Teoria do Valor-Falo

A teoria do valor-falo é a teoria do valor apresentada pelo Alvisssarismo no quarto selo do primeiro tomo de Alvíssara, e que consiste na tese de que o que imprime valor à mercadoria é o desejo e a falta, isto é, a condição fálica da mercadoria frente ao sujeito e à sociedade. Esta teoria é uma crítica à teoria do valor-trabalho de Adam Smith (1723-1790) e David Ricardo (1772-1823), onde o valor de uma mercadoria é determinado pela quantidade de trabalho necessário para se obter tal mercadoria, e de Marx (1818-1883), onde é necessário acrescentar à quantidade de trabalho a noção de tempo, isto é, para esse grande economista, o valor de uma mercadoria é determinado pela quantidade de tempo necessária de trabalho para se obter tal mercadoria. Para nós, ao contrário desses três grandes pensadores, o valor de uma mercadoria é determinado por sua condição fálica perante o indivíduo e a sociedade, e não pela quantidade de trabalho. A questão aqui é clara e objetiva: o que faz um objeto valer mais do que o outro? Por exemplo: por que o ouro vale mais do que a água? Ora, vimos que desde a origem da economia principiada pelo roubo do fogo, o que determina o valor de um objeto é a sua condição fálica; ou seja, a sua estrutura frente ao desejo e a falta de determinado objeto.

No entanto, sabe-se que o falo como significante do desejo e da falta, é o representante simbólico do valor de qualquer objeto. Quer dizer, um determinado objeto possuirá um determinado valor equivalente ao desejo de ter esse objeto em relação à consequência de sua falta. Portanto, quanto mais desejado é um objeto, mais caro se torna o seu valor. Da mesma forma, quanto mais falta um determinado objeto, mais caro se torna o seu valor. Desse modo, a teoria do valor apresentada aqui é essencialmente e originalmente fálica. No caso do desejo, o homem deseja o desejo da sociedade, ou deseja ser desejado pela sociedade; assim, quanto mais um objeto faz o sujeito ser desejado pela sociedade, maior será o valor do objeto para o sujeito. No caso da falta, o sujeito deseja aquilo que a sociedade possui, mas que nele falta. Desse modo, quanto maior a falta do sujeito, maior será o valor do objeto para o sujeito. Hoje, por exemplo, o ouro vale mais aos olhos dos homens do que a água; no entanto, se no futuro a água faltar ao homem, seu valor aos olhos dos homens será maior do que o ouro. Pois o homem consegue viver sem ouro mais não consegue viver sem água.

Entra aqui, o fator primordial da teoria do valor: a sobrevivência humana na terra! A teoria do valor-falo apresentada aqui representa tanto o ponto de vista do consumidor quanto o ponto de vista do mercador, este foi o erro da teoria da utilidade marginal, já que ela considera o desejo apenas do ponto de vista do consumidor, desconsiderando totalmente o ponto de vista do mercador. Do ponto de vista do consumidor, nós concordamos plenamente com a teoria da utilidade marginal, e ela está de pleno acordo com a teoria do valor-falo apresentada aqui, já que esta é uma teoria subjetiva do valor, pois o valor de uma mercadoria não está na mercadoria em si, na medida em que é o sujeito que determina o valor da mercadoria, seja do ponto de vista do consumidor ou do ponto de vista do mercador.

O que nós temos a acrescentar à teoria do valor subjetivo é a condição fálica do valor de qualquer mercadoria, já que a psicanálise nos mostrou que o falo é o significante do desejo e da falta, e é com base nesse significante que o valor de qualquer mercadoria é determinado. O homem desloca na mercadoria a sua demanda de amor, e é aí que podemos determinar a teoria do valor subjetivo não apenas do ponto de vista do consumidor, tal como fora desvelado pela teoria da utilidade marginal, mas também do ponto de vista do mercador, pois, para ele, o valor é determinado pelo desejo da sociedade pela mercadoria que o mercador possui, já que o fato de possuir tal mercadoria o torna desejado pela sociedade. O valor subjetivo da utilidade de uma mercadoria se refere tanto à sobrevivência do homem quanto à sua demanda de amor.

A teoria da utilidade marginal trata apenas da sobrevivência do homem, mas é notório que o consumidor e o mercador deslocam na mercadoria a sua demanda de amor, pois o homem quando deseja alguma coisa ou mercadoria, não o faz somente porque esta coisa ou mercadoria lhe será útil à sobrevivência, na verdade, o homem deseja uma determinada mercadoria (carro, casa, roupa, etc.) para ser desejado ou amado pelo Outro. O amor da sociedade é a coisa mais valiosa para o homem, é o padrão-ouro pelo qual todos os outros valores são medidos (prata, ouro, dinheiro), e por isso tudo o que o homem consome além do necessário para a sua sobrevivência é apenas para se sentir desejado pela sociedade. O amor do Outro é algo estimado e valorizado por todo ser humano, o amor do Outro é para o homem o padrão ouro que estrutura o valor de sua existência, ou seja, o valor com que se mede todos os outros valores (moedas, metais preciosos, pedras preciosas).

Os teóricos da utilidade perceberam a importância subjetiva do valor enquanto estruturado no desejo e na falta, mas o desconhecimento desses teóricos sobre a alma humana os impossibilitou de perceber que o amor do Outro é para o homem o padrão pelo qual se estrutura o valor de qualquer mercadoria ou objeto existente no universo. Por exemplo: Para o consumidor que esteja com fome, à primeira fatia de pão é muito desejada por ele, logo este pão possui um valor estimado para o sujeito. Ao mesmo tempo, o mercador que possui o pão se torna desejado pelo consumidor faminto; esse desejo vai decrescendo à medida que o consumidor vai saciando a sua fome e o mercador vendendo a sua mercadoria. O que está na base do valor de qualquer mercadoria é a sua representação fálica, e não a utilidade em si como pensavam os teóricos da teoria da utilidade marginal, já que uma mercadoria pode ser útil ao homem e ser barata, como a água, por exemplo, enquanto outra mercadoria de utilidade relativa pode ser cara, como o ouro por exemplo.

Mas por que isso acontece? Ora, pelo fato de a utilidade de uma mercadoria não ser aquilo que determina o seu valor. Porém, se um dia a água faltar ao homem na terra, o que vocês pensam que irá valer mais, o ouro ou a água? Ó humanos, no dia em que a água vos faltar, acaso pensais que conseguireis beber ouro? Logo, o que determina o valor de uma mercadoria é a sua condição fálica enquanto significante do desejo e da falta. Do ponto de vista da economia Alvissarista, é o falo que determina o valor das mercadorias; as relações de troca dependem de que os indivíduos que compõem a sociedade se sintam amados uns pelos outros, já que o homem desloca nas mercadorias a sua demanda de amor, e é justamente esta demanda de amor que determina o preço de cada mercadoria. O amor é, portanto, a base para compreender a alocação de recursos entre as classes, já que é na esfera do amor que a riqueza é produzida. A teoria do valor-falo é capaz de explicar fenômenos psíquicos e sociais modernos como por exemplo o objeto de estimação, a ostentação de bens materiais, a compulsividade pela compra, o consumismo, a cultura das celebridades, e todas as patologias individuais e sociais referentes ao mundo das mercadorias, como a busca incansável do homem por status social ainda que este não venha a representar qualquer vantagem econômica, a acumulação compulsiva e a acumulação de animais, que são patologias típicas da sociedade capitalista.

Em essência, a riqueza é inversamente proporcional ao amor, isto é, quanto mais rico é um sujeito, menos amado ele é pela sociedade, e por isso busca suprimir a sua demanda de amor na acumulação de bens matérias, na medida em que sua busca por riqueza está baseada na ilusão de que quanto mais rico ele for, mais bem material obtiver, casas, carros, lanchas, roupas, sapatos, relógios e etc., mais amado ele será pela sociedade. O problema é que a lógica capitalista de riqueza = amor é uma lógica da aparência e não da essência, pois o sujeito rico não atrai para si o amor da sociedade, mas sim o desejo interesseiro da sociedade, já que a sua riqueza não está baseada nas virtudes de seu caráter, mas sim na acumulação de bens materiais, e tão logo ele empobrece perde todo o desejo que havia conquistado da sociedade, e começa a ver afastar de sua companhia os que ele julgava serem seus amigos e amores. Ora, Jesus não tinha sequer uma pedra aonde reclinar a cabeça, e, no entanto é um dos sujeitos mais amados de toda a história da humanidade. A vida de Jesus é a prova de que a riqueza não é igual ao amor, mas sim de que a virtude é igual ao amor. Enquanto a lógica capitalista se fundamenta no pressuposto da aparência, onde a riqueza = amor, a lógica estruturalista se fundamenta no pressuposto da essência, onde a virtude = amor.

O homem mais amado não é aquele que possui maior número de bens materiais, mas sim aquele que possui menor número de vícios morais! Quando o homem dedica a sua vida a adquirir riquezas, na verdade, no fundo de seu coração, o que ele busca é adquirir o amor da sociedade, justamente por ser mal-amado, o problema é que no capitalismo o que comanda é a lógica da aparência, desse modo o sujeito não percebe que quanto mais rico ele se torna, menos amado ele é de verdade, pois aparentemente a riqueza lhe proporciona o desejo da sociedade, e como o desejo do homem é o desejo do Outro, logo ele continua a dedicar a sua vida a acumular riqueza ao invés de dedicar a sua vida a acumular virtude. O homem que dedica a sua vida a acumular dinheiro ao invés de acumular virtude, o faz na tentativa frustrada e covarde de preencher o vazio da sua alma, o problema é que esse vazio jamais é preenchido, e o homem se torna cada dia mais insatisfeito.

A verdadeira sabedoria do homem está justamente em saber lidar com esse vazio ao invés de tamponá-lo com dinheiro e bens materiais. A primeira das virtudes a ser adquirida pelo homem é a coragem, a fim de não cair na pusilanimidade de tentar preencher o vazio com dinheiro e bens materiais, isto é, a fim de não deslocar na mercadoria a sua demanda de amor e viver num ciclo infinito de insatisfação; o que o homem deve fazer é deslocar a sua demanda de amor de bens materiais para a virtude. Bem aventurados os que fazem da virtude a sua riqueza. O materialismo, o consumismo e a ostentação de bens materiais estimulados pelo capitalismo é a consequência imediata da ausência de amor entre as pessoas. O Evangelho de Cristo precisa ser praticado e não apenas discursado!

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