Teoria do Roubo do Corpo de Cristo

A teoria do roubo do corpo de Cristo é a teoria apresentada pelo Alvissarismo no quinto selo do primeiro tomo de Alvíssara, e que consiste na tese de que o sepulcro de Jesus foi encontrado vazio porque o seu corpo foi roubado. Sendo o Alvissarismo uma doutrina essencialmente Espírita de caráter Cristão, logo nós acreditamos na imortalidade da alma e não na ressurreição da carne; para o Alvissarismo, todas as aparições de Jesus Cristo pós-mortem foram dadas em espírito e não em corpo. Desse modo, se a ideia da ressurreição da carne nos é inconcebível, e se é um fato histórico incontestável que o sepulcro de Jesus fora encontrado vazio, torna-se necessário explicar o que de fato aconteceu com o corpo de Cristo. Bem, Kardec não formulou nenhuma teoria sobre essa questão, apesar de ele ter deixado bem claro que o corpo de Jesus era um corpo material igual ao de todo ser humano, ele não se deu ao trabalho de especular sobre o desaparecimento do corpo de Cristo, essa tarefa, então, coube ao Alvissarismo. Para o Alvissarismo não há outra possibilidade para explicar o desaparecimento do corpo de Cristo senão através da teoria especulativa de que o seu corpo fora roubado pelos próprios discípulos. Se a ideia da ressurreição da carne é absurda aos olhos do Espiritismo-Alvissarista, se as aparições de Jesus pós-mortem foram dadas em espírito e não em corpo, e se o seu sepulcro fora de fato encontrado vazio, logo não há outra teoria para explicar o desaparecimento de seu corpo senão a teoria do corpo roubado.

O Alvissarismo não é cético quanto à ressurreição de Cristo, o Alvissarismo é cético quanto à ressurreição da carne de Cristo, para nós trata-se única e exclusivamente de uma ressurreição da alma de Cristo, e não da sua carne, ou seja, as suas aparições pós-mortem confirmam a ideia Platônica da imortalidade da alma. Não é nada improvável que os seguidores de Jesus tenham roubado o seu corpo, pois eles eram os únicos interessados em fazer isso, não só para proteger o corpo do Mestre de uma depredação e posterior humilhação como também para veicular a mensagem da vida após a morte, que era a mensagem central de Jesus, só que ele não poderia falar de uma vida após a morte através da ideia Platônica da imortalidade da alma, pois se assim o fizesse seria completamente rejeitado pelo povo, já que essa era uma concepção escatológica de índole estritamente grega e não tinha nada a ver com a escatologia hebraica daquele povo.

É obvio que essa tese Alvissarista de que o corpo de Jesus fora roubado pelos próprios discípulos não é nem um pouco original, ela já se espalhara no dia mesmo da ressurreição de Jesus pelos judeus e pelos romanos, a novidade introduzida pelo Alvissarismo são os detalhes sobre esse acontecimento e a tese especulativa de onde poderia estar enterrado o corpo de Cristo. A hipótese Alvissarista de que o corpo de Jesus fora roubado pelos próprios discípulos é a única hipótese capaz de explicar de forma lógica e racional o desaparecimento do corpo de Jesus. Não é nada improvável, como propõe o Alvissarismo, que os seguidores de Jesus tenham roubado o corpo do Mestre com dois guardas romanos protegendo o túmulo, já que, como é narrado em (Mateus; 28: 11), os guardas por diversas vezes durante a noite dormiam tranquilamente, e que justamente uma dessas dormidelas é que deu a oportunidade para que os seguidores de Jesus pudessem rolar a pedra do sepulcro e retirar o corpo de Jesus de lá de dentro; e nem adianta alguns críticos desavisados dizerem que a pedra era pesada de mais para ser rolada, pois se conseguiram rolá-la para fechar o sepulcro, por que então não conseguiriam rolá-la para abrir o mesmo sepulcro? Esse é um argumento infantil de pessoas que querem a todo custo sustentar a ideia absurda e fantasiosa da ressurreição da carne. O Evangelho narra que os discípulos tiveram a ajuda de anjos para manter os guardas desacordados, e nesse estado, muito facilmente os discípulos retirariam o corpo de Jesus de dentro do sepulcro.

Vejam bem, ao afirmarmos que os discípulos de Jesus roubaram o corpo dele do sepulcro, nós não estamos dizendo que eles sejam desonestos ou que tenham um mau caráter, muito pelo contrário, eles fizeram o que tinha que ser feito. O objetivo desse roubo era o seguinte: evitar que o corpo do Mestre fosse depredado e humilhado em público e sustentar a ideia escatológica da vida após a morte sem ter de aderir à concepção Platônica da imortalidade da alma. Se o roubo do corpo de Cristo não tivesse acontecido e se seu sepulcro não tivesse sido encontrado vazio a obra de Jesus teria morrido na cruz, e o povo estaria até hoje sem saber que existe uma vida após a morte e um reino do céu. Desse modo, quando os apóstolos apregoaram para o resto de suas vidas a ressurreição de Jesus, eles não apregoaram uma mentira, mas sim a verdade da imortalidade da alma. Os apóstolos só foram capazes de se sacrificar tanto e até morrerem pela mensagem da ressurreição porque ela era verdadeira, porém se tratava não de uma ressurreição da carne, mas sim de uma ressurreição da alma. Eles foram absolutamente verdadeiros e leais ao Mestre e ao povo, pois ao falarem que Jesus estava vivo e que lhes aparecia, eles estavam falando a verdade, pois o espírito do Mestre realmente lhes apareceu durante quarenta dias justamente para confirmar a existência da imortalidade da alma. O espírito do Mestre lhes aparecia da mesma forma como diversos espíritos apareciam a Chico Xavier e assim como os espíritos dos Santos e de Nossa Senhora aparecem ao Pedro Siqueira. Trata-se, portanto, de aparições em espírito e não em corpo.

Mas e quanto à ressurreição de Lázaro ou da filha de Jairo relatados no Evangelho? Os defensores da ressurreição da carne em geral apelam para Lázaro e a filha de Jairo para fundamentar a sua crença, já que este é um fato histórico incontestável, mas, no entanto, cabe a pergunta: acaso Lázaro e a filha de Jairo depois de terem sido ressuscitados por Jesus não morreram e foram enterrados como todo mundo? Se a ressurreição da carne é uma doutrina verdadeira, então porque Lázaro e a filha de Jairo depois de terem sido ressuscitados morreram e foram enterrados como todo mundo? Se a ressurreição da carne fosse uma doutrina verdadeira, então Lázaro e a filha de Jairo teriam sido ressuscitados para eternidade e não teriam morrido após a ressurreição. O que mostra que ambos estavam vivos em estado de catalepsia patológica e não mortos quando foram ressuscitados, pois se assim fosse não teriam morrido novamente. Antigamente acreditava-se que pessoas com catalepsia tinham ressuscitado por milagre divino, o que é o caso das ressurreições relatadas no Evangelho. Bem se vê que o próprio Jesus afirma categoricamente tanto no caso de Lázaro quanto no caso da filha de Jairo que ambos não estavam mortos, mas sim vivos, sendo questionado pelos presentes se ele pensava que eles não conheciam a morte, mas então Jesus diz que sim, eles conheciam a morte, mas ele (Jesus) conhecia a vida. Se a doutrina da ressurreição da carne é verdadeira porque Deus é Todo-Poderoso, que seria capaz de fazer ressuscitar na carne até mesmo as pessoas que foram cremadas, então tudo é possível, até mesmo um circulo quadrado. Quem, em pleno século XXI, depois de todo avanço tecnológico, científico e filosófico, ainda consegue acreditar em uma escatologia tão intelectualmente pueril, que é não somente improvável, mas também impossível? Do pó viestes e ao pó voltarás. Um corpo não pode atravessar paredes como fazia Jesus ressurreto, só um espírito tem capacidade para realizar essa façanha; o corpo espiritual é, em seu estado geral, invisível, mas ele pode sofrer algumas transformações que podem torna-lo visível e até mesmo passível de ser tocado, como é descrito no Evangelho, onde Tomé toca o corpo espiritual de Jesus. Mas, se Jesus ressuscitou em alma e não em corpo como estamos propondo aqui, como então explicar o fato de o evangelho narrar que ele, após sua ressurreição chegara até a comer junto aos discípulos? Bem, considerando que esse ritual erguido sobre a refeição fúnebre é mais antigo do que o próprio cristianismo e até mesmo mais antigo do que a filosofia, nós podemos dizer que os discípulos estavam repetindo uma situação erguida pelas religiões primitivas, onde era comum os parentes do morto darem de comer ao falecido num manjar fúnebre. (Essa situação é descrita no livro “A cidade antiga”) No caso, tendo o Cristo ressuscitado em alma, e tendo os discípulos a capacidade mediúnica (dom do Espirito Santo) de poder vê-lo, deu a ele de comer simbolicamente e não realmente, ou seja, nós entendemos essa passagem como puramente simbólica, de modo que, ao nosso entender, o que Jesus comeu ali na verdade foi o fluido da comida, do peixe, e não o peixe em si mesmo, da mesma forma como um espírito pode pegar o fluido de qualquer objeto material deste mundo, como um livro, por exemplo.

Os apóstolos só aceitaram ser presos, apedrejados e mortos porque a mensagem da ressurreição era verdadeira, apesar do corpo de Jesus ter sido retirado do túmulo por eles, o espírito do Mestre lhes aparecia, o que lhes dava prova sobre a imortalidade da alma e a vida após a morte, reforçando assim a missão dos apóstolos de apregoar ao povo que Jesus havia ressuscitado.

Dentre todos os apóstolos, Paulo de Tarso foi o que mais compreendeu essa situação, ou seja, de que as aparições de Jesus foram dadas em um corpo espiritual e não em um corpo carnal, pois foi assim que Jesus lhe apareceu na estrada de Damasco. Foi graças às cartas de Paulo que séculos mais tarde Santo Agostinho conseguiu sincretizar o Cristianismo ao Platonismo, introduzindo no pensamento Cristão a ideia Platônica da imortalidade da alma. Desse modo, é preciso deixar claro que o Alvissarismo não nega a ressurreição de Cristo, o que nós negamos é a ressurreição da carne. Em contraposição à ideia da ressurreição da carne nós afirmamos a ideia da ressurreição da alma, isto é, a ideia de que as aparições de Cristo pós-mortem foram dadas em espírito e não em corpo. Para nós, imaginar que um sujeito como Jesus, que apregoou durante três anos a vida do espírito e a renúncia aos desejos carnais, iria se dar ao trabalho de, depois de morto, levar a tralha do próprio corpo para o reino do céu, é ir contra toda a sua pregação, ou seja, a ideia da ressurreição da carne não faz o menor sentido. “Isto afirmo, irmãos, que a carne e o sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herdar a incorrupção” (1 Coríntios; 15: 50).

A ressurreição de Jesus é um fato histórico inegável, pois possui mais de quinhentas testemunhas, não se trata, portanto, de uma alucinação coletiva ou de um simples mito, mas de um fato real que confirma a imortalidade da alma e a existência de uma vida após a morte. Apesar de todas as contradições que existem sobre o relato da ressurreição de Jesus, se interpretarmos esse fato histórico como uma manifestação da imortalidade da alma, todas essas contradições caem por terra, pois o fato se torna mais racional e lógico, porém ainda continua a ser uma questão de fé, mas tratar-se-á de uma fé racional. A ideia Islâmica de que Jesus não havia morrido na cruz, mas apenas desmaiado e depois se recuperou de suas feridas é, talvez, mais fantasiosa do que a própria ideia da ressurreição da carne, ninguém jamais sobreviveria a tamanho martírio; e a ideia Roustainguista do corpo fluídico de Jesus consegue ser ainda mais absurda, posto que essa tese implicaria na negação da encarnação de Cristo e na completa impossibilidade da distinção entre o corpo material e o corpo espiritual. Desse modo, fica esclarecido que, dentre todas as hipóteses existentes para explicar o desaparecimento do corpo de Cristo e as suas aparições pós-mortem, a hipótese Alvissarista é a mais provável, isto é, a mais lógica e racional.

Nem os líderes romanos nem os líderes judeus, que guardaram o túmulo (Mateus; 27: 62) tinham qualquer motivo para roubar o corpo de Jesus, pelo contrário, ambos os líderes tinham motivo de sobra para esperar que os três dias da profecia se cumprissem para depois entrar no túmulo, pegar o corpo e exibi-lo em público para humilhar Jesus e os seus seguidores, mostrando que a sua profecia da ressurreição não havia se cumprido, destruindo de uma vez por todas com o movimento iniciado por Jesus de Nazaré. Desde que a cena se passou em Jerusalém, estava no poder dos líderes judeus e romanos encontrar o corpo de Cristo, já que o seu sepulcro fora encontrado vazio, mas para a frustração deles o seu corpo jamais foi encontrado. Mas, se o corpo de Jesus foi roubado pelos próprios discípulos como apregoa o Alvissarismo, como então seu corpo não foi encontrado pelos líderes judeus e romanos? Bem, de acordo com o Alvissarismo, o corpo de Jesus só não foi encontrado por três motivos:

1- Não há registro histórico da procura pelo corpo de Cristo entre os judeus e os romanos, os evangelhos não narram hora nenhuma qualquer empreendimento por parte dos líderes judeus e romanos em procurar o corpo de Jesus, que é a prova material do crime. Se os judeus e romanos tivessem realmente procurado pelo corpo de Jesus esse seria um fato que com toda certeza seria narrado nos evangelhos, pois era do interesse dos próprios apóstolos esclarecer que mesmo sendo procurado o corpo nunca foi encontrado.

2- Mesmo que os líderes judeus e romanos tivessem procurado o corpo de Jesus, eles o fariam por entre os sepulcros de Jerusalém, e jamais o encontrariam, pois, segundo o Alvissarismo (vide tomo 1, selo 5 de Alvíssara: “O Mistério do Graal: o Roubo do Corpo de Cristo”), o corpo de Jesus fora sepultado não em um sepulcro, mas sim na casa de José em Arimatéia, e como sepultar um cadáver em casa e não em um sepulcro era algo absolutamente inconcebível para os judeus, os líderes Judeus e romanos jamais desconfiaram que o corpo de Jesus havia sido sepultado em uma casa. Se os judeus e os romanos tivessem que procurar pelo corpo de Jesus procurariam em um sepulcro ou uma vala e não em uma casa.

3- Ao sepultarem o corpo de Jesus justamente na casa daquele que pedira o seu corpo a Pilatos, isto é, José de Arimatéia, que era um discípulo de Jesus, mas que os próprio judeus não sabiam disso nem poderiam saber, pois se soubessem o expulsariam do conselho, já que ele era um membro nobre do conselho dos judeus, os discípulos tiraram qualquer possibilidade de seu corpo ser encontrado, pois eles pensaram que os líderes Judeus pensariam que eles não seriam tolos o bastante para sepultar o corpo do Mestre justamente na casa daquele que pedira seu corpo a Pilatos; primeiro porque sepultar um corpo em casa era algo impensável naquela época, segundo a lei mosaica, o cadáver era encarado como tornando impuros por sete dias aqueles que o tocassem; aqueles que deixassem de observar os procedimentos de purificação prescritos na Lei de Moisés estavam sujeitos à pena de morte (Números; 19: 11 a 20) e (Deuteronômio; 21: 22 a 23). Há registros históricos de que, mais tarde José de Arimatéia fora preso pelos judeus e romanos que o acusaram de ter roubado o corpo de Jesus, já que foi ele quem pediu o corpo a Pilatos, já que o corpo, por ter sido sepultado em uma casa e não eu um sepulcro, nunca fora encontrado, e de qualquer forma alguém teria que ser tomado de bode expiatório para que o desaparecimento do corpo de Jesus fosse configurado como roubo e fundamentasse assim o crime. Se o corpo desapareceu, alguém o roubou. Se alguém o roubou, esse alguém tem de pagar pelo crime. Mas quem foi esse alguém? Ora, aquele mesmo que pedira o corpo de Cristo a Pilatos. Os judeus e os romanos não poderiam acusar outra pessoa senão José de Arimatéia, porém jamais encontraram o corpo pelo simples fato de que o corpo nunca fora sepultado em um sepulcro, mas sim na própria casa de José em Arimatéia.

Não é nada improvável que os seguidores de Jesus tenham roubado o seu corpo, pois eles eram os únicos interessados em fazer isso, não só para proteger o corpo do Mestre de uma depravação e posterior humilhação como também para veicular a mensagem da vida após a morte, que era a mensagem central de Jesus, só que ele não poderia falar de uma vida após a morte através da ideia Platônica da imortalidade da alma, pois se assim o fizesse seria completamente rejeitado pelo povo, já que essa era uma concepção escatológica de índole estritamente grega e não tinha nada a ver com a escatologia hebraica daquele povo.

É obvio que essa tese Alvissarista de que o corpo de Jesus fora roubado pelos próprios discípulos não é nem um pouco original, ela já se espalhara no dia mesmo da ressurreição de Jesus pelos judeus e pelos romanos, a novidade introduzida pelo Alvissarismo são os detalhes sobre esse acontecimento e a tese especulativa de onde poderia estar enterrado o corpo de Cristo.

A hipótese Alvissarista de que o corpo de Jesus fora roubado pelos próprios discípulos é a única hipótese capaz de explicar de forma lógica e racional o desaparecimento do corpo de Jesus. Não é nada improvável, como propõe o Alvissarismo, que os seguidores de Jesus tenham roubado o corpo do Mestre com dois guardas romanos protegendo o túmulo, já que, como é narrado em (Mateus; 28: 11), os guardas por diversas vezes durante a noite dormiam tranquilamente, e que justamente uma dessas dormidelas é que deu a oportunidade para que os seguidores de Jesus pudessem rolar a pedra do sepulcro e retirar o corpo de Jesus de lá de dentro; e nem adianta alguns críticos desavisados dizerem que a pedra era pesada de mais para ser rolada, pois se conseguiram rolá-la para fechar o sepulcro, por que então não conseguiriam rolá-la para abrir o mesmo sepulcro? Esse é um argumento infantil de pessoas que querem a todo custo sustentar a ideia absurda e fantasiosa da ressurreição da carne. O Evangelho narra que os discípulos tiveram a ajuda de anjos para manter os guardas desacordados, e nesse estado, muito facilmente os discípulos retirariam o corpo de Jesus de dentro do sepulcro.

Vejam bem, ao afirmarmos que os discípulos de Jesus roubaram o corpo dele do sepulcro, nós não estamos dizendo que eles sejam desonestos ou que tenham um mau caráter, muito pelo contrário, eles fizeram o que tinha que ser feito. O objetivo desse roubo era o seguinte: evitar que o corpo do Mestre fosse depredado e humilhado em público e sustentar a ideia escatológica da vida após a morte sem ter de aderir à concepção Platônica da imortalidade da alma. Se o roubo do corpo de Cristo não tivesse acontecido e se seu sepulcro não tivesse sido encontrado vazio a obra de Jesus teria morrido na cruz, e o povo estaria até hoje sem saber que existe uma vida após a morte e um reino do céu. Desse modo, quando os apóstolos apregoaram para o resto de suas vidas a ressurreição de Jesus, eles não apregoaram uma mentira, mas sim a verdade da imortalidade da alma. Os apóstolos só foram capazes de se sacrificar tanto e até morrerem pela mensagem da ressurreição porque ela era verdadeira, porém se tratava não de uma ressurreição da carne, mas sim de uma ressurreição da alma. Eles foram absolutamente verdadeiros e leais ao Mestre e ao povo, pois ao falarem que Jesus estava vivo e que lhes aparecia, eles estavam falando a verdade, pois o espírito do Mestre realmente lhes apareceu durante quarenta dias justamente para confirmar a existência da imortalidade da alma. O espírito do Mestre lhes aparecia da mesma forma como diversos espíritos apareciam a Chico Xavier e assim como os espíritos dos Santos e de Nossa Senhora aparecem ao Pedro Siqueira. Trata-se, portanto, de aparições em espírito e não em corpo. Um corpo não pode atravessar paredes como fazia Jesus ressurreto, só um espírito tem capacidade para realizar essa façanha. Os apóstolos só aceitaram ser presos, apedrejados e mortos porque a mensagem da ressurreição era verdadeira, apesar do corpo de Jesus ter sido retirado do túmulo por eles, o espírito do Mestre lhes aparecia, o que lhes dava prova sobre a imortalidade da alma e a vida após a morte, reforçando assim a missão dos apóstolos de apregoar ao povo que Jesus havia ressuscitado. Dentre todos os apóstolos, Paulo de Tarso foi o que mais compreendeu essa situação, ou seja, de que as aparições de Jesus foram dadas em um corpo espiritual e não em um corpo carnal, pois foi assim que Jesus lhe apareceu na estrada de Damasco. Foi graças às cartas de Paulo que séculos mais tarde Santo Agostinho conseguiu sincretizar o Cristianismo ao Platonismo, introduzindo no pensamento Cristão a ideia Platônica da imortalidade da alma.

Desse modo, é preciso deixar claro que o Alvissarismo não nega a ressurreição de Cristo, o que nós negamos é a ressurreição da carne. Em contraposição à ideia da ressurreição da carne nós afirmamos a ideia da ressurreição da alma, isto é, a ideia de que as aparições de Cristo pós-mortem foram dadas em espírito e não em corpo. Para nós, imaginar que um sujeito como Jesus, que apregoou durante três anos a vida do espírito e a renúncia aos desejos carnais, iria se dar ao trabalho de, depois de morto, levar a tralha do próprio corpo para o reino do céu, é ir contra toda a sua pregação, ou seja, a ideia da ressurreição da carne não faz o menor sentido. A ressurreição de Jesus é um fato histórico inegável, pois possui mais de quinhentas testemunhas, não se trata, portanto, de uma alucinação coletiva ou de um simples mito, mas de um fato real que confirma a imortalidade da alma e a existência de uma vida após a morte. Apesar de todas as contradições que existem sobre o relato da ressurreição de Jesus, se interpretarmos esse fato histórico como uma manifestação da imortalidade da alma, todas essas contradições caem por terra, pois o fato se torna mais racional e lógico, porém ainda continua a ser uma questão de fé, mas tratar-se-á de uma fé racional. A ideia Islâmica de que Jesus não havia morrido na cruz, mas apenas desmaiado e depois se recuperou de suas feridas é, talvez, mais fantasiosa do que a própria ideia da ressurreição da carne, ninguém jamais sobreviveria a tamanho martírio. Desse modo, fica esclarecido que, dentre todas as hipóteses existentes para explicar o desaparecimento do corpo de Cristo e as suas aparições pós-mortem, a hipótese Alvissarista é a mais provável, isto é, a mais lógica e racional.

O inconsciente coletivo é a estrutura racial herdada de todos os seres humanos. Sobre ele estão arquitetados o ego, o inconsciente individual e todas as aquisições culturais. O inconsciente coletivo é o depósito de traços de memória herdados do passado ancestral da humanidade, um passado que inclui não apenas a história racial do homem ou de uma espécie a parte, mas também seus ancestrais pré-humanos e animais. O inconsciente coletivo é o resto e a causa psíquica do desenvolvimento evolutivo da humanidade, um resíduo gerado na origem do Logos através do roubo do fogo, um resíduo que se acumulou em virtude de experiências repetidas durante várias gerações (por exemplo: a presença e ausência do fogo na origem do Logos e a presença e ausência do fogo nos jogos olímpicos). Como podemos perceber memórias ou representações sociais não são herdadas como tais, o que a humanidade herda é o significante erigido como uma Lei gramatical e hereditária, que determina as possibilidades e impossibilidades da humanidade reviver experiências de gerações passadas. Um exemplo clássico desse fenômeno e que corrobora nossa teoria do roubo do corpo de Cristo é o Dia do furto tradicional descrito por Câmara Cascudo no Dicionário do Folclore Brasileiro.

Na noite da sexta-feira da Paixão para o sábado de aleluia ou deste para o domingo da ressurreição havia em todo o Brasil a tradição de furto de aves domésticas para um grande almoço no dia imediato. A tradição ainda não desapareceu de todo, e estava espalhada por toda a América espanhola. Na Bolívia denominava-se kjespichee. No interior de São Paulo é o ‘Dia da Malvadeza’ na quinta-feira santa . Reuniam-se as alegres irresponsabilidades populares numa espécie de reminiscência das festas romanas, as Lupercais em fevereiro, as Hilárias em abril e as Santurnálias em dezembro, de que o carnaval é sobrevivência típica. Na África e Ásia resiste a mesma tradição ligada a outros ciclos religiosos e possivelmente de fundo cultural agrário. Uma explicação é pensar o povo que a morte de Jesus Cristo elimina o direito de autoridade, de propriedade, de posse, dando às coisas o domínio geral. Em Roma o povo saqueava o palácio imperial, quando do falecimento do imperador. Esse hábito é um dos elementos constantes na psicologia popular, considerando sem dono o que pertenceu ao morto. Bem de defunto é de toda gente, afirmavam. O Papa João IX, no concílio de Ravena em 898, proibiu, sob pena de excomunhão, o assalto e furto dos bens dos cardeais, arcebispos e bispos, pela multidão, quando da morte desses prelados”. (Câmara cascudo; p. 353).

 

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