Metapsicopatologia

No Livro Metapsicopatologia nós definimos a metapsicopatologia como o ramo da insciência que trata da natureza essencial da doença espiritual – suas causas, as mudanças estruturais e funcionais associadas diretamente a ela e suas diversas formas de se manifestar –. Em suma, a metapsicopatologia pode ser definida como o conjunto de conhecimentos referentes ao adoecimento espiritual do ser humano. É um conhecimento que busca sua sistematização através da teoria geral da insciência. Como um conhecimento que visa ser inscientífico e não científico ou pseudocientífico inclui critérios de valor moral e aceita axiomas ou verdades a priori que vão sendo construídas ou desconstruídas a posteriori. O metapsicopatólogo não deve julgar moralmente o paciente, mas deve repreendê-lo, admoesta-lo de atitudes que vão contra a vontade de Deus estabelecida em sua palavra, em seu método, em seu caminho, que, no Alvissarismo constitui-se da Bíblia, da Codificação Espírita e de Alvíssara. O metapsicopatólogo deve buscar observar seu paciente, identificar e compreender os diversos elementos da doença espiritual, mantendo-se dentro dos axiomas filosófico-religiosos do Alvissarismo; no entanto, o seu conhecimento deve estar sempre sujeito a revisões, críticas e reformulações conforme estabelecido na teoria geral da insciência.

O campo da metapsicopatologia inclui um grande número de fenômenos espirituais especiais, associados ao que se denominou historicamente de obsessão espiritual ou possessão demoníaca. São vivências, estados espirituais e padrões comportamentais que apresentam, por um lado, uma especificidade espiritual (as vivências das pessoas que sofrem de algum tipo de obsessão espiritual ou possessão demoníaca possuem dimensão própria, específica, não sendo tão somente exageros da condição normal da pessoa) e, por outro lado, conexões altamente complexas com a normalidade (o mundo da doença espiritual não é um mundo absolutamente estranho ao mundo da “normalidade”).

A metapsicopatologia tem suas raízes na tradição médica e psiquiátrica nas obras dos grandes clínicos e alienistas do passado e nas obras de Freud, Jung e Lacan, porém sincretizadas ao elemento espiritual, teológico e religioso do Espiritismo  de Alan Kardec, Chico Xavier e companhia limitada à luz do Alvissarismo e a Magia, chamada Grande Ciência Sagrada dos Magos, a fim de delimitar com segurança a fronteira entre o natural e o sobrenatural. A metapsicopatologia é uma arma poderosíssima criada para o Guerreiro da Luz na luta contra o Mal, contra o Diabo e seus demônios. Do mesmo modo, a metapsicopatologia nutriu-se da tradição filosófica, psicanalítica, artística e literária porque viu nestas áreas do conhecimento humano uma possibilidade muito rica de reconhecimento da dimensão espiritual, que, sem o fenômeno do “transtorno” permaneceriam sendo tratados como algo físico ou mental. Apesar de se beneficiar dessas tradições, a metapsicopatologia não se confunde com nenhuma delas. A metapsicopatologia é, pois, uma insciência autônoma, e não um prolongamento da psicopatologia ou da psicanálise.

Mas quais são os limites da metapsicopatologia? Embora o objeto de estudo seja o espírito em sua totalidade, os limites da insciência metapsicopatológica consistem precisamente em que nunca se pode reduzir por completo o ser humano e sua enfermidade a condições espirituais, levando-se sempre em conta a hipótese de a causa do “transtorno” ser de ordem física ou simplesmente mental. O domínio da metapsicopatologia estende-se a todo fenômeno espiritual que possa apreender-se em um significado e, portanto, ser comunicado a outrem. Deste modo, a metapsicopatologia exige uma sistematização rigorosa a qual nós concretizamos em nossa Teoria Geral da Insciência, pois em todo sujeito, se oculta algo que não se pode conhecer, algo que está para a ordem do indizível, e é justamente aqui que entra a teologia e a religião; pois desta forma, ao contrário da psicopatologia clássica, a metapsicopatologia não perderá, obrigatoriamente, aspectos primordiais da existência humana, sobretudo nas dimensões metafísicas, espirituais, estéticas, éticas e morais. A metapsicopatologia adentra naquilo que transcende a psicopatologia e a ciência e permanece no domínio do mistério.

Existem dois aspectos básicos a serem enfocados quando estudamos os sintomas metapsicopatológicos: a forma dos sintomas, ou seja, sua estrutura formal básica (mudança de personalidade, visões, sonhos reais, sensações físicas e/ou psíquicas, mudanças na tonalidade da voz, na cor dos olhos e no formato da íris, maus odores e etc.), e o conteúdo dos sintomas, isto é, aquilo que preenche a alteração estrutural (ódio, ira, inveja, soberba, ganância, avareza, preguiça, vaidade, arrogância, impiedade, alcoolismo, drogadicção, etc.). O conteúdo do sintoma é algo mais pessoal, depende da história dentro da roda das encarnações de cada espírito, de seu universo cultural e de sua personalidade prévia ao adoecimento.

De modo geral, os conteúdos dos sintomas estão relacionados às condições da existência humana, tais como saúde, família, sobrevivência, sexo, morte, doença, miséria e religiosidade em geral. O estudo da doença espiritual, como qualquer outro objeto, deve iniciar-se pela observação meticulosa de suas manifestações. Para isso é necessário definir, classificar, interpretar e ordenar o tipo de fenômeno espiritual em questão, seguindo a lógica da Teoria Geral da insciência.

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s