Entidades Espirituais da Mitologia Brasileira e seu Sincretismo Original com o Cristianismo

No Livro Orixás Alvissaristas, os orixás são descritos como espíritos de luz ou de trevas de ancestrais brasileiros que correspondem aos seus respectivos arquétipos e pontos de força da natureza. Os orixás não são deuses, nem anjos ou demônios, são apenas entidades de luz ou trevas relacionadas às manifestações de determinadas forças naturais, psíquicas ou morais, ou seja, são espíritos de ancestrais humanos que viveram em terras brasileiras antes mesmo da origem do Brasil, e que estão do ponto de vista de sua contabilidade moral dentro da Roda das Encarnações, ou entre a humanidade e angelitude ou entre a humanidade e a demonitude, e que podem ser representados por diversos símbolos distintos, mas que possuem capacidade de cópula com outros símbolos, formando assim o que se chama de sincretismo cultural e religioso, isto é, a fusão ou cruzamento de vários arquétipos que resulta em um novo arquétipo com traços de sua origem diversificada; desse modo é que cada um dos orixás do Alvissarismo corresponde a um ou mais dos santos católicos, ou seja, cada um dos orixás do Alvissarismo apresenta as mesmas determinadas características e funções de proteção dos santos católicos, no caso de espíritos da luz. Cada orixá possui o seu sistema simbólico próprio, composto por cores, comidas, cantigas, rezas, ambientes, oferendas, espaços físicos e etc. Esses orixás brasileiros nos são revelados em toda a sua significação, característica e personalidade através dos mitos e lendas do folclore brasileiro, ou seja, por meio da sabedoria popular do Brasil.

                                                                    Entidades de Luz

Deus de Abraão, Isaac e Jacó = Tupã – Espírito criador e protetor de todos os mundos possíveis.

“A figura primária na maioria das lendas guaranis da criação é Iamandu (ou Nhanderuvuçu ou Tupã), o Deus trovão e realizador de toda a criação. Com a ajuda da deusa luaJaci (ou Araci), Tupã desceu à Terra num lugar descrito como um monte na região do Areguá, no Paraguai, e, deste local, criou tudo sobre a face da Terra, incluindo o oceano, florestas e animais. Também as estrelas foram colocadas no céu nesse momento. Tupã, então, criou a humanidade (de acordo com a maioria dos mitos guaranis, eles foram, naturalmente, a primeira raça criada, com todas as outras civilizações nascidas deles) em uma cerimônia elaborada, formando estátuas de argila do homem e da mulher com uma mistura de vários elementos da natureza. Depois de soprar vida nas formas humanas, deixou-os com os espíritos do bem e do mal e partiu. Kerana, a bela filha de Marangatu, foi capturada pela personificação ou espírito do mau chamado Tau (em tupi antigo, Taúba ou Taubymana). Juntos, eles tiveram sete filhos, que foram amaldiçoados pela grande deusa Arasy, e todos, exceto um, nasceram como monstros horríveis. Os sete são considerados figuras primárias na mitologia guarani e, enquanto vários dos deuses menores ou até os humanos originais são esquecidos na tradição verbal de algumas áreas, estes sete são geralmente mantidos nas lendas. Alguns são considerados reais até mesmo em tempos modernos, em áreas rurais ou regiões indígenas. Os sete filhos de Tau e Kerana são, em ordem de nascimento”. Nas Aldeias de todo o mundo, nas terras dos índios, era sempre dia. Nunca havia noite, estava sempre claro. Os homens não paravam de caçar, nem as mulheres de limpar, tecer e cozinhar. O sol ia do leste ao oeste e depois refazia o caminho, ia do oeste ao leste, seguindo assim. Mas teve um dia que o caso mudou. Quando Tupã, aquele que controlava tudo, havia saído para caçar, um homem muito curioso tocou no frágil Sol para saber como funciona. Então o Sol que dava luz e calor havia se apagado, havia quebrado em mil pedacinhos. Então as trevas haviam reinado na aldeia. Tupã não se conformou com tal atitude do homem, e o transformou em um novo animal, que tinha as mãos douradas como o Sol que brilhava. E deu-se o nome àquele bicho de macaquinho-de-mão-d’ouro. Tupã então tratou de refazer o Sol. Mas ele só ia ao oeste e não conseguia voltar. Então criou assim a Lua e as estrelas para iluminarem a noite. E assim ia, o Sol ia até o poente, não voltava, e então vinha a Lua e as estrelas. Acabava a noite e o Sol voltava. Mas o sol sempre sorrindo ia e vinha. Um dia viu a lua, orgulhoso do que fez”.

Espírito Santo = Angra – Espírito do Fogo.

“Angra é a deusa do fogo na mitologia Guarani”.

Pai primitivo de Pequim = Adão = Jesus = Mahyra – Espírito protetor da humanidade que deu início a civilização.

Mahyra, Maíra ou Mair é um personagem da mitologia tupi-guarani. Seria o herói mítico, pai dos gêmeos Korahi e Sahi (o sol e a lua). São estes gêmeos que completam o trabalho de separação da natureza e da cultura, iniciados por Mahyra, o herói civilizador por excelência, pois foi ele quem roubou o fogo ao urubu e o deu aos homens. 

Adão, Eva e a família primitiva = Rupave, Sypave e os primeiros humanos – Pai e Mãe de toda humanidade.

“Os humanos originais criados por Tupã eram Rupave e Sypave, nomes que significam “Pai dos povos” e “Mãe dos povos”, respectivamente. O par teve três filhos e um grande número de filhas. O primeiro dos filhos foi Tumé Arandú, considerado o mais sábio dos homens e o grande profeta do povo guarani. O segundo filho foi Marangatu, um líder generoso e benevolente do seu povo, e pai de Kerana, a mãe dos sete monstros legendários do mito guarani. Seu terceiro filho foi Japeusá, que foi, desde o nascimento, considerado um mentiroso, ladrão e trapaceiro, sempre fazendo tudo ao contrário para confundir as pessoas e tirar vantagem delas. Ele, eventualmente, cometeu suicídio, afogando-se, mas foi ressuscitado como um caranguejo, e, desde então, todos os caranguejos foram amaldiçoados para andar para trás como Japeusá. Entre as filhas de Rupave e Sypave, estava Porâsý, notável por sacrificar sua própria vida para livrar o mundo de um dos sete monstros lendários, diminuindo seu poder (e portanto o poder do mal como um todo). Crê-se que vários dos primeiros humanos ascenderam em suas mortes e se tornaram entidades menores”.

Nosso Senhor Jesus Cristo = Angatupiri – Espírito que é a personificação do Bem. 

“Angatupyry, na mitologia guarani, é o espírito do bem criado por Tupã. Juntamente com Tau (espírito do mal), orientam Rupavé e Sypavé (pai e mãe da humanidade, respectivamente) e seus descendentes (a humanidade, propriamente dita) pelos caminhos da vida”.

Paraíso = Yvy marã e’ỹ – O lugar ideal, Jardim do Éden. Um lugar descrito por diferentes religiões onde o clima é ameno e há abundância de alimentos e recursos, e não há guerras, doenças ou morte. Normalmente, a vida no paraíso seria a recompensa após a morte para as almas dos que seguem corretamente os preceitos de cada religião.

“Yvy marã e’ỹ  mito indígena guarani; neste lugar não haveria guerras, fome nem doença”.

Sarça ardente que ditou os Dez mandamentos a Moisés no Monte Sinai = Andurá – Hierofania. Manifestação do sagrado marcado pelo arquétipo do fogo.

“É uma árvore fantástica que, à noite, se inflama subitamente”.

São Sebastião e Padre Cícero = Boitatá – Espírito protetor da flora.

“O nome boitatá vem da língua indígena e quer dizer cobra de fogo. Durante o dia o Boitatá não enxerga nada, à noite ele enxerga tudo. Diz a lenda que certa noite a lua não apareceu, nem as estrelas no céu, a escuridão era total, era um breu. Passado algum tempo, o sol também não surgiu e ficou tudo na escuridão por vários dias. As pessoas que moravam nos vilarejos estavam passando fome e frio. Não havia como cortar lenha para os braseiros que mantinham as pessoas aquecidas, nem como caçar naquela escuridão. Pra piorar tudo, começou a chover sem parar. A chuva inundou tudo e muitos animais acabaram morrendo. Uma cobra boiguaçu que dormia num imenso tronco acordou faminta e começou a comer os olhos de animais mortos que brilhavam boiando nas águas. Alguns dizem que eles brilhavam devido a luz do último dia em que os animais viram o sol. De tanto olhos brilhantes que a cobra comeu, ela ficou toda brilhante como fogo e transparente. Muitos acreditam que o Boitatá protege as matas contra incêndios”. 

São Francisco = Curupira – Espírito protetor da fauna.

“É uma lenda de origem indígena. Há relatos de entidades semelhantes entre quase todos os indígenas das Américas Latina e Central. Dizem que ele é um menino de cabelos vermelhos e com os pés virados para trás, para despistar quem quiser segui-lo. Algumas pessoas descrevem o Curupira como um indiozinho montado em um porco selvagem, outros dizem que tem o corpo coberto por pelos. Ele cuida dos animais da florestas, protegendo contra a devastação das florestas e a caça de animais. Quando entramos na mata e ouvimos barulhos estranhos pode ser ele.  Ele é tão rápido que muitas vezes ao passar pela mata, parece um vento forte. Ao entrar numa mata deve-se levar uma oferenda para o Curupira, assim ao agradá-lo não se perderá na mata. O Curupira tem o poder de ressuscitar qualquer animal morto sem sua permissão. Os índios guaranis dizem que ele é o “ Demônio da Floresta”. Há relatos dos jesuítas, na época da colonização do Brasil, de que os índios temiam muito o Curupira”.

São Francisco = Caipora – Espírito protetor dos animais da floresta, que só permite aos homens matar os animais da floresta se este ato for realizado com a finalidade de salvar a própria vida e/ou a vida de outrem, bem como para fins alimentícios.

“No folclore brasileiro, é representada como um pequeno índio de pele escura, ágil e nu. Habitante das florestas, reina sobre todos os animais e ele destrói os caçadores que não cumprem o acordo de caça feito com ele. Seu corpo é todo coberto por pelos. Ele vive montado numa espécie de porco-do-mato e ele carrega uma vara. Primo do Curupira, protege os animais da floresta. Os índios acreditavam que o Caipora temesse a claridade, por isso protegiam-se dele andando com tições acesos durante a noite. O Caipora é considerado em algumas partes do Brasil como canibal, ou seja dizem que come quem ele vê caçando, até mesmo um pequenino inseto No imaginário popular em diferentes regiões do País, a figura do Caipora está intimamente associada à vida da floresta. Ele é o guardião da vida animal. Apronta toda sorte de ciladas para o caçador, sobretudo aquele que abate animais além de suas necessidades. Afugenta as presas, espanca os cães farejadores, e desorienta o caçador simulando os ruídos dos animais da mata. Assobia, estala os galhos e assim dá falsas pistas fazendo com que ele se perca no meio do mato. Mas, de acordo com a crença popular, é sobretudo nas sextas-feiras, nos domingos e dias santos, quando não se deve sair para a caça, que a sua atividade se intensifica. Mas há um meio de driblá-lo. O Caipora aprecia o fumo. Assim, reza o costume que, antes de sair numa noite de quinta-feira para caçar no mato, deve-se deixar fumo de corda no tronco de uma árvore e dizer: “Toma, Caipora, deixa eu ir embora”. A boa sorte de um caçador é atribuída também aos presentes que ele oferece. Assim, por sua vez, os homens encontram um meio de conseguir seduzir esse ente fantástico. Mas fracasso na empreitada é atribuído aos ardis da entidade. No sertão do Nordeste, também é comum dizer que alguém está com o Caipora quando atravessa uma fase de empreendimentos mal sucedidos, e de infelicidade”.

Santo Antônio = Saci Pererê – Espírito protetor das criancinhas e das matas.

“Menino negrinho, levado e arteiro. Só tem uma perna, mas salta de lá pra cá o dia inteiro. A carapuça vermelha o deixa invisível. Adora traquinagens, se acha invencível. Fuma cachimbo. E tem joelho machucado. Mas não se engane. Ele não é nenhum coitado. Ele mora no mato. E dele toma conta. Com os caçadores desavisados. Ele sempre apronta. Ele é bom, mas é bagunceiro. Se diverte com a confusão. Some com objetos. Faz trança nas crinas dos cavalos. E adora bagunçar no fogão. Se o leite queimar, a comida estragar. Pode ser coisa do Saci! O saci adora assobiar. É o seu jeito de marcar presença. No meio de um rodamoinho de areia. Chega fazendo bagunça”.

Nossa Senhora das Águas = Iara ou Mãe D’Água – Espírito protetor dos mares, lagos e rios.

“Lenda de origem indígena, muito comum na região Amazônica. Ela é uma sereia, metade mulher (da cintura pra cima) e metade peixe (da cintura pra baixo). Possui longos e lindos cabelos, alguns dizem que parece uma índia com cabelos negros, outros dizem que possui cabelos loiros ou até ruivos. Ela hipnotiza os homens com o seu canto e com o seu olhar. Ao ouvirem seu canto lançam-se nas águas para irem ao seu encontro e na maioria das vezes acabam morrendo afogados. Ela sai da sua casa no fundo do mar, ou do lago ou do rio, geralmente no final da tarde e surge linda e sedutora a procura de um companheiro. É difícil um homem resistir ao seu canto hipnotizador ou à sua beleza. Por isso meninos ao se depararem numa situação dessas tapem os ouvidos e procurem não olhar para ela”. 

Santa Clara = Vitória Regia – Espírito protetor das noites e madrugadas.

“Numa noite linda uma jovem índia se encantou com o brilho da lua que refletia no lago. De tão fascinada que ficou com aquela luz mágica, atirou-se nas águas e desapareceu para sempre. A lua se comoveu com a admiração da índia e a transformou numa linda flor, a Vitória Régia, que flutua nas superfícies das águas de alguns rios da Amazônia. Essa é uma flor noturna, abre ao entardecer e se fecha com o raiar do sol”. 

São Benedito, Maria do Araújo, São Jorge e Santa Edwirges = Negrinho do Pastoreio – Espírito protetor dos sacerdotes, pastores, cavaleiros e empregados em geral.

“É uma lenda popular principalmente no sul do Brasil. Nos tempos da escravidão no Brasil, havia um fazendeiro malvado que tinha em sua fazenda escravos negros de várias idades, inclusive crianças. Num dia de inverno rigoroso o fazendeiro mandou um menino fosse pastorear seus cavalos e potros novos. Ao entardecer quando o menino voltou com os cavalos o fazendeiro reclamou que faltava um, um cavalo baio. Como castigo chicoteou o menino até sangrar e mandou o menino procurar o cavalo. Apavorado o menino foi a procura do cavalo baio. Quando finalmente o encontrou não conseguiu prendê-lo. Ao retornar à fazenda, o menino encontrou o fazendeiro ainda mais irritado. Este resolveu castigar chicoteou o garoto e o amarou em cima de um formigueiro. No dia seguinte o fazendeiro retornou ao local e se assustou com o que viu: o menino estava lá, de pé, sem nenhuma marca de chicotada, nem mordida de formigas, ao lado dele a Virgem Maria e próximo a eles o cavalo baio. O fazendeiro se ajoelhou pedindo perdão. O Menino nada respondeu, beijou as mãos da Nossa Senhora, montou no cavalo baio e partiu a galope”.

Dom Bosco = Boto – Espírito protetor dos jovens. 

“O Boto é um animal mamífero, parecido com um golfinho, que vive nas águas dos rios. O Boto-cor-de-rosa rosa que deu origem à lenda do Boto vive nas águas da Bacia Amazônica Brasileira e da bacia do rio Orinoco na Venezuela. Podem chegar a medir quase três metros na idade adulta e apresentam podem apresentar coloração rosa, acinzentada (tucuxi) e preta. Diz a lenda que ao anoitecer o Boto se transforma em um belo rapaz, alto e forte e sai a procura de diversão, festas e uma namorada. Vai a várias festas, dança muito, costuma beber bastante também. Antes do amanhecer ele tem que voltar para o rio, pois senão transforma-se em boto novamente. Algumas pessoas relatam que o boto se transforma em um rapaz elegante, bem vestido e que sempre usa chapéu(para esconder um orifício que possui na cabeça). Nas festas ele geralmente seduz alguma mulher bonita, casada ou não, a convida para dançar e depois saem da festa para namorar. Antes do amanhecer ele retorna ao rio, deixando a namorada que geralmente não torna a vê-lo. Pouco tempo depois a moça descobre que ficou grávida do tal moço. Na região Amazônica sempre que uma moça solteira engravida suspeita-se logo que se trata de um filho do boto. Dizem que o boto adora as índias e gosta muito de mulheres com roupas vermelhas”. 

Nossa Senhora do Bom Parto e Santa Margarida = Mandioca – Espírito protetor das mulheres gravidas e seus bebês.

“Segundo essa lenda de origem indígena, há muito tempo numa tribo indígena a filha de um cacique ficou grávida sem nunca sem ainda ser casada. Ao saber da notícia o cacique ficou furioso e a todo custo quis saber quem era o pai da criança. A jovem índia por sua vez, insistia em dizer que nunca havia namorado ninguém. O cacique não acreditando na filha rogou aos deuses que punissem a jovem índia. Sua raiva por essa vergonha era tamanha que ele estava disposto a sacrificar sua filha. Porém, numa noite ao dormir o cacique sonhara com um homem que lhe dizia para acreditar na índia e não a punir. Após os nove meses da gravidez, a jovem índia deu a luz a uma menininha e deu-lhe o nome de Mani. Para espanto da tribo o bebê era branco, muito branco e já nascera sabendo falar e andar. Passa alguns meses, Mani então, com pouco mais de um ano de repente morreu. Todos estranharam o triste fato, pois não havia ficado doente e nenhuma coisa diferente havia acontecido. A menina simplesmente deitou fechou os olhos e morreu. Toda a tribo ficou muito triste. Mani foi enterrada dentro da própria oca onde sempre morou. Todos os dias sua mãe, a jovem índia regava o local da sepultura de Mani, como era tradição do seu povo. Após algum tempo, algo estranho aconteceu. No local onde Mani foi enterrada começou a brotar uma planta desconhecida. Todos ficaram admirados com o acontecido. Resolveram, pois, desenterrar Mani, para enterrá-la em outro lugar”. Para surpresa da tribo, o corpo da pequena índia não foi encontrado, encontraram somente as grossas raízes da planta desconhecida. A raiz era marrom, por fora, e branquinha por dentro. Após cozinharem e provarem a raiz, entenderam que se tratava de um presente do Deus Tupã. A raiz de Mani veio para saciar a fome da tribo. Os índios deram o nome da raiz de Mani e como nasceu dentro de uma oca ficou Manioca, que hoje conhecemos como mandioca. 

São Jorge, São Cristóvão e São Floriano = Cobra Honorato – Espírito protetor dos salva-vidas em geral, como soldados, policiais, bombeiros e nadadores; e Maria Caninana, espírito destruidor das embarcações, que tira a vida dos navegantes, náufragos e pescadores.

“Numa tribo da Amazônia, algo inusitado aconteceu uma índia engravidou de uma cobra, uma boiuna após um banho de rio. Passados nove meses, a índia deu a luz à duas crianças, na verdade duas cobrinhas. A mãe desesperada e assustada por seus filhos serem cobras, jogou-os no rio. As duas cobras cresceram livremente pela mata e pelo rio. Viviam sempre juntas. Os índios deram-lhe os nomes de: Cobra Honorato (para o menino) e Maria Caninana (para a menina.) Com o passar do tempo as diferenças entre as duas cobras foram ficando cada vez mais evidentes. Cobra Honorato era mais forte e bom, nunca fazia mal a ninguém, sempre estava pronto para ajudar, salvou muita gente de morrer afogada. Com frequência, Cobra Honorato vinha visitar a mãe na aldeia. Saia sempre no meio da noite e sob a luz do luar tirava seu couro de cobra e se transformava em um bonito rapaz. Ainda pela madrugada, antes do último canto do galo, Honorato metia-se novamente dentro do seu couro de cobra e mergulhava de volta no rio, voltando a ser a Cobra Honorato. Já Maria Caninana era violenta e má. Afundava as embarcações, matava os náufragos, atacava os pescadores, feria os peixes. Jamais procurou a sua mãe. Um dia após presenciar uma das maldades de Maria Caninana, Cobra Honorato para detê-la, a matou. Para desfazer o encanto sofrido pela Cobra Honorato, alguém de coragem teria que encontrar a cobra dormindo e sacudir dentro de sua boca três pingos de leite de mulher, além disso teria que ferir comum ferro a cabeça da cobra. Após isso Honorato se transformaria em homem para sempre. Muitos com pena de Honorato quiseram tentar desfazer o encanto, mas tinham medo quando o viam transformado em cobra. Até que um dia um soldado, que fez amizade com Honorato enquanto estava transformado em homem, criou coragem e venceu o encanto. Após dar três gostas de leite na boca da cobra dormindo, deu-lhe uma machadada na cabeça. A cobra se sacudiu e depois estirou-se no chão. Honorato saiu então de dentro do couro da cobra e ajudou o amigo soldado à queimar o mesmo. Assim o encanto foi quebrado, e Honorato viveu por muitos anos”. 

Santo Antônio, São João Batista e São Pedro = Sapucaia Oroca – Espírito protetor das festas e celebrações religiosas e festas e celebrações em geral.

“Esta lenda conta a história de uma aldeia que vivia às margens do rio Madeira. Os índios contam que era uma tribo muito alegre, valorizavam muito as festas que davam em honra ao deus Tupã. Porém, suas celebrações eram impuras, eles exageravam, blasfemavam, aprontavam de tal forma que faziam os espíritos protetores da aldeia, os angaturamas, chorarem de tristeza. Também não gostavam de trabalhar, queriam viver a festejar. Por muitas vezes os pajés advertiam a tribo do castigo que poderiam sofrer caso não parassem de fazer coisas erradas. Mas os habitantes da tribo não o ouviam. Um dia depois de festejos, danças e orgias a terra tremeu e as águas do Rio Madeira ergueram-se invadindo a aldeia, fazendo assim desaparecer toda a tribo. Hoje no lugar onde seria a tribo, se vê altos barrancos. A lenda conta ainda, que os espíritos protetores comovidos pelo arrependimento da população deixaram a aldeia intacta debaixo das águas do rio e transformaram seus habitantes em seres encantados das águas”. 

São Lourenço, Maria do Araújo e Lola = Açaí – Espírito protetor dos alimentos em geral e de todos os homens que trabalham com alimentos.

“Há muito tempo, quando ainda não existia a cidade de Belém do Pará, vivia no local uma tribo indígena. Nesta época os alimentos eram escassos e por este motivo o cacique tomou uma decisão muito cruel: resolveu que todas as crianças que nascessem a partir daquela data, seriam necessariamente sacrificadas, uma vez que não haveria alimento suficiente para todos. Porém, Iaça, filha do Cacique, deu a luz a um lindo menino o qual não foi poupado da cruel decisão de seu avô. A índia chorava todas as noites com saudades de seu filho, até que numa noite de lua cheia, a índia ouviu o choro de uma criança. O choro vinha da direção de uma bela palmeira. Quando a índia chegou ao local, seu filho a esperava de braços abertos. Radiante de alegria, Iaça correu para abraçá-lo, mas quando o fez, a criança misteriosamente desapareceu. No dia seguinte, a índia foi encontrada morta, abraçada ao tronco da palmeira. Seu rosto trazia um suave sorriso de felicidade e seus olhos negros, ainda abertos, fitavam o alto da palmeira que estava carregada de frutinhos escuros. Então, o Cacique mandou que apanhassem os frutinhos e percebeu que deles poderia se extrair um suco quando amassados, que passou a ser a principal fonte de alimento daquela tribo. Este achado fez com que o Cacique suspendesse os sacrifícios e as crianças voltaram a nascer livremente, pois a alimentação já não era mais problema na tribo. Em agradecimento ao deus Tupã e em homenagem a sua filha, o Cacique deu o nome de AÇAÍ aos frutinhos encontrados na palmeira, que é justamente o nome de IAÇA invertido.

Nossa Senhora das Águas = Pingo D’Água – Espírito protetor das cachoeiras e seus frequentadores.

“O pai da índia Pingo d’Água chamou-a e para comunicar-lhe que estava prometida em casamento para Pucaerin, um bravo caçador. A jovem, assustada, disse a seu pai que não amava o valente índio, e sim Itaerê, e lhe suplicou que reconsiderasse a decisão. O velhoíndio, no entanto, disse que não haveria como, pois tal casamento seria conveniente à paz entre as tribos vizinhas. A bela índia, então, muito triste, disse que pediria forças a deusa Jaci para suportar tal encargo. Á noite, Pingo d’Água saiu a caminhar, pedindo a Tupã que a salvasse do triste destino. Infelizmente, as preparações para o festejo prosseguiram, e Pingo d’Água ia ficando cada vez mais angustiada. pensava que seu amado Itaerê viria e ambos fugiriam. Mas ele não apareceu. Quando começou a celebração, o grande- chefe iniciou a cerimônia, ordenando que trouxessem a noiva. Houve demora, até que vieram avisar que ela não se encontrava na oca. Imediatamente, os índios saíram para procurá-la. Todos desconfiavam que Itaerê a tinha raptado. Seguiram o rastro da moça até perto da cachoeira, de onde as águas caíam a grande altura. Pingo d’Água não mais apareceu. Dias depois, uma criança correu avisar a tribo que havia um corpo boiando próximo às rochas em que as águas da cachoeira despencavam. Era Pingo D’Água, a noiva que acabara morrendo pelo amor de outro homem. A cachoeira recebeu, então, o nome de Véu da Noiva”.

São José, Nossa Senhora de Nazaré, Santo Antônio e Santa Rita = Uirapuru – Espírito protetor da família, dos relacionamentos amorosos e casamentos.

“A lenda do Uirapuru é a lenda de um pássaro especial, pois dizem que ele é mágico, quem o encontra pode ter um desejo especial realizado. O Uirapuru é um símbolo de felicidade. Diz a lenda que um jovem guerreiro apaixonou-se pela esposa do grande cacique. Por se tratar de um amor proibido não poderia se aproximar dela. Sendo assim, pediu ao deus Tupã que o transformasse em um pássaro. Tupã transformou o em um pássaro vermelho telha, com um lindo canto. O cacique foi quem logo observou o canto maravilhoso daquele pássaro. Ficou tão fascinado que passou a perseguir o pássaro para aprisioná-lo e ter seu canto só para ele. Na ânsia de capturar o pássaro, o cacique se perdeu na floresta. Todas as noites o Uirapuru canta para a sua amada. Tem esperança que um dia ela descubra o seu canto e saiba que ele é o jovem guerreiro”.

Nossa Senhora da Conceição = Mãe da Mata: Espírito protetor das matas que luta contra as devastações na mata e contra as caças injustas, isto é, sem finalidade alimentícia ou de defesa.

Segunda a lenda, uma menina se perdeu na mata e faleceu desnutrida, seu espírito ficou perdido na floresta e com o tempo ela passou a aterrorizar aldeias e fazendas. Possui longos cabelos negros que a noite pegam fogo, chicoteia aqueles que não trazem suas oferendas preferidas: fumos, mel e mingau. Em algumas regiões, onde o mito é mais conhecido, é costume dos habitantes (principalmente homens que saem para caçar de madrugada) deixar um pouco de fumo na mata, especialmente em cima de tocos de árvores. De acordo com a crença, isso impede que a Comadre “dê uma lição” no caçador, chicoteando-o, ou aos cachorros que este leva para farejar alguma caça. Ela também ataca quem esteja derrubando árvores na mata. A Comadre também pode assustar quem esteja andando a cavalo na mata e não deixe a oferenda. Ela amarra o rabo e a crina do animal de tal forma que ninguém possa desatar os nós. A ela também são atribuídos “causos” semelhantes contados pelos anciãos das regiões rurais, onde os rabos dos cavalos no estábulo amanhecem amarrados da mesma maneira.

Princesa Isabel do Brasil = Princesa – Espírito protetor das cidades.

“Dizem alguns habitantes de Jericoacora, no Ceará, que no lugar onde hoje é um farol, existia uma cidade maravilhosa, cheia de riquezas, na qual habitava uma linda princesa. Na praia, quando a maré baixa, existe uma passagem secreta, um túnel, no qual só pode entrar engatinhando. Porém, não é possível percorrer todo o túnel pois existe um portão de ferro que limita a passagem.  A princesa está encantada, vivendo na cidade que existe além do portão. Ela foi enfeitiçada, está transformada numa serpente de escamas de ouro, que tem a cabeça e os pés de mulher. Uma criatura bastante feia. A lenda diz que ela só pode ser desencantada com sangue de um humano. No dia em que se imolar alguém perto do portão, abrir-se-á o portão para o reino encantado. Com o sangue será feita uma cruz no dorso da serpente e assim, a princesa surgirá com toda a sua beleza, e o encanto da cidade será quebrado. Logo então, surgirá na praia um enorme palácio, com pedrarias preciosas que encantarão qualquer pessoa e a princesa se casará com o homem que a libertou do encanto. Como ninguém quis até hoje, dar a vida para quebrar o tal encanto, a princesa continua lá na gruta a espera do seu salvador”.

Santa Sara = Guaraná – Espírito protetor das mulheres que desejam engravidar e constituir família.

“No meio da floresta Amazônica, viviam os índios Maués e entre eles um casal jovem, muito feliz e amado pela tribo. Porém, a felicidade do casal era abalada pela tristeza de não terem filhos. Aconselhados pelo pajé, resolveram buscar ajuda de Tupã e pediram-lhe então, a graça de poder ter um filho. Meses depois, a índia eu a luz a um menino. O pequeno índio crescia saudável e feliz. Era muito querido por todos, pois era muito bondoso, criativo, prestativo e cheio de alegria. O curumim era a verdadeira sensação da tribo e sua família muito admirada. A fama do curumim se espalhou pela floresta e chegou ao conhecimento de Jurupari, um espírito do mal. Jurupari cheio de inveja passou a acompanhar o pequeno índio. Como podia ficar invisível, ninguém o via.  Certo dia, o curumim saiu sozinho para colher frutos na floresta. Jurupari aproveitou-se da ocasião e transformou-se numa serpente venenosa que picou o menino. O pequeno índio morreu quase que instantaneamente. O veneno da serpente era muito poderoso para o seu frágil corpinho de criança. Preocupados com a demora do curumim, vários índios da aldeia partiram pela floresta para procurá-lo. Quando encontraram o menino todos lamentaram o ocorrido. Neste momento, raios e trovões caiam do céu. Os índios diziam ser o lamento de Tupã. A tristeza pairou sobre a aldeia. A mãe do curumim morto recebeu uma mensagem de Tupã dizendo que deviam plantar os olhos da criança. Os índios obedeceram ao pedido da mãe e plantaram os olhos do curumim.  Algum tempo depois no lugar em que haviam sido enterrados os olhos da criança, brotava uma linda plantinha, o Guaraná, com fruto vermelho e que por dentro pareciam os olhos do menino”.

Santa Cecília = Anhum – Espírito protetor dos músicos.

“No começo, nada existia sobre o mundo terrestre, que produzisse a doce melodia ou suave harmonia. Ninguém celebrava com alegres vozes os feitos mortais, ou tocava qualquer instrumento musical. A melodiosa arte e a divina ciência na combinação de sons, era desconhecida, nenhum conjunto de orquestra havia sido organizado. Homem algum exercia a sacra arte da música e não compunha nem executavam peças musicais. Um dia, o imortal Anhum, deus do canto e neto de Tupã, o Criador, desceu dos céus e veio passear no lendário Eldorado, as margens do rio Araguaia, em companhia da deusa Solfa, sua noiva e ao entardecer, o deus ficou muito triste, porque a vida dos homens era envolvida em um tenebroso silêncio. Então, Anhum, desejando manifestar os diversos afetos de sua alma à amada e divina Solfa, convocou no Ibiapaba os deuses, os semi-deuses, os homens e depois de muito discutirem, resolveram sob a orientação do deus melódico, erigir a Tupã, três altares de pedra e celebra suave dança Feito isso, Anhum chamou a semi-deusa Araci, em primeiro lugar, e ela desenhou na madeira uma pauta composta de cinco linhas e quatro espaços, e além destas, outras linhas e outros espaços, pondo o nome nas primeiras, de naturais e nas segundas, de suplementares superiores e inferiores. Em segundo lugar, convocou Vapuaçú deus dos sonhos amenos e das suaves ilusões, que crioo as sete claves, representadas por três interessantes figuras às quais deu os nomes de Sol, Fá e de Dó. Em terceiro lugar, chamou Abeguar que rapidamente colocou sobre as linhas, sete pontos que foram chamados notas. Determinou que cada clave daria seu nome à nota que fosse assinada sobre a mesma linha e consequentemente, determinaria os nomes de todas as demais notas que estivesses na outras linhas e espaços. Finalmente o próprio Anhum deu nome às notas que subindo são: dó, ré, mi, fá, sol, lá, si.

E descendo são: si, lá, sol, fá, mi, ré dó”.

Nossa Senhora da Luz = Jacaré Luminoso – Espírito protetor dos cegos e pessoas perdidas nas matas à noite.

“O Jacaré Luminoso tem a forma do réptil que lhe dá nome, em grandes proporções, mas com a peculiaridade de emitir uma luz azulada semelhante ao luar. Como essa luminosidade ocorre inclusive em noites de escuridão total, o ser literalmente brilha no escuro, daí a origem do seu nome. Alguns relatos tratam que a criatura às vezes é percebida em razão dessa luz ser emitida inicialmente pelos seus olhos, se espalhando então pelo corpo até que resulte numa transparência parcial, que dá ao jacaré uma aparência translúcida e fantasmagórica”.

Monge João Maria – Espírito protetor dos excluídos.

“Apesar de serem três, o povo, por meio de lendas e folclore, uniu-os em um, que ficou conhecido como São João Maria, considerado na época o ‘monge dos excluídos’. Estão historicamente unidos de tal forma que muitas vezes é difícil separar seus feitos e suas vida. Tinham em comum o fato de viver em épocas de grandes mudanças sociais, quando a assistência médica e a educação tinham pouca penetração no interior do país, e o aconselhamento embasado na religião, a cura por ervas, água e milagres eram os únicos recursos acessíveis da população carente e pouco assistida. Os humildes encontraram neles apoio para enfrentar a penúria e a desesperança”.

São Sebastião = Sumé – Espírito protetor dos Mártires e Nomes – do – Pai.

“Nas suas Cartas do Brasil, datas de 1549, o padre Manoel da Nóbrega descreveu algumas lendas dos índios brasileiros sobre uma entidade denominada Sumé[ ] Tal divindade teria aparecido de forma misteriosa e se tratava de um homem branco, que andava ou flutuava no ar e possuía longos cabelos e barbas brancas. Sumé começou por ensinar ao povo da selva a arte da agricultura e depois habilidades como a de transformar mandioca em farinha e alguns espinhos em anzol, além de regras morais[ ] Curava feridas e diversos males sem cobrar nada em troca. Tanta gentileza e poder assim despertou sobre si o ódio dos caciques, culminando com a recepção de Sumé a flechadas numa certa manhã, armas que misteriosamente retornaram e feriram de morte os arqueiros atiradores.[] Os índios também ficaram então espantados com a facilidade como tal forasteiro extraía as flechas e como de seu corpo não escorria sangue algum. Sumé ainda teria andado de costas para o mar até atingir as águas. A divindade teria desaparecido num voo sobre as ondas para nunca mais voltar. Quando Sumé foi embora, teria deixado uma série de rastros gravados numa pedra em algum lugar do interior do Brasil”.

Almas que ainda não conseguiram fazer a passagem para a luz = Anhangá – Espíritos diversos que ainda estão presos a terra após a morte, mas que protegem os animais da floresta.

“Anhangá é o nome que os índios tupis  América do Sul davam aos espíritos que vagavam pela terra após a morte, atormentando os viventes. Podia assumir qualquer forma, porém sua forma mais famosa era a de um veado de olhos de fogo e com uma cruz na testa. Segundo alguns mitos, era o protetor da caça nas florestas, protegendo os animais contra os caçadores. Quando a caça conseguia fugir, os índios diziam que Anhangá as havia protegido e ajudado a escapar.

 Entidades de Trevas

Lúcifer = Taubá – Espírito que é a personificação do Mal.

“Kerana, a bela filha de Marangatu, foi capturada pela personificação ou espírito do mau chamado Tau (em tupi antigo, Taúba ou Taubymana). Juntos, eles tiveram sete filhos, que foram amaldiçoados pela grande deusa Arasy, e todos, exceto um, nasceram como monstros horríveis. Os sete são considerados figuras primárias na mitologia guarani e, enquanto vários dos deuses menores ou até os humanos originais são esquecidos na tradição verbal de algumas áreas, estes sete são geralmente mantidos nas lendas. Alguns são considerados reais até mesmo em tempos modernos, em áreas rurais ou regiões indígenas. Os sete filhos de Tau e Kerana são, em ordem de nascimento”:

  • Teju Jagua, deus ou espírito das cavernas e frutas.
  • Mboi Tu’i, deus dos cursos de água e criaturas aquáticas.
  • Moñai, deus dos campos abertos. Foi derrotado pelo sacrifício de Porâsý.
  • Jaci Jaterê, deus da sesta, único dos sete que não aparece como monstro.
  • Kurupi, deus da sexualidade e fertilidade.
  • Ao Ao, deus dos montes e montanhas.
  • Luison, deus da morte e tudo relacionado a ela.

Teju Jagua – Espírito destruidor de vidas em cavernas, grutas e lagos.

“O Teju Jagua ou Teiú-iaguá é o deus das cavernas, grutas e lagos na mitologia guarani. Ele tem um grande corpo de lagarto e sete cabeças de cachorro. Arrasta-se como um lagarto e come frutas e mel. No alto de sua cabeça, encontra-se incrustada uma pedra preciosa, o carbúnculo. Vive no cerro do Jarau em meio a um imenso tesouro”.

Mboi Tu’i – Espírito destruidor de vidas humanas em pântanos, protegendo a vida dos anfíbios contra os ataques de seres humanos, matando-os em caso de ataque aos animais. 

“Ele é um dos sete monstros lendários da mitologia Guarani. Ele é o segundo filho de Tau e Kerana. Mboi Tu’i se traduz literalmente como “serpente – papagaio”, que descreve a aparência destas criaturas. Mboi Tu’i tem a forma de uma enorme serpente, com uma enorme cabeça e bico de papagaio. Ele também tem uma língua bifurcada vermelho da cor do sangue. Sua pele é escamosa e listrada. Penas cobrem a sua cabeça. Ele tem um olhar prejudicial que assusta a todos que tem a má sorte de ser encontrado com ele. Ele patrulha pântanos e protege a vida dos anfíbios, gosta da umidade e flores, ele solta um poderoso e terrível grito incrível que pode ser ouvido de muito longe e que infunde o terror em todos que a ouvem e é considerado o protetor dos animais aquáticos e as zonas húmidas”.

Moñai – Espírito destruidor da paz, que instiga o roubo e a discórdia entre os homens.

 “Moñai é o terceiro filho de Tau e Kerena e um dos sete monstros lendários, da Mitologia Guarani. Moñai possui dois chifres retos que funcionam como antena. Seus domínios são os campos abertos. Ele pode escalar árvores com facilidade e deslizar para baixo para caçar os pássaros a quem ele se alimenta e domina com o poder hipnótico de suas antenas. Devido a isso ele é chamado o senhor do ar. Moñai gosta de roubar e esconder o produto de seus crimes em uma caverna. Suas incursões contínuas roubando e nas aldeias provocou grande discórdia entre o povo como todos eles acusam-se mutuamente para o roubo misterioso “desaparecimento” dos seus pertences. Os habitantes da cidade se juntaram para pôr fim às ações Moñai e de seus irmãos. A bela Porâsý ofereceu-se para realizar esta missão. Ela convenceu Moñai que ela estava apaixonada por ele, e que antes de se celebrar o casamento, ela queria conhecer os irmãos. Moñai a deixou sob os cuidados de Teju Jagua e saiu para buscar o resto de seus irmãos: Mboi Tu’i, Yasy Yateré, Kurupi, Luisón e Ao Ao. Quando ele finalmente trouxe todos eles, começaram os rituais de casamento. Os irmãos estavam completamente embriagados. Foi nesse momento que Porâsý tentou fugir da caverna que era fechada por uma pedra enorme. Moñai a impedia de sair e a jogou de volta para a caverna. Porâsý gritou para alarmar as pessoas que estavam esperando lá fora. Sabendo que ela não conseguiria sair, ela ordenou que as pessoas queimassem a caverna, mesmo com ela dentro. Em troca do sacrifício de Porâsý, os deuses elevaram sua alma e a transformaram em um pequeno, mas intenso ponto de luz. Desde então, os deuses destinaram o espírito de Porâsý a acender a luz da aurora”.

Jaci Jaterê – Espírito destruidor de crianças, que é protetor da erva-mate e dos tesouros escondidos, bem como da sesta.

“Com um nome que significa literalmente pedaço da Lua, é único dentre os seus irmãos a não possuir uma aparência monstruosa. Usualmente é descrito como um homem de pequena estatura, ou talvez uma criança, aloirado e às vezes com olhos azuis. Tem uma aparência distinta, algumas vezes descrita como bela ou encantadora, e carrega um bastão ou cajado mágico. Como a maioria de seus irmãos, habita na mata, sendo considerado o protetor da erva-mate. Algumas vezes é visto como protetor dos tesouros escondidos. Jaci Jaterê também é considerado o senhor da sesta, o tradicional descanso ao meio do dia das culturas latino-americanas. De acordo com uma das versões do mito, ele deixa a floresta e percorre as vilas procurando por crianças que nao descansam durante a sesta. Embora seja naturalmente invisível, ele se mostra a essas crianças e aquelas que veem seu cajado caem em transe ou ficam catalépticas. Algumas versões dizem que essas crianças são levadas para um local secreto da floresta, onde brincam ate o fim da sesta, quando recebem um beijo mágico que as devolve a suas camas, sem memória da experiência”.

Kurupiri – Espírito destruidor da paz, que instiga a violência aos homens e animais, e costuma violentar virgens.

“Kurupi é um deus mitológico guarani, filho de Tau e Kerana. “Curupira-amarelo”, “taiutú-perê”, “micuim-cambá”, são sinônimos para este homúnculo que habita as florestas densas e que, em noites de lua cheia atormenta a vida dos índios e animais. Pequeno, de coloração amarelo-pálida, olhos negros (sem pupilas), dentes pontiagudos; movimenta-se através de saltos e é muito rápido. Alimenta-se de filhotes de animais recém-nascidos e fezes de cotia, e na mata é reconhecido por seus gritos e gargalhadas malévolos, principalmente de madrugada. Um importante e curioso atributo físico deste pequeno ser encantado consiste em seu falo – que, em forma de espiral, giza no entorno do seu abdômen. Muito sagaz e ativo, é temido e respeitado pela comunidade ribeirinha, pois costuma perseguir e violentar índios (homens) e caçadores perdidos na floresta, assim como índias virgens (muito raramente), sendo que, se isto ocorrer em noites de lua nova, segundo a crença, será concebido um ser híbrido, pequenino e atrevido”.

Ao Ao – Espírito destruidor de Vidas, que instiga a prática do canibalismo.

“Ao Ao, também grafado como Aho Aho, é o nome de uma monstruosa criatura da Mitologia guarani. Um dos filhos de Tau e Kerana, é uma das figuras centrais da mitologia dos povos que falam a Língua guarani, localizados históricamente no Paraguai, norte da Argentina e sul e oeste do Brasil. Ao Ao é freqüentemente descrito como sendo uma voraz criatura parecida com um carneiro, com um grande conjunto de presas afiadas. Alternativamente aparece como sendo um grande pecaminoso. O seu nome é derivado do som que faria ao perseguir suas vitimas. O primeiro Ao Ao teria uma enorme virilidade e por isso é identificado como o principio da fertilidade pelos guaranis. Produziu grande descendência igual a ele, e servem coletivamente como senhores e protetores das colinas e montanhas. É descrito ainda como sendo canibal devorador de gente. Embora sua descrição física seja claramente não humana, é meio humana por nascimento, então o termo canibal se aplicaria. De acordo com a maioria das versões do mito, quando localiza uma vítima para sua próxima refeição, persegue o infeliz humano por qualquer distância ou em qualquer território, não parando até conseguir sua refeição. Se a presa tentar escapar subindo em uma árvore, o Ao Ao circundará a mesma, uivando incessantemente e cavando as raízes até a árvore cair. De acordo com o mito, a única árvore segura para escapar seria a palmeira, que conteria algum poder contra o Ao Ao, e se a vitima conseguisse subir em uma, ele desistiria e sairia em busca de outra refeição. O Ao Ao também teria a função de levar as crianças desobedientes para seu irmão, Jaci Jaterê”.

Luison – Espírito destruidor da vida em todos os seus aspectos; espírito senhor da morte.

“O Luison ou Lobizón (emespanhol) é uma criatura da mitologia guarani, detentora do poder sobre a morte. Acredita-se que seja semelhante a um lobo sul americanoou a um macaco de olhos vermelhos, com barbatanas de peixe e um enorme falo (de anta). Seu nome é derivado do nome de outra criatura mitológica, o lobisomem. Também conhecido pelos nomes de Luisito, Juicho e Luisõ, é descrito como o sétimo e último filho varão de Tau e Keraná, sobre quem caiu uma maldição transmitida por seus progenitores: nas noites de lua cheia de sexta-feira e/ou terça-feira, o indivíduo se transformava em uma criatura com metade das características de um cachorro muito grande e um homem (outras vezes, também, possuía as características de um porco). A origem do mito é incerta”.

Anticristo = Jurupari. Mulher que dará a luz ao Anticristo = Ceuci – Espírito imaculado que gerou vida milagrosamente, dando a luz ao filho da perdição.

“A primeira versão conta a história de uma índia chamada Ceuci que, tal qual a Virgem Maria, teve uma concepção miraculosa. Conta a lenda que Ceuci estava repousando abaixo de uma árvore e, acometida de fome, comeu seu fruto, o mapati (uacu, em algumas variantes), cuja ingestão era proibida às moças no dia em que estivessem em período fértil. O sumo da fruta teria então escorrido pelo seu corpo nu e alcançado o meio de suas coxas, fecundando-a. A notícia chegou à aldeia, e o conselho de anciãos, diante da revolta do povo, resolveu punir Ceuci com o exílio, onde teve seu filho. Esta criança, chamada Jurupari, era na verdade o enviado do Sol, pelo qual foi ordenado reformar os costumes dos homens e encontrar uma esposa para ele. Com sete dias de vida, já aparentava ter 10 anos, e sua sabedoria atraiu a atenção de todos, que passaram a ouvir suas palavras e o ensinamento dos novos costumes que o sol dizia que deveriam seguir. É chamado legislador porque alterou as leis (leia-se costumes) do mundo, transformando-o de matriarcal para patriarcal. Na mais conhecida das duas lendas, Jurupari seria, na verdade, o deus da escuridão e do mal, que visitaria os índios em sonhos, assustando-os com pesadelos e presságios de perigos horríveis, impedindo, entretanto, que suas vítimas gritassem – o que, por vezes, causava asfixia. Esta é a mais “provável”, já que o significado da palavra Jurupari seja algo como “aquele que cala”, “que tapa a boca”, ou ainda “aquele que visita nossa rede”. Os jesuítas estimularam esta versão da lenda, alguns mesmo dizendo que foram eles que a criaram, sendo imediatamente aceita pelos indígenas, ávidos por uma explicação sobre o porquê de terem pesadelos. Para Câmara Cascudo, essa concepção de criatura dos “pesadelos” é um amálgama de lendas europeias e africanas, inventadas pelas amas de leite para o controle do comportamento das crianças. Por vezes, é visto como um caboclo medonho que está sempre rindo, aleijão de boca torta, sendo muito cruel e vingativo. Em algumas culturas indígenas, é descrito como uma cobra com braços; em outras, como um índio comum dotado de grande sabedoria e poderes divinos. Já foi descrito como um bebê invisível, ou simplesmente como uma “presença” (espírito). Em alguns dos mitos que envolvem o jurupari, esse herói morre queimado, e, das suas cinzas, nasce a palmeira de paxiúba (Socratea exorrhiza), uma árvore de cuja madeira são feitos os instrumentos juruparis tocados nesse ritual. Entre os índios tucanos, a flauta (simiômi’i-põrero) é feita da madeira do uacu (Monopteryx angustifolia). Segundo Piedade, é um instrumento sagrado que tem som de trovão, tendo sido utilizado pelos homens para recuperar os instrumentos juruparis que as mulheres haviam roubado”.

Caboclo D’Água – Espírito destruidor de embarcações, navegantes e pescadores do Rio São Francisco.

“Caboclo d’Água é um ser mítico, defensor do Rio São Francisco, que assombra os pescadores e navegantes, chegando mesmo a virar e afundar embarcações. Para esconjurá-lo, os marujos do São Francisco fazem esculpir, à proa de seus barcos, figuras assustadoras chamadas carrancas. Outros lançam fumo nas águas para acalmá-lo. Também são cravadas facas no fundo de canoas, por haver a crença de que o aço afugenta manifestações de seres sobrenaturais. Os nativos o descrevem como sendo um ser troncudo e musculoso, de pele cor de bronze e um único, grande olho em sua testa. Apesar de seu tipo físico, o Caboclo d’Água consegue se locomover rapidamente. Apesar de poder viver fora da água, o Caboclo d’Água nunca se afasta das margens do rio São Francisco. Quando não gosta de um pescador, ele afugenta os peixes para longe da rede, mas, se o pescador lhe faz um agrado, ele o ajuda para que a pesca seja farta. Há relatos de que ele também pode aparecer sob a forma de outros animais. Um pescador conta ter visto um animal morto boiando no rio; ao se aproximar com a canoa, notou que se tratava de um cavalo, mas, ao tentar se aproximar, para ver a marca e comunicar o fato ao dono, o animal rapidamente afundou. Em seguida, o barco começou a se mexer, ao virar-se para o lado, notou o Caboclo d’Água agarrado à beirada, tentando virar o barco. Então o pescador, lembrando-se de que trazia fumo em sua sacola, atirou-o às águas, e o Caboclo d’Água saiu dando cambalhotas, mergulhando rio-abaixo”.

Cabra cabriola – Espírito destruidor de bebês e criancinhas

“A lenda conta que a Cabra Cabriola era um animal monstruoso que comia crianças travessas. Ela invadia casas para pegar e comer as crianças que não obedeciam os pais. De acordo com a lenda no Brasil, ela cantava este verso”:

“Eu sou a Cabra Cabriola
Que como meninos aos pares
Também comerei a vós
Uns carocinhos de nada”

Boi Vaquim – Espírito destruidor de campeiros, fazendendeiros, retirante e trabalhadores rurais em geral.

“Trata-se de um ser fabuloso do Rio Grande do Sul, descrito pelo historiador Contreira Rodrigues. É um boi com asas e guampas de ouro, mete medo aos campeiros, porque chispa fogo pelas pontas das guampas e tem olhos de diamante. É preciso muita coragem para laçá-lo, braço forte, cavalo bom de pata e de rédeas”.

Boiuna – Espírito destruidor de embarcações e navegantes.

“A boiuna, cobra-grande, mãe-do-rio ou senhora-das-águas é um mito amazônico de origem ameríndia. É descrito como uma enorme cobra escura capaz de virar as embarcações. Também pode imitar as formas das embarcações, atraindo náufragos para o fundo do rio, ou assumir a forma de uma mulher”.

Ana Jansen – Espírito destruidor das relações humanas, que instiga o orgulho e o preconceito racial.

“A lenda da carruagem de Ana Jansen trata de uma mulher muito rica que se instalou com a família em São Luís do Maranhão e, que, por maltratar seus escravos, teria sido condenada a vagar perpetuamente pelas ruas da cidade numa carruagem assombrada. O coche maldito parte do cemitério do Gavião, em noites de quinta para sexta-feira, e ai de quem encontrá-lo pelo caminho. Ao incauto, Ana Jansen oferece uma vela acesa que, na manhã seguinte, estará transformada em osso de defunto. Um escravo sem cabeça conduz a carruagem, puxada por cavalos também decapitados”.

Cabeça de Cuia – Espírito destruidor das relações entre o filho e a mãe, que instiga os filhos a matarem suas mães.

“Cabeça de Cuia é uma lenda da região nordeste do Brasil, mais precisamente criada no estado do Piauí. Trata-se da história de Crispim, um jovem garoto que morava nas margens do rio Paranaíba. Sua família era necessitada. Um certo dia, chegando para almoço, sua mãe lhe serviu, como de costume, uma sopa rala, com ossos, já que faltava carne na sua casa frequentemente. Nesse dia ele se revoltou, e no meio da discussão com sua mãe, arremessou o osso contra ela, atingindo-a na cabeça e matando-a. Antes de morrer sua mãe lhe amaldiçoou a ficar vagando no rio e também como efeito da maldição, Crispim ficou com a cabeça muito grande, no formato de uma cuia, daí o nome “cabeça de cuia”. A mãe ainda lhe disse que sua perna penduraria até que ele se relacionasse sexualmente com sete Marias virgens. Dada essa lenda, muitas garotas antigamente evitavam lavar as roupas às margens do Rio Paranaíba”.

Cabeça Satânica – Espírito destruidor de vidas através de doenças graves e terminais.

“Cabeça Satânica ou Cabeça Errante é um dos muitos fantasmas do folclore brasileiro. Não se pode indicar com exatidão a época em que esse mito surgiu, sabe-se apenas que é de origem europeia, e certamente tem raízes portuguesas. A versão mais aceita é a de que tenha chegado ao país através dos colonizadores desembarcados em Recife-PE, mas depois foi se espalhado pelas zonas do agreste, sertão e alto sertão, sendo pouco conhecida nas capitais. Os relatos a seu respeito são variados e assustadores. Alguns a descrevem como sendo a cabeça de uma pessoa de cabelos compridos, a se deslocar rolando ou saltitando pelo chão, mostrando os olhos arregalados e amedrontadores, sempre com um grande sorriso enigmático estampado na face. Outros a apresentam como a cabeça de um cangaceiro de feições rudes e castigadas pelas adversidades, que contempla sorridente a todos os que com ela se deparam. Uma terceira versão a representa como sendo uma cabeça conduzida por outro ser fantasmagórico, que com uma das mãos a segura pelos cabelos, mas a solta assim que se defronta com alguém, para que ela possa perseguir a vítima, que por infelicidade, estava no lugar errado e na hora errada. Surge de repente, como se fosse uma pessoa comum, quase sempre de costas para o individuo a quem pretende intimidar. Isso sempre acontece tarde da noite e em lugares onde haja pouca luminosidade, certamente porque a obscuridade aumentará a sensação de pavor. Então aquela pessoa estranha e irreconhecível, se desfaz no chão em poucos segundos, surgindo em seu lugar à assustadora cabeça rolante. Trata-se de uma entidade tão temida pelos habitantes das regiões afastadas, que a simples menção do seu nome já exige o Sinal da Cruz, e costumam evita-lo, mesmo quando a conversa gira em torno de assombrações. Isso porque associam seu nome à encarnação viva do próprio diabo, que costuma sair a noite, para perseguir aqueles que por qualquer motivo, estão perambulando pelas ruas, com ou sem destino. Dizem que basta um toque dessa entidade maligna, para que a pessoa alcançada adoeça e morra logo em seguida, é considerado sinal de agouro quando ela corre pelas noites a fora, e de repente se detém diante de alguma casa. Nesses casos, tem-se como certo que uma das pessoas que moram ali, acabará morrendo ou contraindo doença grave no prazo de poucos dias. Para que isso não aconteça será necessário que um padre exorcize o local, para depois os moradores nele realizarem uma novena. Essa é, na certeza geral, a única maneira do mal ser afastado definitivamente. Em algumas regiões essa entidade é também descrita como uma enorme cabeça que surge mostrando seus cabelos e olhos de fogo, sempre gargalhando de forma tenebrosa, espalhando terror e pânico por onde costuma passar. Para proteger-se dos malefícios que essa aparição sempre acarreta, recomenda-se que uma cruz feita da palha do Domingo de Ramos, seja colocada do lado de fora da porta de entrada da casa, como se fosse um amuleto a protegê-la. Mas quando ele não funciona e a sinistra cabeça detém-se diante da casa, fazendo com que seu hálito horrível atravesse as frestas da porta e seja sentido por seus moradores, o recurso é que eles se agarrem a um terço bento e comecem a rezar, mantendo sempre bem fechados todos os ferrolhos de portas e janelas, que possam permitir a entrada da aberração que está do lado de fora”.

Lobisomem – Espírito destruidor das famílias.

“Segundo a lenda se um casal que teve 7 filhas tiver um menino depois este será um Lobisomem. Aos 13 anos começa a sofrer a maldição e se transforma em um Lobisomem. Dizem alguns que há outras formas de passar a maldição adiante: quando um velho Lobisomem sente que vai morrer, ele fica sofrendo muito até passar o “encargo” a alguém mais moço. E não consegue morrer antes disso. Se tem algum jovem por perto, ele pergunta: “Tu queres?”. Ingenuamente o jovem responde “sim” acreditando ser uma herança ou um presente. Só assim o velho morre satisfeito, tendo passado a maldição adiante ele terá paz de espirito. Outra forma de sofrer da maldição é se um homem for atacado por um lobo ou por um Lobisomem e sobreviver. O homem que se transforma em Lobisomem é sempre bem magro, de olhos fundos, muito pálido. Quase sempre mora sozinho, muitos o acham um pouco esquisito. As noites de Quinta para Sexta-feira são as noites da transformação, há pessoas que dizem que á transformação só ocorre nas noites de lua cheia. Ele retorna à forma humana antes do dia clarear. Seu uivo é de arrepiar! Ataca qualquer um que cruzar o seu caminho, tem gente que diz que ele só ataca se sentir-se ameaçado. Em alguns lugares do Brasil e do mundo, pois essa é uma lenda comum em vários países, referem-se ao Lobisomem como um ser imortal, que não envelhece, não fica doente e se machucado possui uma cicatrização rápida. Dessa forma, só é possível matar o Lobisomem com um revólver que utilizar uma bala de prata”. 

Mula sem Cabeça – Espírito destruidor dos casamentos e sacerdócios.

“Dizem que é uma mulher que namorou um padre e foi amaldiçoada. Daí por diante, toda madrugada de quinta para sexta-feira ela se transforma em Mula-sem-cabeça. Ela percorre sete povoados e quem ela encontrar pelo caminho ela ataca, come seus olhos, unhas e dedos. Quem já a viu costuma dizer que apesar do nome ela tem cabeça sim, mas como lança fogo pelo nariz e pela boca, sua cabeça fica toda coberta por fumaça. Nas noites em que ela aparece é possível se escutar seus relinchos e seu galope, parece um cavalo enfurecido. Ao encontrar a mula deve-se deitar no chão, esconder unhas e dentes para não ser atacado. Se alguém corajoso conseguir arrancar os freios da sua boca a maldição é quebrada para sempre e ela vira mulher novamente”.

Famaliá – Espírito destruidor das virtudes, que instiga os mais diversos vícios, em especial a ganância e a avareza.

“Olha o que a ganância e a vaidade são capazes de fazer: um homem criar um diabo para então enriquecer. O diabinho da garrafa é também conhecido como Famaliá, Cramulhão, Capeta da Garrafa, entre outros nomes. É uma lenda que veio para o Brasil herança do folclore Português. Na Bahia desde 1591 ouve-se falar dessa lenda. Inicialmente, chamavam o mesmo de “Familiar” (diabinho familiar), mas, com o tempo, o nome foi mudando até que se ficou conhecido como “Famaliá”. Dizem tratar-se do pacto de uma pessoa com o diabo. O pacto consiste, na maioria das vezes, em uma troca, a pessoa pede riqueza em troca sua alma fica pertencendo ao diabo. Após feito o pacto, a pessoa tem que conseguir um ovo que dele nascerá um diabinho (de mais ou menos uns 15 cm). Em algumas regiões do Brasil acredita-se que ele pode nascer de uma galinha fecundada pelo diabo, em outras acredita-se que ele nasce de um ovo colocado por um galo. Para conseguir o tal ovo, a pessoa deve procurá-lo durante o período da quaresma, e na primeira sexta feira após conseguir o ovo, a pessoa vai até uma encruzilhada, à meia- noite, com o ovo debaixo do braço esquerdo, após passar o horário retorna para casa e deita-se na cama. No fim de 40 dias aproximadamente, o ovo é chocado e nascerá o diabinho. Em posse do diabinho, a pessoa coloca-o logo numa garrafa e a fecha.Com o passar dos anos o diabinho enriquece o seu dono, e no final da vida leva a sua alma para o inferno”.

Arranca Línguas – Espírito destruidor do bom convívio e dos bons relacionamentos em sociedade, que instiga a calúnia, a fofoca e a maledicência.

“É uma lenda muito comum na região do Rio Araguaia (Região Centro-Oeste do Brasil), e por todo estado de Goiás. Muitas pessoas descrevem o Arranca Línguas como sendo um monstro de dez metros. Há quem diga que se parece com uma mistura de gorila com homem. Sua lenda diz que ele se alimenta de línguas dos animais e do homem, daí seu nome. Costuma atacar suas vítimas à noite, matando-as e retirando-lhes a língua para comer”.

A Porca e os Sete Leitões – Espíritos destruidores das vidas de viajantes, motoristas, taxistas e caminhoneiros que vivem nas estradas, instigando-os ao acidente ou atropelamento.

“Diz a lenda que um feiticeiro transformou uma baronesa muito má e seus sete filhos em porcos. Eles costumam aparecer na beira das estradas, para assustar os viajantes, a porca solta fogo pelos olhos, nariz e boca. Eles estão condenados a passa a vida procurando um anel enterrado, caso o encontrem o feitiço será quebrado”.

Corpo Seco – Espírito destruidor das vidas nas estradas e que instiga o maltrato às mães.
“É uma espécie de assombração que fica assustando as pessoas nas estradas. Em vida, era um homem que foi muito malvado e só pensava em fazer coisas ruins, chegando a prejudicar e maltratar a própria mãe. Após sua morte, foi rejeitado pela terra e teve que viver como uma alma penada”.

Pisadeira – Espírito destruidor do bom sono e que provoca pesadelos.
“É uma velha de chinelos que aparece nas madrugadas para pisar na barriga das pessoas, provocando a falta de ar. Dizem que costuma aparecer quando as pessoas vão dormir de estômago muito cheio”.

Cumacanga – Espírito destruidor de sacerdócios, que instiga a quebra da castidade e/ou o adultério, bem como a quebra dos limites da natalidade no planeta, levando-o à treva alimentícia e econômica.

“O Lobisomem, cuja cabeça se solta do corpo, e o qual denominam Cumacanga, é sempre a concubina de um padre ou a sétima filha do seu amor sacrílego. O corpo fica em casa e a cabeça, sai, sozinha, durante a noite de sexta-feira, e voa pelos ares como um globo de fogo”. Curucanga: “Quando qualquer mulher tem sete filhas, a última vira Curacanga, isto é, a cabeça lhe sai do corpo, à noite, e em forma de bola de fogo, gira à toa pelos campos, apavorando quem a encontrar nessa estranhar vagabundeação. Há, porém, meio infalível de evitar-se esse hórrido fadário: é a mãe tomar a filha mais velha para madrinha da ultimogênita”.

Chandoré – Espírito destruidor de vidas e embarcações, navegadores e pescadores do Rio São Francisco, que instiga o suicídio por afogamento.

“Chandoré era um deus da mitologia tupi-guarani. Segundo a lenda, teria sido enviado para matar o índio malvado Pirarucu, que desafiou Tupã, mas fracassou, pois Pirarucu se jogou no rio. Como castigo o índio transformou-se no atual peixe que leva o seu nome”.

Guajara – Espírito destruidor de animais domésticos e viajantes que passam perto dos mangues.

“Duende de Almofala, município de Acaraú, Ceará. Aparece nas noites de inverno, raras vezes nos dias de verão, fazendo barulhos, tais quais, vozes de animais, ruídos de caçador, pescador, colhedor de mel de abelhas e ainda fingindo cortar árvores. Assusta os viajantes que passam perto do seu mangue, reduto natural, e também surge, como um pato, nas casas próximas, atrapalhando a calma habitual. De acordo com a tradição, o duende é invisível, derivando o pavor pela sua diversidade de simular sons. Além disso, açoita os cachorros, que podem falecer depois do terrível castigo. Aos viajantes impõe a companhia do medo ao gritar pelo caminho”.

Homem dos Pés de Louça – Espírito destridor de vidas em alto mar, lagos ou rios.

“Uns dizem que são almas de pescadores que penam. Outros, espíritos de náufragos desgraçados. Têm o corpo, a voz, os olhos, os cabelos iguais aos de qualquer homem comum, mas os pés são feitos de louça, com brilhos de luz. Quem ouvir o chamado do Homem de Pés de Louça que não se vire, que não se comova e que não olhe para os seus pés. O remédio é fechar os ouvidos, apressar os passos na areia, fazer o pai-nosso e esconjurar o demo”.

João Galafuz – Espírito destruidor de marujos e embarcações.

“João Galafuz é o nome com que a superstição popular designa uma espécie de duende, que diz aparecer em certas noites, emergindo das ondas ou surgindo dos cabelos de pedras submersas, como um facho luminoso e multicor, prenúncio de tempestade e naufrágios. Crença dominante entre os pescadores e homens do mar, dizendo-se que esse duende marinho é a alma penada de um caboclo, que morreu pagão, acaso conhecido por João Galafuz”.  

Pai do Mato – Espírito destruidor de vidas na mata.  

“É um bicho enorme, mais alto que todos os paus da mata, com cabelos enormes, unhas de dez metros e orelhas de cavaco. O seu urro estronda por toda a mata. À noite, quem passa ouve também a sua risada. Engole gente. Bala e faca não o matam, é trabalho perdido. Só se acertar numa roda que ele tem em volta do umbigo. Em alguns Reisados, aparece uma personagem representando o entremeio do Pai-do-Mato, sob a forma de um sujeito feio, de cabelos grandes. Compare-se o Pai-do-Mato com o Ganhambora, o Mapinguari, o Bicho Homem, espécimes do ciclo dos monstros”. “Sem que jamais tivesse sido visto, conta a lenda queijeira da zona de Anicuns que o Pai-do-Mato é um animal de pés de cabrito, à semelhança do deus Pã da mitologia, tendo coo este o corpo todo piloso. As mãos assemelham-se às dos quadrúmenos. Diferencia-se destes, entretanto, por andar como ente humano, com o qual se assemelha na fisionomia. Traz no queixo uma barbinha e a sua cor é escuro-fusca, confundindo-se com a do pelo do suíno preto enlameado. Dizem que anda sempre nos bandos de queixadas, cavalgando o maior, e conservando-se sempre à retaguarda. Raramente anda só e raramente aparece ao homem. Quando alguém lhe atravessa na estrada, não retrocede, e, com indômita coragem, procura dar cabo do obstáculo que se lhe antepõe. A sua urina é azul como anil.”

Cuca – Espírito destruidor de criancinhas, que instiga o roubo de crianças.  

“A Cuca é conhecida popularmente como uma bruxa velha e feia que rouba as crianças. A origem desta lenda está num dragão, a cuca das lendas portuguesas, tradição que foi levada para o Brasil na época da colonização. No Brasil, a “Cuca” normalmente é descrita como tendo a forma de um jacaré com longos cabelos loiros. Isso na verdade se tornou mais popular por causa das várias adaptações para a televisão da obra infantil de Monteiro Lobato, o Sítio do Picapau Amarelo, onde a personagem era sempre representada por uma atriz com uma fantasia de jacaré de cabelo amarelo. No livro original escrito por Monteiro Lobato em 1921, a personagem é descrita apenas como uma bruxa velha (sem rosto de jacaré), e unhas compridas.

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