Psicose Social: Teorias da Conspiração

No Livro Psicose Social: Teorias da Conspiração mostramos que Antônio Quinet em seu livro Na mira do Outro: a paranoia e seus fenômenos nos explica o seguinte:

“Os paranoicos estão entre nós. A paranoia, apesar de ausente dos manuais de diagnóstico da psiquiatria atual, não deixou de existir. Para a psicanálise, trata-se de homens e mulheres que têm um tipo de psicose frequentemente encontrada não só nos hospitais psiquiátricos e nos consultórios de analistas, como também na vida cotidiana. Há, aliás, uma razão paranoica. O paranoico é fundamentalmente um interprete, que em tudo vê sinais que se referem a sua pessoa. O acaso, que ele contesta, conspira contra ele. Nada acontece por acaso, tudo adquire sentido, e esse sentido se refere a ele. Freud a chamava psicose intelectual, podendo se apresentar com discretos fenômenos de interpretações delirantes e mesmo grandes construções fantásticas e megalomaníacas de redenção do mundo, e a descreveu de acordo com três formas clássica: o delírio de perseguição, a erotomania, o delírio de ciúmes. Em todas elas, o paranoico elege um Outro do qual é um objeto especial: o perseguidor, aquele que o ama e aquele que o trai. Eis a sua lógica gramatical: na mira do Outro, na ira do Outro, o sujeito é objeto. Não se trata, portanto, de uma psicose que não faz sentido, como na dissociação esquizofrênica, na qual impera o non sens. A paranoia, ao contrário, é o império do sentido, de um sentido que, no fim das contas, dirige-se contra o sujeito. Daí o paranoico ser, antes de tudo, autorreferente, o que prejudica enormemente sua relação com os outros. Seu narcisismo é absoluto. Não admite o erro e a falta, e daí a enfatuação que lhe é característica, sua presunção que chega ao delírio de grandeza. O aspecto megalomaníaco está presente em todas as suas formas, pois o sujeito se acha o centro do mundo, o centro dos olhares: todos o miram, todos falam dele, todos o odeiam ou o amam. A traição é iminente, há espiões por todo lado. É preciso ser vigilante. Não raro há paranoicos entre os fundadores de seitas, religiões e grupos partidários, cuja organização se dá em torno de um líder carismático que, com suas certezas e poder de persuasão, conseguem fazer muitas pessoas admirarem suas ideias. Para convencê-las, partem de interpretações do mundo por vezes verossímeis e chegam a conclusões delirantes. Sua convicção seduz o neurótico, sempre insatisfeito, em eterna busca de respostas para suas questões sobre a existência, a morte e o sexo. Contudo, ao se sentir ameaçado, o paranoico parte para se proteger do outro ou, então, exterminá-lo, seja com expurgos, seja literalmente, em uma passagem ao ato agressivo. Pode também se dirigir ao psicanalista ou ao psiquiatra para fazê-lo testemunhar as agruras que o Outro o faz sofrer. É aí que algo pode ser feito no nível subjetivo para mobilizar e implicar o sujeito no delírio com o qual reconstrói o mundo. Atualmente em nossa sociedade comandada pela vigilância do olhar e do espetáculo, assim como pelo ideal da transparência, a razão paranoica se expressa no cogito “sou visto, logo existo”, fazendo de cada sujeito um observador observado pela televisão do Outro. “Sorria, você está sendo filmado”. (Quinet, A; 2002. p. 6 a 7).

O que Antônio Quinet acaba de nos esclarecer não é somente as formas estruturais da psicose paranoica, mas sim as estruturas formais de nossa sociedade pós-moderna que nos fornece as bases para sistematizarmos a teoria de uma psicose social, que não pretende afirmar que todas as pessoas da sociedade pós-moderna são psicóticas paranoicas, mas sim que a própria sociedade pós-moderna se estruturou através de uma psicose paranoica. O surgimento das redes sociais como Face Book, Twitter, Instagram e principalmente de reality shows, tais como Big Brother e outros como A Fazenda provam a nossa tese, onde o sujeito está o tempo todo a ser filmado, observado e perseguido por outros competidores pelo premio de milhões em dinheiro, e onde todos os participantes são narcisistas por natureza e o aspecto megalomaníaco está presente em todas as suas formas, pois o sujeito se acha o centro do mundo (jogo), o centro dos olhares: todos o miram, todos falam dele, todos o odeiam ou o amam. A traição é iminente, há espiões por todo lado no jogo. É preciso ser vigilante. Em todo reality show, tal como Big Brother e outros do mesmo gênero, o participante é um “paranoico” que elege um Outro do qual é um objeto especial: o perseguidor, aquele que o ama e aquele que o trai. Eis a sua lógica da psicose social expressa num reality show, tal como Big Brother e outros do mesmo gênero, como A Fazenda: o participante está o tempo todo na mira do Outro, na ira do Outro. Não se trata, portanto, de uma psicose social que não faz sentido. A paranoia social, ao contrário, é o império do sentido, de um sentido que, no fim das contas, dirige-se contra o sujeito participante do reality show. Daí o participante de reality show ser, antes de tudo, autorreferente assim como o paranoico, o que prejudica enormemente sua relação com os outros participantes e produz fofoca, intriga, maledicência e briga entre eles. O fenômeno social do nascimento dos realities shows é a prova cabal de que a sociedade pós-moderna pode ser definida como uma sociedade que sofre de uma psicose social.

Quienet também nos aponta um fato interessante, que o de “Não raro há paranoicos entre os fundadores de seitas, religiões e grupos partidários, cuja organização se dá em torno de um líder carismático que, com suas certezas e poder de persuasão, conseguem fazer muitas pessoas admirarem suas ideias”. No Brasil nós temos um exemplo clássico deste fenômeno; o personagem autointitulado Inri Cristo é o mais famoso deles. Este é um caso clássico de paranoia de um sujeito que, afirmando ser a reencarnação de Jesus Cristo, conseguiu criar uma seita religiosa e atraiu para si um bocado de neuróticos fascinados. É importante notar o fator cultural que está por trás deste tipo de fenômeno na psicose. Inri Cristo se diz a reencarnação de Jesus Cristo porque nasceu no Brasil, onde todos, querendo ou não, já nascem cristãos. Se Álvaro (nome verdadeiro de Inri Cristo) tivesse nascido no Iraque, provavelmente ele seria a reencarnação de Maomé; se tivesse nascido no Tibete, ele provavelmente seria a reencarnação de Buda, e assim sucessivamente. Em Israel há centenas de casos desse tipo, aonde paranoicos vão aos montes sagrados e se dizem ser a encarnação do Messias tão esperado pelos Judeus há milênios. Este fenômeno é conhecido em psicopatologia como delírio místico-religioso.

“O indivíduo afirma ser (ou estar em comunhão permanente com, receber mensagens ou ordens de) um novo messias, um Deus, Jesus, um santo poderoso ou, até, um demônio. Essas são temáticas delirantes frequentes em nosso meio. O paciente sente que tem poderes místicos, que entrou em contato com Nossa Senhora, com o Espírito Santo ou com o demônio, que tem missão mística ou religiosa importante neste mundo, que é portador de uma mensagem religiosa fundamental. Os delírios religiosos frequentemente apresentam aspecto grandioso, enfatizando a própria importância do sujeito que delira. Os delírios místico-religiosos podem ocorrer em quase todas as formas de psicose, predominando, porém, na mania delirante e na esquizofrenia”. (Dalgalarrondo, P; 2008. p. 220).

Então isso quer dizer que Jesus, Buda e Maomé que tiveram missão místico-religiosa importante para o mundo, e que eram portadores de uma mensagem religiosa fundamental para a humanidade eram psicóticos? Ou então Chico Xavier, que dizia receber mensagens de espíritos, e Pedro Siqueira, que diz ter contato direto com os santos, os anjos e Nossa Senhora eram psicóticos? Não, de modo algum; pois a experiência do delírio místico religioso está vinculada a ideação de um transtorno mental e tem as características descritivas de um verdadeiro delírio (como discurso bizarro e sem estilo original, perseguição, mania de grandeza e alucinações corporais, no caso da esquizofrenia) e o estilo de vida do sujeito, o comportamento e as relações sociais são absolutamente consistentes com o transtorno psicótico e não com a experiência de um neurótico que realmente tem uma missão místico-religiosa para o mundo, e possui uma mensagem religiosa fundamental, como é o caso de Jesus, Buda e Maomé; ou então Chico Xavier, que dizia receber mensagens de espíritos, e Pedro Siqueira, que diz ter contato direto com os santos, os anjos e Nossa Senhora. Em todos esses casos não há na personalidade e nem no discurso qualquer traço de psicose. Jesus ensinava por meio de figuras de estilo chamadas parábolas, Buda e Maomé ensinavam por meio de metáforas e metonímias. Os Livros Sagrados (Bíblia, Tripitaka e Corão) possuem uma linguagem original de uma beleza estética que é impossível à condição estrutural de um psicótico. E quanto a Chico Xavier e Pedro Siqueira, ambos possuíam um discurso absolutamente coerente, cheio de estilo e originalidade, e tinham um estilo de vida absolutamente incompatível com o de um psicótico. Portanto, o delírio místico-religioso, que é uma condição da psicose, é absolutamente diferente de um sujeito neurótico com uma verdadeira missão misto-religiosa que tem uma mensagem fundamental para a humanidade, bem como é absolutamente diferente de um sujeito sem qualquer traço de psicose que de fato possui o dom de se comunicar com os mortos, santos, anjos, Nossa Senhora e até demônios.

O outro fenômeno social que corrobora nossa tese de que nossa sociedade sofre de uma psicose social são as Teorias da Conspiração tão em voga nos últimos tempos, cujas características são as mesmas da psicose paranoia, ou seja, o delírio de perseguição, a erotomania e o delírio de ciúmes.

Apesar de as teorias da conspiração ser um fenômeno remoto na história da civilização, a massificação e ampliação dessas diversas teorias da conspiração é um fenômeno recente que deve ser devidamente analisado, pois diz muito sobre a nossa sociedade atual.

Dicionário de Inglês Oxford define teoria da conspiração como “a teoria de que um evento ou fenômeno ocorre como resultado de uma conspiração entre as partes interessadas; spec. uma crença de que alguma agência secreta, porém influente — tipicamente motivada por questões políticas e opressiva em seus propósitos —, é responsável por um evento inexplicável”, e cita um artigo de 1909 publicado na revista A Revisão Histórica da América como o exemplo de uso mais antigo. Atualmente, as teorias conspiratórias estão amplamente presentes na Web na forma de blogs e vídeos de YouTube. (Wikipédia).

“Teoria da conspiração (também chamada de teoria conspiratória ou conspiracionismo) é uma hipótese explicativa ou especulativa que sugere que duas ou mais pessoas ou uma organização têm tramado para causar ou acobertar, por meio de planejamento secreto e de ação deliberada, uma situação ou evento tipicamente considerado ilegal ou prejudicial. Desde meados dos anos 1960, o termo se refere a explicações que mencionam conspirações sem fundamento, muitas vezes produzindo suposições que contrariam a compreensão predominante dos eventos históricos ou de simples fatos”. (Wikipédia).

“O historiador Richard Hofstadter abordou o papel da paranoia e do conspiracionismo ao longo da história americana em seu ensaio O Estilo Paranoico na Política Americana, publicado em 1964. O clássico As Origens Ideológicas da Revolução Americana (1967), de Bernard Bailyn, observa que um fenômeno semelhante pode ser encontrado nos EUA, durante o tempo que antecede a Revolução Americana. O conspiracionismo classifica as atitudes das pessoas, bem como o tipo de teorias conspiratórias que são mais gerais e históricas em proporção”. (Wikipédia).

Como podemos ver, não há a menor diferença entre uma teoria da conspiração e a psicose paranoica, de modo que podemos dizer sem hesitar que a massificação das teorias da conspiração em nossa sociedade atual prova que nossa sociedade pós-moderna sofre de uma psicose social. Mas o que produziu em nossa sociedade esta psicose social? Qual é a etiologia dessa psicose social e qual foi o gatilho para o seu surto delirante de teorias da conspiração?

“Freud [1911] (1976 ) postulou que haveria, na base do delírio, sobretudo no de perseguição, um processo de transformação de impulsos e desejos inaceitáveis (em especial, homossexuais) ao sujeito consciente que se expressaria como delírios persecutórios (Simanke, 1994). Seu modelo básico foi uma cadeia de três enunciados que se sucederiam:

1º Eu (um homem) amo aquele homem (conteúdo básico inconsciente).

2º Eu odeio aquele homem (inversão afetiva inconsciente de amor em ódio).

3º Aquele homem me odeia (projeção, também inconsciente, de impulsos inconsciente sobre objetos externos ao Eu, gerando conteúdo consciente, agora aceitável). A chamada teoria da hostilidade (Swanson;Bohnert; Smith, 1970) postula que ocorrem os dois últimos passos da fórmula freudiana. Assim, sujeitos delirantes paranoides projetariam inconscientemente seu ódio ou hostilidade intensos nos outros e passariam a sentir que estes os odeiam e querem destruí-los. Uma variante desta formulação foi feita por Sullivan (1965)em sua teoria da humilhação, a qual postula que a projeção de auto acusações em outros, sobretudo quando o sujeito transfere a acusação de inferioridade pessoal para fora de seu Eu (não é mais o paciente que se acusa de inferioridade, são os outros que o acusam), é componente importante do desenvolvimento da ideação delirante de perseguição. Posteriormente, a escola inglesa (Melanie Klein, Bion, Rosenfeld)  propôs que, já entre as crianças pequenas, as fantasias agressivas conduziriam ao medo intenso da retaliação (Hinshelwood, 1992). Tal medo reforça a ansiedade que, por sua vez, incrementa as fantasias agressivas (circulo vicioso dominado pela pulsão de morte). Há também, no psiquismo infantil (que se mantêm, em parte, nos adultos), a cisão dos objetos internos em maus e persecutórios, por um lado, e bons e protetores por outro. Na psicose, nos quadros paranoides, o delírio adviria da projeção inconsciente maciça tanto das fantasias agressivas como dos objetos maus persecutórios em pessoas reais do meio externo. Finalmente, Lacan (1985) formulou que o delírio implicaria a tentativa de auto cura. O sujeito psicótico apresentaria um mecanismo de rechaço ou eliminação radical de elementos essenciais à constituição do psiquismo (especificamente de sua dimensão simbólica), o qual Lacan denominou foraclusão. Ao excluir do psiquismo, por exemplo, a construção simbólica de paternidade – o Nome-do-Pai (como elemento simbólico essencial) – surge um vazio avassalador que o sujeito psicótico busca preencher por meio de construções delirantes substitutivas”. (Dagalarrondo, P; 2008. p. 224 a 225).

Deste modo, as diversas teorias da conspiração seriam como uma tentativa da sociedade de se auto curar e salvar a si mesma. Mas salvar-se de que? Para nós outros isso é muito claro: as teorias da conspiração são delírios de uma sociedade psicótica que busca salvar-se de si mesma. Muitos ambientalistas dizem: “devemos salvar o planeta”. Não, estão enganados, pois eu vos digo, devemos salvar a nós mesmos, pois o planeta salva-se a si próprio, e continuará a existir mesmo que a raça humana seja extinta da terra. A sociedade psicótica se caracteriza pelo homem que busca, através de teorias conspiratórias delirantes, salvar a si próprio de seus impulsos autodestrutivos, que basicamente se manifesta através da completa destruição e devastação do meio ambiente e da natureza. Para nós, na base das teorias da conspiração está o delírio, sobretudo o delírio de perseguição, que se forma através de impulsos e desejos de ganância, ambição, avareza, ira, inveja, soberba, vaidade, egoísmo e orgulho (não reconhecidos pela humanidade) que se expressa como teorias conspiratórias.

1º Eu (um homem sou parte da natureza) amo a natureza (conteúdo básico inconsciente).

2º Eu odeio a natureza (inversão afetiva de amor em ódio).

3º A natureza me odeia (projeção, também inconsciente, de impulsos inconscientes sobre objetos externos ao Eu, gerando conteúdo consciente agora aceitável).

Ocorrendo os passos da fórmula descrita anteriormente, as teorias conspiratórias projetam inconscientemente seu ódio e hostilidade na natureza e passam a sentir que esta os odeia e quer destruir a humanidade. Até o presente momento da história da humanidade, vivenciamos apenas as duas primeiras fórmulas citadas anteriormente, posto que a natureza ainda não se rebelou completamente contra a humanidade. O homem primitivo, os índios do nosso Brasil antes de Portugal se apoderar dessas terras, amavam a natureza porque eram parte dela e tinham consciência disso. Depois o homem passou a odiar a natureza, vivenciando o fenômeno da inversão do amor em ódio. Só falta agora a natureza se revoltar e odiar o homem, e isto não vai demorar a acontecer.

“Ao lado da esquizofrenia, a paranoia se apresenta, com Freud e Lacan, como um dos tipos clínicos da psicose. Se em ambas encontramos o mesmo mecanismo essencial, a foraclusão do Nome-do-Pai no lugar do Outro, há diferenças clínicas fundamentais que clamam por uma distinção mais estrutural. Enquanto na esquizofrenia predominam os distúrbios de associação (Bleuler), na paranoia destacam-se as interpretações (Sérieux e Capgras). (Quinet, A; 2002. p. 11)

A questão agora é saber qual foi o momento ou acontecimento histórico em que a humanidade foracluiu o Nome-do-Pai no lugar do Outro e se instalou na sociedade uma psicose. Bem, se sabemos que um artigo de 1909 publicado na revista A Revisão Histórica da América é o exemplo de uso mais antigo da história recente de uma teoria da conspiração, então devemos analisar o que gerou na história da humanidade a foraclusão do Nome-do-pai que engatilhou em 1909 o primeiro surto moderno de teorias da conspiração promovido pela Revisão Histórica da América que vemos hoje em todo o mundo e em especial nos EUA.

Façamos, portanto, uma interpretação psicanalítica do processo histórico-ecológico para encontrarmos o exato instante onde a humanidade foracluiu o Nome-do-Pai e a sociedade se estruturou como uma sociedade psicótica. No conceito lacaniano de alienação, as duas partes envolvidas, o homem e a mãe natureza (planeta terra), têm pesos muito desiguais e o homem quase que inevitavelmente perde na luta contra a natureza. No entanto, ao assujeitar-se à mãe natureza, o homem ganha algo: ele torna-se, de alguma forma, parte da mãe natureza, um sujeito da natureza ou na natureza. Representado esquematicamente, o homem, assujeitado à mãe natureza, permite que a vida a substitua.

Natureza

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Homem

No entanto, o homem não necessita ser totalmente derrotado em sua “luta” contra a natureza, podendo a psicose social ser entendida como uma forma de vitória do homem sobre a natureza, o homem abre mão de sua vida para não se sujeitar à natureza, acarretando a perda de si mesmo. Esta decisão do homem de não se assujeitar à natureza exclui a possibilidade da vida do homem na terra. A escolha da sujeição à natureza é necessária para a vida do homem na terra. Portanto, a partir do conceito lacaniano de alienação é possível entender o homem, de certa forma, como tendo foracluído a sujeição à vida através da destruição da natureza que provocou o aquecimento global, que é “o processo de aumento da temperatura média dos oceanos e do ar perto da superfície da Terra causado pelas emissões humanas de gases do efeito estufa, amplificado por respostas naturais a esta perturbação inicial, em efeitos que se autorreforçam em realimentação positiva. Esse aumento de temperatura vem ocorrendo desde meados do século XIX e deverá continuar no século XXI. Os principais gases estufa emitidos pelo homem são o dióxido de carbono e o metano, e decorrem de várias atividades humanas, especialmente a queima de combustíveis fósseis, o uso de fertilizantes e o desmatamento. Esses gases atuam obstruindo a dissipação do calor terrestre no espaço”. (Wikipédia).

A foraclusão social do Nome-do-Pai que estruturou a psicose social fora, portanto, pela revolução industrial que gerou o aquecimento global causado pelas emissões humanas de gases do efeito estufa. Este aumento da temperatura global causado pelo desrespeito do homem pela mãe natureza vem ocorrendo desde meados do século XIX, período histórico que marca “a transição de métodos de produção artesanais para a produção por máquinas, a fabricação de novos produtos químicos, novos processos de produção de ferro, maior eficiência da energia da água, o uso crescente da energia a vapor e o desenvolvimento das máquinas-ferramentas, além da substituição da madeira e de outros biocombustíveis pelo carvão. A revolução teve início na Inglaterra e em poucas décadas se espalhou para a Europa Ocidental e os Estados Unidos”. (Wikipédia).

Na verdade, o que há na existência total na relação Homem – Natureza – Nome – do – Pai, é que esse último serve como Lei e limite a fim de proibir o incesto do Homem contra a Natureza. De forma que Alvíssara como um Nome – do – Pai serve para que o homem se depare com a Lei – o Não – do – Pai, afim de não cometer o pecado do incesto contra a mãe-natureza.

Trata-se de um complexo de Édipo entre o Homem, a Natureza e o Nome – do – Pai; onde o Nome – do – Pai tem a função de separar a relação incestuosa entre o Homem e a Natureza. É dessa proibição do incesto entre o Homem e a Natureza que surge toda a possibilidade da existência humana no planeta terra.

Se hoje o homem sofre com o aquecimento global, é só porque pecou desejando incestuosamente a natureza.

Mas como Nome – do – Pai que é Alvíssara veio para colocar uma lei frente ao pecado do incesto; de forma que ela separa o Homem da Natureza ao mesmo tempo em que faz dela a sua imagem e semelhança. Portanto, amarás a Deus e a natureza como a si mesmo, essa é a Lei do Indizível e a condição da existência humana na terra. Mas então a Lei é o pecado? Não, de forma alguma; mas como conheceríeis a lei senão pelo pecado?

Apesar de a revolução industrial que gerou a foraclusão do Nome-do-Pai através do consequente aquecimento global ter se iniciado em meados do século XIX, o surto da psicose social da humanidade só veio a ocorrer pela primeira vez no século XX, em 1909, com a publicação do primeiro artigo sobre teoria da conspiração pela revista A Revisão Histórica da América, e que hoje se espalhou por todo o planeta. Houve, portanto, um período de incubação ou latência entre a foraclusão do Nome-do-pai provocada pela revolução industrial e o aquecimento global e o primeiro surto de teorias da conspiração que durou pelo menos meio século.

“De acordo com a obra Palavras do Século 20, de John Ayto, o termo “teoria da conspiração” era originalmente neutro e somente adquiriu uma conotação pejorativa em meados dos anos 1960, insinuando que o defensor da teoria possuísse uma tendência paranoica de achar que os eventos são influenciados por alguma agência secreta, maliciosa e poderosa. Em seu livro Teoria da Conspiração na América, publicado em 2013, o professor da Universidade do Estado da Flórida, Lance DeHaven-Smith, afirma que a expressão foi inventada na década de 1960 pela CIA para desacreditar teorias conspiratórias sobre o assassinato do ex-presidente norte-americano John F. Kennedy. No entanto, segundo Robert Blaskiewicz, professor assistente de pensamento crítico da Universidade de Stockton ativista cético, tais informações já existiam “desde pelo menos 1997”, mas por terem sido recentemente promovidas por DeHaven Smith, “os teóricos conspiracionistas passaram a citar seu trabalho como uma autoridade.” Blaskiewicz pesquisou o uso do termo “teoria da conspiração” e descobriu que ele sempre teve um significado depreciativo, que era usado para descrever “hipóteses extremas” e especulações implausíveis, já desde os anos 1870. Em resposta à reação acalorada sobre seu uso da expressão “teorias da conspiração” ao descrever especulações extremas a respeito do massacre de Jonestown — como as alegações de que a CIA estaria conduzindo “experimentos de controle mental” —, a professora da Universidade Estadual de San Diego, Rebecca Moore, disse: “Eles estavam com raiva porque eu havia chamado sua versão da verdade de teoria conspiratória … Em muitos aspectos, eles têm o direito de estar com raiva. O termo “teoria da conspiração” não é neutro. Ele é carregado de valores e leva consigo a condenação, a ridicularização e a rejeição. É bastante parecido com a palavra “culto” que utilizamos para descrever as religiões das quais não gostamos.” Alternativamente, Moore descreve teorias da conspiração como “conhecimento estigmatizado” ou “conhecimento suprimido”, que é baseado em uma “forte crença de que indivíduos poderosos estão limitando ou controlando o livre fluxo de informações para fins terríveis.”

A crescente onda de teorias da conspiração em todo o mundo prova que a sociedade pós-moderna é sofre de uma psicose, ou seja, de uma ruptura com a realidade que se manifesta através de delírios e alucinações. Segundo Karl Jasper (1883-1969) [1979] os delírios são juízos patologicamente falsos, como um erro do juízo que tem origem na doença mental. Na prática clínica é possível encontrar ideias delirantes típicas de paranoicos e esquizofrênicos, como por exemplo: “tenho certeza de que meus pais ou vizinhos querem me envenenar”; ou “as pessoas que trabalham em minha empresa fizeram um plano para acabar comigo, primeiro me desmoralizando, para depois me prender e torturar”; ou “eu sou a nova divindade que tem poderes para acabar com o sofrimento no mundo na hora que quiser”; ou “implantaram um chip em meu cérebro que comanda meus pensamentos”.

Analisemos, portanto, sob o olhar da psicanálise e da psicopatologia, uma lista de teorias da conspiração para estabelecermos as relações entre elas e as psicoses, em especial a paranoia e a esquizofrenia.

“Essa lista de teorias da conspiração é um conjunto de teorias não provadas mais populares relacionadas, mas não limitadas, a planos de governo clandestinos, tramas de assassinatos elaborados, supressão de tecnologia e conhecimento secretos, e outros esquemas supostamente por trás certos eventos políticos, culturais e históricos. Uma conspiração é definida por lei, como um acordo por duas ou mais pessoas para cometer um crimefraude ou outro ato doloso. Embora em sentido estrito uma teoria da conspiração é uma teoria sobre uma conspiração, o termo geralmente se refere a uma teoria que atribui a causa final de um evento ou uma cadeia de eventos (geralmente políticos, sociais, culturais ou históricos), ou a ocultação de tais causas de conhecimento público, a um plano secreto e muitas vezes enganoso por uma conspiração de poderosos ou a pessoas influentes ou organizações. O grau em que essas várias teorias são abraçadas pelos principais historiadores variam de caso para caso. Teorias conspiratórias são, portanto, uma teoria que supõe que um grupo de conspiradores está envolvido num plano e suprimiu a maior parte das provas desse mesmo plano e do seu envolvimento nele. O plano pode ser qualquer coisa, desde a manipulação de governoseconomias ou sistemas legais até a ocultação de informações científicas importantes ou assassinato. Uma teoria da conspiração é precisamente o contrário de uma teoria científica, já que não pode ser refutada: as provas que endossariam as teorias são utilizadas pelos seus defensores para provar que os conspiradores são tão perfeitos a ponto de poder camuflá-las”. (Wikipédia). 

Quinet nos aponta o seguinte:

Demonstrei em meu livro Um Olhar a Mais como o ‘fenômeno elementar de observação’ pode ser um critério diagnóstico da paranoia antes mesmo que um delírio de observação se constitua. Trata-se do ‘olhar-supereu’, um ‘olhar-sobre-mim’. O olhar do supereu, invisível para o neurótico, torna-se visível, e o sujeito se sente na mira do Outro, não consegue escapar da vigilância e da observação do Outro que o persegue. Na rua, sente que todos o olham, supõe câmeras escondidas, vizinhos vigilantes e pode chegar a nomear um perseguidor”. (Wikipédia)

O que Quinet descreve aqui é a própria estrutura elementar de toda teoria da conspiração, a forma como ela se constitui e o fenômeno que está no centro de sua criação e da sociedade pós-moderna em que vivemos atualmente, onde nas redes sociais os sujeitos buscam ser olhados, vistos pelos outro que o segue. “Me segue no Twitter”. Esta frase sintetiza a paranoia social da sociedade pós-moderna e a psicose social que se enraizou na humanidade. As Teorias da Conspiração se igualam aos delírios interpretativos, onde Dalgalarrondo (2008) no explica:

“Deve-se ressaltar que a atividade interpretativa é um mecanismo que, de forma geral, está na base constituinte de todos os delírios. Em alguns delírios, entretanto, verifica-se que sua formação deve-se quase que exclusivamente a uma distorção radical na interpretação dos fatos e vivências; tecendo o indivíduo, a partir de múltiplas interpretações dos fatos da vida, um delírio mais ou menos complexo. O delírio interpretativo geralmente respeita determinada lógica, produzindo histórias que, embora delirantes, guardam verossimilhança”. (Dalgalarrondo, P; 2008. p. 2016).

Dalgalarrondo descreve aqui a estrutura elementar delirante de toda teoria da conspiração, ou seja, a interpretação distorcida da história da humanidade. Mas a interpretação não é a única característica delirante fundamental de toda teoria da conspiração; outras duas características delirantes fundamentais de toda teoria da conspiração é o delírio de perseguição e o delírio de auto referência, que Dalgalarrondo: nos explica da seguinte forma:

“O indivíduo acredita que é vítima de um complô e está sendo perseguido por pessoas conhecidas e desconhecidas, tais como máfias, vizinhos, polícia, pais, esposa ou marido, chefe ou colegas do trabalho (ou do ambiente estudantil). Ele pensa que querem envenená-lo, prendê-lo, mata-lo, prejudica-lo no trabalho ou na escola, desmoralizá-lo, expô-lo ao ridículo ou mesmo enlouquece-lo…cabe lembrar que a perseguição é o tema mais frequente dos delírios […]Aqui o indivíduo apresenta a tendência dominante a experimentar fatos cotidianos fortuitos, objetivamente sem maiores implicações, como referentes à sua pessoa. Diz ser alvo frequente ou constante de referências depreciativas, caluniosas. Ao passar diante de um bar e ver as pessoas conversando e rindo, entende que estão falando dele, rindo dele, dizendo que ele é ladrão ou homossexual, tudo, enfim, se refere a ele. Às vezes, ouve o seu nome e que o xingam (mecanismo alucinatório associado ao delírio de referência) ou simplesmente deduz que a conversa das pessoas em um bar diz respeito a ele (mecanismo interpretativo associado ao delírio de referência). Esse tipo de delírio geralmente ocorre em associação com a temática de perseguição. Ocorre nas psicoses em geral, sobretudo na esquizofrenia paranoide e nos transtornos delirantes”. (Dalgalarrondo, P; 2008. p. 218 a 219).

Um romance do escritor checo Franz Kafka intitulado O Processo, que conta a história de Josef K., que acorda certa manhã, e é preso e sujeito a longo e incompreensível processo por um crime não especificado, sintetiza de forma gloriosa a marca da psicose social de nossa época cujo sintoma de ruptura com a realidade se manifesta através dos delírios e alucinações das diversas teorias da conspiração.

“O romance conta a história de Josef K., bancário que é processado sem saber o motivo. A figura de Josef K. é o paradigma do perseguido que desconhece as causas reais de sua perseguição, tendo que se ater apenas às elucidações alegóricas e falaciosas vindas de variadas fontes. Embora Kafka tenha retratado um autoritarismo da Justiça que se vê com o poder nas mãos para condenar alguém, sem lhe oferecer meios de defesa, ou ao menos conhecimento das razões da punição, podemos levar a figura de Josef K., bem como de seus acusadores, para vários campos da vida humana: trabalho (quem nunca se viu cobrado ou perseguido, sem que seus acusadores lhe dissessem em que estaria sendo negligente), religião (quem nunca se viu pego, de surpresa, como Josef K., por um fanático intransigente, dizendo que teríamos ferido as leis divinas, sem que nos fossem apresentados os motivos), na escola (quem nunca se viu como Josef K., ao ser criticado por seu desempenho, sem que soubesse em que havia falhado, com críticas vagas, por vezes de colegas, por vezes dos próprios mestres)[…] Nesta obra, o protagonista, atônito, ao ser informado que contra ele havia um processo judicial (ao qual ele jamais terá acesso e fundado numa acusação que ele jamais conhecerá), percorre as vielas e becos da burocracia estatal, cumpre ritos inexplicáveis, comparece a tribunais estapafúrdios, submete-se a ordens desconexas e se vê de tal modo enredado numa situação ilógica, que a narrativa aproxima-se (e muito) da descrição de confusos pesadelos. (Wikipédia).

    A Nova Ordem Mundial

“A Nova Ordem Mundial é uma teoria da conspiração que afirma a existência de um suposto plano projetado para impor um governo único – coletivistaburocrático e controlado por setores elitistas plutocráticos, etc – em nível mundial. A teoria defende que tanto os eventos que são percebidos como significativos como os grupos que os provocam estariam sob controle de um grupo poderoso, – um grupo pequeno, sigiloso e com grande poder – com objetivos maléficos para a maioria da população. Essa teoria conspiratória afirma que um pequeno grupo internacional de elites controla e manipula os governos, a indústria e os meios de comunicação em todo o mundo. A principal ferramenta que eles usam para dominar as nações são as sociedades secretas e o sistema de banco central. São apontados como financiadores e provocadores da maior parte das guerras dos últimos duzentos anos, principalmente através da realização de operação de bandeira falsa para manipular a opinião pública em apoiá-los, e eles têm controle sobre a economia mundial, provocando deliberadamente a inflação e depressões em seu próprio benefício. As sociedades secretas que trabalham para a Nova Ordem Mundial seriam colocadas em posições-chave no governo, nos meios de comunicações e na indústria. As pessoas por trás da Nova Ordem Mundial seriam banqueiros internacionais, especialmente os proprietários dos bancos centrais controlados por interesses privados como a Reserva Federal dos EUA, Banco da Inglaterra, Banco Central Europeu e outros bancos centrais. A Nova Ordem Mundial também teria criado organizações supranacionais como a Council on Foreign RelationsComissão TrilateralClube de BilderbergUnião Europeia, as Nações Unidas, o Comunismo Internacional, o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional e com a proposta de União Norte Americana. O termo Nova Ordem Mundial ganhou popularidade após ter sido utilizado pela primeira vez no início da década de 1990 pelo presidente George H. W. Bush, quando este se referiu ao “sonho de uma Nova Ordem Mundial” em seu discurso ao Congresso dos Estados Unidos realizado em 11 de setembro de 1990, onze anos antes dos ataques terroristas contra o World Trade Center e contra o Pentágono, em 11 de setembro de 2001. Esse conceito de “governo sombra” existe desde antes de 1990 e se iniciou com os mesmos grupos de pessoas que, entre outras coisas, criaram o Federal Reserve Act (1913), apoiaram a Revolução Bolchevique (1917) e financiaram a ascensão do Partido Nazista na Alemanha, a fim de criar um governo mundial centralizado em sua própria agenda. O Banco Mundial e os bancos centrais nacionais são acusados de serem os instrumentos da Nova Ordem Mundial. As guerras geram enormes lucros para os bancos centrais e a indústria de armamento, porque as despesas públicas (ou seja, empréstimos a juros a partir dos bancos centrais controlados por eles) aumentam drasticamente em tempos de guerra, aumentando as dívidas (dependência) do governo com eles, além do que seria também uma forma eficaz de reduzir a população mundial. Na medicina, a supressão de curas de doenças tem como objetivo reduzir a longevidade da população e cortar os custos com a previdência social, além de aumentar os lucros das empresas farmacêuticas. Os grupos terroristas seriam ferramentas usados por eles para disseminar o medo na população, uma desculpa para reduzir os direitos civis e impor um governo fascista”. (Wikipédia).

  • Quinet (2002) nos ensina que, na paranoia, o sujeito ou aqui no caso analisado um conjunto de sujeitos é o centro dos olhares do Outro. A teoria da Nova Ordem Mundial é, assim como a paranoia, uma visão imaginária delirante onde o sujeito que acredita nela se vê como o centro dos olhares do Outro – o perseguidor – o grupo de elite que procura dominar o mundo. A teoria da Nova Ordem Mundial se caracteriza basicamente pelo que Freud em diversas referências chamou de delírio de observação. Na Nova Ordem Mundial a sociedade está sendo espionada, vigiada em seus atos, pensamentos e fantasias através da internet pelo inimigo, o perseguidor, chamado de governo das sombras, que é liderada por uma elite de pessoas e famílias mais ricas e influentes do mundo. A teoria da Nova Ordem Mundial entra na tipologia desenvolvida em 2013 pelo editor da revista Reason,Jesse Walker, como uma teoria conspiratória denominada por ele de O “Inimigo de Cima”, que é o tipo de teoria da conspiração que envolve pessoas poderosas que manipulam o sistema político, econômico, social e os meios de comunicação para seus próprios benefícios. Jesse Walker propôs cinco tipos de teorias da conspiração:
  • O “Inimigo Externo” baseia-se em figuras diabólicas e se mobiliza fora da comunidade tramando contra ela.
  • O “Inimigo Interno” compreende os conspiradores escondidos dentro do país, indistinguíveis dos cidadãos comuns.
  • O “Inimigo de Cima” envolve pessoas poderosas que manipulam o sistema para seus próprios benefícios.
  • O “Inimigo de Baixo” apresenta as classes mais baixas preparadas para romperem as suas limitações e subverter a ordem social.
  • As “Conspirações Benevolentes” são forças angelicais que trabalham nos bastidores para melhorar o mundo e ajudar as pessoas.

No entanto, de nossa parte pensamos que apenas as quatro primeiras tipologias são válidas, já que a última não contém a característica principal das quatro primeiras: O Inimigo. O Perseguidor. O Dominador, não podendo, portanto, se enquadrar dentro da tipologia das teorias da conspiração que se caracteriza pelo seu discurso paranoico.

               Iluminati

A Ordem dos Illuminati foi uma sociedade secreta iluminista, fundada em 1º de maio de 1776, em Ingolstadt (Alta Baviera), por Adam Weishaupt. Em 1785, a ordem foi reprimida e perseguida pelo governo da Baviera por supostamente tramar a derrubada da monarquia e das religiões de muitos países europeus. Desde o final do século XVIII até meados do século XX, muitos teóricos de conspiração especulam que os Illuminati sobreviveram à sua supressão e se tornaram o cérebro por trás de grandes eventos históricos como a Revolução Americana, a Revolução Francesa, e a Revolução Russa, levando a cabo um plano secreto para subverter as monarquias da Europa e a religião Cristã visando a formação de uma Nova Ordem Mundial secular baseada na razão científica”. (Wikipédia).

A teoria da conspiração Illuminati segundo a tipologia desenvolvida em 2013 pelo editor da revista ReasonJesse Walker, se enquadra na teoria conspiratória denominada por ele de O “Inimigo Interno”, que compreende os conspiradores escondidos dentro do país, indistinguíveis dos cidadãos comuns para derrubar a monarquia e as religiões com fins de implantar uma Nova ordem Mundial baseada exclusivamente na ciência.

      Judaico-Maçônico-Comunista

Teorias conspiratórias afirmam que a maçonaria é uma frente judaica para a dominação mundial ou, pelo menos, é controlada pelos judeus para este objetivo. Um exemplo disto seria o famoso Os Protocolos dos Sábios de Sião, um documento publicado em 1903 que alegava uma conspiração judaico-maçônica para alcançar a dominação mundial. Já foi provado por respeitados acadêmicos internacionais como um caso claro de plágio. Responsáveis pela alimentação de histerias anti-maçônicas do século XX, os Protocolos propagaram a ideia de que um grupo influente de pessoas, o qual tem como braço a Maçonaria que pratica cabala judaica, está conspirando governar o mundo em nome de todos os judeus, porque eles acreditam ser o povo escolhido de Deus. O fato de Karl Marx ter nascido em uma família judia, mesma origem de alguns proeminentes líderes comunistas, tornou possível adicionar o movimento operário à conspiração, como participantes da mesma ideologia”. (Wikipédia).

A Conspiração Judaico-Maçônico-Comunista Mundial entra na tipologia desenvolvida em 2013 pelo editor da revista ReasonJesse Walker, como uma teoria conspiratória denominada por ele de O “Inimigo de Baixo”, que é o tipo de teoria da conspiração que apresenta as classes mais baixas preparadas para romperem as suas limitações e subverter a ordem social e dominar o mundo. Esta teoria da conspiração é do mesmo tipo oposto ao da teoria da Nova Ordem Mundial.

                  11 de Setembro

“Muitas teorias de conspiração foram apresentadas para explicar os ataques de 11 de setembro de 2001, porém as teorias que obtiveram o maior impacto são normalmente baseadas em uma das duas ideias:

  • Que ogoverno dos Estados Unidos tinha conhecimento prévio dos ataques e deliberadamente não fez nada para impedi-los. Este grupo de teorias, portanto, apoia a existência de sequestradores islâmicos e não questiona a causa do colapso das Torres Gêmeas, mas acusa o governo de permitir deliberadamente a ocorrência dos ataques terroristas. Foi denominado LIHOP (“let it happen on purpose”, “deixar que isso aconteça de propósito” ).
  • Que foi o próprio governo dos Estados Unidos que orquestrou e executou os ataques. Este grupo de teorias questionam a causa do colapso das Torres Gêmeas, que seria uma demolição controlada. É utilizado o termo “Inside Job” (trabalho interno) para se referir aos ataques deste grupo de teorias; tem sido chamado MIHOP (“made it happen on purpose”, “fez isso acontecer de propósito”)[5] .

Os atentados seriam um pretexto para a “Guerra ao Terror“, as guerras no Afeganistão Iraque, o aumento da militarização, a expansão do estado policial, e outras políticas nacionais e estrangeiras intrusivas através do qual eles se beneficiariam. Proponentes apontam para o Projeto para o Novo Século Americano, uma equipe conservadora que defende a aumento da liderança mundial dos Estados Unidos, cujos membros incluem o ex-Secretário de Defesa Donald Rumsfeld, o ex-Vice Presidente Dick Cheney e várias outras figuras chave da administração George W. Bush, seja responsável pelos ataques. Os atentados de 11 de março de 2004 em Madrid e o atentado em Londres de 7 de julho de 2005 também são considerados pelos teóricos de conspiração como responsabilidade dos serviços secretos, como a CIA, sob ordens estadunidenses”. (Wikipédia).

A teoria da conspiração sobre o 11 de setembro segundo a tipologia desenvolvida em 2013 pelo editor da revista ReasonJesse Walker, se enquadrada na teoria conspiratória denominada por ele de O “Inimigo Interno”, que compreende os conspiradores escondidos dentro do próprio governo dos EUA como um pretexto para a Guerra ao Terror, as guerras no Afeganistão e Iraque, o aumento da militarização, a expansão do estado policial, e outras políticas nacionais e estrangeiras intrusivas através do qual eles se beneficiariam. Esta teoria se enquadra na mesma tipologia da teoria dos Illuminati.

   Raça, Etnia e Religião

“O antissemitismo tem, desde a Idade Média, muitas vezes tomado características de teoria da conspiração. Hoaxes antissemitas continuam a circular. Na Europa medieval, acreditava-se que os judeus envenenaram poçosmataram Jesus, e consumiam o sangue dos cristãos em seus rituais (apesar do fato de que o sangue humano e animal não ékosher). Na segunda metade do século XIX, os conspiracionistas afirmaram que os judeus e / ou maçons estavam conspirando para estabelecer o controle sobre o mundo. O texto mais famoso alegando a existência dessa conspiração judaico-maçônica é Os Protocolos dos Sábios de Sião. A manifestação mais moderna de tais ideias é o mito de um Governo de Ocupação Sionista. Várias teorias da conspiração promovem a relação dos judeus e o sistema bancário, incluindo o mito de que o sistema bancário mundial é dominado pela família Rothschild, que os judeus controlam Wall Street, assim como o Federal Reserve System. Um mito relacionado é o controle judaico de Hollywood ou o controle da mídia. A maioria das reivindicações de negação do Holocausto implica, ou abertamente propõe, apesar de provas contundentes e irrefutáveis do contrário, que o Holocausto é uma farsa resultante de uma conspiração judaica deliberada para promover o interesse dos judeus à custa de outros povos, e justificar a criação do Estado de Israel. Por esta razão, a negação do Holocausto é geralmente considerada como sendo uma teoria conspiratória antissemita”. (Wikipédia).

A teoria da Raça, Etnia e Religião entra na tipologia desenvolvida em 2013 pelo editor da revista ReasonJesse Walker, como uma teoria conspiratória denominada por ele de O “Inimigo de Cima”, que é o tipo de teoria da conspiração que envolve a raça, a etnia e a religião judaica que pretendem dominar o mundo, controlam Wall Street, manipulam a sociedade e controlam os comunicação em A teoria da Nova Ordem Mundial entra na tipologia desenvolvida em 2013 pelo editor da revista ReasonJesse Walker, como uma teoria conspiratória denominada por ele de O “Inimigo de Cima”, que é o tipo de teoria da conspiração que envolve pessoas poderosas que manipulam o sistema político, econômico, social e os meios de comunicação em  Hollywood para seus próprios benefícios e criar o Estado de Israel. Esta teoria é do mesmo tipo da teoria da Nova Ordem Mundial, só que aqui os protagonistas da dominação do mundo não são um pequeno grupo de famílias ricas e poderosas, mas sim a raça, a etnia e a religião judaica. O mesmo tem acontecido ultimamente com os árabes e muçulmanos devido a diversos grupos terroristas que estão conquistando território e implantando a Lei Islâmica.

                      Apocalipse

“Profecias apocalípticas, especialmente envolvendo a escatologia cristã, alegações sobre o fim dos tempos, o Juízo Final bem como o fim do mundo tem inspirado uma série de teorias conspiratórias. Muitas destas lidam com o Anticristo, também conhecido como a Besta 666, supostamente será um líder que vai criar um império mundial e oprimir os cristãos. Nessa teoria conspiratória apocalíptica, alguns dos atuais acontecimentos fazem com que algumas pessoas sejam acusadas de serem o Anticristo, e algumas organizações supranaturais são acusadas de ser a organização mundial maléfica do Anticristo.

Inúmeras figuras históricas foram chamadas de “anticristo” em suas épocas: o imperador romano NeroDioclecianoNapoleãoHitlerStálinSaddam HusseinRonald Reagan,BushBin Laden… Às vezes, especulações apocalípticas tem se misturado com o anti-catolicismo para ceder à interpretação que o reinante Papa seria o Anticristo bíblico. A mais recente interpretação conspiratória vê o anticristo como um líder mundial envolvido com as Nações Unidas, que irá criar um governo mundial único (também conhecido como Nova Ordem Mundial) e criar um único sistema monetário. Este último é identificado com a marca da Besta, o que a Bíblia afirma que as pessoas serão obrigadas a usar no fim dos tempos a fim de se realizar qualquer procedimento comercial. Cristãos fundamentalistas afirmam que o código de barras (que supostamente contém o número 666) e o implante do microchip (humano) VeriChip da RFID possam ser uma forma da marca da Besta”. (Wikipédia).

A teoria do apocalipse entra na tipologia desenvolvida em 2013 pelo editor da revista ReasonJesse Walker, como uma teoria conspiratória denominada por ele de O “Inimigo de Cima”, envolve um líder poderoso que manipula o sistema para seus próprios benefícios com o propósito de dominar o mundo e fazer-se Deus na terra, e ao mesmo tempo se enquadra no tipo O “Inimigo Externo”, que se baseia em figuras diabólicas (O Anticristo) e se mobiliza fora da comunidade tramando contra ela para dominar o mundo através da política, da economia, do militarismo e da religião. Um aspecto importante desta teoria da conspiração apocalíptica é que ela se caracteriza por um discurso não somente paranoico, mas também esquizofrênico, onde cristãos fundamentalistas afirmam que o Anticristo implantará em seus corpos um chip que o permitirá comandar meus pensamentos, suas ações e todo o sistema político-econômico global, onde ninguém poderá comprar ou vender se não tiver este chip implantado em seu corpo que será marcado com o símbolo da Besta: 666. Esta ideia bizarra é a marca de um delírio e alucinação que caracteriza a psicose social cujo sintoma primordial é a teoria da conspiração.

“Algumas experiências, tais como vivências corporais bizarras (‘sinto que não tenho mais fígado’; ‘sinto que uma cobra anda dentro de meu corpo’; ou ‘é como se toda noite o demônio tocasse meus órgãos genitais’), não tem qualquer referência em percepções normais (o homem normal não sente seu fígado para poder perceber que ele não está mais lá), ou, nelas, a experiência social é amplamente interpretativa, com caráter ideativo. Assim, em certos casos, torna-se difícil afirmar que se trata de uma alucinação ou de uma ideia delirante sobre algo aparentemente sensorial. Nessas situações, sugere-se que se opte por classificar o fenômeno por meio do caráter predominante da experiência: quando sensorial, considera-se como alucinação, quando ideativa ou de caráter mais interpretativo, como delírio”. (Dalgalarrondo, P; 2008. p. 228).

 

 

 

 

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