O Monismo Alvissarista

No segundo tomo do livro Alvíssara nós propomos que a distinção entre o monismo e o dualismo não pode se referir à posição adotada por Christian Wolff (1670-1754), onde qualquer filosofia que apregoa a oposição entre corpo e alma é dualista, e toda aquela que não a adota é monista, essa concepção Wolffiniana é ingênua e pueril, já que uma filosofia pode muito bem conter essa oposição e não ser dualista, mas sim monista, desde que os opostos funcionem como os dois lados de uma mesma moeda; desse modo, o dualismo só pode ser referido às filosofias que apregoam uma oposição binária irreconciliável, onde os dois opostos não fazem parte de uma mesma moeda, onde os dois lados são separados e não há nenhuma espécie de ligação ou intermédio entre eles; na verdade, a distinção entre o monismo e o dualismo só pode ser estabelecida quando o elemento ou ente que deu origem a todas as coisas está em questão, ou seja, é com referência à origem que a distinção entre monismo e dualismo deve ser feita, desse modo, não é a oposição binária entre dois entes, elementos ou mundos que irá determinar se uma Filosofia ou Religião é dualista, já que essa oposição pode fazer parte de um processo dialético entre os opostos numa estrutura única, tal como no Taoísmo, em Heráclito ou em Hegel. Portanto, o que distingue o monismo e o dualismo é a questão da quantidade de elementos ou entes que deram origem ao universo, assim como a unidade ou não dos opostos; se for um único elemento ou ente e os opostos fizerem parte de uma estrutura única, então a Filosofia é monista, se forem dois elementos ou entes distintos e os opostos fizerem parte de duas estruturas divergentes e irreconciliáveis, então a Filosofia é dualista, mas se forem três ou mais elementos ou entes distintos uns dos outros e irreconciliáveis entre si, então a Filosofia é pluralista (mas deve-se ter em mente que o monismo não é igual ao monoteísmo, nem o dualismo ou o pluralismo igual ao politeísmo), de modo que uma Religião pode ser ao mesmo tempo monoteísta e dualista (como o Zoroastrismo, por exemplo), ou politeísta e monista (como o Hinduísmo, por exemplo). Da mesma forma uma Filosofia pode ser monista e não ser monoteísta (como o Marxismo ou o Espinizismo, por exemplo), ou dualista e nãos ser politeísta (como o Cartesianismo, por exemplo). Uma Filosofia pode muito bem apregoar a existência de duas realidades opostas e não ser dualista (como e Espiritismo, por exemplo), pois o que define a dualidade filosófica não é a oposição binária em si mesma, mas sim a quantidade de entes ou elementos que deram origem ao universo. Da mesma forma uma Filosofia pode apregoar a existência de diversos mundos e não ser pluralista (como o Alvissarismo, por exemplo), o fato é que é possível perceber em todos os sistemas de Filosofia e Religião, aspectos tanto monistas quanto dualistas e pluralistas, e é justamente por isso que os filósofos não entram em consenso quando a questão é definir se uma determinada Filosofia ou Religião é monista, dualista ou pluralista. O Alvissarismo é uma tentativa de sintetizar o Judaísmo, o Cristianismo e o Espiritismo; todavia, o Alvissarismo é essencialmente Espírita, pois é radicalmente Monista inteligível, e a dualidade que nele está exposta (e de fato está) é apenas aparente, na medida em que os dois opostos fazem parte de uma estrutura única, pois o Alvissarismo defende a unidade das duas realidades opostas (sensível e inteligível) como parte de um todo harmônico, como yin e yang.

Assim como no Socratismo, no Platonismo e no Espiritismo, o Alvissarismo dá privilégio e originalidade ao mundo das ideias, à realidade inteligível ou ao mundo espiritual, sendo o mundo sensível ou material apenas uma cópia ilusória e imperfeita do mundo inteligível ou espiritual (e é justamente por isso que essas quatro concepções filosóficas e religiosas são estritamente monistas). A realidade sensível é para o Alvissarismo as sobras ilusórias percebidas pelos homens na parede da caverna no mito de Platão. Portanto, o Alvissarismo é uma Filosofia e Religião de caráter monista e monoteísta, já que acredita que o Logos-Fogo-Verbo (que é um ente único, mas que contém em si a dualidade harmônica dos opostos) é a origem de todas as coisas, e que há somente um único Deus em todo o universo.

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