A Revolução na Linguagem dos Mundos Possíveis Provocada Pela Paraconsistência da Mecânica Quântica

No Livro Lógica Alvissarista o Alvissarismo propõe a tese de que a verdade não é uma questão de correspondência entre as nossas crenças e a realidade, tal como prega o realismo, pois se assim fosse, os paradoxos presentes na existência do homem e do mundo, que contradizem a correspondência entre as nossas crenças e a realidade, seriam sempre falsos, uma tese que a lógica paraconsistente destrona com facilidade, posto que proposições contraditórias como “O homem olha, mas não vê”, ou “O homem ama, mas odeia”, ou “O homem está morto, mas está vivo” não são sempre falsas, podendo ser verdadeiras em determinadas condições, como por exemplo numa paixão arrebatadora, num complexo familiar ou na morte de alguém, que mesmo estando morto, permanece vivo através de seu legado, assim como no caso do experimento imaginário do gato de Schrödinger, no exemplo de um gato que está no mesmo sentido e ao mesmo tempo vivo e morto, bem como no caso do suicídio quântico, que afirma que a interpretação de muitos mundos de Everret implica que o conjunto de todos os seres conscientes possui o atributo da imortalidade, e o princípio da simultaneidade dimensional, que estipula que dois ou mais objetos físicos, realidades, percepções e objetos não-físicos podem coexistir no mesmo tempo-espaço, consistindo na existência de universos paralelos estruturados como uma gestalt (forma, em alemão), que é o processo mental no qual o ser humano dá forma aos objetos físicos da realidade sensível, configurando o que lhe é exposto diante dos olhos como “uma identidade concreta, individual e característica, que existe como algo destacado e que tem uma forma ou configuração como um de seus atributos” (Revista Scientifc American “Primordios da Psicologia da Forma – por Helmut E. Lück), não sendo possível ao homem comum obter o conhecimento do todo através de suas partes, posto que o todo é maior do que a soma das partes. Do ponto de vista da psicologia (psicanálise), os mundos consciente e inconsciente não são simplesmente (A+B), mas sim um terceiro mundo (C), que é pré-consciente e possui suas características e leis próprias. Do ponto de vista da lógica, os mundos real e simbólico não são simplesmente (A+B), mas sim um terceiro mundo (C), que é imaginário e possui suas características e leis próprias. Independentemente dos elementos que compõem os objetos da realidade, na percepção humana é sempre a forma que sobressai; por exemplo: as letras F-O-G-O não constituem apenas uma simples palavra na mente humana, ela evoca imediatamente a imagem do fogo, seu calor e simbolismo, que são propriedades não diretamente relacionada às letras F-O-G-O. Do mesmo modo, do ponto de vista da metafísica, da teologia e da religião, os mundos sensível (material) e inteligível (espiritual) não são simplesmente (A+B), mas sim um terceiro mundo (C), que é semimaterial e possui suas características e leis próprias, como por exemplo a imortalidade da alma (perispírito segundo Kardec ou corpo espiritual segundo Paulo de Tarso), que é o envoltório semimaterial que envolve o espírito e o liga ao corpo físico. A mediunidade, os dons do Espírito Santo, as hierofanias, os mitos, os ritos, a ficção e os sonhos tem como principal característica a capacidade de tornar explícito no mundo sensível o que está implícito no mundo inteligível, projetando na cena exterior o que ocorre na cena interior, permitindo assim que o homem e a humanidade tenha maior consciência sobre a pluralidade dos mundos habitados, no exato ponto de fronteira de contato com seu mundo através de uma ponte subjetiva que liga os dois universos, seguindo o processo histórico em curso, observando e analisando atentamente os fenômenos sobrenaturais através das profundezas obscuras da metafísica, da teologia e da religião.

Aqui, a verdade é a própria contradição entre as nossas crenças e a realidade, e não a correspondência entre as nossas crenças e a realidade, produzindo histórias consistentes que podem ser descritas pelas probabilidades de cada história acontecer ou não, obedecendo as leis da probabilidade clássica, preservando a consistência com a equação de Schrödinger, o que nos permite vencer com elegância a resistência do princípio de explosão, onde se pressupõe que “a partir de uma contradição, qualquer coisa segue”, ou seja, “qualquer coisa pode surgir de uma contradição”, princípio este que a equação de Schrödinger prova ser falso, isto é, sendo afirmada a contradição do gato que está vivo e morto no mesmo sentido e ao mesmo tempo, não se pode inferir qualquer coisa, mas apenas duas coisas podem ser inferidas aqui, ou seja, apenas uma das duas possibilidades (50% Vivo ou 50% Morto) pode ser inferida do experimento imaginário, mas não qualquer coisa como pressupõe o princípio de explosão. O princípio de explosão é vencido aqui a partir da probabilidade clássica, mostrando que, a partir da contradição do gato que está vivo e morto no mesmo sentido e ao mesmo tempo, não se pode seguir qualquer coisa, mas apenas duas coisas podem ser seguidas, a possibilidade de o gato estar vivo ou a possibilidade de o gato estar morto, não podendo haver outras possibilidades como afirma, erroneamente, o princípio de explosão, posto que de uma contradição não se pode provar qualquer coisa, mas apenas coisas possíveis. Isto será melhor compreendido quando inserirmos em nossa investigação lógico-filosófica o conceito de mundos possíveis. A paraconsistência da mecânica quântica provoca uma revolução jamais pensada na linguagem dos mundos possíveis. De modo que se faz necessário reformular o conceito de mundos possíveis. Para esta reformulação lançamos mão do estatuto metafísico do conceito de mundos possíveis criado originalmente por Leibniz. Deste modo, a noção de mundos possíveis pode ser entendida como uma alegoria lógica que descreve a condição metafísica do conjunto de todos os seres e entes do universo. Um mundo possível é, portanto, um mundo logicamente possível em todos os mundos possíveis. Entendemos aqui a possibilidade lógica em todos os mundos possíveis como tudo aquilo que é logicamente possível em todos os mundos mesmo derivando de uma contradição lógica, por exemplo, a proposição Pı¬P “o gato está vivo e morto” é uma contradição lógica, mas é possível em um determinado mundo, como vimos anteriormente. Logo um mundo onde o gato está vivo e morto ao mesmo tempo é um mundo possível. Deste modo, faz-se necessário esclarecer que um mundo possível não é um planeta do universo, mas sim o conjunto de todas as coisas, isto é, o próprio universo, englobando o espaço-tempo, pois o espaço e o tempo existem em todos os mundos possíveis, sendo o espaço-tempo a condição sine qua non para a existência de qualquer mundo possível. Não podemos entender aqui o mundo atual somente como aquilo que está em ato (no sentido aristotélico do termo), mas também como aquilo que está em potência no próprio ato, isto é, a possibilidade, pois tudo o que é logicamente possível só o é em relação a outro mundo, pois do contrário tudo o que é logicamente possível se encerraria nas coisas e nos eventos deste mundo.

A paraconsistência própria da linguagem dos mundos possíveis faz com que a imortalidade da alma e a pluralidade dos mundos habitados sejam condições lógica e ontologicamente possíveis. Assim a linguagem dos mundos possíveis possibilita a pretensão lógica e ontológica da metafísica, da teologia e da religião de englobar tudo o que é possível ser ou não ser. Isto quer dizer que a linguagem dos mundos possíveis, regida pela paraconsistência lógica da mecânica quântica, demonstra ser possível, que, neste exato momento, enquanto você se esforça para compreender este singelo texto, em um outro mundo, no mesmo espaço-tempo, um trem pode estar passando sobre você; ou um astronauta, em Vênus, pode estar sobre a avenida de uma outra civilização, num outro mundo, no mesmo espaço-tempo; ou um avião, onde você, sentado, neste exato momento, pode estar sobrevoando uma outra cidade, num outro mundo; ou neste exato momento, enquanto você se embriaga do surrealismo destas palavras, um outro ser (um espírito ou um anjo), em um outro mundo, pode estar com as mãos sobre seus ombros lendo o texto com você e lhe ajudando na compreensão deste; ou então um homem sobre o vulcão Lawoe, na Ilha de Java, na indonésia, pode estar no mesmo espaço-tempo, sobre uma porta dimensional para outro mundo, numa espécie de entrelaçamento quântico, onde dois mundos estão de alguma forma tão ligados que um mundo não pode ser corretamente descrito sem que a sua contra-parte seja no mesmo instante mensionada. Esta correlação entre a linguagem dos mundos possíveis e o entrelaçamento quântico sugere que um mundo está a influenciar instantaneamente um outro mundo com o qual está entrelaçado, apesar da separação ontológica entre eles. Isto dá a entender que todos os mundos possíveis estão conectados por “forças” invisíveis que permanecem no espaço-tempo, ou que estão fora do que entendemos ou concebemos por sistema espaço-temporal.

A linguagem dos mundos possíveis pode ser melhor traduzida pela estrutura própria dos computadores. A lógica clássica aristotélica-tomista tem uma memória feita de sentenças assim como um computador clássico tem uma memória feita de bits. Deste modo, cada bit guarda um “1” ou um “0” de informação, assim como cada proposição na lógica clássica guarda uma afirmação ou uma negação. Mas a mecânica quântica não é regida pela lógica clássica, como pudemos ver anteriormente, posto que na lógica clássica a proposição “o gato está vivo e morto” é uma contradição lógica que implica na falsidade da proposição, não sendo, portanto, um mundo possível. A mecânica quântica, pelo contrário, é regida pela lógica paraconsistente, onde a proposição “o gato está vivo e morto ” é verdadeira em um mundo possível. A lógica paraconsistente se iguala, portanto, à estrutura dos computadores quânticos, onde um quibit pode conter um “1”, um “0” ou uma sobreposição dos dois; ou seja, pode conter tanto um “1” como um “0” ao mesmo tempo. O computador quântico funciona como uma espécie de manipulação deste sistema binário, assim como a lógica paraconsistente funciona como um tipo de manipulação das sentenças na proposição, dando sentido lógico aos fenômenos do mundo subatômico. A lógica paraconsistente é a lógica própria da mecânica quântica que possibilita uma revolução no conceito de mundos possíveis, na medida em que é possível construir computadores quânticos com átomos que podem estar excitados e não excitados ao mesmo tempo, bem como com fótons que podem estar em dois lugares ao mesmo tempo, ou com prótons e neutrons  ou elétrons e pósitrons que podem ter um spin ao mesmo tempo para cima e para baixo, demonstrando a existência ontológica e metafísica de uma dialética dos mundos possíveis, onde certas contradições são (ou podem ser consideradas como verdadeiras) se e somente se forem possíveis em um determinado mundo, sendo essas contradições entendidas como verdadeiras em algum mundo possível, onde podem ser entendidas como contradições reais, na medida em que isso ocorre graças a revolução na linguagem dos mundos possíveis provocada pela paraconsistência da mecânica quântica.

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