O Ativismo Alvissarista

O Ativismo Alvissarista, no sentido político-filosófico, é a parte da Doutrina Alvissarista que privilegia a prática efetiva de transformação da realidade em detrimento da atividade político-filosófica puramente especulativa. A práxis política do Alvissarismo deve ter um sentido teleológico. Podemos comparar a atividade política das formigas, ao construir o formigueiro, com o trabalho político de um governante ao construir uma cidade. Por mais perfeito que seja o governo da rainha na construção do formigueiro, e por mais limitado e incompleto que seja o governo do político, este último, no entanto, possui como ser humano, algo além da formiga: o político como ser humano é capaz de imaginar o que vai realizar, criando uma finalidade ao seu projeto, um ideal teleológico que pretende alcançar com o seu governo. Desde que o mundo é mundo as formigas são governadas exatamente da mesma forma, sem tirar nem por, mas os seres humanos não, em cada período histórico o ser humano muda as condições e a finalidade da política. Um formigueiro possui a mesma estrutura arquitetônica, hierárquica e social desde o princípio de sua existência, mas uma cidade muda a sua estrutura arquitetônica, hierárquica e social desde o princípio de sua existência, de modo que a sociedade primitiva não era governada pelo mesmo sistema político da sociedade medieval, a sociedade medieval não era governada pelo mesmo sistema político da sociedade moderna, e a sociedade moderna não será governada pelo mesmo sistema político no futuro, posto que a transformação da sociedade seja uma condição da própria existência humana, tal como a história da humanidade nos comprova. Nós, humanos, executamos o nosso sistema político a partir de um projeto teleológico consciente que é exclusivo da condição linguística de nossa existência. É o fato de o homem estar inserido dentro da ordem simbólica promovida pelo Logos que o permite projetar uma finalidade ideal para o seu sistema político.

É primordial reconhecermos aqui a importância ontológica da linguagem para a politica, que diferencia o ser humano de todos os outros animais, definindo o homem como um ser simbolicamente ativo no mundo, um ser capaz de transformar a natureza e a sociedade através do discurso político, que necessariamente vincula o sujeito ao objeto, produzindo a transformação do mundo com fins a um ideal.

O projeto teleológico que moldura a essência linguística da política transforma a natureza, o indivíduo e a sociedade, é por isso que, ao contrário das formigas, o homem não possui a mesma forma de governar desde que existe, porque o homem é capaz de falar sobre o seu governo, de se questionar se ele é bom ou mal, se é justo ou injusto. O princípio teleológico da política promovido pela capacidade do homem de articular o mundo em palavras e símbolos transforma o homem e a natureza. O Logos (Razão) é o instrumento que permite a transformação dos sistemas políticos durante a história, ou seja, a capacidade linguística e racional dos seres humanos é justamente o que promove a diferença fundamental entre a politica das formigas e a política dos homens.

O Alvissarismo vê os homens como determinados pelas circunstâncias filosóficas, políticas, econômicas e religiosas, ou seja, nós vemos os homens como determinados pela dialética entre os mundos sensível e inteligível. O indivíduo e a sociedade mudam por dois motivos: porque novas circunstâncias históricas os fazem mudar e porque estas novas circunstâncias históricas fazem surgir novas ideias filosóficas, políticas, econômicas e religiosas que os fazem mudar. Ou seja, as circunstâncias da transformação do indivíduo e da sociedade são condicionadas pelas ideias dos seres humanos e pelas condições históricas em que estes indivíduos estão inseridos na sociedade. A transformação do mundo não depende nem somente das circunstâncias históricas como querem os materialistas, nem somente das ideias como querem os idealistas, mas sim de um processo dialético entre as circunstâncias históricas e o surgimento das ideias. Para transformar o mundo é preciso haver uma sincronia perfeita entre as circunstâncias históricas e o surgimento das ideias. A ausência dessa sincronia entre as circunstâncias históricas e as ideias, entre o sensível e o inteligível, explica porque muitas ideias, artes e filosofias só causam mudanças no indivíduo e na sociedade dezenas, centenas ou até milhares de anos após o seu surgimento. Eis porque muitos gênios da literatura, da arte e da filosofia só são reconhecidos postumamente.

O Alvissarismo propõe não uma revolução política, mas sim uma reforma política que pretende substituir a Democracia pela Teodemocracia. A reforma política Alvissarista apresenta-se como uma tentativa de introduzir melhoramentos no aspecto sócio-político da sociedade, sem transformar sua estrutura social básica, isto é, sem modificar o fundamento primordial da Democracia. Sendo a Teodemocracia apenas um aperfeiçoamento da Democracia. Esse movimento político encontra duas dificuldades para se firmar, a primeira, em sociedades totalitárias, pois estas, por sua própria natureza, reprimem violentamente a crítica e os ideais reformistas; e por isso o seu maior campo de ação ocorre em sociedades democráticas, porém, mesmo nestas sociedades, a reforma encontra a sua segunda dificuldade, que são as limitações reivindicatórias impostas pela própria estrutura da sociedade democrática, essas limitações se fundamentam geralmente no âmbito da participação legislativa do povo formulada pela própria Constituição; em conjunto com essas dificuldades, está claro que a maior dificuldade de implantar a reforma política numa sociedade democrática não é exatamente a própria Constituição, que limita o poder legislativo do povo, mas sim a falta de interesse da população em lutar pelo seu direito legislativo.

Neste caso, existem apenas duas formas de se conseguir implantar a reforma política: a primeira é a de uma revolta popular, onde são unidas diversas pessoas com os mesmos ideais reformistas, que vão às ruas, ao senado, à câmara dos deputados e dos vereadores para exigir uma mudança na Constituição ou então para exigir a criação de uma nova Constituição que fundamente um novo governo. A segunda forma é através do aparecimento de um líder que tome para si a responsabilidade de inspirar o povo a exigir uma mudança na Constituição ou a criação de uma nova Constituição, exercendo assim a função de um Nome-do-Pai socializado que comanda a massa e a inspira a lutar pelo seu direito legislativo; neste caso, exige-se que esta figura paterna seja assassinada de forma real, simbólica ou imaginária, a fim de configurar através da culpa pelo seu assassinato, o arrependimento e a necessidade da regeneração moral arquitetada pela reforma política.

O Alvissarismo propõe que, caso essa reforma se dê através da iniciativa popular, que ela seja promulgada pelo pacifismo, pela oração e pelo jejum coletivo. Neste caso, o Alvissarismo convoca a população a acampar na praça dos três poderes e praticar cânticos e discursos pacíficos, orações fervorosas e jejuns coletivos, porém, essa forma de protesto deve ser praticada de modo consciente, onde a população jejua do princípio até o fim do protesto, que deve ter inicio ao pôr do sol. O protesto deve ser erguido através do simbolismo do Fogo, que remonta o arquétipo do Poder, onde o Fogo deve ser mantido acesso enquanto durar o protesto. Cada manifestante deve ter uma vela acesa nas mãos. O Fogo simboliza o poder do Povo e do Espírito Santo, que faz da voz do povo a voz de Deus.

Por outro lado, caso surja algum líder aceito pela população, isto é, um líder que encarne o Nome-do-Pai, o Alvissarismo propõe que este líder inspire a população a executar os mesmos métodos de protesto, ou seja, o acampamento, o pacifismo, a oração e o jejum, utilizando sempre o simbolismo do Fogo, que exerce forte influência no inconsciente coletivo e mantém acesa a chama do povo.

O líder que encarnar o Nome-do-Pai deve agir através da inquietação e da intranquilidade, operando em duas situações: na primeira e mais difícil, a população encontra-se resignada diante de uma situação de graves distorções e injustiças sociais que foram promulgadas por uma Constituição e uma legislação injusta. Do conformismo nasce a apatia, e é esse sentimento que o líder deve reverter, questionando a população sobre seus próprios modos de vida e fazendo-a espantar-se pela forma como ela está a viver; o líder deve ser essencialmente ativo e provocar pacificamente a inquietação e a intranquilidade na população quando ainda nada disso existe, quando todos estão conformados e vivendo suas vidas como se fossem baratas tontas perdidas na terra. Essa primeira fase é, com toda certeza, a mais difícil. Porém, implantada essa primeira fase e estabelecida a ligação transferencial entre o líder e o povo, deve-se partir para a segunda fase: aqui o povo já se encontra descontente, inquieto e alertado em relação à situação injusta da sociedade, porém é ainda demasiado tímido para agir ou talvez não saiba em que direção deve atuar, é aí que o líder deve se impor e mostrar ao povo qual o caminho deve ser seguido, dizendo-lhes para se unirem e se regenerarem, para irem acampar na praça dos três poderes e praticarem a oração e o jejum coletivo. Ou seja, neste caso, em vez de implantar a semente da inquietação, é necessário que o líder a intensifique, libertando e dirigindo as tensões existentes entre o poder legislativo e o povo, que exige uma participação direta na criação, sansão e veto das leis que regem a sociedade. Em qualquer das duas formas de se promulgar a reforma política, o importante é que o povo se distancie de sua maneira habitual e passiva de pensar para que esteja preparado para aceitar novos impulsos e desejos. Este estágio, no entanto, é bastante prolongado.

O líder deve fazer com que o foco de intranquilidade se dirija para as injustiças sociais e para promulgação de leis injustas estabelecidas na Constituição, que é o fator causador da desigualdade e da corrupção. O líder tem a função de organizar o sentimento de injustiça da população a favor da reforma política e da modificação ou criação de uma nova Constituição. O primeiro passo é fazer com que entrem em contato indivíduos portadores dos mesmos problemas; o segundo passo é mostrar que essa situação pode ser reformada pela ação coletiva; o terceiro passo é fazer surgir a identificação e o desejo de atuar ativamente numa ação em comum através do espírito de solidariedade. O estágio de agitação deve ser efêmero, pois ele por si próprio conduz rapidamente à ação coletiva, mas, se o líder for incompetente, desajeitado ou com um discurso fraco, a população rapidamente perderá o interesse e tudo estará perdido.

Porém, ao vermos que a semente foi plantada, que a árvore cresceu sem sabermos como, quando o fruto estiver maduro, passe a foice, pois chegou a hora de colher e saborear. Quem tiver olhos de ver que veja e quem tiver ouvidos de ouvir que ouça; quem puder entender que entenda. Agora vão e não contem nada a ninguém!

Estabelecida a reforma política, deve-se então dar início à reforma econômica. Já com o poder legislativo nas mãos, o povo deve então promulgar e outorgar o Estruturalismo como a economia oficial do Estado Teodemocrático.

O Alvissarismo propõe não uma revolução econômica, mas sim uma reforma econômica que pretende substituir o Capitalismo pelo Estruturalismo. A reforma econômica Alvissarista apresenta-se como uma tentativa de introduzir melhoramentos no aspecto sócio-econômico da sociedade, sem transformar sua estrutura social básica, isto é, sem modificar o fundamento primordial do Capitalismo. Sendo o Estruturalismo apenas o aperfeiçoamento do Capitalismo. O Estruturalismo é o meio-termo entre o Capitalismo e o Comunismo, na medida em que no Estruturalismo os meios de produção são 50% privados (isto é, do Povo) e 50% públicos (isto é, do Estado). Ou seja, o Estruturalismo adota uma posição de não extremismo entre as oposições econômicas, de modo que o Estruturalismo não é nem de Direita nem de Esquerda, o Estruturalismo é, em verdade, o Caminho do Meio.

O Capitalismo nos dá liberdade, mas não nos dá segurança; o Comunismo nos dá segurança, mas não nos dá liberdade; o Estruturalismo, por sua vez, nos dá, ao mesmo tempo, liberdade e segurança, porém ambos limitados a 50% de sua possibilidade. O paradoxo da liberdade nos mostra que é impossível ter a segurança e a liberdade no mesmo instante em sua totalidade. Quanto mais liberdade, menos segurança, quanto mais segurança, menos liberdade; ou seja, a liberdade é inversamente proporcional à segurança. O ideal é, portanto, o Caminho do Meio proposto pelo Estruturalismo, que nos dá a possibilidade de termos no mesmo instante tanto a liberdade do Capitalismo (propriedade privada) quanto a segurança do Comunismo (propriedade pública), porém ambos limitados a 50% de sua possibilidade.

A função do Estado é a de dar segurança à população através de leis que limitem os impulsos egoístas dos indivíduos, ou seja, o Estado deve ter como objetivo limitar em 50% a liberdade do individuo que se manifesta através da propriedade privada, a ponto de estruturar uma sociedade de natureza ética, que, através da Lei da virtude, busca barrar o gozo egoísta dos indivíduos com um ponto de basta que limita a aquisição da propriedade privada; gozo este que se manifesta através do consumismo desenfreado e da ostentação de bens materiais, produzindo uma sociedade de natureza viciosa, onde a injustiça, a desigualdade, o egoísmo, a inveja, o ciúme, a vaidade, a arrogância, a ganância, a ambição e a avareza sustentam a vida moral da população. Por outro lado, o Estado também tem a função de dar liberdade ao individuo através de leis que assegurem a propriedade privada, ou seja, o Estado deve ter como objetivo limitar em 50% a estatização dos meios de produção, a ponto de estruturar um Estado que não transgrida a liberdade de outrem, salvo se esse ato tiver como finalidade salvar a própria vida e/ou a vida de outrem; ou seja, o Estado só tem o direito de transgredir a liberdade do cidadão através do controle social, da violência e da coerção legal, se esse ato tiver como finalidade salvar a vida do próprio Estado (Constituição) e/ou a vida do cidadão. Isto quer dizer que todo Estado que transgredir os limites quantitativos da propriedade pública estabelecidos por Lei, deve ter seus bens transferidos imediatamente para o cidadão, da mesma forma como todo cidadão que transgredir os limites quantitativos da propriedade privada estabelecidos por Lei, deve ter seus bens transferidos imediatamente para o Estado.

Promulgada e outorgada a “Lei do Caminho do Meio”, que torna os meios de produção 50% privados e 50% públicos, o povo deve promulgar e outorgar a “Lei da Divisão Igualitária dos Lucros”, que determinará qual o percentual de lucro as grandes, médias e pequenas empresas deverão, por lei, dividir igualmente entre todos os funcionários. Caso tenhas dificuldade em sancionar esta lei, o povo deve continuar com os mesmos métodos de protesto, ou seja, o acampamento, o pacifismo, a oração e o jejum, mas nunca a greve trabalhista, pois assim vós perdereis a razão e prejudicareis quem não tem nada a ver com esta situação; o passageiro do ônibus não deve ser prejudicado por causa das injustiças dos empresários gananciosos e avarentos cometidas contra os cobradores e motoristas; os alunos das escolas e universidades não devem ser prejudicados em seu ensino por causa das injustiças cometidas pelo governo contra os professores; os doentes não devem ser prejudicados por causa das injustiças cometidas pelo governo contra os médicos; o povo não deve ser prejudicado por causa das injustiças cometidas pelo governo contra os policiais e bombeiros; enfim, se vós fizerdes greve trabalhista, perdereis a simpatia do povo que será prejudicado, mas se vós acampardes em algum ponto estratégico, manterdes um discurso e uma atitude pacífica, orardes e jejuardes, toda a população simpatizará com a vossa causa, e vós conseguireis o que desejas. Os ateus não precisam orar, mas devem manter um discurso e uma atitude pacífica, acampar e jejuar como todos os outros. Feito isto, estará estruturada e assegurada a reforma político-econômica Alvissarista. Ó habitantes do planeta terra, regenerai-vos e uni-vos em prol de uma sociedade justa e igualitária!

 

 

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