Juízo Simples e Juízo Composto

No Livro Lógica Alvissarista o Alvissarismo propõe que o juízo é formado pela união entre um significante e um significado, e o significado é aquilo que um significante representa para outro significante. O juízo também é aquilo que um significante representa para outro significante porque é, ao mesmo tempo, um signo e um significado.

Existem, pois, dois tipos de juízos: o juízo como signo (que é a união entre um significante e um significado) e o juízo como significado (que é a união entre um significante e outro significante). Este último é o juízo tradicional, exposto pela lógica Aristotélica, que consiste em afirmar ou negar uma coisa de outra, encerrando, pois, três elementos: duas ideias e uma afirmação ou uma negação. A ideia da qual se afirma ou nega alguma coisa chama-se sujeito. A ideia que se afirma ou nega do sujeito chama-se atributo ou predicado. Quanto à própria afirmação ou negação, representa-se pelos verbos Ser, Ter e Estar, que servem como cópula entre um significante e outro significante. É óbvio que um lógico dirá que o signo não constitui um juízo, mas, desde que o juízo é o processo que conduz ao estabelecimento das relações entre um significante e um significado, que estruturam todo o pensamento lógico cuja finalidade é alcançar uma integração significativa, isto é, uma significação que possibilite uma atitude racional perante as necessidades da linguagem, então sim, o signo é um juízo. O juízo como signo deve ser denominado de juízo simples, e o juízo como significado deve ser denominado juízo composto. Julgar é, desse modo, estabelecer uma relação entre um significante e um significado ou entre um significante e outro significante. Todo juízo composto contém um juízo simples, mas todo juízo simples não contém um juízo composto.

Exemplo de juízo simples: “árvore”, “o”, “bom”, “sete”, “eu”, “amar”, “ontem”, “em”, “porém”, “viva”, e etc.

Exemplo de juízo composto: “A árvore possui frutos”, “o livro está na mesa”, “que bom ver você”, “sete pessoas virão hoje”, “eu vou escrever”, “ela vai amar o presente”, “ontem choveu muito”, “aconteceu em janeiro”, “porém eu já sabia”, “viva o Brasil”, e etc.

O significante, de certo modo, é autossuficiente, na medida em que pode surgir em todas as situações possíveis da existência, mas sua autossuficiência só se dá através de uma cópula ou vínculo com outros significantes, o que é uma forma de não ser autossuficiente, já que duas proposições diferentes podem conter o mesmo significante. Por exemplo: “Natália deseja um diamante” ou “Natália deseja um dia amante”. Quer dizer, não é impossível, como pensava Wittgenstein, que palavras intervenham de dois modos diferentes, sozinhas e na proposição, pois a palavra “diamante” é diferente das palavras “dia amante”. No entanto, ambas as proposições contêm o mesmo significante; e nisto consiste a descoberta de Freud desvelada na “Interpretação dos Sonhos”, na “Psicopatologia da Vida Cotidiana” e em “O Chiste e sua Relação com o Inconsciente”.

Se conhecermos um significante, conheceremos também todas as possibilidades de seu surgimento dentro da cadeia significante, pois cada uma dessas possibilidades está estruturada na natureza própria do significante.

 

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