O Alvissarismo

No livro Narcorreforma afirmamos que o Alvissarismo é um sistema de Filosofia, Política, Economia e Religião que se estrutura como uma irmandade ou comunidade sem fins lucrativos, de homens e mulheres para quem procura a salvação de sua alma por meio de uma religação com Deus e a espiritualidade através da troca dos vícios por virtudes. Somos seres humanos em busca de Deus e do coração de Cristo, que nos reunimos regularmente no departamento da regeneração do Jardim sagrado do Alvissarismo para ajudarmos uns aos outros a salvarmos nossas almas e nos religarmos a Deus e à espiritualidade e trocarmos nossos vícios por virtudes, bem como nossos débitos por créditos morais. Este é um sistema filosófico-religioso que busca a renúncia dos vícios em prol das virtudes e que idealiza o uso de drogas somente para fins medicinais, mas permite o uso de drogas para fins recreativos no caso de adictos passivos que não possuem nenhum histórico ou diagnóstico de psicose, desde que o sujeito que usa a sua droga de preferência o faça esporadicamente, com consciência e dentro dos limites da normalidade, não tendo problema com isso no trabalho, na família ou na vida social, mas caso o sujeito venha a abusar de uma droga de preferência diariamente, sem consciência e fora dos limites da normalidade, tendo problema com isso no trabalho, na família ou na vida social, então é recomendado à pessoa a prática dos sete passos promovida pelo Alvissarismo.

No Alvissarismo não há mentiras nem subterfúgios, pois o Alvissarismo é um sistema filosófico-religioso que não possui nenhuma ligação com outra organização ideológica, institucional, política e social ou filosofia ou religião. No Alvissarismo não existe a prática do dízimo pago em dinheiro, não existe taxas e nem promessas, somente a boa vontade de cada membro em realizar o sacrifício do trabalho voluntário para a manutenção da obra. Qualquer pessoa pode se tornar um Alvissarista e juntar-se à nossa irmandade, independente de idade, raça, classe social ou identidade sexual.

O Alvissarismo não está interessado em qual é o seu tipo de adicção, quais eram suas relações sociais, os seus pecados cometidos no passado, se você é negro, branco ou índio, rico ou pobre. O Alvissarismo só se interessa pelo o que você quer fazer a respeito de sua adicção e como você pode trocar seus vícios por virtudes e se religar a Deus e à espiritualidade. O recém-iniciado no Alvissarismo é a pessoa mais importante em qualquer reunião ou culto, e aquele que mantém sua regularidade em nossas reuniões e cultos manter-se-á limpo só por hoje de sua adicção, e se, com boa vontade, manter-se-á limpo até a morte, pois só morrendo limpos de nossas adicções poderemos dizer que vencemos o mundo.

O Alvissarismo é uma filosofia religiosa que possui em seu Jardim sagrado um departamento de regeneração moral, que é uma irmandade de homens e mulheres que desejam trocar seus vícios por virtudes, bem como seus débitos por créditos morais. O Alvissarismo é uma filosofia religiosa sem fins lucrativos que não aceita a prática do dízimo pago em dinheiro, mas somente em trabalho voluntário para sustentar a obra desta Alvíssara.

O departamento de regeneração moral do Alvissarismo constitui-se como uma irmandade que se reúne regularmente apesar das adversidades. O propósito do departamento de regeneração dentro do Jardim Sagrado do Alvissarismo é a identificação e o compartilhamento de histórias pessoais de adictos ativos que lutam para se manterem limpos de suas adicções através de uma mensagem de regeneração moral, depositando assim esperança nos corações de quem ainda vive na miséria da adicção.

A principal ferramenta utilizada pelo Alvissarismo para promover em seus adeptos a renúncia do vício pela virtude, bem como do débito pelo crédito moral são os sete passos, cujo propósito central é regenerar pessoas e manter o adicto limpo de sua adicção e levar a mensagem desta Alvíssara a outras pessoas e principalmente ao adicto ativo que sofre com sua doença. Nas reuniões promovidas pelo departamento de regeneração moral do Alvissarismo todos estão unidos pelo mesmo problema comum – a adicção – e pelo mesmo propósito comum – manter-se limpo só por hoje até a morte. O programa do departamento de regeneração moral do Alvissarismo é baseado no programa de NA (Narcóticos Anônimos), porém adaptado e reformulado para uma melhor utilização dentro do contexto filosófico-religioso do Alvissarismo.

Antes de adentrar a irmandade do Alvissarismo, o sujeito não podia controlar suas próprias vidas nem sequer apreciar a sua beleza como a maioria das pessoas, precisava de algo a mais e pensava ter encontrado isso nas drogas, na tecnologia, no trabalho, no dinheiro, no sexo, na comida ou bebida, no ódio, na inveja, na preguiça, no orgulho ou no poder, colocando todos esses objetos de adicção acima de Deus, da família, da esposa, dos filhos e dos amigos, prejudicando assim muitas pessoas, mas principalmente a si próprio. Sua doença sempre ressurgia apesar de seus esforços para se melhorar como pessoa humana ou continuava progredindo a cada recaída, até que, um dia o sujeito ouviu falar do Alvissarismo e do departamento de regeneração moral, buscando assim o Alvissarismo para trocar seus vícios por virtudes bem como seus débitos por créditos morais. Ao adentrar ao Alvissarismo, o sujeito descobre que possui uma doença da qual não havia cura mas havia tratamento e recuperação, podendo ser delimitada e controlada em algum ponto através da identificação de sua doença e do reconhecimento de que;

  • O homem é impotente perante a sua adicção e sua vida estava incontrolável;
  • Embora o sujeito não seja responsável por sua doença, este é responsável por sua regeneração;
  • O sujeito não deve culpar os outros, os lugares e as coisas por sua adicção ativa, mas deve encarar com serenidade e coragem os seus problemas e sentimento e encarar a sua doença.

Todo homem que quer parar de comer lavagem deve parar de andar com porco e parar de frequentar chiqueiro. No entanto, isso não significa que o sujeito deve deixar de falar com seus amigos verdadeiros, nem mesmo deixar de frequentar locais e diversões antes frequentadas e muito menos deixar de se divertir, ele tão somente deve ter a serenidade e a boa vontade de se manter limpo mesmo estando com antigos amigos de adicção (mas evitando estar com eles em momentos de uso), lugares (mas evitando frequentar ou sequer passar perto da “biqueira”) e diversões (mas evitando se drogar em festas e comemorações) onde sua doença se manifestava. O adicto não deve deixar de viver, frequentar os lugares que gosta e sente prazer e muito menos deixar de se divertir, ele apenas deve fazer tudo isso sem deixar sua adicção se manifestar. Eu sei que isso não é fácil, mas eu nunca disse que seria; e se fosse fácil que virtude o adicto teria? A grande virtude do adicto está justamente em se manter limpo diante da sujeira. Por isso muitos internos do modelo clássico de clínicas se institucionalizam por medo de não conseguirem permanecer limpos na rua; mas o que em geral estes internos não percebem é que a verdadeira luta está lá fora e não ali dentro, pois ali estão em sua zona de conforto, e o adicto só conseguirá de fato dominar sua doença quando for capaz de se manter limpo em volta da sujeira. A virtude do adicto está em ter um bar e não beber, em conversar com o amigo de infância que inda se droga e não se drogar, mas levar a mensagem desta Alvíssara até ele caso ele seja um adicto ativo, mas caso seja um adicto passivo, a virtude está em respeitar a liberdade de ele poder se drogar e você não, porque você é doente e ele não. A virtude do adicto está em se divertir no carnaval ou em uma boate e não beber nem se drogar. A virtude do adicto está em ter uma lanchonete ou loja de doces e não se empanturrar de comida e guloseimas. A virtude do adicto está em manter uma relação sexual saudável e não promíscua. A virtude do adito está em saber que todos os homens precisam de dinheiro para viver, mas não fazer do dinheiro a medida de todas as coisas. A virtude do adicto está em sentir ódio do outro, mas não descarregar no outro a sua ira, acalmando-se e praticando a serenidade. A virtude do adicto está em ter um celular, mas não leva-lo para dentro do banheiro quando vai tomar banho ou sair de um culto religioso para olhar sua última mensagem na rede social. A virtude do adicto está em ter um trabalho para se sustentar, mas não fazer do trabalho um mecanismo de defesa ou barreira para não refletir sobre a própria existência. A virtude do adicto está em ter um momento de férias e descanso, mas não fazer dele um lugar comum. A virtude do adicto está em ter o poder, mas não prejudicar o próximo e nem abusar de sua autoridade. A virtude do adicto está em ser maior que o outro, mas pôr-se numa posição de igualdade. A virtude do adicto está em estar em jogar, mas não apostar. A virtude do adicto está em fazer uma cirurgia plástica por uma questão de saúde e não por uma questão de vaidade ou autoestima, pois a estima nunca é auto, ela sempre vem do desejo de ser desejado pelo Outro. Autoestima é como livro de autoajuda, ou seja, só ajuda quem escreveu e a editora que publicou.

 

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