O que é a Adicção e quem é o Adicto?

No livro Narcorreforma propomos que o vazio é a chave do símbolo da narcorreforma {A}, refletindo o vazio sentido pelo adicto e a necessidade de o adicto não preencher este vazio com as drogas ou outros objetos de adicção, mas sim de lidar com este vazio da forma como ele se apresenta. A narcorreforma não ensina a ninguém a preencher o seu vazio existencial, pelo contrário, ela ensina o adicto a encarar esse vazio de frente e lidar como ele de forma serena e corajosa. O problema do adicto é justamente o fato de que ele não suporta o vazio, e a narcorreforma promovida pelo Alvissarismo pretende justamente fazer com que o adicto aprenda a viver com o seu vazio existencial, e não a preenchê-lo com o que quer que seja. O homem só deseja o que não tem, pois o que tem ele não precisa desejar. O nada é a essência do Ser. Se o sujeito busca completar-se com o que quer que seja e não aceita seu vazio existencial, sua própria incompletude, ele então se torna um vivo-morto, pois ao se tornar completo existencialmente, o que o fará levantar da cama e continuara a viver um dia de cada vez? O sentido da existência é a própria ausência de sentido. Se a vida tivesse sentido, que sentido teria viver? O homem completo está morto em vida e não precisa mais se movimentar e nem viver.

Mas, afinal, o que é a adicção? Esta é a principal questão levantada em nossa investigação filosófica. A palavra adicção ou adicto segundo o dicionário Aurélio do século XXI vem do latim addictu, que é um adjetivo que significa: afeiçoado, dedicado, apegado, adjunto, adstrito, dependente ou escravo.

Deste modo, é possível constatar que existem vários tipos de adicção, e não somente a drogadicção, que em geral é a mais comentada e estudada, especialmente nos grupos de NA (Narcóticos Anônimos). No entanto, vamos expor agora um conjunto de vários tipos de adicção que o leitor facilmente concordará com sua existência e manifestação:

  • Drogadicção: dependência de drogas, incluindo o tabaco e drogas lícitas como o álcool e ilícitas como a maconha, o haxixe, a cocaína, o crack, a meta anfetamina cristal e as drogas vendidas em farmácias e drogarias mundo a fora, como antidepressivos, ansiolíticos, antipsicóticos, benzodiazepínicos, analgésicos, antibióticos e etc.
  • Tékhnadicção: dependência de tecnologias variadas, como computadores, celulares, máquinas, televisão e etc.
  • Laboadicção: dependência do trabalho formal ou do mercado de trabalho como um todo relacionado ao ganho salarial ou monetário.
  • Denariuadicção: dependência de dinheiro que em geral se manifesta como ambição, ganância ou avareza.
  • Seccareadicção: Dependência de sexo em todas as suas formas, seja através da cópula sexual, da masturbação ou da pornografia.
  • Gastroadicção: Dependência de alimentos, comidas e bebidas não alcoólicas em geral, levando à obesidade mórbida.
  • Odiumadicção: Dependência do ódio ou raiva por alguma coisa ou alguém, levando à ira, manifestando-se em geral como racismo, preconceito, estigmatização, fanatismo, fascismo, perseguição, homofobia, antissemitismo e etc.
  • Invidiadicção: Dependência da inveja, que se manifesta como uma tristeza mórbida perante o que o outro é; tem ou está, e o sujeito não é; não tem ou não está.
  • Pigritiadicção: Dependência da preguiça, que se manifesta em geral como aversão ao trabalho formal, bem como negligência, morosidade ou lentidão.
  • Superbuadicção: Dependência do orgulho mórbido ou soberba, que se manifesta como sentimento de superioridade perante as outras pessoas.
  • Potereadicção: Dependência do poder em geral, desde sua concepção metafísica ou microfísica, política, social, econômica ou familiar.
  • Iocareadicção: Dependência do jogo ou jogos em geral, como jogos de tabuleiro, jogos com sons, cores, cartas, jogos corporais, jogos de computador, jogos apenas com papel e lápis, jogos matemáticos e etc.
  • Vacuadicção: Dependência da vaidade em geral, que se manifesta como narcisismo mórbido, hipocondria, prepotência, presunção, autoestima mórbida ou amor próprio descontrolado, delírios de grandeza, excesso de cirurgias plásticas, busca pelo corpo perfeito através de exercícios físicos ao ar livre ou em academias de musculação, busca insaciável pela fama ou por tornar-se uma celebridade ou a figura de algum boneco ou boneca como a Barbe ou o Ken e futilidade existencial.
  • Consumoadicção: Dependência do ato de comprar coisas, bens e serviços em geral supérfluos, em razão do seu significado simbólico de status que leva o sujeito a se sentir desejado e/ou “amado” pela sociedade, dando-lhe uma falsa sensação de prazer, sucesso e felicidade. A diferença entre o consumo e o consumismo é que no consumo o indivíduo adquire somente aquilo que lhes é necessário para viver de forma simples e confortável, isto é, de forma digna. Já o consumoadicção, na definição da palavra, se caracteriza pelos gastos excessivos em produtos supérfluos. A necessidade de consumo  tornar-se uma compulsão, uma patologia  O consumoadicção é uma patologia onde o indivíduo compra compulsivamente coisas de que realmente não precisa. É um vício em comprar desenfreadamente não movido por uma necessidade objetiva, mas por um desejo de possuir algo cujo significado simbólico é essencialmente fálico, manifestando-se na ostentação de bens materiais cuja causa é o desejo de se sentir desejado e/ou “amado” pelo Outro. Ver Teoria do Valor-Falo.

Respondido de forma clara e sucinta o que é a adicção e descrito os diversos tipos de adicção existentes na natureza da alma humana, fica agora no ar a pergunta: quem é um adicto?

Um adicto é simplesmente um ser humano que é afeiçoado, dedicado, apegado, adjunto, adstrito, dependente ou escravo das drogas, da tecnologia, do trabalho, do dinheiro, do sexo, da comida ou bebida, do ódio, da inveja, da preguiça, do orgulho ou do poder.  Como podemos ver, a adicção é uma doença que envolve muito mais do que simplesmente o uso de drogas, ela, em verdade, está relacionada à natureza viciosa do ser humano, sendo o vício ou adicção dividida em material e moral. A drogadicção é um exemplo de vício material, e a superbuadicção é um exemplo de vício moral. A adicção pode ser dividida em passiva e ativa. O sujeito parcimonioso é um exemplo de adicto passivo, enquanto que o sujeito avarento é um exemplo de um adicto ativo. Do mesmo modo, o sujeito que usa uma droga de preferência esporadicamente, com consciência e dentro dos limites da normalidade, não tendo problema com isso no trabalho, na família ou na vida social é um adicto passivo, enquanto que o sujeito que abusa de uma droga de preferência diariamente, sem consciência e fora dos limites da normalidade, tendo problema com isso no trabalho, na família ou na vida social é um adicto ativo.

A adicção ativa é, portanto, uma doença crônica, incurável, progressiva e muitas vezes fatal. No entanto, é preciso esclarecer que a adicção ativa é uma doença absolutamente tratável; e o que verdadeiramente interessa neste trabalho filosófico é justamente a recuperação do adicto ativo e a conscientização e prevenção do adicto passivo. Para começarmos a tratar qualquer uma das adicções descritas anteriormente precisamos simplesmente levar o sujeito a trocar seus vícios por virtudes, fazendo-o parar completamente de abusar de seu objeto vicioso, seja ele a droga, a tecnologia, o trabalho, o dinheiro, o sexo, a comida ou bebida, o ódio, a inveja, a preguiça, o orgulho ou o poder através da narcorreforma, que é uma reforma da estupefação e do torpor provocados por qualquer um desses objetos da adicção.

Quando nos identificamos e nos juntamos numa irmandade como adictos e diferenciamos o nosso tipo de adicção, o tratamento e a recuperação se tornam possíveis. Reunindo o adicto com outros adictos do mesmo objeto de adicção, o homem se torna um espelho do outro, tornando possível a reflexão sobre si mesmo e concretizando o autoconhecimento proveniente do reflexo provocado pelo outro, permitindo que um adicto ajude ao outro pela identificação do objeto de adicção, onde adictos limpos e em recuperação partilham seus sentimentos, frustrações, medos, traumas, fixações e existências através da palavra, tendo como princípio fundamental o anonimato.

Para trocarmos nossos vícios por virtudes a primeira atitude é reconhecermos honestamente nossa natureza viciosa e pecaminosa. No entanto, isso não é nada fácil, pois para um adicto reconhecer sua adicção bem como seu objeto vicioso é preciso muita serenidade, coragem e humildade para não se manter na negação até a morte, e procurar tratamento através da narcorreforma {A} promovida pelo Alvissarismo Ø.

Se você é um adicto, pode procurar um renascimento psicossocial e espiritual através do Alvissarismo por meio da abstinência, da ascese e da prática dos sete passos do Alvissarismo, onde em grupo no Jardim Sagrado compreenderemos que nunca seremos absolutamente curados de nossa doença, mas seremos capazes de controlá-la e delimitá-la assim como um diabético pode controlar e delimitar sua diabetes. Para nós, adictos, só há uma forma de suportar a existência humana e a condição patológica de nossa vida: a narcorreforma promovida pelo Alvissarismo.

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