Simbolismo ou Idealismo Simbólico

O simbolismo ou idealismo simbólico é a vertente epistemológica adotada pelo Alvissarismo e apresentada no livro Alvíssara, e que consiste na tese de que todo o conhecimento seja ele a priori (racional) ou a posteriori (empírico) tem origem na linguagem, ou seja, o simbolismo ou idealismo simbólico advoga a ideia de que o Logos é a origem, a fonte, a matriz de todo conhecimento possível, sendo este limitado à origem do Logos. O simbolismo é uma corrente filosófica baseada no idealismo, uma vez que a posição central da subjetividade é fundamental. É muito fácil resumir o pensamento simbolista, uma vez que ele é estruturado como um idealismo simbólico. No simbolismo deve-se considerar o primado do EU subjetivo como central em todo o idealismo, o que significa reduzir a realidade ao simbólico e a possibilidade do conhecimento da realidade a capacidade humana de simbolizar. Assim, na Filosofia simbolista, o postulado básico não é o “Eu sou Eu”, mas sim o “Eu sou o Outro”, no sentido de que é a imagem do Outro que forma o Eu. Ou seja, a velha oposição entre sujeito e objeto, entre ser e pensar se revela no idealismo simbólico como um processo dialético do conhecimento que parte do concreto para o abstrato e depois do abstrato para o concreto, isto é, do objeto para o sujeito e depois do sujeito para o objeto.

O simbolismo estrutura-se como uma dialética dividida em dois tempos, no primeiro tempo o conhecimento vai do objeto para o sujeito e, num segundo tempo, esta relação se inverte, indo do sujeito para o objeto.  O simbolismo é uma teoria filosófica que parte do princípio de que todo o conhecimento da realidade depende exclusivamente da capacidade humana de se inserir no universo simbólico, ou seja, para o simbolismo o conhecimento do real só é possível através do simbólico. Os objetos do mundo só são conhecidos pelo homem porque este está inserido na ordem simbólica, caso não estivesse (como os animais, por exemplo) ele nada conheceria sobre o mundo a não ser aquilo que está para a ordem do puro instinto e do condicionamento. Para o simbolismo o mundo material, objetivo, exterior, existe de fato, porém, só pode ser compreendido plenamente a partir de sua verdade simbólica, espiritual, mental e subjetiva. A realidade material, objetiva, externa, ao contrário do que prega o realismo filosófico, não é nem pode ser independente do sujeito no que se refere ao seu conhecimento, mas apenas no que se refere a sua existência, de modo que o mundo continuaria a existir sem o homem sobre a face da terra, mas sem o homem o mundo não seria conhecido.

Todo conhecimento do homem sobre o mundo passa pelo filtro da subjetividade. Todo conhecimento do homem sobre a realidade depende da sua capacidade de simbolizar o real. Sem o instrumento da linguagem (Logos) o homem jamais poderia conhecer os objetos da realidade, na medida em que é a própria linguagem que estrutura a realidade. O simbolismo, no sentido ontológico, é a doutrina filosófica segundo a qual o real não é a realidade, sendo o real de natureza espiritual e a realidade de natureza material, sendo a matéria uma manifestação ilusória, aparente, limitada, incompleta, e mera cópia imperfeita de uma matriz de origem espiritual. O simbolismo, no sentido gnosiológico, considera o sentido e a inteligibilidade de um objeto completamente dependente do sujeito que o compreende através da ordem simbólica, que estrutura tanto a razão quanto a experiência, o que torna a realidade cognoscível limitada e incompleta, e necessariamente redutível à capacidade do sujeito de simbolizar o mundo real.

Contra o realismo, a Filosofia Alvissarista reafirma a existência de um mundo físico, independente da mente humana, que contém uma série de objetos individualizados, porém, a estrutura formal do conhecimento de todos os objetos do mundo depende exclusivamente da linguagem, isto é, para o Alvissarismo existe um mundo físico independente do sujeito, mas o conhecimento deste mundo físico depende integralmente da capacidade linguística do ser humano de simbolizar os objetos do mundo real. Isto é o que nós chamamos anteriormente de simbolismo ou idealismo simbólico, onde não se duvida da existência de um mundo exterior e da pluralidade de coisas nele presente. Mas aceitar isso não significa que se possa conhecer os objetos do mundo exterior fora da sua relação com o sujeito cognoscente, como pretende o realismo, pois isto seria um absurdo, posto que todo conhecimento do mundo passa pelo homem, já que sem o homem o mundo pode existir, mas não pode ser conhecido.

O simbolismo ou idealismo simbólico é uma vertente epistemológica sistematizada de forma a se opor e sintetizar o idealismo e o realismo através da tese de que “Todo o conhecimento tem origem na linguagem, que possibilita a racionalidade e a significação da experiência sensível”. Ou seja, no simbolismo a origem do conhecimento não é mais a razão como no racionalismo e nem mesmo a experiência sensível como no empirismo, mas sim a linguagem, pois é esta que possibilita a racionalidade e a significação da experiência. A completa independência da realidade em relação a nossos esquemas conceptuais, crenças e pontos de vista, tal como prega o realismo filosófico, só é verdadeira no que se refere à existência do mundo físico, mas não ao seu conhecimento, ou seja, esta independência é apenas ontológica, e não gnoseológica, e é aqui que entra o idealismo, onde os fenômenos da realidade objetiva, externa ao sujeito, são incapazes de se mostrar ao homem em sua essência tais como são em si mesmos, mas apenas como representações subjetivas arquitetadas pela faculdade linguística do sujeito, como se houvesse um véu de Maya entre o homem e o mundo; mas aí então o realista metafísico questionará, dizendo: “Mas se é verdade que existe um véu entre o homem e o mundo, por que então este mesmo véu não existe entre o pensamento e a subjetividade?” Ora, esta pergunta está atrasada pelo menos há mais de um século e meio, pois a resposta a essa indagação foi descoberta por Freud e se chama inconsciente, este é o véu que existe entre o pensamento e a subjetividade e divide o sujeito entre Ser e Pensar e entre Saber e Verdade; no entanto, a impossibilidade de se conhecer a coisa em si não impossibilita também a sua experiência, e é isso o que garante a sua existência, pois se é impossível conhecer a coisa em si, então como é possível saber que ela existe? Este foi, portanto, o grande erro de Kant do qual o Alvissarismo não compactua, posto que para a Filosofia Alvissarista a coisa em si é incognoscível, porém experienciável através da prática moral, de mitos, ritos, hierofanias, experiências místicas e paradoxos lógicos na linguagem, tais como os apresentados pela lógica paraconsistente.

A verdade não é uma questão de correspondência entre as nossas crenças e a realidade, tal como prega o realismo, pois se assim fosse, os paradoxos presentes na existência do homem e do mundo, que contradizem a correspondência entre as nossas crenças e a realidade, seriam sempre falsos, uma tese que a lógica paraconsistente destrona com facilidade, posto que proposições contraditórias como “O homem olha, mas não vê”, ou “O homem ama, mas odeia”, ou “O homem está morto, mas está vivo” não são sempre falsas, podendo ser verdadeiras em determinadas condições, como por exemplo, numa paixão arrebatadora, num complexo familiar ou na morte de alguém, que mesmo estando morto, permanece vivo através de seu legado. Aqui, a verdade é a própria contradição entre as nossas crenças e a realidade, e não a correspondência entre as nossas crenças e a realidade.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s