O Paradoxo da Origem do Universo, da Vida e do Homem

No Livro Metafísica Alvissarista o Alvissarismo propõe a tese de que o paradoxo de Russell implica na impossibilidade lógica de se conhecer a origem do universo, da vida e do homem. Mas o que é o universo? O universo é o conjunto de todas as coisas. Do ponto de vista do universo, considere o conjunto de coisas C como sendo “o conjunto de todos os conjuntos que não se contém a si próprios como membros”. Formalmente: a coisa representada pela letra C é elemento do universo representado pela letra U se e só se C não é elemento de C. Em outras palavras, a coisa é elemento do universo se e só se a coisa não é elemento do conjunto de coisas do universo. Aqui entra a antinomia da razão pura de Kant, que demonstra ser impossível saber se o universo teve ou não um início. Esta questão (que coisa do universo gerou a primeira coisa do universo?) leva o cientista e o filósofo a um paradoxo lógico insolúvel, de modo que qualquer pessoa que afirmar com certeza que o universo teve uma origem ou que ele é eterno está completamente enganada, posto que este paradoxo torna esta questão impossível de ser resolvida. Se uma coisa do universo gerou a primeira coisa do universo o que existia antes dessa coisa faz parte do próprio universo, pois o universo é a totalidade das coisas, não sendo, portanto, a primeira coisa que gerou o universo, tornando-se impossível saber qual é a primeira coisa do universo que gerou o próprio universo ou se o universo existe de toda eternidade. Mas o que é a vida? A vida é o conjunto de todos os organismos. Do ponto de vista da vida, considere o conjunto de organismos O como sendo “o conjunto de todos os conjuntos que não se contém a si próprios como membros”. Formalmente: o organismo representado pela letra O é elemento do mundo representado pela letra M se e só se O não é elemento de O. Em outras palavras, o organismo é elemento do mundo se e só se o organismo não é elemento do conjunto de organismos do mundo. Aqui entra a antinomia da vida que torna impossível saber se a vida se originou neste ou em outro mundo, se ela é terrena ou extraterrena. Esta questão (que organismo vivo gerou o primeiro organismo vivo deste mundo?) leva o cientista e o filósofo a um paradoxo lógico insolúvel, de modo que qualquer pessoa que afirmar com certeza que a vida tem origem terrena ou extraterrena está completamente enganada, posto que este paradoxo torna esta questão impossível de ser resolvida. Se um organismo vivo deu origem ao primeiro organismo vivo deste mundo, o organismo vivo que deu origem ao primeiro organismo vivo deste mundo não pode ser deste mundo, e se um outro organismo vivo deu origem ao primeiro organismo vivo deste mundo quer dizer que este não é o primeiro organismo vivo deste mundo, tornando-se impossível saber como se originou a vida neste mundo. Mas o que é a espécie humana? A espécie humana é o conjunto de todos os homens. Por fim, do ponto de vista da espécie humana, considere o conjunto de homens H como sendo “o conjunto de todos os conjuntos que não se contém a si próprios como membros”. Formalmente: o homem representado pela letra H é elemento do animal representado pela letra A se e só se H não é elemento de H. Em outras palavras, o homem é elemento do animal se e só se o homem não é elemento da própria espécie humana. Aqui entra a antinomia da existência humana que torna impossível saber se o homem descende ou não do macaco, isto é, se ele tem ou não origem animal. A antinomia da existência humana torna impossível saber se o homem é produto de uma evolução de um organismo simples para um organismo mais complexo, isto é, se todos os homens possuem um ancestral comum ou se é produto da criação de Deus. A questão (que homem gerou o primeiro homem?) leva o cientista e o filósofo a um paradoxo lógico insolúvel, de modo que qualquer pessoa que afirmar com certeza que o homem é produto da evolução ou da criação está completamente enganado, posto que este paradoxo torna esta questão impossível de ser resolvida. Se o homem descende do macaco não pode ter sido um homem a dar origem ao primeiro homem, mas sim um macaco, mas se o homem não descende do macaco e se o homem gerou o primeiro homem, isto quer dizer que o primeiro homem não é o primeiro homem, pois havia outro homem antes dele. Para que o homem descenda do macaco é necessário que em determinado momento da história o cruzamento de um macaco com outro macaco tenha gerado o primeiro homem, o que é impossível, mas se o homem não descende do macaco algum homem necessariamente deve ter gerado o primeiro homem, o que torna impossível explicar quem gerou o primeiro homem, posto que se um homem gerou outro homem, este que o gerou não seria o primeiro, e o primeiro só poderia ter sido criado por Deus. Em resumo, o paradoxo de Russell demonstra claramente que é impossível responder logicamente (cientificamente) como, quando, onde e por que se originou o universo, a vida e o homem; e qualquer filósofo ou cientista que pretender fazer isso se tornará dogmático e fanático por um lado e arrogante e pretensioso por outro lado.

Todas as teorias sobre a origem do universo, da vida e do homem encontram muitas dificuldades em se firmar, pois não passam de especulações filosóficas de índole extremamente problemática e hipotética, nesse caso, Kant procura mostrar como a razão é conduzida a afirmativas antitéticas, as antinomias resultam do fato de o juízo sobre a origem do universo ultrapassar os limites da intuição sensível espaço-tempo funda na origem do Logos (Razão) e de sua síntese pelas categorias do entendimento. A razão quando investiga a totalidade do universo, ela tanto pode chegar à conclusão de que o universo tem um princípio no tempo e limites no espaço, quanto pode afirmar exatamente o oposto: o universo é infinito no tempo e no espaço. Desse modo, poderíamos dizer que o universo teve um começo no tempo porque, caso contrário, os acontecimentos da existência não teriam sentido, na medida em que tudo começa a existir num dado momento e cessa de existir em outro momento, esta é base da teoria do Big Bang. Acontece que a antítese tem a mesma força lógica: se o universo teve um começo no tempo, o que existia antes dele? Ora, para que o universo tenha vindo a existir é necessário que tenha existido algo antes dele, mas esse algo obviamente faz parte do universo, e não pode ser denominado como o nada, tal como fazem os astrofísicos, na medida em que qualquer coisa que tenha existido antes faz parte do universo, pois este é a totalidade das coisas, esta é a base da teoria do universo eterno. Ambas as teorias possuem a mesma força lógica, e é absolutamente impossível provar se o universo teve um princípio no tempo e tem limites no espaço ou se o universo é infinito no tempo e no espaço; pois, mesmo que a teoria do Big Bang esteja correta, não é possível provar que esta suposta explosão de matéria e energia tenha sido de fato a gênese do universo, posto que esta suposta explosão pode muito bem ter sido apenas o fim de um ciclo existencial do cosmos e início de outro ciclo, sendo o universo infinito, passando por ciclos repetitivos de expansão e contração através de um processo dialético de morte, ressurreição e nascimento. Mas qual o posicionamento do Alvissarismo em relação a esse paradoxo? O Alvissarismo é uma doutrina filosófica e religiosa agnóstica-teísta baseada na tradição Judaico-Cristã-Espírita, crendo, portanto, que Deus criou o universo, a vida e o homem, mas tendo consciência de que seu postulado é de índole hipotética e problemática. Para nós o universo foi criado por Deus e por isso não pode existir de toda eternidade assim como este, pois, o universo não pode ter-se feito a si mesmo; e se existisse, como Deus, de toda eternidade, não poderia ser obra de Deus, é por isto que o Budismo, que apregoa a teoria do universo eterno, é uma filosofia e religião não-teísta. A teoria da criação do universo por Deus é oposta à teoria do universo eterno; ambas as teorias possuem a mesma força lógica, porém, uma exclui imediatamente a outra; se Deus criou o universo, este não pode ser eterno como Deus, mas se o universo é eterno, então Deus não existe. O Alvissarismo resolve esse paradoxo através da teleologia, postulando a ideia de que Deus criou o universo, a vida e o homem com o propósito, o objetivo e a finalidade de ser eterno, passando por ciclos repetitivos de morte, ressurreição e nascimento.

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