O Objeto do Jornalismo

Qual o objeto do jornalismo? Ora, o objeto do jornalismo é o mesmo objeto da Lógica, ou seja, a Verdade. A verdade e a falsidade são um processo dialético. O que é verdadeiro hoje pode se tornar falso amanhã, e o que é falso hoje pode se tornar verdadeiro amanhã. A verdade e a falsidade não são fixas. O processo dialético da verdade e da falsidade é movido por uma contradição inerente a todas as coisas. A contradição é a base fundamental de toda transformação. Sem contradição não há transformação. Se a contradição não fosse a base primordial de toda transformação, nada mudaria no universo, tudo permaneceria intacto e fixo.

Tudo no mundo nasce, morre e renasce. Esse é o princípio da transformação e do processo dialético da existência formado por Tese, Antítese e Síntese. Porém, não é possível prever se depois de um nascimento virá outro nascimento, uma morte ou um renascimento, o que é possível saber é que não são possíveis trocas diretas entre o nascimento e a morte sem antes perpassar pelo renascimento, ou seja, ao contrário do que pensara Hegel (1770-1831), não são possíveis trocas diretas entre a Tese e a Antítese sem antes perpassar pela Síntese.

A proposição é uma combinação de significantes, e por isso ela é articulada. Os fatos em si não possuem o menor sentido, o que dá sentido aos fatos são as proposições; porém, nem toda proposição é dotada de sentido, pois nem toda proposição é capaz de dar significação aos fatos.

O pensamento é organizado como uma cadeia de significantes. O conjunto total dos significantes é a linguagem. A Filosofia Alvissarista é uma crítica da linguagem baseada em sua própria origem.

A proposição não é uma figuração da realidade, como pensava Wittgenestein, mas sim uma figuração do real. A proposição é um modelo imperfeito do mundo real, porque ela não consegue modelar a totalidade do mundo real. A proposição é em si própria a estrutura da realidade que tenta expressar o mundo real em sua totalidade, mas sua tentativa é sempre frustrada pelos limites da linguagem, que são os limites de sua origem.

A proposição é uma forma de simbolizar o real, mas o simbólico nunca atinge a totalidade do real, justamente porque o real é aquilo que não pode ser simbolizado em sua totalidade.

Nem todo fato pode ser afigurado, pois a proposição não pode atingir a totalidade do real. A proposição é a estrutura simbólica da realidade que tenta dar sentido ao mundo real.

A proposição mostra seu sentido ao afigurar uma ordem nos fatos reais. Se a proposição não consegue afigurar uma determinada ordem nos fatos reais, então ela é sem sentido. O real não pode ser completamente descrito pela proposição, e isso quer dizer: não há proposição que possa ser analisada em sua totalidade.

A proposição constrói uma realidade através do enlace com os fatos do mundo real. Uma proposição sem sentido não quer dizer de forma alguma que seja falsa, pelo contrário, a verdade se manifesta justamente em paradoxos lógicos. A verdade é quilo que repete e insiste. A verdade é um contrassenso, na medida em que é um movimento dialético baseado na contradição de opostos binários, como o Verdadeiro e o Falso.

Uma palavra não toma o lugar de uma coisa ou de um fato, mas sim o lugar de uma impressão psíquica. Não há lógica que não seja, antes, psicológica.

A verdade e a falsidade são como os dois lados de uma mesma moeda ou os dois lados de uma folha de papel, não tem como passar por uma sem perpassar pela outra, o que significa que a verdade não é um fato fixo, mas sim uma cadeia de fatos. A verdade é um processo, um paradoxo.

O princípio da contradição é limitado a determinadas situações da existência, e incompleto por não possuir um aparato lógico capaz de lidar com paradoxos existenciais, já que é perfeitamente possível que uma proposição seja verdadeira e falsa ao mesmo tempo ou que duas proposições contrárias sejam verdadeiras ao mesmo tempo tal como nos mostrou o grande matemático, lógico e filósofo brasileiro Newton da Costa (1929), e nisso consiste a existência de paradoxos lógicos na psicologia, que demonstra que um sujeito pode desejar e não desejar a mesma coisa no mesmo instante, como um conflito existencial que pode ser do tipo aproximação-afastamento, aproximação-aproximação, afastamento-afastamento; na filosofia, como as antinomias da razão pura descobertas por Kant (o mundo tem um começo no tempo e é também limitado no espaço, ou, o mundo não tem nem começo nem limites no espaço, mas é infinito tanto no tempo quanto no espaço), e na lógica, como o paradoxo de Russel (1872-1970) (o conjunto de todos os conjuntos que não se contém a si próprio como membro dos conjuntos), ou na matemática, como o teorema da incompletude de Gödel (1906-1978) (sempre há em uma teoria consistente proposições verdadeiras que não podem ser demonstradas nem negadas, isto é, uma teoria pode provar sua consistência somente se for inconsistente).

As ciências naturais não são a totalidade das proposições verdadeiras, como pensava Wittgenstein, mas sim a totalidade das proposições falseáveis, como nos mostrou Popper (1902-1994). Científico não é sinônimo de proposição verdadeira, mas sim sinônimo de proposição falseável. Pois, como vos disse a verdade não é um ponto fixo, mas sim um processo.  A ciência é constituída por juízos estritamente sintéticos e a insciência constituída por juízos estritamente analíticos.

A questão é que os juízos analíticos são capazes de recuperar um resto da verdade real através de um retorno na realidade simbólica e imaginária. Ora, os juízos analíticos são constituídos por um eterno retorno do sujeito no predicado, e justamente por isso são absolutamente verdadeiros e necessários. Essa é a causa de o Alvissarismo ter fundamentado a filosofia e a moral através de juízos analíticos e não sintéticos, como quis Kant, já que, como sabemos, é absolutamente possível construir juízos sintéticos falsos, já que na síntese não há qualquer espécie de retorno do real no simbólico e/ou no imaginário, ou seja, nos juízos sintéticos não há qualquer espécie de retorno do sujeito no predicado, porém, apesar de ser absolutamente possível estruturar juízos sintéticos falsos, a falsidade em si não é uma necessidade dos juízos sintéticos, de modo que eles também podem ser verdadeiros, ou seja, os juízos sintéticos são estritamente problemáticos, na medida em que podem ser verdadeiros ou falsos, enquanto que os juízos analíticos são necessariamente verdadeiros, não podendo em circunstancia alguma ser falso. Portanto, sendo a ciência (Física, Química, Biologia e Geologia) estruturada por juízos sintéticos e a insciência (Filosofia, Religião, Arte e Ética) estruturada por juízos analíticos, sabemos de antemão que a ciência pode ser falsa ou verdadeira enquanto a insciência só pode ser verdadeira. As tautologias das proposições filosóficas, religiosas, estéticas e éticas demonstram que a insciência é estruturada em um eterno retorno do sujeito no predicado, e, apesar de parecer um conhecimento vazio ou sem sentido lógico, estrutura em si mesmo a manifestação da verdade, pois a verdade é aquilo que repete e insiste.

É por isso que toda vez que surge um novo sistema filosófico, temos a sensação de que ele nada diz de novo, já que a filosofia é um fenômeno que se manifesta através da repetição tautológica, isto é, da releitura de outras filosofias anteriores, de modo que todas elas parecem dizer de algum modo a mesma coisa, isso acontece porque a filosofia é estruturada através de juízos que são estritamente analíticos. Portanto, que fique bem claro que nós não estamos dizendo que a ciência produz um saber falso, mas sim que ela pode produzi-lo, já que a ciência não é necessariamente nem verdadeira nem falsa, ou seja, científico não é sinônimo de juízo verdadeiro ou falso, mas sim sinônimo de juízo hipotético e problemático, ou seja, a ciência é constituída por juízos onde o predicado exprime uma consequência hipotética em relação ao sujeito, onde o predicado admite a afirmação ou a negação do sujeito como meramente possível, a previsibilidade da ciência é uma falácia, pois, a proposição: “o mundo continuará a existir amanhã”, é uma hipótese problemática, e isto quer dizer: não temos condições de saber de modo assertórico e apodítico se o mundo de fato continuará a existir amanhã, em outras palavras, os juízos científicos podem ser tanto falsos quanto verdadeiros, enquanto que, por outro lado, os juízos filosóficos, religiosos, estéticos e éticos são necessariamente verdadeiros, não podendo haver neles qualquer possibilidade de falsidade.

Um dos aspectos do “Eterno Retorno” de Nietzsche (1844-1900) diz respeito aos ciclos repetitivos da história da humanidade, já que o homem está nitidamente preso a um número limitado de fatos históricos que se repetiram no passado, ocorrem no presente e se repetirão no futuro, o mesmo sucede com a filosofia, a religião, a arte e a ética.

Para nós, a tautologia aparente nos juízos analíticos, estrutura a manifestação da cópula entre dois significantes e fundamenta o retorno da verdade no saber, ou seja, o retorno do objeto real (mundo) no objeto simbólico e/ou imaginário (linguagem), em outras palavras, o retorno do sujeito no predicado através de analogias e paradoxos lógicos como o gato de Schrödinger, por exemplo, que demonstra através de um experimento imaginário o paradoxo de um gato que está simultaneamente vivo e morto. É com base nesse tipo de paradoxo existencial que podemos perceber o retorno do real no simbólico e/ou no imaginário, retorno esse que é a própria manifestação da verdade que a ciência jamais terá condições de afirmar ou negar. O experimento do gato de Schroedinger demonstra que a hipótese da imortalidade da alma é improvável, mas não é impossível, pois, se é um fato que existe morte após a vida, como então poderia não existir vida após a morte? As proposições filosóficas, religiosas, lógicas, estéticas e éticas são improváveis, mas não são impossíveis.

A Epistemologia Alvissarista é uma filosofia da psicologia. Ou seja, ela trata daquilo que é psicologicamente possível ou impossível conhecer assim como daquilo que é psicologicamente provável ou improvável. Sua função é delimitar os limites do conhecimento com base na origem da linguagem, delimitando aquilo que é dizível e aquilo que é indizível.

Baseando-nos no exemplo de Wittgenstein, suponhamos que haja, numa urna, o mesmo número de bolas brancas e pretas (e nenhuma outra). Retiramos uma bola após a outra e voltamos a coloca-la na urna. Através dessa experiência, podemos estabelecer que, com o processo das retiradas, o número de bolas pretas e brancas se aproxima sucessivamente. Desse modo, torna-se tão provável que nós retiremos uma bola branca quanto uma bola preta. Isso quer dizer: todas as circunstâncias que nos são conhecidas (inclusive as chamadas leis da natureza hipoteticamente aceitas) não fornece à ocorrência de um evento maior probabilidade do que a ocorrência de outro. Quer dizer, ambas são reduzidas a no máximo 50% de sua possibilidade.

A desatenção de Wittgenstein nesse exemplo se dá pelo fato de ele não ter percebido que, justamente no instante em que nós retiramos uma das bolas da urna (ou seja, no momento de suspensão em que estamos com a bola nas mãos, mas ainda não a colocamos de volta na urna), o nosso conhecimento se eleva a 75%, pois nesse momento nós sabemos de antemão que há menos uma bola na urna, e é justamente esse (-1) que representa a experiência mística estruturada pelo sentimento e pela revelação. Ou seja, o sentimento e a revelação aumentam o nosso conhecimento em 25%. Podendo o homem conhecer até 75% da verdade da existência, sendo os 25% restante absolutamente indizível do ponto de vista teórico e somente possível do ponto de vista da prática moral.

A filosofia tem por dever ir até o extremo do dizível e, quando chegar a esse ponto, deve-se calar e passar a palavra à religião, isto é, ao que é místico. O método correto em religião é propriamente dizer sobre tudo aquilo que não pode ser dito pela filosofia, isto é, proposições metafísicas, porém, reconhecendo que todas as proposições a seu respeito estão para a ordem da fé e não da razão. A função da religião é justamente falar sobre aquilo que a filosofia deve-se calar, porém, admitindo que todas as suas proposições são hipotéticas e problemáticas e jamais possuirão caráter assertórico e apodítico. A verdadeira religião é aquela que, amparada à filosofia, é capaz de, humildemente, reconhecer os seus próprios limites. A verdadeira religião é aquela que fala sobre tudo aquilo que a filosofia se cala, porém, reconhecendo que toda a sua fala é absolutamente vazia de significado. A metafísica não é uma questão para a filosofia, mas sim para a religião. Toda filosofia ou religião que não reconhece os seus próprios limites é fanática e dogmática, e, por isso, extremamente danosa a toda humanidade. A função da filosofia é essencialmente crítica, ou seja, seu objetivo deve ser justamente descobrir os limites do dizível. E a função da religião é justamente aceitar humildemente os limites descobertos pela filosofia e expor as suas proposições metafísicas como estando além desses limites. É preciso, por assim dizer, não jogar a escada fora depois de ter subido por ela, como quis Wittgenstein, mas sim reconhecer que ela não é capaz de nos levar até o topo.

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