Teoria do Belo

No Livro Estética Alvissarista o Alvissarismo propõe que, em sua busca por amor e atenção, o homem é confrontado mais cedo ou mais tarde com o fato de que ele não é o único objeto de interesse da sociedade. A atenção da sociedade é a coisa mais valiosa no universo do homem; é o padrão-ouro, a saber, aquele valor pelo qual todos os outros valores (belo, bom, virtude, verdade, poder, dinheiro, e etc.) são medidos. Todas as coisas ou ações que atraem a atenção da sociedade para além do indivíduo adquire uma importância para este que de outra forma não teriam. Desse modo, um significante vem a significar aquela parte do desejo da sociedade que vai além do indivíduo (e por extensão, o desejo deles em geral). Lacan se refere a este significante como o “significante do desejo”, e – como “o desejo do homem é o desejo do Outro” – Lacan também se refere a ele como o “significante do desejo do Outro”. Eis a nossa segunda tese. O belo é o significante que é digno de ser desejado, aquilo que é desejável, por causar desejo no Outro.

A Filosofia Alvissarista propõe que em todas as culturas em geral este significante é o falo. Embora muitos vão contestar esta nossa tese afirmando que a nossa teoria do belo é tão-somente uma noção preconceituosa, a Filosofia Alvissarista, baseada na prática psicanalítica exposta na literatura, afirma que se trata de um fato inquestionável provado pela história da humanidade e pela observação clínica das culturas ocidentais e orientais. Não há sequer uma única cultura, desde os primórdios da civilização, que não tenha feito do falo a manifestação do belo. Em todas as culturas ocidentais e orientais o belo é igual ao falo. Trata-se, portanto, de uma regra universal. Em todas as sociedades, desde os primórdios da civilização, o falo, como o significante do desejo, é o que estrutura o juízo de gosto sobre o belo. O fogo – como representante primitivo do falo – foi o primeiro significante a ser ajuizado como belo, porque era para o homem primitivo um significante digno de ser desejado. Eis porque em todas as civilizações a luz e o fogo são denominados como algo belo. Mas porque o fogo veio a assumir esse papel fálico na horda primitiva? Ora, pelo simples motivo de que, na era do gelo, o fogo era o significante mais desejado de todos. Essa é, pois, uma razão antropológica por natureza. O fato é que, em todas as culturas o belo é igual ao falo, que em geral desempenha o papel de significante do desejo de ser, ter e estar. É belo todo objeto, coisa, ação ou fenômeno da natureza que o homem deseja ser, ter e estar, por causar desejo no Outro. O belo é tudo o que é digno de ser desejado pelo homem por causar desejo na sociedade. Eis a nossa terceira tese. A condição fálica da existência humana faz com que para o homem o belo seja inseparável do bom, da virtude, da verdade, do poder e do dinheiro. O bom é belo porque ser bom, ter o bom e estar com o bom, gera desejo no Outro. A virtude é bela porque ser virtuoso, ter a virtude e estar com a virtude, gera desejo no Outro. A verdade é bela porque ser a verdade, ter a verdade e estar com a verdade, gera desejo no Outro. O poder é belo porque ser poderoso, ter o poder e estar com o poder, gera desejo no Outro. O dinheiro é belo porque ser rico, ter o dinheiro e estar com o dinheiro, gera desejo no Outro. Belo, bom, virtude, verdade, poder e dinheiro são inseparáveis. Eis o que o fogo representou para o homem primitivo: o belo, o bom, a virtude, a verdade, o poder e o dinheiro. A estética deve ser estudada fundida com a ética, a moral, a lógica, a política e a economia. Eis a grande novidade introduzida pela Filosofia Alvissarista à estética desde Platão e Aristóteles.

No entanto, o belo não é a mesma coisa que o sublime, da mesma forma que o significante do desejo não é a mesma coisa que a causa do desejo. O sublime como a causa do desejo, permanece além da significação, isto é, insignificável, indecifrável, enigmático. Na nossa teoria do belo, o termo “sublime” é obviamente um significante que significa o desejo do Outro na medida em que ele serve de causa do desejo do sujeito; mas o sublime, visto como sendo algo enigmático, isto é, como real, coisa obscura e difícil de definir, mistério, algo sem significação ou fora-do-significado, não pode ser dito. Eis a nossa quarta tese. O sublime é o desejo do Outro, ele é a capacidade de desejar como real, sem significado. O belo, por outro lado, não é nada senão o significante do desejo. O sublime é então a causa real e indizível do desejo, enquanto o belo é o nome do desejo e, por isso, dizível.

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