Parolôntica

O conceito de parolôntica foi cunhado pelo Alvissarismo no primeiro selo do primeiro tomo de Alvíssara para designar a estrutura ontológica da palavra enquanto fundamento nuclear do Ser em sua dimensão significante, estética e ôntica. Na medida em que se estrutura o questionamento do núcleo do Ser, esse questionamento se faz sempre embasado em uma estrutura elementar da parolôntica; uma estrutura estética. O que resulta como o interrogado na questão nuclear do Ser é a própria palavra em sua dimensão significante, estética e ôntica. Mas para poder chegar ao núcleo do Ser, a palavra já deve ter se feito acessível antes, tal como em si mesma. A parolôntica é tudo o que falamos tudo o que entendemos, e nos faz escolhe-la dessa ou daquela forma estética. Parolôntica é também o que, e como nós mesmos somos. Mas em qual parolôntica deve-se ler o núcleo literal do Ser? De que parolôntica deve sair o núcleo do Ser? O ponto de ancoramento é arbitrário ou será que uma determinada parolôntica possui primazia na estrutura nuclear do Ser? Qual é essa parolôntica e em que sentido ela é digna de primazia? Se deixar atingir pelo questionamento é a forma mais autentica de chegar ao núcleo do Ser. Todavia, isso significa apenas que a parolôntica, dotada do caráter da pré-sença Heideggeriana, traz em si uma remissão privilegiada na questão nuclear do Ser. Com efeito, não se constitui o primado ontológico de uma determinada parolôntica? Não se dá anteriormente a parolôntica primordial que deve desempenhar o papel primevo no questionamento do Ser à procura de seu núcleo. Essa é a insinuação do primado da pré-sença. Isso o que Heidegger chama de pré-sença não é apenas uma parolôntica que ocorre entre outras parolônticas. Pelo contrário, do olhar ôntico, ela se diferencia pelo privilégio de, em seu núcleo, isto é, sendo, está em próprio sentido de Ser no mundo simbólico. Mas também pertence a essa modulação de Ser da pré-sença a característica de em seu núcleo, isto é, sendo, estabelecer uma relação dialética de Ser em seu próprio não Ser, de Ser em sentido de Ser em seu núcleo. É próprio dessa parolôntica que seu Ser lhe manifeste o meio de Ser em seu próprio núcleo. A compreensão do núcleo do Ser é uma determinação do Ser da pré-sença. A incumbência ôntica distingue a pré-sença em ser ela de origem ontológica. Heidegger chama de existência ao próprio Ser com o qual a pré-sença se comporta de uma ou de outra forma e com o qual ela sempre se comporta de alguma maneira. Como a determinação primordial dessa parolôntica não pode ser efetuada mediante a indicação de um formato quididativo, a sua primordialidade reside, ao contrário, no fato de sempre assumir o próprio Ser como seu; Heidegger escolheu o termo pré-sença para designá-lo enquanto pura expressão do Ser. Com efeito, a pré-sença possui um primado múltiplo frente a todas as outras parolônticas: o primeiro é um lugar ôntico: a pré-sença é uma parolôntica determinada em seu Ser pela existência. O segundo é o lugar ontológico: com base em sua determinação da existência, a pré-sença é por si ontológica. Pertence à pré-sença, enquanto estruturante da compreensão da existência, uma compreensão do núcleo do Ser de todas as parolônticas que não possuem a forma de Ser da pré-sença. A pré-sença tem um terceiro primado que é a estrutura ôntica-ontológica de todas as ontologias. Desta feita, a pré-sença se mostra como a parolôntica que, ontologicamente, deve ser a primeira interrogada, antes de qualquer outra. Na incumbência de interpretar esteticamente o sentido nuclear do Ser, a pré-sença não é apenas a parolôntica a ser interrogada primeira; é, sobretudo, a parolôntica que, desde sempre, se relaciona com o que se questiona no Ser, ou seja, sua pré-sença pré-ontológica de Ser em sua existência. As modalidades interpretativas na análise estilística devem ser escolhidas de forma que essa parolôntica possa mostrar-se em si mesma e por si mesma. Ela tem de mostrar a pré-sença em sua medianidade, tal como ela é antes de tudo. Primordiais são as estruturas que se afirmam ontologicamente em todo modo de ser da pré-sença. Constituindo-se fundamentalmente na pré-sença, poder-se-á atingir o núcleo do Ser na parolôntica. Mas a pré-sença não se pré-sentifica sem uma instância psíquica temporal, é por isso que Heidegger interroga o Ser a partir do tempo. O que se faz é o seguinte. Se o Ser é apreendido através do tempo e os vários modos e derivados do Ser só são de fato entendíveis em suas modificações no horizonte do tempo, o que então emerge aos olhos é o próprio núcleo do Ser, e não apenas a parolôntica enquanto sendo e estando no tempo. Também o não temporal, o atemporal e o supratemporal são, em seu núcleo, temporais. E isso não apenas na forma de uma privação da parolôntica temporal. A investigação ontológica há de começar dentro do horizonte erguido pelo tempo, como uma investigação sobre o sentido nuclear do Ser, em sua mais intima manifestação de Ser no universo simbólico. Em sentido fenomenológico, fenômeno é somente o que constitui o Ser e Ser é sempre Ser num sentido parolôntico. Essa parolôntica deve se mostrar no modo mediano pelo qual se estrutura. O acesso a parolôntica primordial como ponto de partida da analítica já chega sempre delineado da própria chegada. Como tema primordial da filosofia, o Ser não é o gênero da parolôntica e, não obstante, diz respeito a todo e qualquer significante. O Ser e a sua estrutura ontológica se acham acima de qualquer parolôntica e de toda determinação possível de uma parolôntica. Heidegger nos diz do Ser como sendo a pura e simples transcendência. Desta feita, o estilo da análise que se seguirá, deve-se perceber o seguinte: uma coisa é fazer um apanhado narrativo sobre as parolônticas, outra coisa é apreender a parolôntica em seu núcleo do Ser. Para esse exercício não apenas faltam, na maioria das vezes, as palavras, mas, sobretudo, a gramática. E essa é a ênfase que pretendemos dar nessa investigação. Em si mesma, a pré-sença é histórica, de maneira que a elucidação ontológica própria dessa parolôntica torna-se uma interpretação histórica. A parolôntica é a existência da aglutinação do verbo ao substantivo. É um movimento de dentro para fora; uma dinâmica contínua em que se transfiguram os estados, as passagens. A parolôntica indica o exercício de existir que se propaga numa pluralidade singular das situações, épocas e condições de existência dessa ordem. Ela é a primordialidade da integração estrutural e existencial, que remete as estruturas que a compõe como sendo o núcleo do Ser a partir da existência em seus desdobramentos. A parolôntica remete-se a constituição ôntica-ontológica nos movimentos de transfiguração do Ser para a pré-sença. A passagem fundamental é o hiato temporal. A parolôntica está na hiância da pré-sença para a existência e os demais modos de Ser. Ela está em qualquer nível da existencialidade de ser pessoa. A parolôntica é um outro radical marcante nas diferenças estruturais do universo simbólico. Ela é em si, a relação parolôntica dotada do modo de Ser da pré-sença. É para indicar a ação impessoal de um verbo, é a palavra que se deriva da conotação ativa de abertura do intervalo da criação no espaço e no tempo. A parolôntica é a estrutura existencial do descarregar-se para fora, é a relação de responder e corresponder, que traz aos olhos a liberdade de se responsabilizar pela ação verbal; é falar, discursar, discorrer embasado na estrutura, significante, estética e ôntica da palavra. A estilística nada mais é do que a análise estética do Ser, que é erguido pela parolôntica, pois ela é tudo aquilo que fala sem dizer, é o barulho do silencio que fala pelo Ser; é toda forma de Ser não sendo; de não Ser, sendo; é aquilo que ensurdece o silencio por não falar a nossa língua; é aquilo que soa estranho na estranheza do Ser, é a parte pelo todo e o todo pela parte; é a lógica que foge à regra; é a parola do ente em seu caráter ôntico-ontológico. É o Ser literário que a análise estilística nos possibilita interpretar. A estilística não é a parolôntica; a estilística é o método interpretativo do núcleo parolôntico. A parolôntica é aquilo que fala, a estilística é aquilo que ouve essa fala, e dá a ela o seu núcleo estético no sentido para o questionamento do Ser. A estilística é o método que nos possibilita a compreensão do Ser na estrutura estética da palavra. A parolôntica é o Ser onde não se é, a estilística é o método poético de captar esse Ser, pois o Ser é em si é uma poesia. A pré-sença Heideggeriana é um modo de Ser no mundo, mas não é sinônimo de existência nem de homem. A parolôntica é o Ser em todas as suas formas de linguagem. A linguagem indica que esse fenômeno se constitui na abertura da pré-sença. O fundamento ontológico da linguagem é o discurso. O discurso está para a disposição assim como para a compreensão. O discurso é aquilo que mediatiza e articula a dialética da cadeia significante; por isso ele se impõe à base de todas as interpretações. O discurso é a linguagem porque aquela parolôntica, cuja abertura se figura em significações, possui o caráter de ser lançado no mundo, como bem nos mostrou Heidegger em SER e TEMPO.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s