Os Mecanismos da História da Humanidade

No livro Sociologia Alvissarista, propomos que, para que possamos entender os mecanismos da história da humanidade, é preciso que consideremos que a história possui uma Lei, que a faz desenvolver-se através de uma estrutura ao mesmo tempo gramatical e hereditária (não no sentido biológico, mas sim no sentido sociológico). Portanto, consideramos importante estabelecermos agora alguns conceitos básicos da Sociologia Alvissarista.

Objeto da sociologia: a Sociologia Alvissarista tem por objeto o inconsciente coletivo. O inconsciente coletivo é a estrutura racial herdada de todos os seres humanos. Sobre ele estão arquitetados o ego, o inconsciente individual e todas as aquisições culturais. O inconsciente coletivo é o depósito de traços de memória herdados do passado ancestral da humanidade, um passado que inclui não apenas a história racial do homem ou de uma espécie a parte, mas também seus ancestrais pré-humanos e animais. O inconsciente coletivo é o resto e a causa psíquica do desenvolvimento evolutivo da humanidade, um resíduo gerado na origem do Logos através do roubo do fogo, um resíduo que se acumulou em virtude de experiências repetidas durante várias gerações (por exemplo: a presença e ausência do fogo na origem do Logos e a presença e ausência do fogo nos jogos olímpicos). Como podemos perceber memórias ou representações sociais não são herdadas como tais, o que a humanidade herda é o significante erigido como uma Lei gramatical e hereditária, que determina as possibilidades e impossibilidades da humanidade reviver experiências de gerações passadas.

Arquétipos: são os significantes estruturais do inconsciente coletivo: falo ou Nome-do-Pai. Estes, portanto, podem ser representados por diversos símbolos distintos, mas que possuem capacidade de cópula com outros símbolos, formando assim o que se chama de sincretismo cultural, isto é, a fusão ou cruzamento de vários arquétipos que resulta em um novo arquétipo com trações de sua origem diversificada.

Gene Social: constituído por um seguimento de elementos culturais que contém o arquétipo, que é a informação ou código significante para a síntese de uma determinada sociedade.

Cromossomos Sociais: são acontecimentos históricos estruturados como uma partitura musical, numa sucessão ao mesmo tempo linear e não linear e consecutiva e repetitiva de elementos culturais. Encontram-se dentro do núcleo social. Cada cromossomo social possui vários genes sociais.

Locus Social: local do cromossomo social onde está situado determinado gene social.

Cromossomos Sociais Homólogos: são aqueles que possuem a mesma sequencia de genes sociais. Eles apresentam genes sociais para mesma característica cultural na mesma posição. Vale lembrar que, para a mesma característica cultural, pode haver arquétipos diferentes. No inconsciente coletivo eles são encontrados em pares, sendo provenientes dos pais e da sociedade. São os arquétipos binários, por exemplo: macho e fêmea, yin e yang, positivo e negativo, água e fogo, e etc.

Gene Social Alelo: são os genes sociais que ocupam a mesma posição em dois cromossomos sociais homólogos. O gene social para Tese (t) é alelo do gene social para Antítese (A). O gene social para infanticídio (i) é alelo do gene social para parricídio (P).

Gene Social Dominante: é o gene social que tem o poder de manifestar na sociedade a característica cultural que ele determina. No exemplo dado anteriormente, os genes sociais dominantes são aqueles inscritos com letra maiúscula, ou seja, Antítese e Parricídio. O gene social dominante é representado por letras maiúsculas.

Gene Social Recessivo: é o gene social que só manifesta sua característica cultural na sociedade na ausência do gene social dominante. É representado por letras minúsculas. Em geral, a letra usada para representar os genes sociais dominantes e recessivos é a letra inicial da característica cultural determinada pelo gene social. Ex:

Gene Social (t) = Tese

Gene Social (A) = Antítese

Gene Social (i) = Infanticídio

Gene Social (P) = Parricídio

Genótipo Social: é o conjunto de genes sociais que o indivíduo recebe dos pais, da família e da sociedade na passagem pelo Complexo de Abraão e pelo Complexo Cristão, ou seja, na passagem pelo Complexo de Édipo.

Fenótipo Social: é a manifestação da característica cultural na sociedade. São exemplos de fenótipos sociais: ritos de passagem (comportamento dos indivíduos ao nascer um filho, cerimonial que envolve a iniciação dos jovens na vida adulta, formalidades conjugais, comportamento dos indivíduos perante a morte, artes, artesanatos, magia e religião, mitos e meios de comunicação, tipos de organização familiar e etc.). O fenótipo social pode ser modificado por fatores ambientais ou pela vontade do indivíduo ou da sociedade.

Sociedades Homozigotas: são aquelas que apresentam genes sociais alelos iguais para uma determinada característica cultural. As sociedades (P P) e as sociedades (i i) são homozigotas dominantes e recessivas, respectivamente.

Sociedades Heterozigotas: são aquelas que apresentam genes sociais alelos diferentes para uma determinada característica cultural. No exemplo dado anteriormente, as sociedades (P i) são heterozigotas e representam a característica cultural dominante em seu fenótipo social.

Fenocópia Social: é a manifestação de uma característica cultural semelhante a uma característica hereditária, porém, condicionada por outra causa. As sociedades que praticam a poligamia ao longo da história apresentam os mesmos sintomas das sociedades que possuem o gene social da poligamia. Essas sociedades, portanto, possuem uma Fenocópia da poligamia hereditária. Outro exemplo que podemos citar é o incesto hereditário e o incesto causado por uma necessidade reprodutiva gerada por um isolamento geográfico; no primeiro caso trata-se de um fenótipo social e no segundo caso trata-se de uma Fenocópia social.

Gene Social letal: é aquele que determina a morte da sociedade no estágio embrionário ou após o nascimento do Logos, isto é, após a encarnação primeva do verbo. Eles podem ser dominantes ou recessivos. Um exemplo de gene social letal é a guerra, que pode ser recessiva (gene social “g”) ou dominante (gene social “G”).

Imaginemos o seguinte experimento: se sincretizarmos a cultura hebraica com a cultura grega, sendo as duas sociedades de linhagem cultural pura. A essa sociedade denominaremos de geração parental. Todas as sociedades descendentes dessa geração parental apresentaram sociedades com característica cultural formada por teses. Denominaremos essa geração de G1 e, como todas as sociedades eram formadas por teses, concluímos que a característica cultural formada por teses era dominante sobre a característica cultural formada por antíteses. Em seguida, se realizarmos o sincretismo entre as sociedades da G1. Nos descendentes de G1, denominada de geração G2, obteríamos a maioria (cerca de 75%) de sociedades formadas por teses e a minoria (cerca de 25%) de sociedades formadas por antíteses. Portanto, em cada sociedade sincretizada, devem existir dois fatores que determinam as formas das sociedades. Durante o surgimento do Logos, isto é, da encarnação do Verbo, esses fatores se separaram, indo um para cada sociedade primitiva. No sincretismo, esses fatores novamente se juntam, conferindo a característica ao novo Ser: a História.

Primeira Lei da História: cada característica cultural é condicionada por um par de fatores (genes sociais alelos) que se separaram durante o surgimento do Logos.

Segunda Lei da História: os fatores sociais que determinam diferentes características culturais são independentes e recombinam-se nas sociedades segundo todas as possibilidades.

Considerando o fator recessivo como (t) “Tese” e o fator dominante como (A) “Antítese”, teremos as sociedades da geração parental como (A A) e (t t).

Com o sincretismo cultural, formam-se o G1, que são (A t), também chamadas heterozigotas. As sociedades (A t) transmitem aos seus descendentes tanto os fatores “A” quanto os fatores “t”.

G1- Proporção genotípica = 100% (A t). Proporção fenotípica = 100% Tese.

G2- Proporção genotípica = 25% (A A); 50% (A t); 25% (t t). Proporção fenotípica = 75% Tese e 25% Antítese.

Terceira Lei da História: a história é estruturada por diversas unidades históricas que determinam as características culturais da sociedade através dos arquétipos.

Quarta Lei da História: a história é estruturada através da oposição binária entre a diacronia consciente da evolução e a sincronia inconsciente da criação.

Quinta Lei da História: a história está referenciada tanto a outras histórias quanto à sociedade como um todo.

Portanto, a história é estruturada como uma linguagem que se desenvolve através de um acontecimento real (o roubo do fogo) como ponto de partida: jogar para cima uma moeda equilibrada e sem estar viciada. Como sabemos, este acontecimento real pode igualar-se às idas e vindas do fogo na origem do Logos, alternado presença e ausência do fogo na encarnação primeva do Verbo. Com tal moeda, não há como prever, em qualquer jogada, se o resultado será cara ou coroa. Deliberando os sinais + e – para cara e coroa, respectivamente, a representar a afirmação (+) e a negação (–) que estrutura o desenvolvimento dialético da história da humanidade através da filosofia, da política, da economia, da religião, da arte e do direito.

Nesse momento fica esclarecido que um conjunto de gerações de categoria Tese (+ +) não pode ser diretamente seguido por um conjunto de gerações da categoria Antítese (- -), já que a segunda geração na categoria Tese é necessariamente uma afirmação, enquanto a primeira geração na categoria Antítese tem que ser uma negação. Do mesmo modo, embora uma categoria Síntese possa ser seguida por uma categoria Tese, Síntese ou Antítese, uma categoria Antítese não pode ser diretamente seguida por uma categoria Tese, já que a primeira termina com uma negação enquanto a última deve começar com uma afirmação. Com isso estabelece-se uma forma de agrupar gerações que proíbe certas combinações (a saber, Tese seguida por Antítese ou Antítese seguida por Tese). No entanto, isso não proíbe que uma geração regida pela afirmação seja seguida por qualquer outro tipo de geração; na verdade, uma afirmação pode ser seguida tanto por afirmações quanto por negações. O importante é que esse modelo gera uma impossibilidade em nossa história, determinando o modo como os elementos culturais e os acontecimentos históricos são encadeados um após o outro, ditando o que pode ou não surgir ou vir após um elemento cultural ou acontecimento histórico. Imaginemos, portanto, que o primeiro par de gerações caiu na categoria Tese e que o terceiro caiu na categoria Antítese. Desse modo, a série pode ser recomposta da seguinte forma: + + – -, e não temos qualquer dúvida de que o segundo par de gerações caiu na categoria Síntese. Se imaginarmos novamente que começamos com uma Tese, e que a geração quatro foi ocupada por uma Tese, logo teremos apenas duas possibilidades.

Em nenhuma dessas gerações é possível ver uma combinação de categoria Antítese; na verdade, uma Antítese é impossível aqui. Da mesma forma, se não existirem apenas Teses na cadeia histórica, deve existir um número par de Sínteses se quisermos encontrar uma Tese na cadeia em algum lugar após a primeira geração; a primeira Síntese introduz uma negação (+ -), a segunda geração muda a cadeia de volta da negação para a afirmação (- +). Assim sendo, a cadeia histórica proíbe o surgimento de uma segunda Tese até que um número par de Sínteses apareça. Portanto, pode-se dizer que a história lembra ou acompanha o movimento de seus acontecimentos anteriores. A história resulta em impossibilidades relacionadas com a ordem na qual as categorias culturais podem surgir, assim como a presença delas quando a matriz histórica tem certas posições predefinidas, e por isso grava no inconsciente coletivo seus componentes anteriores. Esses são, portanto, os mecanismos que determinam o desenvolvimento da história da humanidade. Com isso, fica esclarecido de uma vez por todas, que o processo dialético da história arquitetado por Hegel, é um processo absolutamente ilusório, na medida em que, como vimos anteriormente, não são possíveis trocas diretas entre a Tese e a Antítese sem antes perpassar pela Síntese. Portanto, a dialética Hegeliana formada por Tese, Antítese e Síntese, simplesmente não pode existir de fato, já que esta combinação é proibida pelos próprios mecanismos de funcionamento da história.

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