A Revolução Linguística na Filosofia

O Alvissarismo propõe uma revolução linguística na Filosofia. Mas o que é a revolução linguística na Filosofia? Antes do Alvissarismo a Filosofia era dividida em duas vertentes opostas: o racionalismo e o empirismo; onde no primeiro a origem do conhecimento está estruturada na razão, e no segundo a origem do conhecimento está estruturada na experiência. Depois do Alvissarismo surge uma nova vertente na Filosofia – o simbolismo –, onde a origem do conhecimento não está estruturada nem na razão nem na experiência, mas sim na linguagem. No simbolismo a origem de todo conhecimento é a linguagem. Em outras palavras: todo conhecimento começa com a experiência simbólica. O Logos é a origem de todo conhecimento. É isso o que quer dizer a expressão “revolução linguística na Filosofia”; ou seja, assim como Kant causou a revolução copernicana na Filosofia mudando o centro de gravidade na investigação filosófica do objeto conhecido para o sujeito cognoscente, o Alvissarismo mudou o centro de gravidade na investigação filosófica da razão e da experiência para a linguagem. A partir do Alvissarismo o Logos tornar-se-á o centro gravitacional da Filosofia, ou seja, aquilo pelo qual toda a Filosofia terá como centro do universo. Se antes de Kant toda a Filosofia girava em torno do objeto e depois de Kant a Filosofia passou a girar em torno do sujeito cognoscente do objeto (revolução copernicana na Filosofia), antes do Alvissarismo toda a Filosofia girava em torno da razão e da experiência e depois do Alvissarismo a Filosofia passou a girar em torno da linguagem (revolução linguística na Filosofia).

Vamos nos deter ao que chamamos de “revolução linguística na Filosofia”, que seria, a exemplo da revolução copernicana na Filosofia, uma troca de referencial, na medida em que os objetos deixam de ser o centro da investigação filosófica, tirando a ênfase dos objetos para o sujeito que os conhece, estando os objetos inerentes à capacidade de conhecer do sujeito e não o contrário. Ao conhecer um objeto, nunca conhecemos a essência pura desse objeto (coisa-em-si), pois já capitamos esse objeto utilizando das categorias do nosso entendimento, originários de nossa capacidade de conhecer, que fica estruturada na própria linguagem, tal como o espaço e o tempo, os quais não se estruturam nem no mundo físico (como querem os físicos), nem na intuição sensível (como quis Kant), mas sim na própria linguagem. Ou seja, o conhecimento do mundo depende exclusivamente da nossa linguagem, que é o instrumento que intercambia a dialética entre o mundo físico e a intuição pura sensível; isto é, o simbolismo é o que permite a existência tanto do conhecimento racional quanto do conhecimento empírico. Sem a estrutura da linguagem seria impossível conhecer os objetos do mundo. Eis porque Wittgenstein já havia dito que “os limites da linguagem são os limites do meu mundo”: porque o limite extremo do conhecimento é o limite da linguagem, e o limite da linguagem é o limite de sua própria origem.

Nós entendemos que a “Epistemologia Alvissarista”, isto é, nossa teoria do conhecimento baseada na ideia de que a linguagem é a origem de todo conhecimento, representa uma revolução análoga à que Copérnico causou na Astronomia e Kant causou na Filosofia. Na Astronomia, Ptolomeu havia proposto que as estrelas giravam em torno da terra. Copérnico, por sua vez, partiu da hipótese contrária, dizendo que é o movimento do espectador na terra que estrutura a aparência do movimento nas estrelas. Enquanto o centro de gravidade do conhecimento em Ptolomeu está nos astros, em Copérnico está no próprio espectador. Da mesma forma devemos compreender a relação do conhecimento entre o sujeito e o objeto. Kant propôs que essa relação deveria ser invertida na Filosofia tal como Copérnico a inverteu na Astronomia. Diz Kant: Não é o sujeito que, imóvel, no centro do universo, vê passivamente o movimento dos objetos, pelo contrário, é a atividade de percepção do sujeito que determina como os objetos são vistos. Antes de Kant se supunha que todo o sujeito cognoscente deveria regular-se pelos objetos, depois de Kant passamos a admitir que são os objetos que devem ser regulados pelo sujeito cognoscente. Se a nossa percepção fosse regulada pelos objetos, não seriamos capazes de ver uma mesa numa página, mas sim um objeto bidimensional. No entanto, como são os objetos que se regulam pela nossa percepção, o desenho na página é transfigurado pela nossa capacidade sensorial, em mesa, ou seja, num objeto tridimensional.

O posicionamento Alvissarista perante a revolução copernicana na Filosofia causada por Kant é denominado “revolução linguística na Filosofia”. Para nós, Kant se enganara quando estudara o que é a razão em vez de estudar o que é que estrutura a própria razão. Ao nosso entender, a linguagem é o instrumento que permite a razão e a experiência conhecerem os objetos do mundo. Para nós, não é o sujeito que, imóvel, no centro do universo, conhece os objetos do mundo através da razão e da experiência, mas sim a faculdade da linguagem (Logos) que permite o conhecimento racional e experiencial dos objetos do mundo. Antes do Alvissarismo se supunha que toda a linguagem deveria se regular pelos objetos, depois do Alvissarismo passamos a admitir que são os objetos que devem ser regulados pela linguagem. Se a nossa linguagem fosse regulada pelos objetos, não seriamos capazes de reconhecer a significação do significante m-e-s-a desenhado numa folha de papel, mas como são os objetos que se regulam pela nossa capacidade linguística, o desenho m-e-s-a na folha de papel é transfigurado pela faculdade do Logos no objeto “mesa”, ou seja, num objeto real. É isso o que se dá com a relação entre o significante e o significado. A revolução linguística na Filosofia proposta pelo Alvissarismo consiste em colocarmos no centro da investigação filosófica não a própria razão, como quis Kant, ou a experiência, como quis Hume, mas sim aquilo que estrutura tanto a razão quanto a experiência, ou seja, a linguagem (o Logos).

A ideia de que a linguagem estrutura a realidade implica uma revolução jamais vista na Filosofia. De acordo com a tradição filosófica ocidental, que Derrida (1930-2004) denomina de núcleo metafísico do pensamento ocidental, as palavras funcionariam como uma espécie de rótulo interligado a um conceito. Desse ponto de vista, existiria algo como uma “mesa real”, que estaria em alguma realidade externa ao sujeito, que corresponderia a um conceito no pensamento chamado “mesa” ao qual a palavra “mesa” se refere. No entanto, amparado em Saussure (1857-1913), o Alvissarismo sustenta que as definições de conceitos não podem existir fora das diferenças entre as palavras, ou seja, o conceito de “mesa” não pode existir sem o nome “mesa”. Desse modo, as diferenças entre os significados de uma palavra é o que estrutura toda a nossa percepção do mundo. Existe uma “mesa real” apenas se nós estivermos manipulando o sistema simbólico, isto é, apenas se nós estivermos dentro da linguagem. Nós sequer reconheceríamos uma “mesa” como sendo uma “mesa” se no mesmo instante não reconhecêssemos que uma “mesa” não é todo o resto dos objetos do mundo. Quer dizer, uma “mesa” só é reconhecida como “mesa” porque reconhecemos que ela não é qualquer outra coisa, em outras palavras, uma “mesa” é definida como uma singular coleção de características que são estruturadas de determinada forma, e assim funciona todo o sistema simbólico: uma coisa só é conhecida como não sendo outra coisa referida como o seu oposto, ou seja, o branco só é conhecido como não sendo o preto, o fogo só é conhecido como não sendo a água, o par só é conhecido como não sendo o ímpar, o cru só é conhecido como não sendo o cozido, a presença só é conhecida como não sendo a ausência, o dia só conhecido como não sendo a noite, o sol só é conhecido como não sendo a lua, o macho só é conhecido como não sendo a fêmea, e etc. Portanto, tudo aquilo que nós pensamos ser a realidade é na verdade uma convenção de nomes e características chamada linguagem, ou seja, fora da linguagem não há realidade, pois, tudo o que está antes da linguagem é o real (inconcebível sem nome e sem significado), e por isso não pode adentrar na realidade humana sem ser articulado pela própria linguagem. A origem da linguagem é o limite da realidade. Isto implica que a origem da linguagem é o limite extremo de todo conhecimento possível, já que, como vimos anteriormente, não é possível conhecer fora da linguagem.

 

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