Teoria do Real, Simbólico e Imaginário

A teoria do Real, Simbólico e Imaginário é a teoria de inspiração Lacaniana que o Alvissarismo apresenta no Livro Lógica Alvissarista, e que consiste na ideia de que o Real é um termo que designa um conceito enigmático, não podendo ser equiparado a realidade, uma vez que o Alvissarismo entende que a realidade é estruturada simbolicamente. O Real não é a realidade, pelo contrário, o Real é o núcleo indecifrável da realidade, isto é, algo que nos referencia a um trauma ou fixação marcada pelo limite e a incompletude da simbolização (ou seja, algo que não pode ser expresso em palavras). O Real é o negativo, não tendo existência epistemológica positiva, existindo, portando, somente como algo puramente abstrato, consistindo não como algo externo à realidade, mas como o próprio núcleo da realidade cuja qual a capacidade humana de simbolização, marcada pelo limite e pela incompletude, não consegue alcançar através da ciência, sendo exatamente o que se manifesta dentro da ordem simbólica através da Filosofia, da Arte e da Religião.

Para a Filosofia Alvissarista, a realidade é estruturada como uma ficção, isto é, ela é construída a partir da simbolização limitada pela origem do Logos (Razão), existindo, portanto, um Real antes do Logos e um Real depois do Logos, sendo o primeiro inacessível à ciência, e o segundo manifesto através de fósseis e paradoxos lógicos na linguagem, sendo apenas um tipo de interpretação simbólica da coisa-em-si. Desse modo, o Real manifesta-se através de situações que nos parecem fictícias e abstratas, como sonhos, ritos, mitos, hierofanias e pela mediunidade, permitindo que entremos em contato direto com o que há de mais próximo do Real, promovendo a comunicabilidade entre os mundos sensível e inteligível, isto é, tornando possível a comunicação direta entre o mundo material e o mundo espiritual.

A Filosofia Alvissarista afirma que o Simbólico surge com o advento da linguagem (Logos) promovida pelo espanto gerado no homem primitivo de Pequim através do roubo do fogo, e é construída aos poucos através do jogo da presença e ausência do fogo (For! Da!) jogado pelo homem primitivo de Pequim quando, na estratégia de recuperação do fogo roubado pelo homem primitivo de Trinil, transpassara o fogo de mão em mão entre os homens primitivos até chegar com este de volta à aldeia. O mesmo processo que hoje em dia pode ser visto na cultura através dos jogos olímpicos, onde a tocha é passada de mão em mão até chegar ao seu destino final; ou na política, onde a faixa presidencial e a coroa são passadas de presidente a presidente ou de rei a rei; ou na economia, onde o dinheiro como moeda de troca é passado de mão em mão; ou na moral, onde os costumes são passados pelos pais aos seus filhos de geração em geração.

O imaginário, segundo a Filosofia Alvissarista, é algo semelhante ao Simbólico, no entanto, enquanto o Simbólico relaciona-se de modo a estruturar as leis e regras da sociedade, o Imaginário está diretamente ligado à imagem promovida na mente humana através da experiência sensível (tato, olfato, visão, audição, paladar). O Imaginário é o instrumento que permite com que a experiência sensível promova o conhecimento do mundo; é o que faz com que a experiência sensível de um determinado objeto do mundo possa ser conhecido pelo homem. É aquilo que fez com que o homem primitivo de Pequim, ao ver o fogo roubado pelo homem primitivo de Trinil, trouxesse à sua mente o conceito de fogo como sendo o primeiro signo linguístico existente no mundo, como sendo o ponto de origem da cadeia significante, isto é, a encarnação primeva do Verbo (Adão/Jesus), o primeiro espírito a encarnar na terra. A visão do fogo trouxe à mente do homem primitivo de Pequim o conceito de fogo, sem, no entanto, ser relacionado aos outros conceitos ideológicos construídos através do tempo e que emergem conjuntamente com essa ideia (o fato de o fogo representar a paixão, o bem, o dinheiro e o poder, o divino, que equivale à lembrança inconsciente de ter recuperado o fogo roubado).

Os registros do Real, Simbólico e Imaginário, de acordo com Lacan (desde o Seminário XX), estão interligados numa forma de nó borromeano, numa estrutura de três anéis que se enlaçam em torno do objeto (a), isto é, o objeto ausênte, o fogo roubado na origem do Logos. Essas três dimensões existenciais estão interligadas de tal modo que a mínima modificação em uma dessas dimensões provocaria uma modificação nas outras duas.

 

 

 

 

 

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