, mesmo o aprisionamento sendo decretado por igual a todos, agora na atmosfera inferior e depois no inferno, nem por isso se ordenam iguais penalidades e obrigações: pois quanto mais nobres são em sua natureza e mais potentes em seu oficio, mais pesado é o tormento que lhes é infringido. Veja-se Sabedoria V: “Os poderosos sofrerão poderosos tormentos”. (O Martelo das Bruxas)

Tratamento: O tratamento do transtorno de sexualidade e/ou ato sexual é realizado em parte pelo Sacerdote Alvissarista (Advogado de Cristo) e em parte pela pessoa que padece do transtorno.

  • O Advogado de Cristo deve realizar sete seções de oração e imposição de mãos (passe) no local do corpo que é atingido pelo transtorno. A oração a ser realizada é o Credo Alvissarista, o Divino Espírito Santo, o pai Nosso, a Ave Maria e a oração do Anjo da Guarda, pedindo a este que abençoe um copo com água com o fogo do Espírito Santo (Angra) e o fogo da espada de São Miguel Arcanjo e depois a pessoa deve bebê-lo até a última gota. Cada seção deve começar com uma recitação do salmo 6 Oração de um Penitente, e terminar com uma recitação do salmo 25 Pedido de Perdão e Salvação.
  • A pessoa acometida do transtorno deve realizar sua liturgia individual (diária) e coletiva (semanal) durante sete semanas sem falta e realizar atos de caridade e abstenção sexual durante sete dias.

5 – Transtorno de paralisia corporal durante o sono: A pessoa tem a sensação de que perdeu os movimentos corporais completamente, não conseguindo mover sequer um único músculo. Esse fenômeno em geral acontece quando a pessoa está indo dormir ou está acabando de acordar. Apesar de sua paralisia corporal, seus pensamentos continuam ativos, o que gera muita aflição e terror. Este transtorno pode ser causado tanto por um orixá quanto por um demônio, mas não por um espírito obsessor. No Alvissarismo o orixá que provoca o transtorno da paralisia corporal é chamado de Pisadeira, que destrói o bom sono e provoca pesadelos.

“Na projeciologia conscienciologia, a catalepsia projetiva ou catalepsia astral, também conhecida na medicina comoparalisia do sono ou paralisia noturna e no Brasil como pisadeira, é um fenômeno natural, temporário e benigno do ser humano que ocorre durante o sono. Importante, a catalepsia projetiva não deve ser confundida com a catalepsia patológica, que é uma doença rara. A chamada paralisia do sono acontece durante o sono, como forma de evitar que o corpo se mova durante os sonhos. É um fenómeno natural que ocorre todas as noites, embora seja raramente notado pela própria pessoa enquanto se dorme. Momentos antes da mente despertar, a paralisia cessa. Por isso, raramente se tem consciência da sua existência. Se, porventura, a mente despertar antes do mecanismo de paralisação ser desativado, ocorre a consciência da paralisia do sono. Pode ocorrer também ao adormecer, sendo que nesse caso o corpo adormece mais depressa do que a mente. Esta consciência pode ser muito perturbadora, pois o indivíduo dá por si mesmo completamente paralisado, incapaz de mover os membros, tendo uma sensação de agonia e de impotência muito fortes. A mente ainda está a atravessar um período de transição entre o estado de sono e o estado de vigilia (ou vice-versa) e nessa altura podem surgir alucinações hipnagógicas: presença de uma pessoa, ouvir vozes ou sons, sensação de flutuação ou de se sair do próprio corpo, imagens de pessoas, visualização de objetos, sensação de ver em redor mesmo tendo os olhos fechados, etc. Tanto as alucinações como a própria paralisia são inofensivas, existindo quem aproveite esta fase para induzir sonhos lúcidos ou alucinações agradáveis, e acontecem ocasionalmente, como resultado de uma má alimentação, maus hábitos de sono, estresse, etc. Por vezes, podem indicar a existência de um outro problema maior, como, por exemplo, anarcolepsia. Ao fim de algum tempo (que pode variar de alguns segundos até cerca de três minutos), a paralisia cessa e o corpo readquire capacidade de se mover novamente. Um dos conselhos mais usuais é ficar parado a respirar lentamente e esperar que passe. Enquanto se concentra na respiração, a mente divaga e quando menos espera o corpo deixa de estar paralisado. Pode-se tentar mover um dedo e lentamente mover o resto da mão, do braço, etc. até que todo o corpo se mova. Outra técnica popular é piscar varias vezes, ou fechar os olhos fazendo um pouco de força. De qualquer dos modos, o corpo acabará por “desativar” a paralisia. Estima-se que até 60% da população mundial já tenha passado por essa experiência pelo menos uma vez na vida. Em algumas culturas, isso significava pré-disposição ao xamanismo e contato com o mundo dos espíritos”. (Wikipédia).

Adendo: O transtorno de paralisia corporal durante o sono é um fenômeno sobrenatural causado ou pelo orixá Pisadeira ou por algum demônio, e não deve ser confundido com a catalepsia patológica, que é uma doença rara em que os membros se tornam rígidos, mas não há contrações, embora os músculos se apresentem mais ou menos rijos. A pessoa fica o tempo todo consciente e quem passa por ela pode ficar horas nesta situação. Deste modo, o transtorno de paralisia corporal durante o sono será um fenômeno sobrenatural causado pela entidade Pisadeira ou algum tipo de demônio se, e somente se, não se tratar de uma catalepsia patológica.

Tratamento: O tratamento do transtorno da paralisia corporal durante o sono é realizado em parte pelo Sacerdote Alvissarista (Advogado de Cristo) e em parte pela pessoa que padece do transtorno.

  • O Advogado de Cristo deve realizar sete seções de oração e imposição de mãos (passe) no local do corpo que é atingido pelo transtorno. A oração a ser realizada é o Credo Alvissarista, o Divino Espírito Santo, o pai Nosso, a Ave Maria e a oração do Anjo da Guarda, pedindo a este que abençoe um copo com água com o fogo do Espírito Santo (Angra) e o fogo da espada de São Miguel Arcanjo e depois a pessoa deve bebê-lo até a última gota. Cada seção deve começar com uma recitação do salmo 5 Oração da manhã, e terminar com uma recitação do salmo 23 O Bom Pastor.
  • A pessoa acometida do transtorno deve realizar sua liturgia individual (diária) e coletiva (semanal) durante sete semanas sem falta e realizar atos de caridade durante sete dias.

6 – Transtorno do Terror Noturno: A pessoa, em geral crianças, tem pesadelos horríveis durante o sono caracterizado por gritos e semblante de terror, como se a pessoa estivesse sendo atacada por um demônio durante o sono, e na verdade está. Enquanto o orixá das trevas conhecido como Pisadeira é a causa do transtorno de paralisia corporal durante o sono como vimos anteriormente, o demônio é a causa do terror noturno, que gera na pessoa uma sensação de medo intenso que em geral culmina em um despertar abrupto carregado de um grito pavoroso e respiração ofegante devido a ansiedade e o pânico gerado pela presença de um demônio.

Tratamento: O tratamento do transtorno do terror noturno é o mesmo da paralisia corporal durante o sono, sendo é realizado em parte pelo Sacerdote Alvissarista (Advogado de Cristo) e em parte pela pessoa que padece do transtorno.

  • O Advogado de Cristo deve realizar sete seções de oração e imposição de mãos (passe) no local do corpo que é atingido pelo transtorno. A oração a ser realizada é o Credo Alvissarista, o Divino Espírito Santo, o pai Nosso, a Ave Maria e a oração do Anjo da Guarda, pedindo a este que abençoe um copo com água com o fogo do Espírito Santo (Angra) e o fogo da espada de São Miguel Arcanjo e depois a pessoa deve bebê-lo até a última gota. Cada seção deve começar com uma recitação do salmo 5 Oração da manhã, e terminar com uma recitação do salmo 23 O Bom Pastor.
  • A pessoa acometida do transtorno deve realizar sua liturgia individual (diária) e coletiva (semanal) durante sete semanas sem falta e realizar atos de caridade durante sete dias.

7 – Transtorno Persecutório: A pessoa tem a nítida sensação de estar sendo perseguida ou observada por alguém ou alguma entidade da qual não consegue ver, mesmo estando absolutamente sozinha em uma casa ou quarto. A pessoa não consegue a princípio compreender tal sensação, sendo sua característica principal a incompreensibilidade do fenômeno pelo sujeito e a nítida sensação da presença de algo ou alguém no ambiente onde somente a pessoa está presente fisicamente, mas sente que algo ou alguém está lhe observando sem que a pessoa possa vê-lo. Este fenômeno é parecido com o de um cego que sente a presença de alguém no ambiente. O transtorno persecutório se distingue de uma alteração da realidade ou delírio psicótico paranoico ou neurótico teatralizado com crenças culturalmente sancionadas, pois não se tratam de ideias delirantes patológicas ou juízos patologicamente falsos. Deste modo, diferentemente do delírio, o transtorno persecutório não tem origem em nenhuma doença mental, não sendo sua base mórbida motivada por fatores patológicos. Trata-se tão somente de uma pessoa absolutamente saudável psiquicamente, sem nenhum traço de psicose ou neurose com delírios teatralizados que de repente em uma determinada ocasião, situação ou local se sente perseguida e observada por algo ou alguém que não pode ver por não conter a presença de absolutamente ninguém na ocasião, situação ou local, por isso a estranheza e incompreensibilidade a princípio do fenômeno, mas que a posteriori a uma investigação séria pode ser constatada a presença de uma entidade espiritual. O transtorno persecutório se distingue do delírio observado na prática clínica por não se tratar a princípio de uma certeza absoluta ou convicção da situação vivenciada, em geral a princípio a pessoa nem leva aquilo a sério, pensando ser apenas coisa da sua imaginação, estresse ou fadiga do trabalho, e principalmente por não se tratar de uma pessoa física envolvida na perseguição e observação da pessoa. Um delírio patológico é caracterizado por frases do tipo “Tenho certeza de que meus pais ou vizinhos querem me envenenar”; ou “As pessoas que trabalham em minha empresa fizeram um plano para acabar comigo, primeiro desmoralizando para depois me prender e torturar”; ou “Eu sou a nova divindade que tem poderes para acabar com o sofrimento no mundo na hora que eu quiser”; ou “Implantaram um chip em meu cérebro que comanda meus pensamentos”.

Adendo: Este tipo de fenômeno ou transtorno espiritual só pode ser validado em caso de pessoas sem qualquer histórico ou característica de psicose paranoica ou neurose com delírios teatralizados, que não tenham a princípio convicção extraordinária ou certeza absoluta de estar sendo perseguida e observada, declarar ser impossível sua modificação pela experiência, ou seja, a sensação ser irremovível, e levar em conta a possibilidade de seu juízo ser falso ou produto de uma fadiga ou estresse. O transtorno persecutório é um fenômeno espiritual que se distingue do delírio persecutório vivenciado na paranoia e na esquizofrenia por não possuir conteúdos bizarros e implausíveis no contexto sociocultural da pessoa, e por se tratar de uma sensação de estar sendo observado ou perseguido não por uma entidade física, mas sim espiritual. O verdadeiro delírio se caracteriza por uma ruptura radical com a realidade e a biografia da pessoa em questão, transformando qualitativamente toda sua existência, modificando sua pessoa e personalidade que passa a sofrer uma verdadeira transmutação de identidade. No transtorno persecutório absolutamente nada disso é notado, pois a pessoa não sofre nenhuma ruptura com a realidade nem com sua biografia, não tendo sua existência, personalidade e identidade transformada. Ela simplesmente relata ter a sensação de estar sendo observada e perseguida por uma presença de alguém ou alguma coisa que ela não pode ver.

Tratamento: O tratamento do transtorno persecutório é realizado em parte pelo Sacerdote Alvissarista (Advogado de Cristo) e em parte pela pessoa que padece do transtorno.

  • O Advogado de Cristo deve realizar sete seções de oração e imposição de mãos (passe) no local do corpo que é atingido pelo transtorno. A oração a ser realizada é o Credo Alvissarista, o Divino Espírito Santo, o pai Nosso, a Ave Maria e a oração do Anjo da Guarda, pedindo a este que abençoe um copo com água com o fogo do Espírito Santo (Angra) e o fogo da espada de São Miguel Arcanjo e depois a pessoa deve bebê-lo até a última gota. Cada seção deve começar com uma recitação do salmo 3 Oração de Confiança nas Perseguições, e terminar com uma recitação do salmo 7 Oração do Justo Perseguido.
  • A pessoa acometida do transtorno deve realizar sua liturgia individual (diária) e coletiva (semanal) durante sete semanas sem falta e realizar atos de caridade durante sete dias.

8 – Transtorno Obsessivo: O transtorno obsessivo é a influência maléfica de espíritos às pessoas devido a seus pensamentos e atos pecaminosos, podendo gerar alguns tipos de doença física e psíquica. O transtorno obsessivo é o mesmo que a obsessão espiritual no Espiritismo, onde alguns espíritos dominam parcialmente e influenciam maleficamente os pensamentos e as ações das pessoas, sendo praticado por espíritos moralmente inferiores movidos por vícios morais como avareza, ganância, soberba, luxuria, ira, preguiça, inveja, orgulho, vingança, hipocrisia, idolatria e etc., podendo ser uma ação muito sutil e quase imperceptível à pessoa ou às vezes agressiva e notoriamente deteriorante, perturbando as faculdades mentais da pessoa, que passa, ao longo da obsessão, a alterar seus pensamentos e ações antes benéficas em pensamentos e ações agora maléficos a si e ao próximo. Existem três tipos de obsessão:

“A obsessão simples, que ocorre quando um espírito ou vários influenciam a mente de um médium com suas ideias, mas de maneira tal que o médium consciente percebe. A obsessão simples perturba, podendo causar constrangimento quando o médium inexperiente exprime de forma desavisada pensamentos que não são seus e somente se dá conta disso depois. No entanto, ele, médium, permanece senhor de si mesmo e reconhece quando fala ou age sob influência, sendo a ele possível, com estudo, aprender a controlar-se”. (Wikipédia)

“A fascinação é uma ação direta e constante do pensamento de um espírito sobre a mente do médium paralisando-lhe o raciocínio de tal modo que este aceita tudo que lhe é passado pelo espírito como a mais pura verdade, reproduzindo, desde informações simplórias aos mais completos disparates, como se fosse tudo fruto da mais profunda sabedoria. O espírito que se dedica à fascinação de um médium é ardiloso pois, primeiro, ele tem que ganhar a confiança irrestrita do médium para aos poucos ir dominando seu raciocínio”. (Wikipédia)

“A subjugação é uma influência tão forte sobre a mente do médium que este não mais raciocina nem age por si mesmo, agindo como marionete do espírito ou dos espíritos que o influenciam”. (Wikipédia)

“A obsessão simples tanto pode ser resultado da ação de espíritos voltados para o mal que querem prejudicar o médium por sentir prazer nisso, como de espíritos que identificaram no médium alguém que lhes prejudicou ou agrediu física ou moralmente em outra existência e, não tendo evoluído a ponto de perdoá-lo, dele buscam vingança. A fascinação tanto pode ser uma ação dirigida contra o médium, para fazê-lo parecer ridículo e, assim, humilhá-lo, como uma ação dirigida a um grupo ou a toda uma comunidade visando criar um movimento de oposição a outros voltados ao bem e à busca da verdade. Os casos de subjugação, finalmente, são os mais complexos, pois se trata sempre da ação de espíritos que têm profundo ódio pelo médium, tudo fazendo para lhe arruinar a existência”. (Wikipédia)

Adendo: O transtorno obsessivo ou obsessão espiritual só pode ser validado através de um parecer ou análise detalhada de um médium que tenha o dom do discernimento de espíritos, que tenha a habilidade mediúnica de ver e falar diretamente com os espíritos; caso contrário fica difícil estabelecer o diagnóstico de transtorno obsessivo, posto que ele não possa ser como os outros transtornos espirituais descritos anteriormente, verificado assertoricamente por alguém sem estas habilidades espirituais específicas.

Tratamento: O tratamento do transtorno obsessivo ou obsessão espiritual é realizado em parte pelo Sacerdote Alvissarista (Advogado de Cristo) e em parte pela pessoa que padece do transtorno.

  • O Advogado de Cristo deve realizar sete seções de oração e imposição de mãos (passe) no local do corpo que é atingido pelo transtorno. A oração a ser realizada é o Credo Alvissarista, o Divino Espírito Santo, o pai Nosso, a Ave Maria e a oração do Anjo da Guarda, pedindo a este que abençoe um copo com água com o fogo do Espírito Santo (Angra) e o fogo da espada de São Miguel Arcanjo e depois a pessoa deve bebê-lo até a última gota. Cada seção deve começar com uma recitação do salmo 17 Oração do justo Perseguido, e terminar com uma recitação do salmo 59 Oração do Perseguido.
  • A pessoa acometida do transtorno deve realizar sua liturgia individual (diária) e coletiva (semanal) durante sete semanas sem falta e realizar atos de caridade durante sete dias.

9 – Transtorno Cármico: A pessoa nasce ou padece durante a vida de determinadas doenças físicas, morais ou psíquicas naturais como doenças de nascença ou situações durante a vida que leva a pessoa a um sofrimento moral ou doença mental incurável, fatal e progressivo devido a diversos fatores da existência humana, como condição genética, acidental ou por livre-arbítrio da pessoa. É aqui que entra a necessidade da ideia da imortalidade da alma e da reencarnação como instrumento divino do progresso moral, assim como da sua estagnação ou retrocesso, pois sem a ideia da imortalidade da alma e da reencarnação torna-se impossível explicar o sofrimento humano.  O homem é livre perante a Lei moral para escolher pagar suas dívidas, ou então não pagá-las ou até aumenta-las. Ao contrário do que pensam os Kardecistas, não há absolutamente nada no universo ou fora dele que impeça o retrocesso moral na Roda das Encarnações, já que Deus fez todos os homens livres para escolherem os seus próprios caminhos, seja para o bem ou para o mal; negar a possibilidade do retrocesso moral no processo reencarnatório, é negar a existência da liberdade e se acovardar diante das próprias mazelas. O não pagamento no presente de dívidas contraídas no pretérito, assim como o aumento das mesmas, gera no homem no presente o que ele conhece como sofrimento, seja ele físico (doença), psicológico (transtorno) ou moral (culpa). Todavia, essa ideia só possui algum sentido lógico se levarmos em consideração os postulados sobre a imortalidade da alma e sobre a reencarnação, na medida em que esta ultima traz gravada em sua memória matemática a Lei do Carma, que contém o número exato de todas boas ou más ações cometidas pelo sujeito desde que saiu do útero do Espírito Santo, e essa contabilidade moral é estruturada como uma Lei de Deus e da natureza para que os homens tenham a chance de poder pagar as suas dívidas presentes contraídas no pretérito e assim alcançar a salvação.

Adendo: O transtorno cármico em geral é validado pela incoerência lógica da doença, como alguém que nunca fumou na vida, mas de repente é acometida por um câncer de pulmão; ou alguém que nasce com algum defeito físico, como anencefalia, ausência de membros como braços ou pernas, cegos ou mudos. Todas as doenças de nascença por condições genéticas e todos os acidentes na existência que geram algum sofrimento físico, moral ou doença mental é de ordem cármica. Se não tiver no carma da pessoa padecer de tais sofrimentos, Deus o livrará desta condição genética e acidental, fazendo-o nascer em outra família onde não haja probabilidade genética de tal doença se manifestar ou encaminhando-o para outros rumos no decorrer de sua vida, como a cidade e o país onde irá nascer, bem como o lugar onde irá viver, trabalhar e constituir sua família; tudo isso Deus realiza através da ação de seus santos anjos, e tudo dentro dos limites da naturalidade e respeitando o livre-arbítrio do espírito; mas se estiver no seu carma padecer de tais sofrimentos para saldar suas dívidas pretéritas ou evoluir moralmente, não há absolutamente nada que a pessoa possa fazer, a não ser aceitar sua condição existencial, que é consequência de seus atos no pretérito metafísico.

Tratamento: O tratamento do transtorno cármico é realizado em parte pelo Sacerdote Alvissarista (Advogado de Cristo) e em parte pela pessoa que padece do transtorno.

  • O Advogado de Cristo deve realizar sete seções de oração e imposição de mãos (passe) no local do corpo que é atingido pelo transtorno. A oração a ser realizada é o Credo Alvissarista, o Divino Espírito Santo, o pai Nosso, a Ave Maria e a oração do Anjo da Guarda, pedindo a este que abençoe um copo com água com o fogo do Espírito Santo (Angra) e o fogo da espada de São Miguel Arcanjo e depois a pessoa deve bebê-lo até a última gota. Cada seção deve começar com uma recitação do salmo 39 O Doloroso Enigma da Vida, e terminar com uma recitação do salmo 88 Súplica em Doença Grave.
  • A pessoa acometida do transtorno deve realizar sua liturgia individual (diária) e coletiva (semanal) durante sete semanas sem falta e realizar fazer uma lista de todas as pessoas às quais prejudicou durante a vida, se humilhar diante delas e pedir perdão.

10 – Transtorno Vital: A pessoa perde o Elã Vital, que é, segundo Bérgson, o impulso original de criação de onde provém a vida, ou para Freud, a pulsão de vida, no decorrer da sua existência neste mundo a pessoa vai aos poucos, em casos de doença mental ou repentinamente em caso de acidentes, perdendo o desejo pela vida. A potência de vida que leva o ser a ter consciência de si e de sua existência é perdida, levando a pessoa ao desejo de não ser ou existir. No Alvissarismo o espírito que causa o transtorno vital é chamado de Luison, que é o orixá das trevas destruidor da vida em todos os seus aspectos; espírito senhor da morte, filho de Taubá, que é Satanás – a personificação do mal.

Adendo: O transtorno vital é facilmente percebido em pessoas com pensamentos obsessivos de autoextermínio, depressivos crônicos (que vivem por obrigação moral, mas não por prazer), melancólicos (não psicóticos); além de se manifestar mais plenamente no coma não induzido ou induzido pela própria pessoa através de overdose de pílulas para dormir ou tranquilizantes, ou em pessoas com o desejo de morte eterna ao invés da vida eterna.

Tratamento: O tratamento do transtorno vital é realizado em parte pelo Sacerdote Alvissarista (Advogado de Cristo) e em parte pela pessoa que padece do transtorno.

  • O Advogado de Cristo deve realizar sete seções de oração e imposição de mãos (passe) no local do corpo que é atingido pelo transtorno. A oração a ser realizada é o Credo Alvissarista, o Divino Espírito Santo, o pai Nosso, a Ave Maria e a oração do Anjo da Guarda, pedindo a este que abençoe um copo com água com o fogo do Espírito Santo (Angra) e o fogo da espada de São Miguel Arcanjo e depois a pessoa deve bebê-lo até a última gota. Cada seção deve começar com uma recitação do salmo 102 Lamentação e Prece de um Infeliz, e terminar com uma recitação do salmo 31 Apelo na Aflição.
  • A pessoa acometida do transtorno deve realizar sua liturgia individual (diária) e coletiva (semanal) durante sete semanas sem falta e realizar atos de caridade durante sete dias.

11 – Transtorno de Guerra e Discórdia: Este transtorno não envolve somente pessoas, mas também raças, povos, civilizações e nações inteiras, sendo, portanto, um transtorno que pode ser vivenciado coletivamente e não somente individualmente, levando indivíduos, raças, povos, civilizações e nações inteiras a guerra e a discórdia. No Alvissarismo o orixá das trevas que destruí a paz e instiga a guerra e a discórdia entre os homens é Moñai, que em tempos de guerra age junto com Kurupiri e Luison, todos estes orixás são filhos de Taubá, que é Satanás.

Tratamento: O tratamento do transtorno de guerra e discórdia é realizado em parte pelo Sacerdote Alvissarista (Advogado de Cristo) e em parte pela pessoa que padece do transtorno.

  • O Advogado de Cristo deve realizar sete seções de oração e imposição de mãos (passe) no local do corpo que é atingido pelo transtorno. A oração a ser realizada é o Credo Alvissarista, o Divino Espírito Santo, o pai Nosso, a Ave Maria e a oração do Anjo da Guarda, pedindo a este que abençoe um copo com água com o fogo do Espírito Santo (Angra) e o fogo da espada de São Miguel Arcanjo e depois a pessoa deve bebê-lo até a última gota. Cada seção deve começar com uma recitação do salmo 86 Oração em tempo de Aflição, e terminar com uma recitação do salmo 133 A Alegria do Convívio Fraterno.
  • A pessoa acometida do transtorno deve realizar sua liturgia individual (diária) e coletiva (semanal) durante sete semanas sem falta e realizar atos de caridade durante sete dias.

12 – Transtornos infantis: A criança padece de sofrimentos mentais e físicos inexplicáveis, que não se enquadram no CID 10 nem no DSM V, sentindo-se perseguida e observada por uma entidade que ela sente ser maligna, mas não consegue explicar, pois não a pode ver na maioria dos casos, e, em geral, os pais, quando ouvem os relatos dos filhos, não acreditam em suas experiências, pensando ser coisa da imaginação da criança. No Alvissarismo os orixás das trevas que causam os transtornos infantis são o Bicho Papão, que é o espírito destruidor de bebês e criancinhas, a Cabra Cabriola, que é o espírito destruidor de bebês e criancinhas, o Jaci Jaterê, que também é um espírito destruidor de crianças e a Cuca, que também se dedica a destruição de bebês e criancinhas.

Adendo: Este tipo de fenômeno só pode ser validado se, e somente se, não sofrer de nenhum tipo de transtorno físico ou mental catalogado pelo CID 10 e pelo DSM V, como psicose infantil.

13 – Transtorno de Fadiga: A pessoa sente-se com uma fadiga absoluta, a ponto de não conseguir fazer qualquer coisa, nem mesmo levantar da cama; o desanimo subjuga completamente a pessoa, e esta se sente cansada, muito cansada física e psiquicamente, mesmo sem ter feito absolutamente nenhum esforço, sente dores no corpo e uma completa incapacidade de realizar os afazeres do dia-dia. A pessoa com transtorno de fadiga apresenta uma completa abolição da vontade, não sentindo interesse por absolutamente mais nada na vida, sente-se completamente desanimado e sem forças para viver. No Alvissarismo o orixá das trevas que causa o transtorno de fadiga é denominado Luison, o espírito destruidor da vida em todos os seus aspectos; espírito senhor da morte que faz com que a pessoa perca a potência de vida e a vontade de viver.

Adendo: O transtorno de fadiga só pode ser validado em caso de certeza absoluta de que não se trata tão somente de uma hipobulia/abolia, que possui os mesmos sintomas, porém, no caso do transtorno de fadiga, ao contrário da hipobulia/abolia o fenômeno não está associado à apatia (indiferença afetiva) e à dificuldade de decisão. Deste modo, o transtorno de fadiga será validado se, e somente se, a pessoa apresentar os mesmos sintomas da hipobulia/abolia com exceção da indiferença afetiva e a dificuldade para decidir. O transtorno de fadiga também não se confunde com a ataraxia, que é um estado de indiferença na vontade de viver desejada e buscada pelo indivíduo através da ascese mística buscada por algumas religiões e filosofias como uma forma de libertação da vida neste mundo e desprendimento dos bens materiais.

Tratamento: O tratamento do transtorno de fadiga é realizado em parte pelo Sacerdote Alvissarista (Advogado de Cristo) e em parte pela pessoa que padece do transtorno.

  • O Advogado de Cristo deve realizar sete seções de oração e imposição de mãos (passe) no local do corpo que é atingido pelo transtorno. A oração a ser realizada é o Credo Alvissarista, o Divino Espírito Santo, o pai Nosso, a Ave Maria e a oração do Anjo da Guarda, pedindo a este que abençoe um copo com água com o fogo do Espírito Santo (Angra) e o fogo da espada de São Miguel Arcanjo e depois a pessoa deve bebê-lo até a última gota. Cada seção deve começar com uma recitação do salmo 16 O Senhor, herança do Justo, e terminar com uma recitação do salmo 28 Suplica a Ação de Graças.
  • A pessoa acometida do transtorno deve realizar sua liturgia individual (diária) e coletiva (semanal) durante sete semanas sem falta e realizar atos de caridade durante sete dias.

14 – Transtorno de Canibalismo: O transtorno de canibalismo é o ato de comer uma parte ou várias partes de outro ser humano. O transtorno de canibalismo não se confunde com os atos ritualísticos dos povos que praticavam a antropofagia com a finalidade de adquirir as habilidades e forças das pessoas a quem devoravam. O transtorno de canibalismo não se trata, portanto, de uma questão cultural, ritualística ou religiosa e nem mesmo patológica (de estrutura perversa ou psicótica), mas sim da atividade maligna de um orixá das trevas denominado pelo Alvissarismo de Ao Ao, que é um espírito destruidor de vidas e que instiga em uma pessoa mentalmente saudável e sem qualquer histórico de perversão ou psicose a prática do canibalismo. Portanto, o transtorno de canibalismo não se confunde com o exocanibalismo, exofagia ou endocanibalismo vivenciada por algumas civilizações antigas como os Astecas e os índios primitivos do Brasil. O transtorno de canibalismo também não se confunde com situações-limite de sobrevivência frente a uma situação de vida ou morte como descrito no famoso caso dos mineradores estudado em todas as escolas de Direito e analisado por nós no livro “Direito Alvissarista”.

Adendo: O transtorno de canibalismo instigado pelo orixá das trevas Ao Ao será validado se, e somente se, não se tratar de um caso patológico de perversão ou psicose e nem de um ritual cultural e religioso, mas tão somente uma completa mudança de personalidade em uma pessoa mentalmente saudável que de repente sente um desejo irresistível de praticar o canibalismo.

Tratamento: O tratamento do transtorno de canibalismo é realizado em parte pelo Sacerdote Alvissarista (Advogado de Cristo) e em parte pela pessoa que padece do transtorno.

  • O Advogado de Cristo deve realizar sete seções de oração e imposição de mãos (passe) no local do corpo que é atingido pelo transtorno. A oração a ser realizada é o Credo Alvissarista, o Divino Espírito Santo, o pai Nosso, a Ave Maria e a oração do Anjo da Guarda, pedindo a este que abençoe um copo com água com o fogo do Espírito Santo (Angra) e o fogo da espada de São Miguel Arcanjo e depois a pessoa deve bebê-lo até a última gota. Cada seção deve começar com uma recitação do salmo 1 Os Dois Caminhos do Homem, e terminar com uma recitação do salmo 19 a Glória de Deus, Criador e Legislador.
  • A pessoa acometida do transtorno deve realizar sua liturgia individual (diária) e coletiva (semanal) durante sete semanas sem falta e realizar atos de caridade durante sete dias.

15 – Transtorno do Orgulho e Preconceito: O transtorno do orgulho e preconceito é um sentimento de soberba e arrogância (ideológica) vivenciada pela pessoa com um amor excessivo a si mesmo e a seus feitos ou ideias. O preconceito é um juízo a priori, sem reflexão sensata e isenta, um juízo afoito com base em premissas ideologicamente falsas construída para defender o brio ou orgulho de si, ou para fins de autodefesa em casos possíveis de periculosidade. O preconceito é “uma opinião precipitada que transforma-se numa prevenção (Paim, 1993).  No Alvissarismo o orixá das trevas que causa o orgulho e o preconceito no espírito humano é denominado de Ana Jansen, que é o espírito destruidor das relações humanas, que instiga o orgulho e o preconceito racial.

“Os preconceitos são, em geral, produzidos socialmente, por interesse de determinados grupos sociais que, no mais das vezes, constroem tais concepções preconceituosas para se colocarem em situação de superioridade e/ou para justificar atitudes, posturas, normas, regras e políticas institucionais que privilegiam certos grupos em detrimento de outros. A discriminação social é um dos modos mais comuns e nefastos do preconceito”. Paulo Dalgalarrondo (2008. p. 207) nos mostra que a discriminação proveniente do orgulho e do preconceito se dá, entre outras formas, como:

  • Racismo (os brancos são superiores aos negros)
  • Sexismo (os homens são mais inteligentes que as mulheres)
  • Etnocentrismo (o europeu é mais sensível que o indígena americano)
  • Classismo ou preconceito de classes (os pobres são preguiçosos)
  • Preconceito religioso (os muçulmanos são desequilibrados)

Tratamento: O tratamento do transtorno do orgulho e preconceito é realizado em parte pelo Sacerdote Alvissarista (Advogado de Cristo) e em parte pela pessoa que padece do transtorno.

  • O Advogado de Cristo deve realizar sete seções de oração e imposição de mãos (passe) no local do corpo que é atingido pelo transtorno. A oração a ser realizada é o Credo Alvissarista, o Divino Espírito Santo, o pai Nosso, a Ave Maria e a oração do Anjo da Guarda, pedindo a este que abençoe um copo com água com o fogo do Espírito Santo (Angra) e o fogo da espada de São Miguel Arcanjo e depois a pessoa deve bebê-lo até a última gota. Cada seção deve começar com uma recitação do salmo 90 Brevidade da Vida Humana, e terminar com uma recitação do salmo 49 O Engano das Riquezas.
  • A pessoa acometida do transtorno deve realizar sua liturgia individual (diária) e coletiva (semanal) durante sete semanas sem falta e realizar atos de caridade durante sete dias.

16 – Transtorno Familiar: O transtorno familiar é caracterizado pela completa desarmonia do ambiente familiar e por brigas e contendas extensas e de longa duração entre parentes próximos, que, em geral, ou não se dão bem, ou não conversam e por vezes até mesmo chegam as vias de fato ou ao assassinato, assim como Caim matou Abel. No Alvissarismo os orixás das trevas que causam os transtornos familiares são denominados de Lobisomem (Em 1991, os Warrens lançaram o livro Werewolf: The True Story de possessão demoníaca foi publicado em que eles afirmam ter exorcizado um “demônio lobisomem.”), que é o espírito destruidor das famílias, Cabeça de Cuia, que é o espírito destruidor das relações entre o filho e a mãe, que instiga os filhos a matarem suas mães, e em alguns casos o Arranca línguas, que é o espírito destruidor do bom convívio e dos bons relacionamentos em sociedade, que instiga a calúnia, a fofoca e a maledicência, e em outros casos o Corpo Seco, que é o espírito destruidor das vidas nas estradas e que instiga o mau trato às mães.

Tratamento: O tratamento do transtorno familiar é realizado em parte pelo Sacerdote Alvissarista (Advogado de Cristo) e em parte pela pessoa que padece do transtorno.

  • O Advogado de Cristo deve realizar sete seções de oração e imposição de mãos (passe) no local do corpo que é atingido pelo transtorno. A oração a ser realizada é o Credo Alvissarista, o Divino Espírito Santo, o pai Nosso, a Ave Maria e a oração do Anjo da Guarda, pedindo a este que abençoe um copo com água com o fogo do Espírito Santo (Angra) e o fogo da espada de São Miguel Arcanjo e depois a pessoa deve bebê-lo até a última gota. Cada seção deve começar com uma recitação do salmo 128 O temor de Deus, Felicidade do Lar, e terminar com uma recitação do salmo 62 Paz em Deus.
  • A pessoa acometida do transtorno deve realizar sua liturgia individual (diária) e coletiva (semanal) durante sete semanas sem falta e realizar atos de caridade durante sete dias.

17 – Transtorno Conjugal: O transtorno conjugal é o fenômeno que atinge aos casais e cônjuges, levando o relacionamento ou casamento a infidelidade do adultério por motivos banais ou ao distanciamento, provocando brigas, humilhações e contendas entre o casal que acabam culminando na separação.  No Alvissarismo o orixá das trevas que causa o transtorno conjugal é a Mula sem Cabeça, que é o espírito destruidor dos casamentos e sacerdócios.

Tratamento: O tratamento conjugal é realizado em parte pelo Sacerdote Alvissarista (Advogado de Cristo) e em parte pela pessoa que padece do transtorno.

  • O Advogado de Cristo deve realizar sete seções de oração e imposição de mãos (passe) no local do corpo que é atingido pelo transtorno. A oração a ser realizada é o Credo Alvissarista, o Divino Espírito Santo, o pai Nosso, a Ave Maria e a oração do Anjo da Guarda, pedindo a este que abençoe um copo com água com o fogo do Espírito Santo (Angra) e o fogo da espada de São Miguel Arcanjo e depois a pessoa deve bebê-lo até a última gota. Cada seção deve começar com uma recitação do salmo 45 Poema Nupcial ao Rei, e terminar com uma recitação do salmo 148 Hino ao Senhor do Universo.
  • A pessoa acometida do transtorno deve realizar sua liturgia individual (diária) e coletiva (semanal) durante sete semanas sem falta e realizar atos de amor conjugal durante sete dias.

18 – Transtorno Vicioso: O transtorno vicioso é a doença que subjuga a pessoa ou um grupo de pessoas a toda sorte de vícios (adicção), causando problemas em sua vida pessoal, no trabalho, no relacionamento amoroso e na vida social. No Alvissarismo o orixá das trevas que causa o transtorno vicioso é denominado de Famaliá, que é o espírito destruidor das virtudes dos seres humanos e que os instiga a toda sorte de vícios morais e materiais, em especial a ganância e a avareza.

Tratamento: O tratamento do transtorno vicioso é realizado em parte pelo Sacerdote Alvissarista (Advogado de Cristo) e em parte pela pessoa que padece do transtorno.

  • O Advogado de Cristo deve realizar sete seções de oração e imposição de mãos (passe) no local do corpo que é atingido pelo transtorno. A oração a ser realizada é o Credo Alvissarista, o Divino Espírito Santo, o pai Nosso, a Ave Maria e a oração do Anjo da Guarda, pedindo a este que abençoe um copo com água com o fogo do Espírito Santo (Angra) e o fogo da espada de São Miguel Arcanjo e depois a pessoa deve bebê-lo até a última gota. Cada seção deve começar com uma recitação do salmo 143 Suplica na Aflição, e terminar com uma recitação do salmo 73 O Enigma da Prosperidade dos Ímpios.
  • A pessoa acometida do transtorno deve realizar sua liturgia individual (diária) e coletiva (semanal) durante sete semanas sem falta e realizar atos de caridade durante sete dias.

19 – Transtorno de Relacionamentos Sociais: A pessoa perde completamente a capacidade e a habilidade de viver em sociedade ou se relacionar com as pessoas, afastando-se completamente de todo tipo de laço social ou relacionamento com outras pessoas, relacionando-se apenas consigo mesma. O transtorno de relacionamentos não se confunde com a misantropia e nem mesmo com o eremitismo filosófico, místico e religioso. O transtorno de relacionamentos sociais se caracteriza por uma ausência de afetividade, de humor ou estado de ânimo ou estado emocional que acomete uma pessoa que antes de algum acontecimento ou manifestação traumática espiritual mantinha uma vida social absolutamente normal, mas que, de repente, de uma hora para outra, não consegue mais viver em sociedade ou se relacionar com as pessoas. Existem relatos e documentários de casos extremos de transtorno de relacionamentos sociais em que o indivíduo sai de casa e vai morar em cavernas ou até mesmo em cemitérios. No Alvissarismo o orixá das trevas que causa o transtorno de relacionamentos sociais em geral é o Arranca línguas, que é o espírito destruidor do bom convívio e dos relacionamentos em sociedade, que instiga a calúnia, a fofoca e a maledicência.

Tratamento: O tratamento do transtorno de relacionamentos sociais é realizado em parte pelo Sacerdote Alvissarista (Advogado de Cristo) e em parte pela pessoa que padece do transtorno.

  • O Advogado de Cristo deve realizar sete seções de oração e imposição de mãos (passe) no local do corpo que é atingido pelo transtorno. A oração a ser realizada é o Credo Alvissarista, o Divino Espírito Santo, o pai Nosso, a Ave Maria e a oração do Anjo da Guarda, pedindo a este que abençoe um copo com água com o fogo do Espírito Santo (Angra) e o fogo da espada de São Miguel Arcanjo e depois a pessoa deve bebê-lo até a última gota. Cada seção deve começar com uma recitação do salmo 8 Glória de Deus e Grandeza do Homem, e terminar com uma recitação do salmo 36 Malícia Humana e Bondade Divina.
  • A pessoa acometida do transtorno deve realizar sua liturgia individual (diária) e coletiva (semanal) durante sete semanas sem falta e realizar atos de caridade durante sete dias.

20 – Transtorno Sacerdotal: O sacerdote do Alvissarismo (Advogado de Cristo) sofre com as tentações dos orixás das trevas denominados Mula sem Cabeça, que é o espírito das trevas que tem como propósito destruir o sacerdócio do Advogado de Cristo, levando-o a se afastar do Código Moral do Alvissarismo e, em casos extremos, abdicar do de seu ministério, e Cumacanga, que é o espírito destruidor de sacerdócios, que instiga a quebra da castidade e/ou adultério.

Tratamento: O tratamento do transtorno sacerdotal é realizado em parte pelo Sacerdote Alvissarista (Advogado de Cristo) e em parte pela pessoa que padece do transtorno.

  • O Advogado de Cristo deve realizar sete seções de oração e imposição de mãos (passe) no local do corpo que é atingido pelo transtorno. A oração a ser realizada é o Credo Alvissarista, o Divino Espírito Santo, o pai Nosso, a Ave Maria e a oração do Anjo da Guarda, pedindo a este que abençoe um copo com água com o fogo do Espírito Santo (Angra) e o fogo da espada de São Miguel Arcanjo e depois a pessoa deve bebê-lo até a última gota. Cada seção deve começar com uma recitação do salmo 119 Elogio da Lei Divina, e terminar com uma recitação do salmo 125 Confiança em Deus em Tempo de Opressão.
  • A pessoa acometida do transtorno deve realizar sua liturgia individual (diária) e coletiva (semanal) durante sete semanas sem falta e fazer análise para saber de fato o que realmente quer.

21 – Transtorno de Natalidade: O transtorno de natalidade é um transtorno que não atinge especificamente um indivíduo, mas sim o planeta inteiro. O orixá das trevas que causa o transtorno de natalidade é o Cumacanga, que promove a quebra dos limites de natalidade no planeta, levando-o à treva alimentícia e econômica.

Tratamento: O tratamento do transtorno de natalidade é realizado em parte pelo Sacerdote Alvissarista (Advogado de Cristo) e em parte pela pessoa que padece do transtorno.

  • O Advogado de Cristo deve realizar sete seções de oração e imposição de mãos (passe) no local do corpo que é atingido pelo transtorno. A oração a ser realizada é o Credo Alvissarista, o Divino Espírito Santo, o pai Nosso, a Ave Maria e a oração do Anjo da Guarda, pedindo a este que abençoe um copo com água com o fogo do Espírito Santo (Angra) e o fogo da espada de São Miguel Arcanjo e depois a pessoa deve bebê-lo até a última gota. Cada seção deve começar com uma recitação do salmo 2 O Triunfo do Messias, e terminar com uma recitação do salmo 110 Triunfo do Messias, Rei e Sacerdote.
  • A pessoa acometida do transtorno deve realizar sua liturgia individual (diária) e coletiva (semanal) durante sete semanas sem falta e realizar um celibato de sete dias.

22 – Transtorno da Fauna: O transtorno da fauna acomete pessoas e grupos que que promovem a destruição da fauna, que matam animais sem que este ato seja para fins alimentícios ou para fins de autodefesa, mas tão somente por crueldade, que prendem pássaros e outros animais em cativeiros sem a devida aprovação do IBAMA, que de todas as formas maltrata os animais, quaisquer que sejam por pura maldade. No Alvissarismo o orixá das trevas que causa o transtorno da fauna é denominado de Guajara, que é o espírito destruidor de animais domésticos e viajantes que passam perto dos mangues.

Tratamento: O tratamento do transtorno de natalidade é realizado em parte pelo Sacerdote Alvissarista (Advogado de Cristo) e em parte pela pessoa que padece do transtorno.

  • O Advogado de Cristo deve realizar sete seções de oração e imposição de mãos (passe) no local do corpo que é atingido pelo transtorno. A oração a ser realizada é o Credo Alvissarista, o Divino Espírito Santo, o pai Nosso, a Ave Maria e a oração do Anjo da Guarda, pedindo a este que abençoe um copo com água com o fogo do Espírito Santo (Angra) e o fogo da espada de São Miguel Arcanjo e depois a pessoa deve bebê-lo até a última gota. Cada seção deve começar com uma recitação do salmo 2 O Triunfo do Messias, e terminar com uma recitação do salmo 110 Triunfo do Messias, Rei e Sacerdote.
  • A pessoa acometida do transtorno deve realizar sua liturgia individual (diária) e coletiva (semanal) durante sete semanas sem falta e tratar de animais de rua durante sete dias.

23- Transtorno Acidental: este transtorno em geral atinge viajantes, taxistas, caminhoneiros e motoristas que vivem nas estradas, provocando acidentes e atropelamentos através de abuso de velocidade, ausência do cinto de segurança e transgressão das leis de transito, em suma, através da irresponsabilidade do viajante. No Alvissarismo o orixá das trevas que causa o transtorno acidental é denominado de A Porca e os Sete Leitões, que são espíritos destruidores das vidas dos viajantes, motoristas, taxistas e caminhoneiros que vivem nas estradas, instigando-os ao acidente e ao atropelamento através da irresponsabilidade e da transgressão das leis de transito, como beber e dirigir, ultrapassar a velocidade permitida na via, realizar ultrapassagens proibidas e etc.

Tratamento: O tratamento do transtorno acidental é realizado em parte pelo Sacerdote Alvissarista (Advogado de Cristo) e em parte pela pessoa que padece do transtorno.

  • O Advogado de Cristo deve realizar sete seções de oração e imposição de mãos (passe) no local do corpo que é atingido pelo transtorno. A oração a ser realizada é o Credo Alvissarista, o Divino Espírito Santo, o pai Nosso, a Ave Maria e a oração do Anjo da Guarda, pedindo a este que abençoe um copo com água com o fogo do Espírito Santo (Angra) e o fogo da espada de São Miguel Arcanjo e depois a pessoa deve bebê-lo até a última gota. Cada seção deve começar com uma recitação do salmo 27 Confiança do Justo em Perigo, e terminar com uma recitação do salmo 69 Oração do Justo Aflito.
  • A pessoa acometida do transtorno deve realizar sua liturgia individual (diária) e coletiva (semanal) durante sete semanas sem falta e tratar de animais de rua durante sete dias.

24 – Transtorno Alucinatório: A pessoa vê e/ou ouve pessoas mortas, monstros, animais, demônios, orixás malignos, entre outras entidades espirituais que as outras pessoas em geral não podem ver, salvo as pessoas que possuem o dom do discernimento de espíritos e a mediunidade da vidência e/ou audiência de espíritos. O transtorno alucinatório não se confunde com a aluminação patológica vivenciada na psicose ou na neurose aguda, apesar de a fronteira entre o transtorno alucinatório e a alucinação ser uma linha tênue.

“Define-se alucinação como a percepção de um objeto, sem que este esteja presente, sem o estimulo sensorial receptivo. Há, aqui, certa dificuldade conceitual. Se a percepção é um fenômeno sensorial que obrigatoriamente inclui um objeto estimulante (as formas de uma bola, o ruído de uma voz, o odor de uma substância química) e um sujeito receptor, como pode-se falar em percepção sem objeto? Entretanto, a clínica registra indivíduos que percebem perfeitamente uma voz ou uma imagem, com todas as características de uma percepção normal, corriqueira, sem a presença real do objeto […] Alucinação é a percepção clara definida de um objeto (voz, ruído, imagem) sem a presença do objeto estimulante real. Alguns autores chamam de alucinações verdadeiras aquelas que tem todas as características de uma imagem perceptiva real (nitidez, corporeidade, projeção no espaço exterior, constância) […] Embora as alucinações sejam mais comuns em indivíduos com transtornos mentais graves, podem ocorrer em pessoas que não os apresentem. Um estudo de Tien (1991) revelou que alucinações de qualquer tipo ocorrem na população normal com a incidência anual de 4 a 5 %, sendo as visuais mais comuns que as auditivas. Dessa forma, indivíduos sem transtornos mentais podem ter visões ou ouvir vozes sobretudo de parentes próximos já mortos, devido ao desejo intenso de reencontrá-los”. (Dalgalarrondo; 2008. p. 124) citando (Behrendt; Young, 2004).

Como então distinguir o transtorno alucinatório, onde as pessoas veem e ouvem pessoas mortas, monstros, orixás malignos e demônios, com a alucinação patológica descrita anteriormente por Dalgalarrondo? Bem, não recorreremos aqui á teoria da alucinação proposta por Alan Kardec em O Livro dos Médiuns por nos parecer pouco convincente aos materialistas e sem condições reais de distinguir a exata fronteira entre o Transtorno alucinatório e a alucinação patológica. Este é o ponto mais nevrálgico e mais difícil de nossa investigação filosófica, mas chegaremos a um instrumento lógico que tenha condições de delimitar a fronteira entre a mediunidade e a alucinação; este instrumento lógico é a lógica paraconsistente.

Adendo: Este tipo de fenômeno ou transtorno alucinatório que se manifesta como visualização, audição, sensação, cheiro ou gosto de elementos espirituais só pode ser validado em caso de certeza absoluta de que a pessoa em questão não sofre de nenhum tipo de psicose ou neurose aguda, posto que neste caso, este tipo de fenômeno é muito comum em pacientes psicóticos e neuróticos sofrendo de uma histeria, obsessão ou fobia. É aqui que entra a lógica paraconsistente de Newton da Costa, ou seja, o sujeito vivencia um fenômeno (alucinação) que é típica da psicose e da neurose histérica, obsessiva e fóbica (porém a alucinação na neurose tem a característica teatral ausente na psicose), mas não é um psicótico e nem um neurótico sofrendo de uma histeria, uma obsessão ou fobia. Como resolver a contradição? Na verdade a própria contradição ou paradoxo já aponta para o fato de que o fenômeno não é natural, mas sim sobrenatural, ou seja, a contradição manifesta a verdade de que se trata de um transtorno alucinatório e não de uma alucinação patológica. Deste modo, o transtorno alucinatório será um fenômeno espiritual se, e somente se, o paciente não sofrer de nenhum tipo de psicose ou neurose histérica, obsessiva ou fóbica, sendo um sujeito de estrutura psíquica neurótica, porém sem nenhum quadro patológico, como é o caso de Chico Xavier e Pedro Siqueira.

Tratamento: O tratamento do transtorno alucinatório é realizado em parte pelo Sacerdote Alvissarista (Advogado de Cristo) e em parte pela pessoa que padece do transtorno.

  • O Advogado de Cristo deve realizar sete seções de oração e imposição de mãos (passe) no local do corpo que é atingido pelo transtorno. A oração a ser realizada é o Credo Alvissarista, o Divino Espírito Santo, o pai Nosso, a Ave Maria e a oração do Anjo da Guarda, pedindo a este que abençoe um copo com água com o fogo do Espírito Santo (Angra) e o fogo da espada de São Miguel Arcanjo e depois a pessoa deve bebê-lo até a última gota. Cada seção deve começar com uma recitação do salmo 15 Na intimidade com Deus, e terminar com uma recitação do salmo 42 A Alma Sedenta de Deus.
  • A pessoa acometida do transtorno deve realizar sua liturgia individual (diária) e coletiva (semanal) durante sete semanas sem falta e tratar de animais de rua durante sete dias.